Férias: curiosidades do velho mundo

Pois é, como bem lembrou a última edição do Panrotas, quando os clientes estão de férias,  profissionais do turismo estão trabalhando.  Eu costumo brincar dizendo que ou trabalhamos servindo os clientes ou trabalhamos buscando novos clientes, o ciclo é ininterrupto. Brincadeira a parte, a verdade é que para nossa classe profissional “Férias” é coisa séria. Então, aproveitando o tema da última edição do Panrotas, vou compartilhar algumas curiosidades sobre o assunto aqui do velho mundo.

  • Na antiguidade Romanos ricos construíam em terras agrícolas casas secundárias chamadas de Villae onde faziam escapadas para fugir das primeiras grandes cidades por eles construídas.
  • As primeiras férias escolares foram, de fato, criadas pela igreja entorno de 1250 para que as crianças pudessem ajudar seus pais nas colheitas, a pausa era denominada “vendange” ou vindima, nome que subsiste até hoje para as colheitas de uvas na França.
  • Quanto aos adultos, desde a Idade Média, Reis e nobres mudavam de castelo em castelo levando seus pertences em busca de paz social e belas paisagens. Esses mesmos pertences, devido à mobilidade das Cortes passaram a ser chamados de mobília ou móveis.   Quanto aos menos abastados, poucos viajavam. Dentre os poucos viajantes, a peregrinação religiosa era a maior motivação.
  • Porém é no início do século XIX que a burguesia inglesa, nascida com a revolução industrial, começa a se ausentar das grandes cidades durante períodos de calor para fugir da poeira exalada pelas fábricas alimentadas a carvão e do desconforto causado pela mistura da poluição e calor. Aí, em 1841,  começa a história da primeira agencia de viagens, existente até hoje,  criada por Thomas Cook.

Férias , curiosidades Paris

  • Em 1855 Thomas Cook organizou e vendeu o primeiro circuito de viagens da história, o pacote incluía transporte, alojamento e refeições e tinha como destino  Bruxelas, Cologne, Heidelberg, Strasbourg e finalmente Paris para a visita da Exposição Universal de Paris daquele ano.  Em 1868 Thomas Cook inventou o primeiro voucher, entregue à participantes de um cruzeiro sobre o Rio Nilo. Como mencionado no parágrafo anterior, somente pessoas ricas podiam usufruir de tais regalias.

  • Graças as greves trabalhistas dos anos 1930, a classe trabalhadora ( e isso inclui agentes de viagens do século XXI)  também têm férias pagas.

  • A França concedeu férias pagas à sua população 6 anos após o Brasil, em junho de 1936. Hoje, os trabalhadores franceses desfrutam de cinco semanas de licença remunerada por ano. Número que classifica a França como 4° país em termo de dias de férias concedidos, juntamente com Portugal, Espanha e Suécia. Entre os mais generosos da Europa encontramos a Finlândia, (39 dias de férias pagas ao ano), a Áustria (38 dias) e a Grécia (38 dias).
  • As férias escolares francesas acontecem durante o verão, nos meses de julho e agosto. Outros periodos de 15 dias são concedidos em abril, outubro e dezembro.
  • A minha melhor dica para quem busca férias com bons preços é evitar as altas temporadas e férias locais. Porém a boa noticia é que esta dica não se aplica a Paris. Pois as férias em geral representam para o parisiense ( e porque não dizer o francês) a ocasião de visitar parentes, viajar dentro e fora da França, aventurar-se, mudar de ares ou simplesmente descansar. E, durante as férias de verão, o francês busca majoritariamente sol e praia.  Portanto, não é surpreendente ver um grande influxo da população parisiense e francesa à beira do Oceano Atlântico, no Mar Mediterrâneo ou no Mar do Norte.
  • Segundo estudos estatísticos, o francês que não têm uma casa de veraneio tem prazer em economizar, tanto em acomodação quanto em transporte. E para isso, a economia colaborativa tem se mostrado uma grande aliada das férias daqui. Airbnb para moradia, BlaBlaCar para transporte. Outro setor fértil e acessível para o verão: o camping.  57% dos franceses que optaram pelo camping afirmam ter feito a escolha devido à excelente relação custo-benefício.
  • E para terminar a lista de curiosidades, em setembro 2017, Paris dispunha de 86 725 ofertas Airbnb. 1 apartamento da cidade sobre 19 serve para locação. A oferta de alojamentos é ampla e os preços hoteleiros tendem a baixar. (Fica a dica)

 

 

Paris 2024 em primeira mão

Paris e, sobretudo Anne Hidalgo & Emmanuel Macron estão em festa.  O Comitê Olímpico oficializou o que já era esperado, Paris acolherá os Jogos Olímpicos de 2024 e Los Angeles em 2028.

Vamos esperar que a ocasião gere mais ganhos que gastos.  Os projetos prometem um verdadeiro sucesso da operação.  Reformas e obras em toda periferia de Paris, restauração e promoção das áreas antigas e nobres da cidade. Ao contrário de muitas outras Olimpíadas, que ocasionam desperdício de verba e recursos, ouso crer que em Paris o evento será uma real oportunidade para aproveitar destas áreas periféricas em mal estado e construir a Grande Paris do futuro.

Os planos garantem melhorias para a cidade e sua população e Olimpíadas fantásticas, à altura do destino turístico que é a capital francesa.

Não perca o site de apresentação do evento:

Paris 2024 o Conceito em 3D

Paris 2024 mapa interativo   clique em Versalhes e Champs de Mars para imagens 3D

 

 

O impressionante espetáculo das águas de Versalhes

Agosto, setembro e outubro são os últimos meses para ver o maravilhoso “espetáculo das águas” que acontece nos jardins do Palácio de Versalhes.

Grandiosa realização de paisagismo exterior, os jardins são tão belos e sempre foram considerados tão importantes quanto o palácio aos olhos de seus moradores reais. Obra magistral de reconhecidos arquitetos franceses como André Le Nôtre (1613 -1700) e Jules Mansart (1646-1708), o imenso jardim evoluiu a cada reinado desde Luís XIV (1638- 1715),  seu idealizador e primeiro proprietário até o decapitado Luís XVI (1754-1792). Luís XV construiu o Petit Trianon para seus encontros amorosos. Maria Antonieta, esposa de Luís XVI, construiu longe do palácio uma fazendinha para fugir do protocolo real e brincar com animais de estimação.

Porém, o incrível sistema hidráulico, as fontes, suas impressionantes esculturas, assim como o Grand Canal são realizações e testemunhos do poder de Luís XIV, o rei Sol, como se autonomeou. É também curioso saber que as constantes preocupações quanto ao aprovisionamento de água para as inúmeras fontes serviram como alavanca para grandes invenções e descobertas na área hidráulica. Luís XIV teria feito para a Corte seu primeiro espetáculo Grands Eaux em 1666.

Atualmente as fontes do jardim de Versalhes têm alimentação em circuito fechado e cada um dos seus 94 espetáculos diurnos atrai em média 10 000 visitantes.  

O jardim em números:

  •        Início da construção: 1662
  •         Área: 815 hectares
  •         Número de plantas sob Louis XIV: 150 000

Hoje:

  •         350 000 árvores, 300 000 flores plantadas anualmente, 40 km de arbustos tosados, 700 árvores tosadas em 67 diferentes formas.
  •         32 hectares de gramado, 43 km de passarelas, 23 km de treliças de madeira, 14 bosques.
  •         Estatuária: 235 vasos, 155 estátuas, 86 grupos esculpidos.
  •         55 fontes e mais de 600 jatos d’água. 
  •         35 km de canalizações hidráulicas (10% de chumbo, 90% de ferro fundido).

 Os espetáculos Les Grandes Eaux de Versailles acontecem de abril a outubro às terças-feiras, sábados e domingos. De junho a setembro, 13 apresentações aos sábados à noite chamam-se Grands Eaux Nocturnes. Vejam os “teasers”a seguir.