Provence Cottage Monte Verde

A força dos pequenos na hotelaria

É inegável o quanto os hotéis se transformaram desde o começo da pandemia. E o hóspede médio também vem mudando parte de sua percepção sobre o setor. Com a necessidade de distanciamento social constante, as comparações entre pequenos hotéis com até 35 quartos e grandes propriedades com várias centenas deles estão ficando cada vez mais inevitáveis para muitos viajantes. Em tempos de pandemia, fica mais evidente do que nunca a força dos pequenos na hotelaria. 

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Fiz agora em outubro minha primeira escapada desde a declaração da pandemia do novo coronavírus em 12 de março último. Procurando seguir as principais orientações da OMS e dos cientistas em geral para reduzir contatos e riscos, procurei destinos chamados “hiperlocais” (até 300km da minha residência) e viajei no meu próprio carro.

Passei dez dias na Serra da Mantiqueira, entre Monte Verde (MG) e Campos do Jordão (SP) – dá para ver detalhes da viagem no meu instagram. E realmente não precisei pensar duas vezes para escolher dois pequenos hotéis para minhas primeiras experiências hoteleiras dos “novos tempos”.

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O acolhimento dos pequenos hotéis

Em Monte Verde, apostei sem medo na Provence Cottage&Bistrô, há muitos anos considerada uma das melhores e mais românticas pousadas do Brasil. Ali distanciamento social já era regra quando nem sonhávamos com um pandemia. São apenas sete chalés para duas pessoas (e está vindo mais um, que fica pronto no mês que vem) espalhados por um delicioso bosque de quase doze mil metros quadrados na montanha. 

Os padrões de limpeza também sempre foram assunto seríssimo na propriedade, até porque sua cozinha foi sempre seu coração e maior chamariz. Os proprietários Ari Kespers e Whitman Colerato são absolutos craques na gastronomia. Seu café da manhã e chá da tarde servidos todos os dias e incluídos em todas as diárias (sempre à la carte, com tudo preparado na hora) são realmente difíceis de superar.

E foram extremamente transparentes durante todo o processo de reabertura, inclusive nas redes sociais, sobre todos os novos protocolos da casa em tempos de pandemia. Tudo cumprido à risca pelos hóspedes, sem reclamações, durante os dias em que estive ali. Inclusive a obrigatoriedade de uso da máscara em todos os ambientes. 

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Alto padrão de serviço e calidez

Em Campos do Jordão, escolhi a L.A.H. Hostellerie, um pequeno oásis de apenas nove quartos, longe da badalação do Capivari, que é meu xodó na cidade. O mesmo alto padrão de serviços cheio de calidez de sempre segue firme por lá – mas agora dando um baile de profissionalismo também nos procedimentos adotados em tempos de pandemia.

A limpeza e desinfecção dos quartos é minuciosa e sistemática, da entrada das funcionárias devidamente paramentadas ao descarte correto dos EPIs. Há distribuidores de álcool gel espalhados literalmente por todos os cômodos e acessos da propriedade. Cada hóspede recebe também máscara e frasco individual do produto no check in (e máscaras são obrigatórias fora do quarto).

O café da manhã à la carte agora só é oferecido com hora marcada (até 13h!). E é o próprio hóspede que decide na noite anterior o horário e o local (quarto, restaurante ou deck da piscina) em que quer fazer seu desjejum. Com poucos quartos, o staff do hotel consegue administrar muito bem essa nova demanda. Tomei meu demorado café da manhã no deck da piscina na maioria das manhãs, tranquila, tudo feito na hora, sem nenhum outro hóspede à vista. Vale ressaltar que, mesmo com o destino liberando 100% de ocupação, durante a semana decidiram manter ocupação reduzida na propriedade. 

Até o uso da deliciosa piscina aquecida da L.A.H. está funcionando com hora marcada agora. Além da sensação maior de segurança, ter a piscina só para você no horário reservado é também um tremendo luxo – que jamais seria possível em uma grande propriedade. 

LEIA MAIS sobre a L.A.H. Hostellerie aqui.

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A força dos pequenos da hotelaria

Estudos do setor vinham apontando maior confiança do viajante nas grandes marcas hoteleiras internacionais no começo da reabertura, com uma percepção em geral maior de que grandes marcas teriam processos sanitários mais abrangentes e controlados. Mas novos estudos já sugerem uma confiança crescente nos hotéis independentes também.  

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É inegável que as grandes marcas da hotelaria tenham budgets em geral muito maiores para marketing e relações públicas. Não pouparam esforços desde o começo da pandemia em divulgar as associações que faziam com escolas médicas e grandes empresas de saúde, nem imagens de seus quartos e ambientes sendo desinfetados.

Mas este segundo semestre vem mostrando a força dos hotéis pequenos e independentes. Um segmento que sempre se mostrou extremamente forte em autenticidade e atenção aos detalhes, sobretudo na hotelaria de luxo. Nestes tempos em que o turista estrangeiro desapareceu e o Brasil finalmente passa a ser vendido para brasileiros, os pequenos hotéis estarão mais em voga do que nunca. Alguns hoteleiros já andam dizendo que “small is the new big”. 

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Flexibilidade e agilidade nas reações

Os pequenos hotéis têm estruturas menos rígidas, focando na qualidade do serviço, na autenticidade e no tempo como artigo de luxo (aliás, quer coisa mais luxuosa que café da manhã servido a qualquer horário?). A maioria teve suas estruturas completamente adaptadas às necessidades da pandemia com rapidez porque, em proporções diminutas, já pregavam também distanciamento social e critérios máximos de segurança sanitária desde muito antes da chegada do novo coronavírus.

Hotéis independentes têm naturalmente menos “scripts” que as unidades das grandes redes. Também se beneficiam de não terem a obrigatoriedade de aderir a este ou aquele conjunto específico de padrões e protocolos associados a uma marca, inclusive nos momentos de crise. Embora acabem tendo muito mais trabalho para desenvolver ou selecionar seus próprios protocolos, têm sem dúvida muito mais maleabilidade para tocar o processo. E podem ser mais proativos e ágeis nas reações. 

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Tamanho importa

Com o novo foco global da hotelaria em limpeza, muitos pequenos hotéis criaram equipes de “concierges de limpeza” e estão fazendo um trabalho realmente impecável, com um dinamismo de fazer inveja a muita propriedade grande. É claro que tamanho importa; afinal, uma propriedade pequena tem menos espaços comuns, menos quartos e, portanto, menor área para “cobrir”.  

Por terem geralmente uma proporção maior de staff por hóspede, conseguem gerenciar de maneira mais fácil os checklists de limpeza pré e pós-check in. Inclusive pedidos de limpeza “extra”, enquanto o turndown service foi extinto provisoriamente por muitas redes grandes. E o mais importante: geralmente têm as regras de conduta e segurança durante a pandemia muito claras e objetivamente comunicadas em seu website e/ou no material entregue aos hóspedes no check in. Comunicação eficiente, sabemos, é mais do que nunca essencial. 

Portanto, no dia-a-dia, tudo nos pequenos da hotelaria é muito diferente do “one-size-fits-all”  das grandes redes. Se por um lado são onerados nos custos muitas vezes maiores por não comprarem em grande escala como grandes redes (EPIs incluídos), a agilidade na tomada de decisão é imbatível.  Suas decisões são baseadas nas demandas e necessidades locais e específicas, e acabam sendo mais rapidamente decididas e implementadas (mesmo que experimentalmente). Até porque, em geral, são específicas para uma única propriedade e destino. 

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Foco na sustentabilidade

Em geral, os pequenos hotéis focam melhor também em sustentabilidade, cuidando verdadeira e constantemente de suas comunidades. São orientados para a comunidade na qual se inserem também porque muitas vezes dependem diretamente dela para compor seu staff e para agregar experiências autênticas aos hóspedes. 

Além disso, hotéis independentes ligados a grupos e associações, como Leading Hotels of the World, Preferred Hotels, Small Luxury Hotels ou mesmo à brasileiríssima BLTA (Brazilian Luxury Travel Association), podem contar ainda com os valiosos suporte, orientação e amparo que estas organizações propiciam. 

A BLTA, por exemplo, lançou durante a pandemia seu manifesto estabelecendo a sustentabilidade como um dos pilares de seu trabalho junto a seus associados. A Leading Hotels of the World criou globalmente os certificados/vouchers Stay It Forward para apoiar colaboradores dos hotéis de seu portfólio e as comunidades onde os mesmos estão inseridos, apoiando famílias afetadas pela crise gerada pela pandemia. Cada voucher dá direito a duas noites de hospedagem em um dos hotéis associados com uma série de benefícios e pode ser resgatado até 2022 – com 100% dos rendimentos doados aos funcionários que enfrentam dificuldades financeiras ou às suas comunidades. 

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Gente é pra brilhar

Seja um lodge na Amazônia ou uma pousada de charme no Nordeste, um lodge na savana africana ou uma propriedade no deserto do Atacama, os pequenos hotéis sempre primaram pelo cuidado contínuo de suas comunidades. Não quem as grandes redes não o façam. Há muitas que fazem, e o fazem muito bem. Mas pequenas propriedades são geralmente muito ativas neste quesito. E, também como efeito da pandemia, o viajante está cada vez mais atento a essas posturas. 

Afinal, sustentabilidade nunca esteve tanto em evidência na cadeia turística, e sabemos a importância das comunidades locais em um negócio verdadeiramente sustentável. Além disso, em tempos de tanto distanciamento social, ainda queremos muito (talvez mais do que nunca) explorar as conexões com as pessoas do lugar que visitamos, certo?

LEIA MAIS sobre sustentabilidade na hotelaria aqui.

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Revolução cultural da hotelaria em tempos de coronavírus

Na última década, a hotelaria em geral passou a investir cada vez mais nos seus espaços sociais. Grandes redes como Marriott e Hilton adotaram o termo “social hub” para descrever seus lobbies e espaços públicos anexos. Mas, hoje, há uma verdadeira revolução cultural ocorrendo nestes espaços da hotelaria em tempos de coronavírus e da necessidade de distanciamento social.

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Já tem um tempo que a gente considera um lobby de hotel ideal quando tem um certo jeito vibrante, gente indo e vindo, preferencialmente com um bar anexo cheio de locais, peças de design ou obras de arte de impacto aqui e ali.

Lobbies opulentos em hotéis clássicos sempre funcionaram como locais de reunião profissionais e pessoais de moradores também – veja exemplos clássicos como as Galeries do Four Seasons George V em Paris, o lobby do St Regis DC em Washington, do incrível Mandarin Oriental Bangkok ou mesmo do hoje já quase decadente Alvear Palace Hotel, em Buenos Aires.

Mas na última década houve um verdadeiro boom – iniciado em grande parte por hotéis boutique e/ou independentes – em reativar o lobby e outros espaços comuns dos hotéis como uma verdadeira sala de estar para hóspedes e locais. 

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Crédito: Divulgação

Uma nova fase para os chamados “social hubs”

Hotéis de todos os tipos e tamanhos passaram a oferecer cada vez mais opções de socialização em seus espaços públicos, misturando geralmente alimentos e bebidas, conectividade, ócio e lazer tudo num mesmo espaço. Virou cena corriqueira ver grupos de amigos festejando em mesas altas de bar e gente trabalhando sozinha em seu computador em uma poltrona praticamente lado a lado.

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E a iniciativa vinha dando muito certo, fosse nos espaços descolados de grandes marcas como W Hotels ou mesmo espaços diminutos em pequenas pousadas.  Criar espaços nos quais hóspedes pudessem se reunir com amigos e família e permanecer no hotel fora dos seus quartos se tornou uma norma, e vinha realmente fazendo sucesso.

Mas a pandemia do novo coronavírus e todas as necessidades de limpeza e distanciamento social que vieram com ela começaram rapidamente a promover uma espécie de revolução cultural da hotelaria em seus espaços públicos. Projetados para interação social, hoje a maioria dos lobbies em hotéis de diferentes tamanhos refletem enormemente a necessidade dos dois metros de distanciamento entre hóspedes: menos móveis, menos objetos, minimalismo exacerbado, necessidade de “emanar” limpeza o tempo todo. 

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Foto: Mari Campos

Cada vez menos contato

Da maioria das pousadas brasileiras aos hotéis de grandes redes, a nova disposição de móveis (com muito menos deles no recinto) virou norma – além de menos arranjos de flores e objetos de decoração também. Via de regra, tudo que não pode ser facilmente desinfectado foi confinado aos porões, longe da vista dos hóspedes. A própria limpeza dos espaços públicos, aliás, que geralmente era feita à noite, longe dos olhos dos hóspedes, agora é geralmente feita à luz do dia, já que as indicações visuais de higiene se tornaram hoje mais importantes do que nunca. 

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Soluções tecnológicas necessárias, como check-in e check out online, contato com o staff via app e outras iniciativas “contactless” que ganharam força nos últimos meses, também vêm evitando que hóspedes sequer tenham que passar por esses espaços. 

E espaços antes vibrantes ou aconchegantes estão se tornando rapidamente cada vez menos convidativos. Salões que conservam ainda poltronas, puffs e sofás estão geralmente adotando elementos visuais (como almofadas, cartazes ou até objetos bem humorados) para sinalizar onde o hóspede pode ou não ficar. Hoje, mais do que nunca, se não houver grandes espaços externos, o hóspede está passando a maior parte do seu tempo no hotel dentro do próprio quarto (muitas vezes, desde o café da manhã). 

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Revolução ainda maior no setor de pousadas e bed&breakfasts

Em muitas pousadas brasileiras está acontecendo o mesmo fenômeno porque passam os bed&breakfast europeus, em uma revolução cultural da hotelaria em tempos de coronavírus ainda mais complicada, já que afeta a própria natureza do negócio. Afinal, este tipo de propriedade sempre prezou justamente pelo aconchego, pela fácil interação entre os hóspedes e, principalmente, pela interação constante entre eles, staff e proprietários no cotidiano da hospedagem.

Mesas antes próximas para o café da manhã agora estão muito afastadas e a maioria dos hóspedes está tomando o café no seu próprio quarto. Salas de leitura cheias de livros e revistas para folhear despretensiosamente enquanto a gente tomava um chá ou café à tardinha também já são muito mais raras – e definitivamente menos frequentadas. 

Veja também: como o setor de alimentos e bebidas pode ajudar na recuperação da hotelaria

Para muitos negócios, a revolução cultural trazida pelos tempos do novo coronavírus vem significando mudanças importantes em ambientes que fazem parte da própria identidade da propriedade. Os pratos com bolos e potes com biscoito para livre serviço durante a tarde nos salões sumiram ou deram lugar a pedaços embalados individualmente para que o hóspede pegue o seu e vá comer no quarto ou no jardim. 

O bate-papo gostoso com os donos da pousada durante o serviço do café está sumindo devagarinho, seja pela ausência de hóspedes para o serviço no salão ou pela necessidade dos donos prestarem atenção em tantos protocolos durante o serviço que fica complicado relaxar e conversar. Mas, felizmente em muitos casos, esse bate-papo que é também a alma das nossas pousadas está sendo transferido para os jardins e demais áreas externas das propriedades, nos quais o distanciamento social pode ser mantido sem problemas. 

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Ressignificando aconchego e socialização

A exigência de oferecer menos quartos disponíveis também ajuda nesse sentido, já que favorece naturalmente o distanciamento entre hóspedes. Pousadas e pequenos hotéis também costumam já ter um staff muito mais reduzido, e que hoje em dia se desdobra mais do que nunca em diferentes funções e cuidados. 

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Mas a calidez entre hóspedes e donos e staff neste tipo de estabelecimento é sua marca registrada e é preciso “manter essa chama acesa”. O desafio de manter a personalidade de uma propriedade sem sacrificar de nenhuma maneira a segurança dos hóspedes e funcionários nestes tempos é imenso. Em muitos casos, está rolando uma ressignificação da idéia de “aconchegante” e “sentir-se em casa” nestes tempos tão assépticos. 

Há grandes exemplos no Brasil, da pequena pousada Provence Cottage, em Monte Verde, MG, à charmosa Casa Turquesa, em Paraty, RJ. Ambas propriedades já estão reabertas e vêm sendo elogiadas pelos hóspedes pela conduta que está sabendo equilibrar muito bem a segurança que o momento exige com a calidez que fez a fama do negócio. Mas há mudanças que talvez tenham realmente vindo para ficar neste sentido. E, é claro, é necessário que todos entendam e se ajustem aos novos protocolos, respeitando as regras estabelecidas por cada propriedade, pelo bem individual e comum. 

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Como é o novo Juma Ópera em Manaus

Foram dez longos anos de espera, entre o começo do projeto e a abertura oficial das portas (ainda em soft opening) no último dia 2 de fevereiro. Mas, enfim, podemos contar aqui como é o novo hotel Juma Ópera, em Manaus, que está finalmente inaugurado – e nós fomos os primeiros a conhecer a nova propriedade!

Localizado na avenida 10 de Julho, o novo Juma Ópera fica bem diante do Teatro Amazonas, e é um hotel boutique de apenas 41 quartos que deve transformar de vez o cenário da hotelaria da cidade. Os bons ventos hoteleiros já tinham começado a soprar sobre a cidade desde a inauguração do ótimo Villa Amazonia, também no centro histórico (falaremos dele aqui na coluna mais adiante), mas a verdade é que o Opera trouxe um padrão hoteleiro para Manaus.

A convite do hotel, fiquei hospedada no novo Juma Ópera, em Manaus, ainda em fevereiro, durante seu período de soft opening. O complexo do hotel-boutique é formado por dois casarões tombados e restaurados, somados a dois outros prédios construídos do zero no mesmo estilo, com total harmonia externa entre eles. Boa parte dos quartos, o restaurante e também o imperdível rooftop têm vista desobstruída para o genial Teatro Amazonas, inaugurado durante o Ciclo da Borracha. 

CONFIRA AQUI A REVIEW COMPLETA DO NOVO JUMA OPERA, em Manaus.

O ousado projeto foi comandado pelo arquiteto Roberto Vinograd e incluiu fiação toda estruturada de forma subterrânea para que a fachada ficasse livre para ser devidamente apreciada.  A decoração tem projeto assinado pela arquiteta Debora Aguiar, especialista no conceito eco-luxury, com tons suaves nos móveis e objetos e muitos quadros e objetos indígenas pelas paredes e ambientes, como os balaios Baniwa, confeccionados artesanalmente pelos índios desta etnia a partir das folhas de arumã tingidas com urucum e trançadas uma a uma.

Ao todo, são apenas 41 suítes de diferentes categorias e tamanhos (entre 23m² e 66m², com pé-direito alto), no novo Juma Ópera, em Manaus. Todas elas contam com charmosos balcões, e a maioria tem vista para o Teatro. Os quartos têm decoração primorosa, em tons claros e aconchegantes, sempre com elementos amazônicos nas paredes – fotos e objetos em cestaria. Roupa de cama e banho são de excelente qualidade. De alguns dos quartos, é possível ver a cúpula do Teatro Amazonas até mesmo da cabeceira da cama.

Clique aqui para ler sete dicas para tornar suas viagens mais sustentáveis a partir de agora.

Não há água nem café/chá cortesia (tudo é cobrado no minibar e não há máquinas de café nos quartos) e a maioria dos quartos não é exatamente espaçosa; mas há boa funcionalidade em móveis acessórios, mesa de trabalho e armários. A internet grátis é de ótima qualidade, há bom isolamento acústico e os banheiros são bonitos, espaçosos e com bons secadores de cabelo. E a diferença de qualidade de serviço e conforto para o lodge do mesmo grupo na floresta é gritante.

A piscina instalada no rooftop do novo hotel Juma Ópera, com vista panorâmica de Manaus que chega até o rio e com o Teatro bem em frente, é realmente imperdível. Por enquanto restrita unicamente a hóspedes, é deliciosa, discreta, quietinha e com uma vista panorâmica realmente deslumbrante. Só não dá para esperar privacidade, já que o edifício mais alto do centro de Manaus fica logo atrás do hotel, com vista desobstruída para a piscina.

Conheça também o Juma Amazon Lodge, na floresta amazônica.

Foto: Mari Campos

Seu bar e restaurante Ópera, sob comando da chef Sofia Bandelak, já ficaram badalados na cidade: manauaras e turistas se encontram do café da manhã ao jantar no belíssimo restaurante de pé direito alto, com cúpula de vidro e vista para o teatro. O café da manhã ainda era bastante simples durante o soft opening, mas a ideia é passar a servir em breve (de acordo com a gerência do hotel) um bom serviço de buffet com pratos quentes à la carte.

O bar, anexo à recepção, criou uma carta bem empolgante, com drinks exclusivos voltados para ingredientes e sabores amazônicos – mas todos os clássicos estão também disponíveis, é claro. O bar atende também no charmoso terraço à frente do hotel, com petiscos e pratos rápidos, e a equipe de barmen (e barwoman!) é um encanto.

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O menu do restaurante Ópera, ainda que não definitivo nesta fase de abertura, ficou realmente excelente. Há pratos internacionais, mas a maioria deles reflete bem a riqueza e complexidade dos ingredientes e sabores locais. Tive a chance de, durante meus vários dias no hotel, provar diferentes pratos do cardápio e gostei muito de tudo que comi, de entradinhas à sobremesa. Os pratos mais inesquecíveis para mim foram o irretocável risoto de tacacá e o suculento pirarucu.

Há também uma academia e o hotel deve ganhar em breve nova recepção e entrada e também área de convenções. O hotel usa parcialmente energia solar no sistema de aquecimento e tem vários espaços revestidos por cerâmicas de vidro reciclado.

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Um hotel-spa cinco estrelas em Bordeaux

Bordeaux é terra de excelentes bistrôs e grandes rios. Terra muito boa para explorar também em um cruzeiro fluvial, como o que fiz com a Uniworld ao longo de uma semana, visitando as principais vinícolas e vilarejos da região. E Bordeaux é também terra de um premiado hotel-spa cinco estrelas.

Mas a cidade de Bordeaux também é incrível, e vale estadias cada vez maiores para a gente dar conta de visitar todas suas atrações e bairros cheios de personalidade, e ainda ter tempo para provar muitos wine bars e bistrôs. O que pouca gente sabe é que a região de Bordeaux também pode ser destino certeiro para pausa, sossego, relax absoluto. É essa a receita vencedora do belo Les Sources de Caudalie, um hotel de luxo com um premiado spa Caudalie que foi um dos grandes pioneiros do enoturismo da região.

São apenas vinte minutos de carro que separam o hotel-spa cinco estrelas do centro de Bordeaux. O aeroporto da cidade fica também à mesma distância, fazendo do hotel também uma escapada possível para quem tem poucos dias disponíveis.

Inteiramente rodeado pelos belos vinhedos da vinícola Château Smith Haut Lafitte, com mais de 600 anos de história, tem diferentes opções de acomodação dispostas horizontalmente, de quartos convencionais a cottages de sonho, que parecem saídos de um filme de época, repletos de carvalho e pedras calcárias. 

Clique aqui para ler como deixar a sua casa com jeito de hotel.

No hotel-spa cinco estrelas em Bordeaux há também quartos tipo cottage, todos enormes e extremamente recomendáveis. Chalés completos, com hall, sala de estar, quarto, varanda mobiliada, closet e um enorme banheiro (com amenidades da Caudalie, é claro).

Além disso, a propriedade – imensa!, com direito a bosque, fazendinha, lagos etc – é também repleta de obras e instalações de arte espalhadas por toda parte.

Seus excelentes restaurantes fazem todos bom uso do conceito farm-to-table de seus restaurantes, utilizando em seus pratos algumas frutas, ervas e vegetais cultivados ali mesmo. Além disso, os produtos do terroir do sudoeste francês são coisa seríssima para todos eles, por mais distintos que sejam entre si.

O La Grand’Vigne, do chef Nicolas Masse, tem duas estrelas Michelin – e é ali mesmo que é servido diariamente um impecável café da manhã. O La Table de Lavoir é um bistrô tipicamente francês e o descolado Rouge funciona mais com um tapas bar, para refeições mais rápida.

O spa vale o quanto pesa, com vinte diferentes salas de tratamento, duas piscinas, saunas e jacuzzi. Foi ali mesmo que foi inventada a vinhoterapia, que consiste em tratamentos de beleza e relaxamento à base de vinho (as sementes da uva são ricas em polifenóis, poderosos aliados nos tratamentos anti-idade, entre outros benefícios). 

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A estrutura do hotel-spa em Bordeaux e de seus múltiplos e tão variados espaços fazem da propriedade um local perfeito tanto para casais como para famílias com crianças pequenas (a infra para os pequenos, aliás, é impressionante). Há também bicicletas disponíveis para empréstimo, trilhas, piscinas, fazendinha, salas de jogos, espaços lúdicos, biblioteca e academia.  Atividades como visitas à vinícola, piqueniques entre os vinhedos, aulas de culinária e degustações podem ser arranjadas, mediante pagamento extra.

Seja para pré ou pós cruzeiro, o premiado hotel-spa cinco estrelas Les Sources de Caudalie, em Bordeaux, é perfeito para descansar após explorar Bordeaux ou mesmo para escapar de Paris por dois ou três dias.

Clique aqui para ler mais sobre hotelaria na França.

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Sustentabilidade na hotelaria no sul da Bahia

Há algum tempo, escrevi neste texto aqui sobre a necessidade da hotelaria encontrar seu equilíbrio com a sustentabilidade, mencionando diversas iniciativas em hotéis no exterior. Agora está na hora de falar um pouco de Brasil. Mais especificamente sobre sustentabilidade no sul da Bahia.

Afinal, há cada vez mais viajantes levando estas iniciativas seriamente em consideração antes de decidir-se ou não pela reserva em um determinado hotel e já entenderam que é preciso muito mais do que colocar nos banheiros aquele aviso para evitar a troca constante de toalhas.

Da água servida em garrafas de vidro nos quartos a sistemas de auto-suficiência energética, felizmente há hotéis levando isso a sério no Brasil também. Mas, infelizmente, eles ainda são pouquíssimos; muitos proprietários ainda preferem, por exemplo, os lucros oriundos da venda de água no frigobar que a iniciativa de oferecer gratuitamente água em garrafas de vidro, como tantas propriedades no exterior já fazem.

Na semana passada, estive em férias pela região sul da Bahia e escolhi me hospedar em duas propriedades hoteleiras com filosofias muito parecidas, e ambas extremamente focadas na sustentabilidade. Entretanto, vale ressaltar desde já que, apesar de muitos avanços e excelentes iniciativas, estas propriedades ainda têm diversas mudanças que poderiam e deveriam implementar diariamente para favorecer a sustentabilidade de seus negócios.

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Em Trancoso, a escolhida foi a Pousada Mata N’ativa, uma pousada de charme a 500 metros do Quadrado e iguais 500 metros da Praia do Nativo. Além da localização acertadíssima, que permite ao hóspede fazer muita coisa sem nem tirar o carro do estacionamento, a pousada é pioneira na região em iniciativas sustentáveis, tendo inclusive selos internacionais de certificação.

Ali as fossas são 100% ecológicas, os quartos ficam dispostos em diferentes predinhos ao redor de um estupendo jardim e o restaurante utiliza somente produtos locais para o preparo das refeições. Mesmo no décor, a escolha foi por móveis, artistas e artesãos locais. Colabora com iniciativas de preservação da região.

Os quartos da Mata N’ativa são bastante confortáveis e contam todos com ar condicionado e varanda e amenidades Trosseau (alguns têm também hidromassagem). As diárias incluem um delicioso café da manhã em estilo buffet (com pratos quentes feitos individualmente na hora) e a infra-estrutura inclui ainda piscina, playground para os pequenos e uma sala para massagens – tudo sempre respeitando o ambiente. Ali até o sistema de wifi é diferenciado para não interferir no jardim de maneira nenhuma.

LEIA MAIS DETALHES SOBRE A POUSADA MATA N’ATIVA AQUI.

Também em Trancoso, a Etnia Casa Hotel (que, aliás, é agora composta por 7 Villas completíssimas, mas sem abrir mão dos serviços de primeira em hotelaria) também é outro bom exemplo de sustentabilidade no sul da Bahia. Prioriza os ingredientes 100% locais, valoriza os ítens locais na decoração e apoia diferentes projetos de sustentabilidade no turismo, como a Associação Despertar Trancoso e a Ilha de Alcatrazes.

Em Arraial D’Ajuda, é o Maitei Hotel quem sai na frente. Localizado a cinco minutos de caminhada da praia do Mucugê, o Maitei é inteiramente focado em sustentabilidade e utiliza 100% energia solar. São apenas 17 quartos, sendo 9 deles com vista para o mar, todos muito espaçosos, incluindo belíssimas varandas. Amenidades L’Occitane, hidromassagem, diferentes espaços de living, sala de massagens, academia e duas piscinas com vista panorâmica para o mar estão entre os atrativos.

Artesãos locais são os responsáveis pelas peças que decoram áreas comuns e quartos e ingredientes da região são a base para a gastronomia caprichada de seu restaurante, do café da manhã ao jantar. O que se faz absolutamente urgente ali é eliminar por completo o uso de plástico na propriedade. Porque não adianta investir nos canudos sustentáveis se água e amenidades ainda são entregues aos hóspedes em embalagens plásticas, certo?

LEIA MAIS DETALHES SOBRE O MAITEI HOTEL AQUI.

Estes exemplos de sustentabilidade no sul da Bahia valem entrar na wish list. Propriedades assim comprometidas ainda são infelizmente raras na hotelaria brasileira mas, de pouquinho em pouquinho, hoteleiros vão felizmente entendendo que é possível (e também parte do seu dever) investir pesado no turismo sustentável sem abrir mão dos altos padrões de serviço, deixando o hóspede duplamente satisfeito.

Dá pra ler mais sobre esta minha viagem e as hospedagens no sul da Bahia aqui e também aqui.

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