O incrível caso da hotelaria das Maldivas na pandemia

O ano de 2020 foi seguramente o mais desafiador para a hotelaria e a indústria do turismo em geral, no mundo todo. Muitos hotéis passaram meses fechados, e alguns anunciam agora reaberturas somente para o começo de 2021. Mas mesmo em um ano com tantas dificuldades para a hotelaria frente à pandemia, e no qual a maior parte das pessoas sequer viajou, surge o incrível caso das Maldivas. A hotelaria do idílico arquipélago no Oceano Índico celebra uma impressionante recuperação e vem se convertendo no grande destino de 2020.

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Desde março, viajantes com os mais diferentes perfis (incluindo inúmeras celebridades nacionais e internacionais) escolheram seus resorts como uma espécie de refúgio da pandemia que assola o planeta há mais de nove meses. Puro estilo turismo de isolamento.

Há hotéis que fecharam por alguns meses, é claro; mas vários deles seguiram operando normalmente, mesmo enquanto as fronteiras internacionais estavam fechadas. Hóspedes pré-pandemia decidiram seguir ali, isolados em vilas pé-na-areia e bangalôs sobre o mar, ao invés de voltar para seus países de residência. 

Mais que isso: diversos resorts viram, logo antes das Maldivas fecharem suas fronteiras internacionais ainda em março, turistas chegaram ali em seus jatinhos e iates justamente para fugir dos lockdowns que começavam em seus países de origem.

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Dia-a-dia sem pandemia

O incrível caso da hotelaria das Maldivas durante a pandemia pode parecer um roteiro de ficção para quem vê de fora. Ali hóspedes vivem o dia-a-dia sem máscaras nem muitas preocupações com distanciamento social, como se a Covid-19 não existisse.

Um dos poucos destinos abertos para qualquer turista internacional, sem restrições inclusive para brasileiros, o arquipélago tem o novo coronavírus sob relativo controle (menos de 13 mil casos totais e 46 mortes desde o começo da pandemia). E recebeu do World Travel and Tourism Council (WTTC) a alcunha de “destino seguro” há três meses (apesar de todas as questões com o ISIS em andamento).

O segredo? Uma resposta rápida, eficiente e conjunta entre governo, hotelaria e companhias aéreas, com regras claras, comuns e objetivas. Valorizando também, é claro, as caraterísticas naturais de isolamento geográfico, distanciamento social e predominância de atividades ao ar livre do destino.

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Estadias mais longas e frequentes

O incrível caso da hotelaria das Maldivas na pandemia tem gerado não apenas um fluxo constante de viajantes ao longo dos meses, como a maioria deles está fazendo do arquipélago seu único destino da viagem, aumentando a duração das estadias nos resorts. Graças a muitas pessos trabalhando em home office e muitas famílias com as crianças em ensino à distância, as extended stays ficaram ainda mais frequentes por lá.

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Oferecendo promoções desde o começo da pandemia, resorts locais receberam pela primeira vez reservas de brasileiros para estadias de um mês inteiro. “As Maldivas reabriram suas fronteiras para viajantes de qualquer nacionalidade, e a maioria das pessoas já associa o destino a segurança, com teste negativo, local remoto, tudo feito ao ar livre. Com os preços tão atrativos, a demanda realmente aumentou muito”, diz Clara Campos, diretora comercial da Minor Hotels para América do Sul.

Muitos dos resorts criaram pacotes especiais para favorecer as estadias prolongadas (extended stays), que seguem fazendo sucesso entre os mais diferentes perfis de viajantes. Um dos hotéis mais procurados por brasileiros no arquipélago, o Anantara Veli, foi ainda mais longe e criou agora no final do ano um pacote que dá direito a até 365 dias consecutivos de hospedagem. O pacote inclui livre trânsito dos hóspedes, traslados ilimitados de e para Malé e mais uma série de mimos e privilégios durante a estadia. 

LEIA MAIS sobre o Anantara Veli aqui.

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Promoções constantes e parcerias com celebridades

Além disso, a parceria constante da hotelaria local com celebridades (brasileiras, de Hollywood e Bollywood), agentes de viagem e influenciadores também tem sido essencial para colocar o destino cada vez mais em evidência como “ambiente livre de Covid” nas redes sociais. “Tanto o órgão de turismo local quanto os hotéis sempre tiveram uma política de relações públicas e divulgação bastante sólida, facilitando o acesso de celebridades, influenciadores e agentes de viagem. E agora seguem promovendo essa política mais do que nunca”, conta Bruno Vilaça, proprietário da Superviagem.

“Os hotéis estão todos com promoções realmente atraentes, com descontos reais entre 25% e 50% em relação aos valores que costumavam praticar antes da pandemia”, diz Jacque Dallal, da Be Happy, uma das agências que mais vende viagens para as Maldivas no Brasil. “Estamos vendendo bem Maldivas desde maio, e vendendo o mesmo tanto que vendíamos antes da pandemia”, conta. 

A resposta sincronizada das companhias aéreas foi capaz de criar inclusive uma oferta de voos internacionais a Malé ainda maior do que a existente pré-pandemia. A Qatar Airways, umas das principais responsáveis pelo transporte de brasileiros ao arquipélago, criou exigências para embarque em seus voos que também aumentam a sensação de segurança do destino, como apresentação de teste PCR negativo no check-in em São Paulo e embarque obrigatório nos aviões com uso de máscara e face shield. A companhia passou agora a realizar também testes rápidos gratuitos e obrigatórios na conexão no aeroporto internacional do Catar em todo passageiro com destino a Malé. 

VEJA TAMBÉM: Como é fazer conexão em Doha.

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O protagonismo da rede Soneva

Hotéis e resorts estabeleceram rapidamente regras claras e amplamente divulgadas para garantir a segurança sanitária de staff e visitantes. Mas talvez o maior case da hotelaria das Maldivas durante a pandemia seja o da rede Soneva. Suas duas propriedades no arquipélago, Soneva Fushi (que tive o prazer de conhecer em 2019 e mostro em detalhes também no meu instagram @maricampos) e Soneva Jani, ficaram fechadas por vários meses durante pandemia até que a rede encontrasse sua fórmula perfeita de segurança para reabrir as portas aos turistas. 

LEIA AQUI como é se hospedar no Soneva Fushi.

O visionário Sonu Shivdasani contratou e treinou equipe médica exclusiva e montou um laboratório de análises particular em parceria com a Roche em uma ilhota não muito distante dos resorts (cada um instalado em uma ilha privativa diferente).

Hoje, todo novo hóspede dos dois resorts da rede é levado diretamente para sua própria vila para colher material para um novo teste, gratuito, que garante uma espécie de  “camada extra de proteção” contra o coronavírus. O hóspede fica então “confinado” aos limites da sua vila (com alimentação, acesso ao mar e à piscina privativa) até que saiam os resultados negativos dos testes – o que normalmente acontece até a hora do jantar do primeiro dia. 

Iniciativa de sucesso

O staff dos hotéis é testado frequentemente e deixa os resorts com muito menos frequência do que faziam no pré-pandemia. Além disso, os funcionários dedicados a receber novos hóspedes não têm nenhum tipo de contato com hóspedes já negativados. 

LEIA TAMBÉM: Turismo de luxo segue firme durante a pandemia.

A iniciativa adotada pelos hotéis Soneva tem sido tão bem sucedida que outras redes presentes no arquipélago já cogitam adotar metodologia semelhante para 2021.

Com os testes feitos in loco, as máscaras foram 100% abolidas nos resorts, hóspedes e staff interagem livremente entre si o tempo todo, e até os serviços de buffet e as clássicas salas self-service de sorvetes e chocolates da rede foram mantidos. “Dentro dos hotéis simplesmente não se fala de Covid. A gente vive o dia-a-dia como se realmente não houvesse pandemia no mundo”, conta Fernanda Schmidt, da Beyond Destinations, que acaba de voltar de lá com a família.

E tem mais: se o hóspede recém-chegado a qualquer um dos resorts Soneva testar positivo, ele deve ficar confinado em sua vila até que o teste dê negativo – mas a rede garante até 14 dias de cortesia nas diárias nesse caso. Ousados, para dizer o mínimo.

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O crescimento das estadias prolongadas em 2020

Desde abril passado, quando o mundo todo já tinha entendido que estávamos vivendo uma pandemia e tantas fronteiras permaneciam fechadas em todo o planeta, muitos hoteleiros começaram a ver inesperadamente o crescimento das estadias prolongadas. Hóspedes buscando nos mais diversos destinos acomodação não por duas ou três noites, mas sim por duas semanas, um mês e até dois meses se tornaram cada vez mais frequentes. 

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O crescimento das estadias prolongadas (as chamadas long stays/extended stays) em parte da hotelaria em 2020 tem sido uma ferramenta importantíssima na recuperação do setor nestes tempos de pandemia. Em comum, a maioria destes hóspedes vem de cidades grandes e busca alternativas com maior espaço ao ar livre e maior conexão com a natureza para se manter socialmente distanciado em um endereço fora de seu próprio domicílio. 

Algumas propriedades chegaram a notificar um crescimento de até 300% na procura por estas estadias prolongadas neste ano, sobretudo em hotéis e pousadas à beira-mar ou rodeados por montanhas, desde o começo da pandemia.

Acomodações em estilo villa e chalés estão se tornando cada vez mais disputadas (como já comentamos em textos anteriores por aqui) pela privacidade e isolamento que naturalmente oferecem. Mas diversas propriedades têm visto também com frequência – graças a tantos profissionais em home office por tempo indeterminado e tantas crianças e adolescentes em EAD – famílias inteiras ocupando de dois a cinco quartos de uma vez em um mesmo hotel. 

LEIA TAMBÉM: Pandemia pode transformar o home office em road office.

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Provence Cottage. Foto: Mari Campos

Um novo perfil de hóspede para as estadias prolongadas

Há gente planejando fazer quarentenas voluntárias em um destino diferente do seu e há gente também que, ao invés de planejar muitas pequenas viagens diferentes como fazia antigamente, passou a optar por apenas uma escapada – um único destino, mas por muito mais tempo. 

Propriedades em diferentes países estão apostando neste mercado. Alguns destinos nos EUA e na Espanha, por exemplo, começaram a oferecer pacotes de estadia baseados em pelo menos um mês de hospedagem ainda no primeiro semestre. O movimento foi tão significativo em alguns destinos que há hotéis fazendo mudanças estruturais para conseguir atender esses hóspedes. 

Afinal, muitas propriedades econômicas, por exemplo, acostumadas a receber hóspedes “de passagem” por uma ou duas noites, sequer tinham itens como guarda-roupas, mesas e cadeiras nas acomodações; em pouco tempo, se viram obrigados a transformar seus quartos para acomodar adequadamente os hóspedes com estadias prolongadas que não paravam de chegar. 

E os casos são geralmente muito bem sucedidos. Os hotéis HomeTowne Studios (antigos Red Roof), por exemplo, investiram pesado neste modelo e sua performance em tempos de Covid já se compara em números a 2019, com mais de 80% de ocupação média neste ano. Mesmo que as tarifas praticadas sejam menores, os hóspedes estão ficando por mais tempo, o que tem equilibrado as finanças de muitos hotéis. 

Leia também: A evolução dos hotéis durante a pandemia.

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Foto: Four Seasons Image Library

Um conceito de hospedagem criado há 35 anos

O conceito de estadia prolongada (extended-stay) teria sido criado há cerca de 35 anos por Jack DeBoer e Robert L. Brock, fundadores da rede Residence Inn. A marca deu tão certo que hoje é parte da Marriott International.  Já nos anos 2000, o próprio DeBoer criou uma nova rede similar, mas ainda mais econômica: a Value Place. Anos depois, mudou o nome da rede para WoodSpring Suites para vende-la para a Choice Hotels International há dois anos. 

A Choice Hotels também tem um excelente histórico de redes focadas em estadias prolongadas, como MainStay Suites e Suburban, e agora está lançando mais uma marca, a Everhome Suites, que já vem sendo muito bem recebida pelo mercado. 

Além dos índices satisfatórios de ocupação, muitos hotéis que investiram mais em extended-stays viram também queda nos custos operacionais ao cortar os bufês de café da manhã e diminuir a frequência do serviço de camareira como medidas de segurança na pandemia.

Muitas redes estão usando também estes duros meses de 2020 para reavaliar que padrões e amenidades devem mesmo manter quando a pandemia estiver sob controle. 

LEIA TAMBÉM: A revolução cultural na hotelaria em 2020.

Diversos hóspedes também reavaliaram suas prioridades ao escolher uma acomodação na pandemia e passaram também a considerar cozinhas como uma amenidade muito importante. Hoje, investidores do setor hoteleiro também já consideram acomodações com pequenas cozinhas as melhores alternativas de investimento nestes tempos. 

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Anantara Veli. Foto Divulgação.

O crescimento das estadias prolongadas em 2020 também no mercado de luxo

No começo da pandemia, muitos dos hóspedes procurando estadias prolongadas eram trabalhadores essenciais da saúde, logística e construção. Em pouco tempo, a hotelaria de luxo começou a ver também famílias inteiras buscando estadias prolongadas em hotéis e villas nas Maldivas (destino que, aliás, segue sendo um verdadeiro case de sucesso neste 2020, tema que abordarei em uma próxima coluna). 

A coisa foi levada tão a sério nas Maldivas – testemunhando celebridades se mudando praticamente de mala e cuia para lá, por meses a fio – que o resort Anantara Veli achou por bem criar um pacote de estadia ilimitada por até 365 dias consecutivos.

LEIA MAIS sobre hotelaria nas Maldivas aqui.

Misty Belles, diretora de relações públicas da Virtuoso, disse recentemente que o comportamento do viajante de luxo realmente mudou e a tendência atual são viagens com semanas de duração. Com tanta gente trabalhando remotamente e sem a necessidade de as crianças voltarem para a escola em muitos países, tempo virou o verdadeiro luxo. 

O grupo Auberge Resorts, que possui 19 propriedades focadas no mercado upscale e de luxo, teve dezenas de reservas de estadia prolongada neste outono do hemisfério norte – contra apenas uma no mesmo período do ano passado. 

O Eden Roc Cap Cana, na República Dominicana, foi ainda mais longe no seu programa de estadia prolongada para famílias: a reserva de uma suíte de dois quartos com vista para o mar inclui todas as refeições, uso de escritório para trabalho e atividades ilimitadas para crianças, de aulas de culinária e esportes a aulas de idiomas e instrumentos. 

Os hotéis Hyatt Ziva e Hyatt Zilara, no Caribe, também criaram programas de extended-stay focados em hóspedes que trabalharão remotamente. Os pacotes para quem se hospedar por pelo menos duas semanas incluem estações de trabalho, suporte de TI, serviços educacionais e recreativos para as crianças e até personal trainer três vezes por semana e serviço de lavanderia gratuita. 

Pequenos hotéis e pousadas no Brasil passaram a oferecer a possibilidade de serem reservados por inteiro por um determinado grupo ou família. Mesmo redes hoteleiras tradicionais, como Four Seasons, deram ainda mais prioridade aos seus serviços de villas e residences (com serviço completo) para as estadias prolongadas neste 2020.

LEIA TAMBÉM: O futuro do turismo de luxo no Brasil.

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Foto: Four Seasons/ Divulgação

Crescimento das estadias prolongadas deve seguir em 2021

Ainda assim, vale lembrar: embora a indústria hoteleira esteja testemunhando um crescimento sem precedentes das estadias prolongadas neste 2020, este tipo de acomodação ainda representa apenas 5% da ocupação geral dos hotéis e pousadas. Mas especialistas do setor acreditam que esse número deve crescer ainda mais nos próximos meses, com tantas empresas anunciando que não devem voltar ao trabalho presencial pelo menos até 2022. E mais: alguns acreditam que hóspedes que optem pela estadia prolongada durante a pandemia podem acabar reservando mais extended stays no futuro. 

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Piscina do Sheraton, resort urbano no Rio

Staycation: como é se hospedar em um resort urbano no Rio

Biossegurança, protocolos, staycation são palavras com novos significados na pandemia de Covid-19. Staycation, algo como férias na própria cidade ou nos arredores, vem do inglês (stay + vacation) e continua sem tradução em português. É algo que já fiz algumas vezes no Rio de Janeiro, onde moro, e que ganhou outro sentido com a pandemia. Depois de quase oito meses, meu primeiro check-in foi em um resort urbano no Rio. A ideia da escapada era aproveitar a mudança de ares para descansar, trabalhar e vivenciar as mudanças pelas quais a hotelaria está passando. Recentemente, fui conferir como estão funcionando os restaurantes de hotéis na orla carioca. Agora dei mais um passo.

Leia também: ‘Staycation’ no Praia Ipanema Hotel, na orla do Rio

Esta staycation durante a pandemia foi em hotel de grande rede internacional (Marriott), com procedimentos claros e que reunia tudo o que eu buscava naquele momento. Mas há muitas propriedades pequenas em que tudo também está certo. O importante é escolher o que melhor se adequa ao que cada um procura. No meu caso, buscava um lugar perto de casa, de frente para o mar, em meio ao verde, com ar puro e espaço para praticar distanciamento social sem esforço e recuperar um pouco os movimentos fazendo uma das coisas que mais gosto na vida: viajar. Ainda que para um destino realmente hiperlocal, a menos de 10 km do meu endereço.

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Leia também: Reservar hotel inteiro é tendência na pandemia

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Sheraton Grand Rio, resort urbano de frente para o mar

Décadas antes de pensarmos em pandemia, o Sheraton Grand Rio já se destacava por ser um resort urbano com ampla área de lazer ao ar livre. Há 46 anos entre as praias do Leblon e de São Conrado, com vista livre para o Oceano Atlântico, foi renovado para as Olimpíadas de 2016 e está bem conservado. O hotel, o primeiro de marca internacional no Rio, fica perto das melhores praias cariocas, de bares e restaurantes e do comércio. Mas escolhi não sair do resort e aproveitar todas as comodidades e a exuberância da natureza ao redor, como mostrei no meu Instagram.

Fui durante a semana e transformei o home office em room office: a staycation foi também uma workcation com vista para o mar. Encontrei poucas pessoas (todas respeitando as regras, inclusive o uso obrigatório de máscara nas áreas comuns), ambientes limpos e serviço acima da média com equipe gentil e eficiente. O Sheraton Grand Rio retomou as atividades em setembro de 2020 seguindo os novos procedimentos de limpeza da Marriott International sobre o qual já escrevi aqui (detalhes no site da rede). O hotel tem também os selos de conscientização brasileiros municipal, estadual e federal.

Leia também: As novidades na hotelaria de luxo para 2021

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Biossegurança: álcool gel por toda a parte e menus por QR code

O check-in pode ser feito pelo aplicativo Marriott Bonvoy ou, rapidamente, no lobby imenso e vazio, com álcool gel, barreira em acrílico protegendo os funcionários e marcação no piso. Os elevadores têm avisos lembrando que eles não devem ser usados por mais de duas pessoas de bolhas diferentes, além de álcool gel ao lado das portas e nas cabines.

Os quartos, com decoração clássica, estão disponíveis em diversas configurações. Vale a pena investir em uma das opções com vista para o mar. Na chegada, o aviso na porta diz que ninguém entrou depois da limpeza. Um código QR leva ao menu do room service e do minibar, agora abastecido sob demanda. O Wi-Fi funciona perfeitamente.

Leia também: Como estão funcionando os hotéis do Rio na pandemia

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Lazer: Uma das maiores áreas ao ar livre da hotelaria carioca

Há álcool gel por toda a propriedade, com destaque para os totens que funcionam por aproximação no acesso à área de lazer. Com muito verde e voltado para a praia, o ambiente ao ar livre é espaçoso e não favorece aglomerações. Há duas piscinas (a infantil, no momento, abre apenas nos fins de semana), uma jacuzzi, duas quadras de tênis e espreguiçadeiras por toda a parte. A trilha sonora às vezes pode ser animada demais para um ambiente tão tranquilo, mas basta se afastar um pouco das caixas de som para ouvir apenas o barulho do mar. Academia de ginástica, salão de beleza e saunas seca e a vapor ficam no spa e funcionam com hora marcada. A área de lazer do resort também pode ser aproveitada em day use.

Uma escadinha em madeira leva direto à Praia do Vidigal. Que não é privativa do hotel, mas parece. O outro único acesso é por uma escadaria que sai da Avenida Niemeyer. Durante a semana a prainha, com faixa de areia de 500 metros de extensão, costuma estar vazia.

Leia também: É seguro usar piscina de hotel na pandemia?

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Comes e bebes: restaurantes reabrindo aos poucos e bom room service

A área de alimentos e bebidas do Sheraton Grand Rio é onde mais se nota os efeitos da pandemia. Nos dias de semana, funcionam apenas o bar da piscina (12h às 17h) e o restaurante Casarão (das 6h às 23h). O cardápio à la carte é variado, as mesas estão afastadas umas das outras e o restaurante tem uma gostosa varanda aberta. Mas para quem não pretende sair do hotel durante a semana acaba sendo monótono fazer todas as refeições no mesmo lugar.

O Club Lounge está aberto apenas durante a tarde para um café expresso ou uma água. Estão suspensos o serviço de café da manhã e a happy hour. Às sextas-feiras e aos sábados abrem na parte da tarde e à noite a Casa da Cachaça (de pizzas, petiscos e sanduíches, vizinha do Casarão na área das piscinas); o Lobby Bar e o L’Etoile, restaurante gourmet no 26º andar.

Atualização: O restaurante italiano Bene foi reaberto em janeiro de 2021, com novo design e bar de drinques.

O room service funciona bem e os pratos chegam na temperatura certa, mas o cardápio é bem menor do que o do restaurante. Já no café da manhã a melhor opção é mesmo pedir no quarto. O café farto chega muito bem apresentado. Com o room service, dribla-se o ponto em que o Sheraton poderia fazer melhor: o bufê de refeições self-service. Aqui o hotel segue o novo padrão de bufê pandêmico de resort, com muito plástico (espere encontrar laranjas com casca embrulhadas em filme de PVC), e pré-pandêmico, com desperdício de comida.

Leia também: Plástico, a nova obsessão dos resorts brasileiros

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Antes de ir

Com o aumento dos casos de Covid-19 em todo o país, inclusive no Rio de Janeiro, o cenário ainda é de incerteza. Antes de planejar uma staycation ou um day use é importante confirmar com o hotel, qualquer que seja a categoria, quais serviços estão funcionando e as regras da propriedade. E, claro, ter bom senso para avaliar se é um bom momento para uma escapada.

Leia também: Como é dormir em uma locação ds série “Bridgerton”

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Uso de plástico nos resosrts do Brasil na era covid-19: garrafas PET recolhidas no mar

Plástico é a nova obsessão dos resorts no Brasil na era covid-19

O turismo nacional está recomeçando lentamente e já dá para perceber que plástico descartável por toda a parte é a nova obsessão dos resorts no Brasil na era covid-19. Nas últimas semanas assisti a vídeos mostrando toalhas, tapetes de banheiro e papel higiênico envelopados um a um e até amenidades e garrafas de plástico embrulhadas em… plástico. É como se o material tivesse um poder sobrenatural de garantir que um objeto não está contaminado pelo novo coronavírus.

O apego desmedido ao plástico não faz sentido do ponto de vista da ciência. Nem do bom senso. Como garantir que o filme de PVC que embala a garrafa não está contaminado? Plástico tem um grande impacto na poluição marinha e o setor de hospitalidade precisa reduzir o uso e cuidar do descarte adequado. É fundamental que hóspedes e agentes de viagem cobrem novos protocolos não apenas de biossegurança mas também de sustentabilidade. Afinal, turismo sustentável começa pelas escolhas que cada um faz.

Algumas pessoas que já voltaram a viajar me disseram que se sentem mais seguras em um mundo embalado a plástico. Entendo a sensação, afinal é um material fácil de limpar. Porém, de um modo geral, contágio por superfície é evitado mantendo mãos limpas, seja com água e sabão ou com álcool 70%. O hóspede assintomático na piscina ou no restaurante pode ser vetor de transmissão do novo coronavírus. Já embalagens de amenidades ou de bebidas em alumínio, plástico e vidro são facilmente laváveis com água e sabão caso o cliente desconfie da higiene do quarto.

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Leia mais: É seguro usar de piscina de hotel durante uma pandemia?

Plástico é a nova obsessão dos resosrts do Brasil em tempos de covid-19: piscina de hotel brasileiro pré-pandemia
Piscina de hotel brasileiro pré-pandemia | Foto de Carla Lencastre

As insustentáveis luvinhas Do bufê self-service

Há excesso de plástico também no bufê de refeições de self-service dos resorts, atividade classificada como de alto risco na pandemia e que muitos hotéis insistem em manter. Além de ser cada vez menos justificável a exaltação ao desperdício de comida, os bufês agora fazem uma elegia ao plástico de uso único. Os talheres são embalados, às vezes um a um, e os hóspedes recebem luvas descartáveis cada vez que vão se servir.

Quando o bufê é assistido, com funcionários servindo, o uso de plástico diminui. Vale ressaltar que talheres envelopados em plástico chegaram a hotéis que oferecem apenas serviço à la carte. É um problema ambiental gigantesco criado pela hotelaria, e ainda não encontrei um empreendimento brasileiro que deixe claro como pretende descartar a novidade.

Leia mais: Como ficam os bufês de hotel em tempos de covid-19

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O que diz a Resorts Brasil

Passei algumas semanas observando nas redes sociais fotos e vídeos de hóspedes de resorts que fazem parte da Associação Brasileira de Resorts. Dos 52 hotéis associados, 51 estão funcionando (o 52º é o Ocean Palace, em Natal, com reabertura marcada para o próximo dia 30). A Resorts Brasil tem em seu site um Guia para o Viajante Responsável, feito em parceria com 27 (!) entidades, e detalhados protocolos para os hoteleiros.

Leia mais: Os desafios da retomada do turismo no Estado do Rio

Na cartilha com procedimentos de higiene e segurança, validados pela Anvisa e por sete associações, não há nenhuma orientação sobre plástico descartável. No caso dos bufês, a recomendação é que o serviço seja assistido, com estações de alimento protegidas por acrílico e funcionários servindo os hóspedes. Para os frigobares, a orientação é abastecer sob demanda ou higienizar cada item individualmente entre um hóspede e outro. Um dos itens do manual destaca o uso de canais de comunicação digitais para informar sobre protocolos de segurança, o que a maioria dos hotéis brasileiros ainda não faz mesmo depois de seis meses de pandemia.

Já no guia do viajante o texto até chama a atenção para o uso excessivo de plástico, lembrando da importância de se evitar consumir produtos em embalagens plásticas, e orienta sobre o descarte de máscaras, que não podem ser misturadas com lixo reciclável. Sustentabilidade aparece como uma prioridade em um dos três eixos de atuação da associação e há um grupo de trabalho dedicado ao tema. Mas nenhuma informação sobre como lidar com a overdose de plástico de uso único gerada pela pandemia.

Mesmo resorts que têm em seus sites páginas dedicadas a promover medidas sustentáveis de verdade, como o uso de energia 100% limpa e ações de impacto voltadas para as comunidades locais, não fazem menção às medidas de redução do plástico ou ao descarte.

Leia mais: O que realmente mudou nos hotéis em sete meses de pandemia

‘Plástico é medida cosmética’

Conversei sobre o uso indiscriminado do plástico na hotelaria nacional com a jornalista Ana Lucia Azevedo, há mais de três décadas especializada em ciência e saúde. Com vários prêmios na área, ela está cobrindo a pandemia para o jornal O Globo. Ao longo de seis meses entrevistou muitos especialistas sobre o novo coronavírus. “Embalar produtos em plástico é medida de efeito cosmético no que diz respeito à covid-19 e potencialmente poluente. Ao abrir o plástico, o cliente se exporá da mesma forma ao novo coronavírus. O importante é garantir a higienização. O aumento do consumo de plástico impacta os oceanos, que já sofrem com uma poluição sem precedente, comprometendo a qualidade da água e mata animais”.

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Plástico pode, e deve, ser substituído

Semana passada, saí pela primeira vez para ir almoçar fora na pandemia. Escolhi o Arp, agora com mesas ao ar livre no calçadão do Arpoador. É um dos meus restaurantes de hotel preferidos no Rio de Janeiro, onde moro. O cliente recebe em embalagens de papel álcool em gel 70% e um envelope para guardar a máscara. Talheres e guardanapos chegam em embalagens de papel. É possível trilhar bons caminhos em meio a pandemia.

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Bufê de café da manhã de hotel na pandemia | Foto de divulgação

O que mudou no bufê de café da manhã de hotel na pandemia

Comida exposta por horas. Talheres de servir compartilhados. Comensais andando e parando em frente a todos os pratos, ou quase todos, e conversando. Fila. Aquele que muda de ideia e volta algumas travessas, passando por quem está se servindo. Réchauds abertos e fechados quantas vezes a dúvida impulsionar. O bufê de café da manhã de hotel morreu na pandemia. Vida longa ao bufê de café da manhã de hotel na pandemia.

Nem a Covid-19 foi capaz de deter este impávido clássico na hotelaria nacional. Uma tabela elaborada por epidemiologistas, infectologistas e especialistas em saúde pública da Associação Médica do Texas (TMA, na sigla em inglês) listou os riscos de contágio de diversas atividades em níveis vão de 1 (baixo risco) a 9. Comer em bufê está no nível 8, de alto risco. É uma atividade apenas menos arriscada do que ir a um show, evento esportivo ou culto religioso com mais de 500 pessoas. A classificação levou em conta que todos estariam usando máscaras, lavando as mãos com frequência e mantendo distanciamento social.

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Leia mais: Como é se hospedar em um resort urbano no Rio de Janeiro

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Higiene X sustentabilidade

Como no caso da piscina de hotel, em que nada indica que a água clorada seja transmissora do novo coronavírus, nos bufês self-service o problema não é a comida. São as pessoas e o entorno.

Com a flexibilização das medidas restritivas em todo o país surgiram vídeos de hotéis com piscinas e bufês self-service repletos de destemidos aglomerados. Em imagens de outros resorts nota-se o uso surreal de plástico descartável em nome de higienizar o bufê, com talheres embalados, luvas para os hóspedes e até frutas com cascas embrulhadas em filme PVC. Com um agravante: os hotéis não deixam claro como descartam o material. O plástico de uso único é um dos maiores vilões da poluição dos oceanos e o setor de hospitalidade tem responsabilidade nisso.

Leia mais: Plástico é a nova obsessão dos resorts brasileiros na era covid-19

Pequenas porções à mesa na pousada Solar da Ponte, em Tiradentes | Foto de Carla Lencastre
Café da manhã na pousada Solar da Ponte, em Tiradentes | Foto de Carla Lencastre

alternativas ao serviço de bufê

A área de alimentos e bebidas é responsável por parte significativa do custo operacional de um hotel. Hoje protocolos devem ser ainda mais rigorosos, incluindo os seguidos pelos fornecedores. Afinal, de nada adianta ter todas as precauções na manipulação de alimentos se o fornecedor não fizer o mesmo. O custo final de uma refeição à la carte é mais caro do que em um bufê, e isto também tem que ser levado em conta nesta complicada fase da hotelaria.

Há caminhos do meio que estão sendo seguidos por alguns resorts, como o dos bufês híbridos. No Club Med, com suas três unidades no Brasil reabertas, o bufê é assistido. Ou seja, funcionários com equipamento de proteção individual montam os pratos dos hóspedes, que não encostam nos utensílios nem nas máquinas de café, por exemplo. Com a equipe a postos também é mais simples garantir que nenhum hóspede será servido se não estiver usando máscara e que o distanciamento social será respeitado. Em outros hotéis, como já acontecia antes, o bufê tem itens em porções individuais, enquanto outros são pedidos à la carte. Há ainda uma espécie de minibufê servido à mesa, com pequenas porções de diferentes pratos.

Leia mais: Os desafios da retomada do turismo no Estado do Rio

Minibufê no ecolodge Mirante do Gavião | Foto de Carla Lencastre
Minibufê no ecolodge Mirante do Gavião, na Amazônia | Foto de Carla Lencastre
O Papel de cada um

Faço a ressalva de que nunca fui fã de bufês, por razões de gosto pessoal e, principalmente, por conta do imenso desperdício de alimentos. Mas reconheço que um bom bufê de hotel tem o seu apelo e pode ser uma experiência em si. Como em tudo nesta delicada fase pela qual a hotelaria está passando, fica mais fácil se cada um fizer a sua parte.

Ao hoteleiro que optar por manter o bufê à moda pré-pandemia cabe detalhar as medidas de biossegurança e de sustentabilidade. Não apenas em relação ao descarte de plástico, mas também ao desperdício de comida. Ao hóspede e ao agente de viagens que oferece o hotel ao cliente cabem cobrar informações claras sobre higienização, controle de ocupação de espaço, distanciamento social e cuidados com o meio ambiente. E sempre seguir as regras. A revista Panrotas fez uma reportagem com 15 perguntas que se deve fazer antes do check-in no hotel. Conferir as adaptações no setor de alimentação é uma delas.

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Bufê de café da manhã de hotel brasileiro à moda pré-pandemia | Foto de Carla Lencastre
Bufê de café da manhã de hotel brasileiro pré-pandemia | Foto de Carla Lencastre

Enquanto isso em las vegas…

Bufê de café da manhã de hotel é tradição brasileira, mas não é exclusividade. Há bufês de diferentes estilos em todos os continentes, e a origem histórica deste tipo de serviço está na Europa. Mas foi em Las Vegas, na década de 1940 que nasceu o conceito de bufê americano moderno, o all-you-can-eat. Ou coma o quanto aguentar. No café, no almoço e no jantar.

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O Buffet at Wynn foi um dos primeiros da Strip (o Las Vegas Boulevard, onde estão os principais cassinos da cidade) a retomar as atividades, em meados de junho. O cliente fazia o pedido a um garçom, e o prato era trazido à mesa. O bufê-que-não-era-bufê fechou de novo menos de três meses depois, sem previsão de reabertura. Já o Caesars Palace pretendia reabrir o Bacchanal Buffet, com 600 lugares, em agosto. Pequenos pratos previamente montados seriam entregues por funcionários e vários itens seriam servidos diretamente nas mesas. A reabertura foi adiada para o fim do ano.

Atualização: Em meados de setembro o Wynn Las Vegas anunciou que 548 funcionários testaram positivo para covid-19. Todos eram assintomáticos. Desde junho o Wynn já recebeu mais de 500 mil hóspedes.

E no Brasil, onde você aposta as suas fichas? Encontraremos alternativas mais seguras? Ou o bufê self-service de hotel e de restaurantes de comida a quilo seguirão como na era pré-Covid-19?

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