Em julho último, tive a oportunidade de participar pela primeira vez de uma das expedições privativas da Latitudes – Viagens de Conhecimento, empresa que conheço e acompanho há muitos anos. E agora posso afirmar categoricamente: as Private Expeditions Latitudes são mesmo um dos exemplos mais sofisticados e bem executados da hospitalidade brasileira.
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Embarquei na Private Cruise Expedition Latitudes Ártico 2026, destinada a explorar majoritariamente a ilha norueguesa de Svalbard, atualmente o grande “filé” da visitação turística região polar norte.
Começamos e terminamos nosso itinerário em Oslo, tomamos voo privado a Longyearbyen (capital de Svalbard e o aeroporto mais setentrional do mundo), de onde partimos em um navio (o Sylvia Earle, da Aurora Expeditions) totalmente privatizado para o nosso exclusivo grupo de 89 viajantes – e cheio de upgrades.

As expedições privativas nunca fizeram tanto sucesso quanto hoje no mundo. Cada vez mais viagens estão dispostos a investir altas somas para embarcar em itinerários exclusivos, descomplicados, milimetricamente planejados, e com inclusões suficientes para minimizar atritos e garantir experiências inesquecíveis.
Porque, afinal, o que distingue as melhores operações não é mais simplesmente a possibilidade de abrir portas fechadas, mas a capacidade de oferecer realmente contexto para aquilo que existe atrás delas. E é nesse cenário que as Private Expeditions Latitudes ocupam uma posição particularmente interessante no mercado brasileiro.
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O sucesso da Expedição Privativa pelo Ártico
O slogan da Latitudes – “viagens de conhecimento”- até poderia soar marketeiro se não fosse algo que orientasse, de fato, toda a estrutura das viagens que realizam. Sejam as expedições privadas, os grupos regulares ou mesmo as viagens privativas que organizam durante o ano todo, o que eles fazem majoritariamente é, ao invés de construir roteiros cujo objetivo seja unicamente visitar e “consumir” lugares, partem de temas e questionamentos.
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Cada roteiro, ali, nasce em torno de um fio condutor, e não apenas de um ponto no mapa, deixando claro que o destino é apenas uma das muitas camadas da viagem. Como, por exemplo, “a natureza do tempo”, tema que norteou toda nossa viagem pelo Ártico.
Fomos acompanhados, todo o tempo, por uma enorme equipe Latitudes a bordo, um grande time especializado em expedições pelo ártico e também especialistas de distintas áreas, como a bióloga Ema Kuhn, a pensadora Monja Cohen, a psicanalista Danit Pondé e o filósofo Luiz Felipe Pondé.

foto: Mari Campos 
foto: Mari Campos 
foto: Mari Campos
E, além de passear por Oslo e Longyearbyen, fizemos um espetacular cruzeiro entre placas de gelo, magníficos paredões de gelo, imensos glaciares, cachoeiras, ursos polares, focas, baleias, raposas, belugas, renas e uma infinidade de pássaros.
Voltei para casa ainda mais encantada, pela empresa e pelo destino. Jamais esquecerei o vento cortante no rosto nas muitas horas voluntariamente passadas no deck externo, o urso polar preguiçosamente se espreguiçando e roçando as costas na tundra, o som do navio rompendo o mar congelado, ou do meu próprio caminhar sobre uma enorme placa de gelo, justamente em um dos poucos momentos ensolarados que tivemos por lá.
Mas a viagem começou muito antes disso, é claro. Recebemos em nossas casas lindos kits pré-viagem (incluindo de mochilas herméticas a nécessaires, de livros a objetos de higiene) e também fomos presenteados com gorro e jaqueta polar ao embarcarmos no navio.

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Hotéis, navio, transfers, guias, tudo foi escolhido a dedo pela Latitudes após diversas visitas técnicas e reuniões. Os menus do cruzeiro foram todos ajustados às preferências e necessidades dos hóspedes, assim como a lista de bebidas disponíveis no bar aberto.
Horários e duração de passeios foram ajustados e também paramos tudo para ver o Brasil jogar (mal) contra a Noruega na Copa, acompanhados por noruegueses divertidíssimos da tripulação e muita pipoca, pão de queijo e brigadeiros, com insumos levados do Brasil pela equipe, e preparados especialmente para a ocasião .

foto: Mari Campos 
foto: Mari Campos 
foto: Mari Campos
A participação dos especialistas no roteiro teve um formato bem pensado, em que essas intervenções simplesmente complementaram tudo que víamos e vivíamos in loco, sem “pesar” na programação de nenhuma maneira. No navio, as eventuais palestras que aconteciam a bordo entre um desembarque e outro podiam ser acompanhadas no lounge-auditório, mas também, transmitidas pelo sistema de televisão da embarcação, no conforto de cada cabine. O conhecimento simplesmente acompanhou a paisagem arrebatadora do Ártico, sem nunca competir com ela.
Ouso dizer, inclusive, que os maiores aprendizados que trouxe dessa viagem vieram de “micro aulas” acidentais e espontâneas, como as dadas pela bióloga Ema Kuhn ao responder nossos questionamentos no deck externo enquanto observávamos placas de gelo e vida selvagem, ou quando outros membros do time de expedição falaram sobre geografia, história e ciência nos próprios botes zodiac, enquanto testemunhávamos momentos incríveis de desprendimentos de glaciares, paredões rochosos de um bilhão de anos ou interações animais.
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Equipe afinada, hóspede feliz
Ao longo da viagem, a equipe Latitudes, tanto em terra, no Brasil, quanto a que nos acompanhava diariamente a bordo, no navio, mostrou que leva a sério o conceito de hospitalidade como acolhimento – eu que o diga, acolhida com esmero e eficiência, mesmo na madrugada, quando enfrentei problemas com meu voo a Oslo.
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Acolheram as necessidades (e muitos dos desejos também…) de hóspedes com mais restrições físicas, a curiosidade natural das crianças, as limitações daqueles que tinham barreiras com outros idiomas ou restrições alimentares. Construíram uma estrutura complexa para que cada viajante, do mais travado ao mais flexível, do mais jovem ao mais idoso, do mais iniciante ao mais experiente, tivesse sempre a impressão de que tudo fluía tão bem naturalmente.

foto: Mari Campos 
foto: Mari Campos 
foto: Mari Campos
Enquanto muitas empresas desenham roteiros a partir da simples disponibilidade de hotéis e atrações, as Private Expeditions Latitudes funcionam como uma grande produção, começando muito, mas muuuuito antes do embarque de passageiros.
Da definição do tema da viagem à escolha dos especialistas (historiadores, filósofos, geógrafos, jornalistas, psicanalistas, escritores etc) que palestrarão durante o roteiro, da seleção dos melhores meios de transporte aos “expedition leaders” mais adequados para aquele grupo, das visitas técnicas aos ajustes dos ritmos com que cada destino será apresentado, nada é pensado isoladamente.
A engenharia logística necessária para que tudo funcione perfeitamente em uma expedição deste tipo é gigantesca, até porque esse modelo de viagem realmente precisa deixar pouco espaço para improvisações. Mas, mesmo as mudanças repentinas de planos em função das condições climáticas de um destino tão remoto, foram ali tiradas de letra, e de maneira invisível ao viajante. Para mim, é justamente essa tal “invisibilidade” um dos mais sofisticados aspectos da hospitalidade contemporânea.

foto: Mari Campos 
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foto: Mari Campos 
foto: Mari Campos 
foto: Mari Campos 
foto: Mari Campos 
foto: Mari Campos 
foto: divulgação 
foto: divulgação
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Assim, a nossa viagem física à região polar, entre montanhas, geleiras e ursos polares, avançou sempre harmoniosamente junto à parte menos visível da jornada, feita também de referências diversas em história, geografia, biologia, filosofia, literatura e ciência em geral.
Nas Private Expeditions Latitudes tudo está incluído (transfers, hospedagem, passeios, bebidas, refeições e, mais importante ainda, um impressionante acompanhamento médico). Além, é claro, do precioso acompanhamento permanente de uma equipe que realmente é pau para toda obra, atendendo de maneira imediata, em português, qualquer solicitação.

foto: Mari Campos 
foto: Mari Campos 
foto: Mari Campos
Mas a personalização exacerbada da viagem não está apenas no itinerário, mas também na forma de nos fazer compreender o destino visitado, nas ferramentas que recebemos para voltar para casa com um repertório ampliado sobre o mundo que vai muito além das belas fotografias que tiramos. Como viajantes, precisamos apenas nos concentrar naquilo que mais nos importa: viver a experiência.
No constante desafio do turismo de luxo internacional para oferecer experiências realmente inéditas e memoráveis a um público cada vez mais experiente, esse tipo de viagem é, sem dúvidas, uma das respostas mais consistentes da atualidade.
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