Covid-19 prolonga o uso de plástico na hotelaria: piscina do Mandarin Oriental Lake Como

Covid-19 prolonga o uso de plástico na hotelaria

A covid-19 afetará negativamente as metas de redução do plástico de uso único na hotelaria? Pelo menos a curto prazo, sim. A médio ou a longo termo ainda é cedo para dizer, até porque ainda não sabemos o que significa pouco ou muito tempo para o novo coronavírus. Todo ano a Euromonitor International, especializada em pesquisa de mercado, aponta tendências globais de consumo. Para 2020, os “revolucionários da reutilização” (“reuse revolutionaries” no original em inglês) empenhados em encontrar alternativas para produtos de plástico descartável estavam no top 10 de tendências. Era um mundo diferente do atual. Poucos meses depois, com a pandemia, a empresa revisou suas previsões.

Parece que demos um passo atrás na busca por um turismo mais sustentável e os “revolucionários da reutilização” ficaram em segundo plano. Com a covid-19, a prioridade é limpeza, e não redução de plástico descartável na hotelaria. Há propriedades reabrindo com toalhas embaladas em sacos de plástico, assim como controles remoto, talheres, alimentos. Hotéis adicionaram máscaras e luvas descartáveis, em invólucros plásticos, e frascos de álcool gel às amenidades de banheiro. E há os essenciais equipamentos de proteção individual dos funcionários, além de embalagens de produtos de limpeza e desinfetantes usados em quantidades maiores.

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O plástico aumenta a percepção de higiene e passa sensação de segurança sanitária. É barato, leve, fácil de produzir e de limpar. Mas o uso excessivo e o descarte irresponsável poluem os oceanos, matam espécies marinhas, incluindo aves, e fazem mal para a saúde. Reportagens na imprensa europeia anunciaram que conservacionistas franceses recolheram máscaras, luvas descartáveis e frascos de álcool gel no Mediterrâneo. Meio mundo adiante, em Hong Kong, também foram encontradas máscaras no mar. A publicação britânica The Economist destacou que a pandemia de poluição plástica chegou ao Rio Tâmisa, em Londres. Para dar ideia da dimensão do mar de problemas dos plásticos de uso único, as Nações Unidas estimaram, em 2018, que 13 milhões de toneladas de plástico chegam ao mar a cada ano.

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Piscina do Mandarin Oriental Lago di Como, reaberto mês passado
Piscina do Mandarin Oriental Lago di Como, reaberto mês passado | Foto de divulgação

Pandemia x ecologia: as metas de redução de plástico na hotelaria

Como já apontamos aqui, os ajustes por conta da covid-19 na hotelaria de luxo serão menores em várias áreas, inclusive no uso de plástico descartável. Amenidades de banho em embalagens de cerâmica ou de plástico em formatos maiores e não descartáveis, água em garrafas de vidro, sacos de lavanderia em tecido, iogurte em copos individuais de vidro, tudo isso já fazia parte da rotina de vários hotéis. Mas há novos desafios a serem enfrentados. A rede asiática Mandarin Oriental se comprometeu, no final do ano passado, a eliminar o plástico de uso único até 2021. Em maio deste ano, o grupo prestou contas do progresso já levando em conta a covid-19.

Por enquanto, a meta está mantida. Mas o grupo MO admite que novos protocolos de limpeza dos hotéis podem vir a atrasar o processo. O plástico descartável em estoque, como garrafas de água e amenidades de banheiro, vai demorar mais a acabar. A rede também ressalva que está enfrentando dificuldades em convencer fornecedores a mudar procedimentos.

Six Senses Con Dao, no Vietnã: alimentos em embalagens sustentáveis
Six Senses Con Dao, no Vietnã: alimentos em embalagens sustentáveis | Foto de divulgação
as dificuldades no caminho

O uso de plástico pela cadeia de fornecedores é um obstáculo para qual havia chamado a atenção, antes da pandemia, a reconhecidamente sustentável rede Six Senses. Six Senses, que aboliu as garrafas de plástico na década de 1990, tem o ambicioso objetivo de ser plastic free em 2022.

Para uma propriedade que nasce com a preocupação de ser sustentável, talvez seja mais simples manter distância do plástico. Um hotel inaugurado este mês na Riviera Maya, Palmaïa, The House of Aïa, parte da coleção L.V.X. da Preferred Hotels, anunciou que não terá amenidades de banheiro em embalagens descartáveis nem garrafas de plástico na propriedade.

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Covid-19 na hotelaria: banheiro sem amenidades em plástico no novo Palmaïa
Banheiro sem amenidades em plástico no novo Palmaïa | Foto de divulgação
O que as redes hoteleiras podem fazer agora

Não há comprovação de que uma garrafa de água de plástico seja mais segura em relação ao novo coronavírus do que uma de vidro. Mas redes hoteleiras comprometidas com o meio ambiente podem se ver obrigadas a aumentar o consumo de plástico de uso único. Na situação excepcional de uma pandemia, ambientalistas dizem que uma das soluções a curto prazo é os hotéis se preocuparem cada vez mais com o descarte correto. EPIs devem ser incinerados. Frascos de álcool podem ser reciclados, ainda que custe mais caro reciclar plástico do que comprar um novo. Consumidores conscientes podem levar a própria garrafa de água e produtos de higiene em embalagens recicladas ou recicláveis. E, na hora de escolher onde gastar o dinheiro, priorizar hotéis que levam a sério a sustentabilidade.

Atualização: Nem tudo é notícia ruim quando o assunto é o excesso de plástico de uso único na hotelaria. Há bons exemplos inclusive no Brasil. Em agosto de 2020, a associação de hotéis e pousadas Roteiros de Charme anunciou que agora faz parte da Global Tourism Plastics Initiative, iniciativa da Organização Mundial do Turismo (UNWTO na sigla em inglês) para reduzir o uso e reciclar o plástico na indústria de viagens.

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Hotel em tempos de pandemia de covid-19: piscina do Six Senses Con Dao Vietnam

É seguro usar piscina de hotel durante a pandemia de covid-19?

Nas últimas duas semanas, apareceram algumas vezes nos termos de pesquisa do Hotel Inspectors buscas sobre piscina de hotel e pousada em tempos de pandemia de covid-19. A pergunta do título não tem resposta simples. Não há evidências de que o novo coronavírus sobreviva em água com cloro, tratada segundo padrões químicos adequados. Mas as pessoas ao redor podem ser um problema. Aglomerações dentro ou fora da piscina do hotel na pandemia de covid-19 oferecem os mesmos riscos de transmissão do vírus. Assim como nadar perto de alguém na água clorada. Ou seja, é importante manter o distanciamento social também dentro da piscina.

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Em tempos incertos para o turismo, há condutas distintas anunciadas por hotéis e pousadas que estão reabrindo. Tanto no Brasil, onde os números de casos e de mortes aumentam a cada dia e ainda não é seguro viajar, quanto em países da Europa, que conseguiram conter o vírus. Em algumas propriedades, piscinas e spas voltarão a funcionar somente em uma próxima fase. Como no Botanique, na Serra da Mantiqueira. O hotel, com 18 acomodações, reabriu este mês com ocupação reduzida e seguindo seus novos próprios protocolos de limpeza, com 135 tópicos. Mas mantém fechados spa, piscina e academia de ginástica (assim como o restaurante, funcionando apenas para serviço de quarto).

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Nos hotéis com acesso liberado à piscina, espreguiçadeiras podem ser um problema, ainda que sejam afastadas umas das outras e limpas após o uso. O Marbella Club, hotel de luxo no glamouroso balneário da Costa do Sol espanhola, adotou a política de reservar um lugar fixo ao sol para cada hóspede. Na reabertura, em 2 de julho, cada espreguiçadeira de frente para o Mar Mediterrâneo será usada por um único hóspede por dia.

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É seguro fazer massagem no spa em tempos de covid-19?

Piscina hotel pandemia covid-19: yoga na praia no Six Senses Con Dao, no Vietnã
Yoga na praia no Six Senses Con Dao, no Vietnã | Foto de divulgação

Viajantes mais ansiosos não estão procurando apenas piscina de hotel na pandemia de covid-19. E sim bem-estar de um modo geral, uma das palavras-chaves mais buscadas atualmente. Academias de ginástica, quando abertas, já sabemos que são com hora marcada, com um hóspede de cada vez, desinfecção entre um uso e outro, e banheiros e vestiários fechados. Muitos hotéis estão adotando o mesmo protocolo em relação a saunas, ainda que não haja comprovação que o novo coronavírus suporte altas temperaturas, e a spas. Tratamentos corporais, em vez de faciais, e sem toques com as mãos ganham destaque, assim como aulas de yoga ou alongamento individuais ou com grupos reduzidos e, sempre que possível, ao ar livre.  

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Piscina hotel pandemia covid-19: cabana de spa ao ar livre e com vista para o Caribe no Four Seasons Anguilla
Cabana de spa ao ar livre e com vista para o Caribe no FS Anguilla | Foto de divulgação

Como analisei neste outro texto (clique para ler), a hotelaria de luxo é a que terá que fazer menos ajustes na era covid-19, porque sempre priorizou bem-estar, espaço e privacidade, independentemente da pandemia. Há muitos quartos, suítes e villas com jacuzzi e piscinas privativas, e áreas amplas. Os tratamentos do spa podem ser na acomodação ou ao ar livre. É o caso do caribenho Four Seasons Anguilla, com reabertura em 22 de outubro.

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Ainda não passou, mas vai passar: um exemplo otimista na Ásia
Hotel pandemia covid-19: Piscina do Six Senses Ninh Van Bay, no Vietnã
Piscina do Six Senses Ninh Van Bay, no Vietnã | Foto de divulgação

Uma declaração do COO do grupo Six Senses, Guy Heywood, sobre as adaptações dos hotéis na Ásia, continente semanas à frente na contenção do vírus, me chamou a atenção em uma reportagem deste mês da revista britânica Condé Nast Traveller. A rede Six Senses, que sempre foi voltada para o bem-estar, reabriu seus dois hotéis no Vietnã, país que conseguiu conter o vírus. Heywood conta que se surpreendeu com hóspedes pouco preocupados com protocolos de higiene: “Podemos dizer que quem está preocupado ainda não está viajando. Estamos surpresos com a tranquilidade. As pessoas chegam de máscara, mas parecem felizes nas piscinas”.

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Quarto com piscina no Six Senses Shaharut, em Israel

Como será a hotelaria de luxo na era covid-19

Junho chegou, e a reabertura de hotéis de luxo na Europa e nos Estados Unidos se torna mais frequente. Já dá para visualizar algumas mudanças neste setor. Ou não. Na realidade, por razões diversas, a hotelaria de luxo na era covid-19 não será muito diferente. Claro que protocolos de limpeza foram modificados, e todas as redes já criaram os seus. Esta semana a associação de hotéis de luxo independentes Leading Hotels of the World anunciou o programa Health Stays. O Baccarat Hotel, em Nova York, foi além e criou o cargo de Diretor de Saúde e Segurança Ambiental. Grandes grupos e pequenas propriedades terão que fazer ajustes em função da segurança sanitária para funcionários e hóspedes. Mas o maior impacto para a hotelaria de luxo, principalmente no Brasil e para os hoteleiros independentes, será mesmo o econômico.

Hotelaria de luxo na era covid-19: fachada do hotel Belmond Copacabana Palace, no Rio de Janeiro
Copacabana Palace, Rio de Janeiro: reabertura em agosto | Foto de Carla Lencastre

No início de junho, a pesquisa “Recuperação da hotelaria urbana no Brasil”, realizada pela HotelInvest em parceria com Omnibees, STR e FOHB, e lançada pela Panrotas, indicou que o setor será o último segmento da hotelaria a sair da crise. Somente lá para 2023, em um cenário otimista. O levantamento, que não considerou resorts, faz a ressalva de que hotéis de luxo voltados para o lazer no Rio de Janeiro e em capitais do Nordeste podem ter recuperação menos lenta. O Rio começou a promover o relaxamento do isolamento, e teoricamente os hotéis podem funcionar. Mas a situação na cidade continua crítica e ícones da hotelaria, como o Belmond Copacabana Palace, seguem fechados. Os poucos hotéis abertos recebem profissionais da área de saúde e pessoas que necessitam de um local para se isolar.

Piscina do Memmo Baleeira, no Algarve
Memmo Baleeira, Algarve: reabertura em junho | Foto @MemmoBaleeira

Na Europa, neste momento a prioridade da hotelaria de luxo na era covid-19 é salvar as férias de verão com o turismo interno, até porque a maioria dos países ainda está com restrições nas fronteiras. Para citar um que lidou bem com a crise, em Portugal as primeiras notícias de reabertura de hotéis independentes de luxo ou lifestyle, todos com a certificação nacional Clean&Safe, são no litoral, como o Sublime Comporta, a pouco mais de uma hora de Lisboa. O Memmo Hotels, com duas propriedades na capital e uma no Algarve, reabre primeiro o Baleeira, no litoral, em 6 junho. Também no Algarve será reaberto no dia 19 o Vila Vita Parc.

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Hotelaria de luxo na era covid-19: piscina em um dos quartos do novo Six Senses Shaharut, no Deserto de Negev, em Israel
Six Senses Shaharut, no Deserto de Negev: inauguração em setembro | Foto de divulgação/Assaf Pinchuk

Enquanto os independentes se preocupam com o verão no Hemisfério Norte, redes seguem expandindo as marcas da hotelaria de luxo na era covid-19. Depois do Regent Shanghai Pudong, ex-Four Seasons que trocou de bandeira em plena pandemia, o grupo britânico IHG confirmou para este ano a inauguração do Regent Phu Quoc, no Vietnã. E anunciou um InterContinental em Roma em 2022. Também parte do IHG, Six Senses chega em dezembro a Israel (Shaharut, no Deserto de Negev, foto de uma das suítes no topo do texto) e anunciou, no início da pandemia, um hotel em Roma para 2021, entre outros já previstos.

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O que pode mudar na hotelaria de luxo na era covid-19, além dos protocolos de limpeza

A seguir, listamos algumas novidades que já estão sendo postas em prática.

Serviço

Item de luxo essencial que terá que ser ajustado sem perder a graça. Principalmente em hotéis butique nos quais serviço caloroso é característica importante. Check-in virtual não é comum neste segmento, mas muitas vezes a operação já era realizada em uma área exclusiva para garantir privacidade. No Rosewood Little Dix, nas Ilhas Virgens Britânicas, hóspedes que chegarem pelo mar farão check-in na embarcação.

Há serviços que hotéis de alto padrão continuarão oferecendo, entre eles levar a mala até o quarto e o de abertura de cama. O hóspede decide se quer ou não, como já acontecia antes. A apresentação do quarto pode ser substituída por um telefonema. Hotéis de rede podem investir em tours virtuais para mostrar as amenidades dos quartos, apps para contato em tempo real e até robôs para atender a alguns pedidos de room service.

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Alimentos & bebidas

A maioria dos hotéis de luxo já oferecia serviço à la carte, mesmo quando havia também um bufê. Este será outro ajuste relativamente simples. Assim como o dos minibares, que podem ser abastecidos sob demanda, quando e se o hóspede quiser, como anunciou o novo 1 Hotel West Hollywood, em Los Angeles. Já no hotel boutique Esencia, na Riviera Maya, uma novidade para a reabertura em 10 de junho é o menu digital do restaurante. O hóspede pode fazer o pedido pelo próprio celular.

O Esencia faz parte do Forbes Travel Guide. O guia fez uma extensa lista de hotéis de luxo que estão abertos ou vão reabrir nos próximos meses. O único representante brasileiro (na lista atualizada em 16 de julho) é o Belmond Hotel das Cataratas, em Foz do Iguaçu, com reabertura está prevista para 20 de agosto. Mesma data do Belmond Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.

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Design

Em hotéis de luxo, espaço e distanciamento social sempre foram importantes. A maioria das propriedades não terá que fazer grandes mudanças no desenho das áreas comuns. Mas marcar hora para usar a academia de ginástica ou ir ao restaurante passa a ser recomendável ou mesmo obrigatório. A decoração de quartos e suítes está sendo repensada aqui e ali, com objetos menos fáceis de serem limpos deixados de lado. O menu de tratamentos do spa, por exemplo, pode ser acessado por QR code. É mais uma novidade no Hotel Esencia, em Tulum.

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Há um ponto de convergência entre os mais luxuosos e os mais econômicos: serão poucos os ajustes nos desenhos de quartos e áreas comuns. Nos hotéis de luxo, não falta espaço; nos econômicos modernos, como os operados sob a bandeira da Wyndham, menos é mais. Estas propriedades privilegiam, nos últimos anos, um design minimalista e funcional. O que facilita muito alcançar a limpeza almejada na hotelaria na era covid-19.  

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Praia do resort Six Senses Con Dao, no Vietnã

O difícil adeus ao plástico nos hotéis

Somos viciados em plástico no nosso dia a dia. A indústria hoteleira também. É possível um grupo hoteleiro de luxo, com 18 propriedades em 14 países e em expansão, substituir o plástico nos hotéis tanto nas áreas visíveis aos hóspedes quanto nas invisíveis? E trabalhar com fornecedores plastic free? A rede asiática Six Senses pretende provar que sim em 2022. O objetivo é ambicioso. Em uma concorrida apresentação durante a ILTM Cannes (a maior feira de viagens do mercado de luxo, realizada mês passado na França), o CEO do grupo, Neil Jacobs, chamou a atenção para alguns dos obstáculos.

Adeus ao plástico nos hotéis: banheiro de uma suíte do novo Six Senses Kocatas Mansions Istanbul | Foto de divulgação
Banheiro de uma suíte do novo Six Senses Kocatas Mansions Istanbul | Foto de divulgação

Canudos e garrafas descartáveis são apenas a ponta dos icebergs de plástico nos oceanos. Na rede Six Senses, parte do gigante grupo britânico InterContinental (IHG), canudos deixaram de ser usados em 2016. Garrafas de plástico, na década de 1990. Mas como lidar, por exemplo, com fornecedores de alimentos? Reconhecido especialista em sustentabilidade na hotelaria de luxo, Jacobs deixa claro que não há solução fácil.

“A meta de ser plastic free em 2022 é audaciosa. Em alguns países, como no Vietnã, peixes e frutos do mar chegam em caixas plásticas. É assim que funciona a cadeia de fornecedores. Estamos trabalhando com comunidades e autoridades para propor alternativas. Compartilhamos as soluções com outras redes hoteleiras, caso elas se interessem. Sustentabilidade e bem-estar viraram palavras banais. Ativismo é importante. Mas fundamental é como você se comporta. Temos que fazer o que for necessário para tornar o planeta melhor. Você não precisa mudar o mundo, mas faça algo.”

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Leia mais: Covid-19 prolonga o uso de plástico descartável na hotelaria

Adeus ao plástico nos hotéis: uma das 50 villas com piscina e vista para o mar no Six Senses Con Dao | Foto de divulgação
Um das 50 villas com piscina e vista para o mar no Six Senses Con Dao | Foto de divulgação

O Vietnã é um dos grandes responsáveis pela poluição plástica do planeta, o que só aumenta o tamanho do desafio. O Six Senses Con Dao, em uma ilha a 45 minutos de voo de Ho Chi Minh City (a antiga Saigon), completa uma década no final deste ano. É um dos resorts mais sustentáveis do grupo e um dos principais eco-lodges do mundo. O hotel participa de iniciativas para proteção da fauna local e tem 50 pool villas construídas em madeira, com vista para o Mar da China. De lá chega o peixe fresco. Em caixas plásticas.

Ainda na ILTM, Jacobs foi a principal atração de um evento da IHG, no belo InterContinental Carlton, no qual mostrou outros exemplos de que ser plastic free vai muito além de banir canudos e garrafas. Várias amenidades encontradas em banheiros de hotéis de luxo foram apresentadas na versão Six Senses, como escovas de dente em bambu, cotonetes com haste em madeira e embalagens feitas em papel reciclado, tudo com o bom design que se espera de uma rede de eco-luxo.

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Há muito plástico em hotéis, e é difícil se livrar dele. Inclusive para a Six Senses, que tem sustentabilidade no DNA. Plástico é barato, é fácil de limpar, é leve. É conveniente para hoteleiros e para hóspedes. Seria um aliado se não destruísse o meio ambiente (e microplásticos ainda fazem mal para a saúde).

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As dificuldades das grandes redes para acabar com o plástico nos Hotéis

Cada vez mais viajantes de diferentes perfis se preocupam com jornadas sustentáveis. Para a Geração Z, que começa agora a viajar por conta própria, sustentabilidade pode ser inegociável. Semana passada, a publicação americana Skift, voltada para a indústria de viagens, fez uma reportagem sobre várias das dificuldades das redes hoteleiras para se tornarem plastic free. IHG, Accor, Marriott, Hilton, Hyatt, todas já anunciaram prazos, que talvez não sejam alcançados, para acabar pelo menos com os plásticos descartáveis. Em O Problema com as Promessas, as amenidades líquidas são um dos exemplos citados. Se o hotel escolhe uma embalagem maior de plástico, ela irá da mesma maneira parar no aterro sanitário ou, pior, no mar. Se a opção for por vidro, é preciso higienizar e reabastecer, o que demanda logística. É simples? Não. É possível? Sim. É necessário? Sem dúvida. Você pode ler o texto da Skift, em inglês, clicando aqui.

Leia mais: Marriot está (finalmente) se livrando das cortinas de plástico

O longo caminho da hotelaria no Brasil para acabar com o plástico nos hotéis

Se grandes grupos internacionais ainda parecem no começo de um longo percurso, não é diferente no Brasil. Há exceções, claro. Por exemplo, o Hotel das Cataratas, em Foz do Iguaçu, tem uma extensa história de ações sustentáveis muito antes de ser administrado pela Belmond. Mas redução de plástico em hotéis brasileiros ainda é algo distante da realidade.

“A venda da água em garrafas plásticas nos minibares nos oferece uma das maiores margens de lucro e não temos planos de mudar”, me disse há apenas alguns meses o gerente geral de um recém-renovado hotel de quatro estrelas na orla da Zona Sul carioca. Mas aqui e ali o cenário brasileiro vai se transformando. Apontamos alguns bons exemplos baianos no nosso texto da semana passada. Ainda que não mude o mundo, é alguma coisa.

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Os novos hotéis e spas cinco estrelas no Forbes Travel Guide 2020

Como é um spa cinco estrelas na lista Forbes

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Piscina do novo Anantara Tozeur Resort, na Tunísia

Luxo em cenário de Star Wars e outros novos hotéis de 2020

A versão 2019 da International Luxury Travel Market (ILTM Cannes), a maior e mais importante feira de viagens de luxo, realizada na primeira semana de dezembro na ensolarada Riviera Francesa, esteve como sempre repleta de novidades, entre tendências e produtos, como novos hotéis de 2020. Em estandes lindamente decorados de gigantes da hotelaria, em apresentações para a imprensa, em bate-papos individuais ou em almoços, jantares, coquetéis e festas concorridas em hotéis, restaurantes e até na praia banhada pelo Mar Mediterrâneo, durante intensos quatro dias muito se conversou sobre o mercado de viagens de luxo em 2020. Big players da indústria estiveram por toda a parte e foram muitos os anúncios de aberturas hoteleiras em 2020.

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Entre tantas novidades, selecionei para a revista Panrotas, semana passada, 20 novos hotéis em diferentes cidades pelo mundo (Paris, Londres e Nova York inclusive) para ficar de olho em 2020.

Você pode conferir a lista completa na edição digital clicando aqui (o texto começa na página 24).

Separei aqui seis hotéis bacanas, fora de grandes centros, para dar uma amostra do que vem por aí na hotelaria de luxo.

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Hotéis novos DE 2020 fora de grandes centros.

Anantara Tozeur Tunisia. Em soft opening desde o final de 2019, este esperado resort no Deserto do Sahara (foto em destaque no topo) fica na região da Tunísia que aparece nos filmes da saga Star Wars como o planeta Tatooine. São 50 quartos e 43 villas a 1h15m de voo da capital, Túnis. Anantara tem hoje 41 hotéis. O 42º (e terceiro na Europa) será o The Marker Dublin, na Irlanda, que reabre no segundo semestre. O projeto do Anantara brasileiro, no antigo Kiaroa, na Península de Maraú, na Bahia, foi adiado.

Leia mais: Hotel carbono neutro, a hospedagem que não deixa pegadas

Novos hotéis de 2020: Six Senses Bumthang, o quinto lodge da marca no Butão
Six Senses Bumthang, o quinto lodge da marca no Butão | Foto de divulgação

Six Senses Fort Barwara. A Six Senses, parte do IHG, continua em expansão. Fort Barwara fica a três horas de carro de Jaipur, na Índia. Em uma fortaleza do século 14, terá 48 quartos, dois restaurantes e duas piscinas. O hotel incorporou dois templos, e o spa seguirá a filosofia ayurveda. Em 2020, Six Senses conclui o projeto no Butão e abre em Bumthang. Este quinto lodge forma um itinerário em conjunto com os quatro inaugurados em 2019.

Na torcida para que os roupões do Fort Barwara sigam o padrão de originalidade de outros hotéis indianos de luxo, como você pode ver aqui.

Leia mais: O difícil adeus ao plástico na hotelaria

Novos hotéis de 2020: interior do restaurante grifado do primeiro O&O na Europa, em Portonovi, Montenegro
O restaurante grifado do primeiro O&O na Europa | Foto de divulgação

One&Only Portonovi. O O&O de Montenegro será o primeiro da marca na Europa. Banhado pelo Adriático, entre o mar e a montanha, o resort fica a 45 minutos de carro de Kotor, Patrimônio Mundial pela Unesco, e a uma hora de Dubrovnik, na vizinha Croácia. Terá 113 acomodações, entre suítes e villas; dez residências, spa e restaurante do chef estrelado Giorgio Locatelli. Ainda para este ano está marcada a inauguração do O&O Mandarina, na Riviera Nayarit, o segundo resort do grupo no México (um terceiro está a caminho, em Puerto Vallarta). E a abertura do O&O Desaru Coast, na Malásia. Nesta mesma região do Sudeste Asiático, a duas horas de carro do Aeroporto de Singapura, foi inaugurado recentemente um Anantara.

Leia mais: Como será a hotelaria de luxo na era covid-19

Novos hotéis de 2020: piscina com vista para o Mar Tirreno no Villa Igiea, em Palermo
Piscina voltada para o Mar Tirreno no Villa Igiea, em Palermo | Foto de divulgação

Villa Igiea, a Rocco Forte Hotel. Rocco Forte em pessoa anunciou em Cannes a reabertura do Villa Igiea, fora do centro de Palermo. Em um palácio do final do século 19 e com 68 quartos e suítes, a maioria com vista para o mar, será o 14º hotel de Sir Rocco (sétimo na Itália, segundo na Sicília). Hotel desde o início do século 20, Villa Igiea recebeu nobres europeus e celebridades de Hollywood ao longo das décadas, antes de fechar.

Leia mais: Cinco inovações que vão mudar a hotelaria

Novos hotéis de 2020: café da manhã com vista para o Caribe no Le Carl Gustaf
Café da manhã com vista para o Caribe no Le Carl Gustaf | Foto de divulgação

Barrière Le Carl Gustaf. O grupo francês Barrière chega a Saint-Barth, no Caribe, e já aceita reservas para a partir de 1º de março. Serão 23 acomodações, todas com vista para o mar, entre quartos, suítes e bangalôs. O hotel boutique terá também uma filial da clássica brasserie Le Fouquet’s, de Paris, que faz parte do mesmo grupo e completa 150 anos em 2020.

Cayo Guillermo Resort Kempinski. A rede alemã baseada em Genebra cresce em Cuba, depois do sucesso do Gran Hotel Manzana La Habana, aberto em 2017. O novo resort à beira-mar, em Playa Pilar, tem 245 quartos. Com 76 hotéis em 31 países, Kempinski pretende chegar a uma centena de hotéis em todo o mundo no próximo ano.

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