Nascer do sol visto do hotel Selina Copacabana

Rede Selina tem novo hotel em Copacabana e cresce com trabalho remoto

Enquanto muitos hotéis brasileiros fechavam as portas em 2020, ainda que temporariamente, a rede panamenha Selina planejava sua sexta unidade no país. O Selina Copacabana foi aberto no finalzinho do ano passado, num momento em que trabalho remoto e modelos híbridos (parte virtual, parte presencial) começaram a ser vistos como uma possível realidade além-pandemia para uma parcela da população. Fundada em 2015, a rede hoje internacional tem o cowork no seu DNA.

Atualmente o portfólio da Selina reúne quase 90 unidades, principalmente nas Américas mas também na Europa. No final de 2020, a rede divulgou (mais) dois aportes financeiros no total de US$ 50 milhões para a expansão na América Latina. Semana passada, a maior operadora de viagens da América Latina, a CVC Corp anunciou uma parceria com a rede Selina, como contou neste portal o coordenador da Panrotas, Rodrigo Vieira.

Desde o começo, há seis anos, a rede se promove como um endereço para nômades digitais vagando ao redor do mundo. Mas não é preciso ser nômade para aproveitar os serviços do hotéis Selina. Sequer viajante. Antes mesmo da pandemia as unidades da rede já eram pensadas também para quem pode trabalhar remotamente, ao menos em parte do tempo, e quer sair da rotina na própria cidade, mudando o endereço do escritório e conciliando labuta e lazer. Foi o que eu fiz: passei uns dias a menos de 10km de casa vendo o sol nascer ao lado do Pão de Açúcar e escrevendo com vista para o mar.

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“Acredito que as pessoas combinarão cada vez mais trabalho e diversão, e este é o tipo de ecossistema que Selina criou. Muitas plataformas (de hospitalidade) começarão a oferecer isso”, disse Rafael Museri, CEO e co-fundador da Selina, em março deste ano, à Skift, site americano de jornalismo voltado para o setor de viagens.

A rede Selina chegou ao Brasil no início de 2019. Em um bairro histórico no Centro do Rio de Janeiro, foi inaugurado o Selina Lapa, no endereço do antigo hotel 55 Rio. Assumir hotéis que já existem é um dos principais pontos do modelo de negócio da rede. A construção passa apenas por uma reforma básica para ser adequada ao padrão Selina, com ajustes na decoração e no uso dos espaços. Em um misto de hotel e hostel, as unidades oferecem quartos privativos e camas em acomodações compartilhadas, cowork, cozinha para uso dos hóspedes, e bar e restaurante. No Brasil, além dos dois endereços cariocas, a rede Selina está também em São Paulo (Vila Madalena e Centro), Florianópolis e Paraty, no litoral do Estado do Rio.

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Como é se hospedar no Selina Copacabana

O novo Selina Copa ocupa o prédio na Avenida Atlântica onde funcionava o tradicional Hotel Debret. Há outras fotos do Selina também no meu Instagram @CarlaLencastre

Áreas comuns

O check-in é feito antecipadamente pelo app do hotel. No térreo, a recepção divide o lobby com uma área de conveniência onde estão à venda alimentos, bebidas, roupas e chinelos de dedo. No primeiro andar há uma cozinha comunitária. O cowork tem 12 estações de trabalho e uma sala de reunião para até seis pessoas. O aluguel pode ser por hora, dia, semana, mês… Um mesmo pacote pode dar acesso ao espaço de coworking em diferentes unidades Selina.

No Selina Copacabana também é possível trabalhar durante o dia no gostoso bar e restaurante Flora, que fica na cobertura e tem uma vista espetacular da praia. Tanto o cowork quanto o restaurante estão abertos ao público em geral, como nos outros hotéis da rede. O café da manhã no Flora foi servido à mesa: um prato com pão na chapa, bolo e ovos mexidos, além de salada de frutas e suco fresco de laranja. Simples e sem variedade, mas saboroso.

Leia também: O que mudou no café da manhã de hotel durante a pandemia

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Quartos

O Selina Copacabana tem 116 quartos com diversas configurações, incluindo acomodações compartilhadas com até dez camas e sem banheiro. Fiquei em quarto privativo de canto no sétimo andar, com vista para o mar, banheiro e televisão (a maioria não tem TV). Colorido e acolhedor, o quarto é espaçoso, sem grandes amenidades ou modernidades, com ar-condicionado de janela e sem minibar. Além de uma cama de casal confortável, este quarto tinha armário e mesa de trabalho. O Wi-Fi funcionou perfeitamente. No pequeno banheiro com piso em preto e branco, igual ao dos banheiros do Selina Lapa, e detalhes em vermelho, havia amenities em embalagens de plástico grandes, mais sustentáveis. O Selina Copa oferece arrumação diária pela manhã, mas não abertura de cama ou refeições no quarto.

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Localização

O Selina Copacabana fica no Posto 5, mesmo endereço privilegiado de dois hotéis de luxo, o Emiliano e o Miramar by Windsor. O Fairmont Rio está logo adiante, no Posto 6, ao lado de Ipanema. Na rua lateral, quase em frente ao hotel, encontra-se o Bip Bip, botequim com algumas das melhores rodas de samba da cidade, no momento fechado por causa da pandemia. O Selina Copa oferece ainda aulas de yoga, de surfe e de SUP na praia, a poucos passos do hotel.

Leia também: Tudo o que publicamos sobre hotelaria e pandemia no Hotel Inspectors

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Fairmont Rio na pandemia: nascer do sol | Foto de Carla Lencastre

A transformação do Fairmont Rio durante a pandemia

O executivo estrangeiro faz check-out, o turista brasileiro chega para o check-in. Um dos efeitos da pandemia na hotelaria de luxo de Rio de Janeiro e São Paulo foi a mudança de perfil dos hóspedes. Hotéis como Fairmont e JW Marriott, no Rio, ou Palácio Tangará e Renaissance, em São Paulo, eram voltados principalmente para o viajante internacional de negócios, espécie em risco de extinção no momento. Já turistas brasileiros que privilegiavam outros países em viagens de lazer se viram confinados dentro das fronteiras do país, uma vez que atualmente somos bem-vindos em pouquíssimos destinos turísticos pelo mundo. Esse público nacional tem formado a grande maioria dos hóspedes durante a pandemia no Fairmont Rio, por exemplo, e em outros hotéis urbanos de luxo.

Durante a minha mais recente staycation no Fairmont, entrevistei Michael Nagy, diretor de Vendas e Marketing do hotel carioca, aberto em 2019 e o único da marca de luxo do grupo francês Accor na América do Sul. O Fairmont Rio virou um hotel-destino. Nagy conta como a operação foi ajustada para atender ao novo perfil do viajante de luxo no Brasil:

“Foi uma transformação antes inimaginável. Nosso público hoje é predominantemente de turistas brasileiros, com muitos moradores da cidade vindo se hospedar para comemorar alguma data especial. E os cariocas passaram a frequentar o bar e o restaurante. Com todas as restrições impostas pela covid-19, percebemos que a maioria dos hóspedes sequer sai do hotel ou do entorno. Então resolvemos olhar para dentro e abrir nosso leque de experiências. Com o valor atual do dólar e do euro, acredito que ainda receberemos viajantes domésticos mesmo depois que os brasileiros voltarem a serem aceitos em outros países.”

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Leia mais: Como é se hospedar no Sheraton Rio e no Praia Ipanema Hotel

Fairmont Rio na pandemia: varanda de uma das suítes | Foto de Carla Lencastre
Varanda de uma das suítes do Fairmont Rio, em Copacabana | Foto de Carla Lencastre

Fairmont Rio na pandemia: refeições ao ar livre

Entre as novas atividades às quais Nagy se refere estão jantares na varanda dos apartamentos, com serviço à francesa; aulas de coquetelaria no bar Spirit Copa; visitas guiadas pelo acervo de móveis, objetos e obras de arte de designers e artistas brasileiros que decora o hotel. Programas ao ar livre na Praia de Copacabana, como aulas de stand-up paddle, no Posto 6, a tranquila faixa de areia em frente ao hotel, são oferecidos dependendo das medidas restritivas da Prefeitura. No momento, as praias do Rio estão liberadas.

O Marine Restô e o Spirit Copa Bar têm mesas largas, espaçadas uma das outras, a maioria ao ar livre em volta da piscina. A vista para a praia, com o Pão de Açúcar ao fundo, é espetacular, e fica ainda mais especial em noite de lua cheia. O restaurante e o bar acabam de lançar um menu de outono criado pelos chefs Jérôme Dardillac e Carlos Cordeiro, com doces da chef pâtissier Leticia Cruz e drinques do head bartender Cassino Melo.

Leia mais: De predador a construtor, é a vez do turismo regenerativo

Fairmont Rio na pandemia: A piscina principal do hotel fica entre o restaurante e o bar | Foto de Carla Lencastre
A piscina principal do Fairmont entre o restaurante e o bar | Foto de Carla Lencastre
Menus de outono no Marine Restô e no Spirit Copa Bar

O ambiente de bar e restaurante do Fairmont Rio é elegante, mas o dress code segue o padrão carioca e vai do chinelo com areia no pós-praia ao terno e gravata. Dá para ir ao Marine ou ao Spirit para um café com vista ou para fazer uma degustação. No novo menu do restaurante, destacam-se o vinagrete de frutos do mar e o levíssimo capeletti na brasa com berinjela assada, cogumelos e raspas de castanha. Quem não dispensa sobremesa pode apostar no vacherin de sorvete de coco com maracujá. Mostrei os pratos no Instagram @HotelInspectors. A vista do almoço numa linda tarde de outono você pode conferir no meu Instagram @CarlaLencastre.

Entre os novos drinques, meu favorito foi o Duas Polegadas, batizado em homenagem a ex-miss Brasil Martha Rocha. De sabor intenso e com uma bonita apresentação, leva gim, azeite de ervas, Ramazzotti Rosato, Jerez fino e bitter de cacau. O Spirit tem boa carta de g&t (destaque para o gim tônica com sálvia e infusões de maçã desidratada, hibisco e casca de laranja), spritz, drinques com cachaça e não-alcoólicos, além de coquetéis clássicos. Para beliscar, vale investir no camarão na brasa ao alho e óleo e batata rústica.

Leia mais: Como estão funcionando os restaurantes de hotéis no Rio

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Como funciona o Fairmont Rio na pandemia

O hotel de 375 quartos segue os protocolos do selo AllSafe da Accor e hoje está com lotação média de 92%, operando com ocupação máxima de 50%, o que permite que as acomodações sejam arejadas por pelo menos 24 horas entre um hóspede e outro. Muitos ajustes na operação do Fairmont Rio foram em função de novas demandas, mas outras têm a ver com as medidas de biossegurança necessárias para enfrentar a pandemia. A seguir, alguns pontos que observei durante as minhas mais recentes hospedagens.

Piscinas e spa

As duas piscinas do hotel são amplas e climatizadas. A principal, entre o restaurante e o bar, tem vista para a praia. A outra, na parte de trás, recebe o sol da tarde e é mais tranquila. Preste atenção às paredes verdes no entorno: numa delas são cultivados os temperos usados no Marine Restô. Tive uma boa experiência no spa Willow Stream. As saunas seguem desligadas.

Serviço de quarto

Os pedidos são feitos pelo novo aplicativo do hotel, e entregues em embalagens biodegradáveis, sem pratos e com talheres em bambu. Tudo em um saco de papel. Prático para um sanduíche rápido, mas um pouco decepcionante no contexto do Fairmont fazer uma refeição em uma caixa de papelão, por mais sustentável que seja. A nova opção de jantar na varanda do quarto servido por um garçom deve preencher essa lacuna.

Café da manhã

É obrigatório o uso de máscara para circular pela área do Marine Restô, onde é servido o café, e os funcionários estão atentos. Mas se há um ponto que poderia fluir melhor é o bufê de refeições de hotel na pandemia.

O Fairmont optou pelo modelo híbrido. Há uma mesa com pães e sucos self-service, com boa área para circulação no entorno. O restante do bufê (frutas, queijos, frios etc.) fica na cozinha aberta para o salão, atrás de uma barreira transparente, e é servido pelos funcionários. São pequenos pratos previamente montados e embalados em plástico um a um. O resultado é um insustentável excesso de plástico descartável. Já na estação de pratos quentes, feitos na hora, o espaço para fazer e receber os pedidos é apertado, o que acaba dificultando o distanciamento social. A fila única, tanto para pedir quanto para pegar o prato quente, também não ajuda. Se você se afasta, quando volta tem que entrar na fila de novo. A melhor opção para quem busca tranquilidade é pedir o café da manhã no quarto.

Serviço

Continua atencioso e impecável em todas as áreas, como já tive oportunidade de constatar em diversas ocasiões, hospedada ou apenas de passagem. Poucos hotéis no Rio de Janeiro conseguem ter (e manter) esse padrão de excelência no atendimento.

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Brasileiro dá mais importância à hotelaria

Passado um ano da declaração de pandemia da Covid-19 (em 11/03/2020), a indústria turística não apenas sofreu o maior baque de sua história como também viu o perfil dos viajantes mudar muito em pouco tempo. Grandes mudanças ocorreram não apenas na infra-estrutura e operação da hotelaria, por exemplo, como também no próprio jeito do turista viajar. E pesquisas confirmam que o brasileiro dá cada vez mais importância à hotelaria durante a pandemia. 

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A mais recente delas foi divulgada pelo Airbnb. Um estudo encomendado às agências Somos e Novelo com brasileiros das classes AB de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife, que já tenham viajado durante a pandemia, revelou mudanças comportamentais no perfil do turista.

Dentre diversos itens (escolha dos destinos, meios de deslocamento etc), a principal alteração no comportamento do viajante brasileiro na pandemia diz respeito à indústria do hospitalidade. Ao invés da exploração de um destino em si, o turista brasileiro tem investido cada vez mais na exploração da acomodação escolhida para a viagem.

LEIA MAIS sobre o novo perfil do turista brasileiro na pandemia.

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Foto: Four Seasons Tamarindo/Divulgação

Brasileiro dá mais importância à hotelaria durante a pandemia

A escolha da acomodação, antes considerada pouco importante para uma parcela significativa dos viajantes, passou a ter importância fundamental para a maioria, seja para escapar no final de semana ou para fazer viagens mais longas. E são vários os fatores que levaram a isso, a começar pelo mais importante deles: segurança sanitária. 

VEJA TAMBÉM: Quando o hotel é o destino.

Muitos brasileiros passaram a dar mais atenção às reviews e depoimentos de hóspedes prévios na hora de escolher seu hotel, pousada ou imóvel de temporada. A curadoria dos bons agentes de viagem também tem sido fundamental nesse processo. Tudo para garantir uma estadia segura e satisfatória, em um local que esteja realmente respeitando o cumprimento dos protocolos de contenção do vírus, garantindo distanciamento entre hóspedes, segurança do staff e ambientes higienizados e muito bem ventilados. 

Além disso, boa parte dos viajantes em tempos de pandemia estão passando muito mais tempo (quando não todo o tempo!) dentro do local. Eu mesma fiz algumas viagens assim, de staycation em hotel em plena São Paulo a turismo de isolamento em hotéis em Monte Verde e em Atibaia, e encontrei sempre vários outros hóspedes fazendo a mesma coisa.

VEJA MAIS: Como a staycation está beneficiando a hotelaria brasileira durante a pandemia

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Tendências migram para além do mercado de luxo

Embora estas tendências sejam definitivamente mais fortes no mercado de luxo, há cada vez mais brasileiros investindo em staycations e propostas de turismo de isolamento também em outros nichos do mercado.

Este tipo de “escapada” é cada vez mais vista como alternativa mais segura para viajar nesta fase, com o mínimo contato possível com outros viajantes e risco zero de aglomerações. Turistas com orçamentos mais reduzidos têm, muitas vezes, diminuído a duração da viagem para poder investir um pouco mais na acomodação que consideram mais adequada. Assim, mais viajantes brasileiros passaram a priorizar opções mais confortáveis para suas acomodações, mais seguras e com melhor infra-estrutura, independente do orçamento disponível.

O estudo também revelou a preferência por estadias em locais já conhecidos, seja o destino em si ou o próprio hotel, pousada ou imóvel de temporada escolhido. 

VEJA TAMBÉM: 10 imóveis de temporada para se isolar na pandemia

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MudançaS de preferências e prioridades

A pesquisa gigante dos imóveis de temporada confirma a tendência de valorização dos meios de hospedagem durante a pandemia, apontada por relatórios anteriormente apresentados por outros órgãos e empresas internacionais, da McKinsey&Co ao Euromonitor. E aponta também que a tendência do turismo de isolamento/isocation deve seguir em alta ainda por um bom tempo por aqui.

LEIA TAMBÉM: Os termos do turismo popularizados durante a pandemia.

Muitos entrevistados apontaram a preferência por propriedades mais afastadas dos grandes centros urbanos, com distanciamento razoável entre acomodações e com fartura em áreas externas. A maioria dos hotéis deste tipo tem tido excelente desempenho durante a pandemia. Caso, por exemplo, do Unique Garden, em Mairiporã/SP, com reservas completas praticamente de segunda a segunda nos últimos meses.

Fazem sucesso também os hotéis que acabam de abrir as portas nessa linha, como o charmoso Canto do Irerê, em Atibaia/SP, sobre o qual já falei em coluna anterior aqui sobre os novos hotéis com bom desempenho na pandemia.  E também aumenta cada vez mais a procura por imóveis de temporada isolados.

VEJA TAMBÉM: 10 hotéis no Brasil para praticar turismo de isolamento

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CRESCE A IDEIA DE “VIAJAR SEM TIRAR FÉRIAS”

A ideia de “viajar sem tirar férias” prevaleceu no estudo da Airbnb, e parece mesmo cada vez mais fortalecida entre os brasileiros. Embora a maioria dos hotéis veja a ocupação crescer significativamente nestes meses apenas aos finais de semana e feriados prolongados, hotéis que oferecem boa infra-estrutura física e em serviços têm visto ocupação maior também durante a semana.

LEIA TAMBÉM: Tendências do turismo em 2021

Tudo graças à crescente demanda de brasileiros em trabalho remoto, que estão viajando simplesmente para variar o ambiente do home office. A workcation ou anywhere office já é e será uma realidade para várias pessoas pelos próximos meses (e potencialmente anos). Sobretudo no segmento do turismo de luxo, que tem se beneficiado também de viajantes que estão gastando muito mais em hotelaria no Brasil neste período por não viajarem ao exterior neste momento.

A recuperação do setor, é claro, tem sido inegavelmente mais rápida em propriedades com foco em lazer do que aquelas que antes mantinham foco corporativo.

VEJA MAIS: Como hotéis estão driblando a crise na pandemia.

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Fuso Hotel Florianópolis
O novo Fuso Hotel Florianópolis. Foto: Divulgação

Cenário otimista para a hotelaria

A indústria da hospitalidade internacional, que tem vivido tendência semelhante, vê com bastante otimismo essa migração do foco principal das viagens passar do destino para a hotelaria neste momento da pandemia. 

No Brasil, diversos novos hotéis estão abrindo suas portas com sucesso em plena pandemia, como já mostramos aqui. Um estudo recente da STR mostrou que em outubro de 2020 havia 121 projetos de novos hotéis em pleno andamento no país, todos com inauguração prevista neste e nos próximos quatro anos. Segundo a consultoria, apenas 10% dos projetos de novos hotéis desenvolvidos antes da pandemia foram abortados.

VEJA TAMBÉM: Oito tendências para a hotelaria em 2021

A STR apontou também a possibilidade de conversão de muitos hotéis independentes em unidades de redes hoteleiras maiores frente aos desafios da pandemia. Acabamos de ver, por exemplo, o hotel Botanique, em Campos do Jordão, que passou a operar desde fevereiro como parte da rede Six Senses. 

Embora os números de ocupação ainda sejam desfavoráveis para muitas propriedades nos últimos doze meses, a indústria da hospitalidade em geral tem realmente se fortalecido aos olhos do viajante no último ano e parte dela já começa a ver uma recuperação consistente. Um “copo meio cheio” extremamente bem-vindo para um setor tão afetado pela pandemia. 

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Vista do Praia Ipanema Hotel, no Rio de Janeiro

Staycation: Praia de Ipanema sem aglomeração

Como é fazer uma staycation na Praia de Ipanema e evitar aglomeração? Staycation vem do inglês stay + vacation e é o termo usado no setor de viagens para quando somos turistas na própria cidade ou nos arredores. Aqui no Hotel Inspectors somos fãs desde antes da pandemia.

Minha primeira escapada na pandemia foi justamente uma staycation. Passei dias deliciosos no Sheraton Grand Rio, resort urbano na praia, com ampla área ao ar livre e muito verde. Contei aqui como foi a minha experiência. Minha segunda escapada foi outra staycation. Desta vez a vontade de mudar de cenário, inclusive para o trabalho remoto, me levou ao Praia Ipanema Hotel, também à beira-mar. As staycations e as workcations (ou workations) cresceram muito e têm beneficiado a hotelaria das grandes cidades brasileiras, especialmente a do Rio de Janeiro, como já mostramos aqui.

Leia também: A transformação do Fairmont Rio durante a pandemia

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Praia Ipanema: boa relação custo x benefício

Completando 40 anos este ano o hotel fica no final de Ipanema, já quase no Leblon. A localização é muito boa para quem se sente confiante para aproveitar o melhor da gastronomia e do comércio carioca. Para os mais reclusos, o endereço à beira-mar torna descomplicado admirar a paisagem e dar um mergulho no mar nos horários em que a praia estiver menos cheia. Para começar e encerrar o dia com distanciamento social, o restaurante Espaço 7zero6, no 16º andar, é literalmente um ponto alto do hotel.

O Praia Ipanema não é um endereço de luxo, mas foi renovado para as Olimpíadas de 2016 e está bem conservado. Oferece boa relação custo x benefício e é confortável. Inclusive para trabalho remoto, com um ótimo Wi-Fi. Afinal, a staycation pode ser também uma workcation, quando o quarto do hotel vira um room office.

Leia também: ‘Buyout’, quando o hotel é todo seu

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Como o Praia Ipanema Hotel está funcionando na pandemia

No rápido check-in, uma barreira em acrílico protege os funcionários. Há álcool em gel por toda parte, inclusive dentro dos elevadores, e sinalização lembrando do distanciamento social. O uso de máscara é obrigatório nas áreas comuns, com exceção da piscina e à mesa do restaurante.

O 7zero6 (o nome vem do endereço, Avenida Vieira Souto 706), sobre o qual já escrevi aqui, é daqueles lugares frequentados por cariocas e procurado para pequenas comemorações. Para quem quiser ir ao restaurante sem estar hospedado no hotel, é importante fazer reserva.

O restaurante tem paredes em vidro e oferece vista panorâmica estonteante, da Lagoa Rodrigo de Freitas e do Cristo Redentor às Ilhas Cagarras. Com pé direito alto, as mesas estão espaçadas e a capacidade foi reduzida, permitindo uma melhor circulação de ar. Os funcionários estão adaptados aos novos procedimentos, inclusive para impedir de maneira gentil mas firme que um hóspede negacionista circulasse sem máscara pelo salão.

O café da manhã, chamado de Café Boulanger, é servido à mesa em etapas. Sucos, frutas, iogurte, pães, bolos, waffle, queijos, frios, ovos e salmão defumado estão no percurso, que inclui uma taça de espumante. Os menus de almoço e jantar também são bons. Quem preferir pode pedir as refeições no quarto, ainda que o cardápio seja menor e menos interessante.

Leia também: O que mudou no bufê de café da manhã de hotel

Praia Ipanema Hotel: cenário do pôr do sol de verão | Foto de Carla Lencastre
Cenário do pôr do sol de verão | Foto de Carla Lencastre
Restaurante e piscina estão com capacidade reduzida

Outro ponto alto do Praia Ipanema também fica no topo do hotel: a pequena piscina de borda infinita com vista para o mar e o Morro Dois Irmãos, onde o sol se põe no verão. Choveu ao final da tarde da minha staycation e vou ficar devendo a foto do pôr do sol no cartão-postal. Mas estou passando o verão no Rio e no meu Instagram @CarlaLencastre há muitas outras imagens de dias ensolarados (e quentes) em Ipanema e Leblon.

Tanto o restaurante quanto a área da piscina podem ser fechados para eventos particulares. A maré não está boa para o setor, mas não custa conferir antes de fazer planos. O hotel está funcionando com capacidade reduzida nos quartos e áreas comuns. Dependendo da lotação, pode ser necessário marcar hora para o café da manhã e para usar a piscina.

Leia também: É seguro usar piscina de hotel durante a pandemia?

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A maioria dos quartos tem vista para a Praia de Ipanema

Na hora de escolher entre um dos cem quartos com sacada, invista no mar. Com exceção dos andares mais baixos, a maioria oferece pelo menos vista parcial. Afinal, dar um upgrade no cenário da janela é um dos objetivos de uma staycation. Os quartos são claros, com cama confortável, armário, minibar abastecido com água, refrigerante e cerveja e algumas guloseimas, e um pequeno balcão com espaço o suficiente para puxar a cadeira e apreciar o panorama. Nas acomodações superiores, as amenidades de banheiro são Trousseau. O Praia Ipanema é pet friendly e aceita animais de até 10kg.

O hotel oferece serviço de praia, com cadeiras e guarda-sóis. Vale lembrar que estamos no alto verão e as praias do Rio, mesmo com a pandemia ainda longe do final, ficam cheias até tarde. O trecho em frente ao Praia Ipanema não a chega a ser dos mais concorridos, mas a dica para quem quiser evitar aglomeração é acordar cedo para caminhar e dar um mergulho. Na volta, aproveite o café da manhã com calma, vendo a praia do alto.

Leia também: Como é o Fairmont Copacabana, novo hotel de luxo no Rio

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Palácio Tangará São Paulo

STAYCATION pode beneficiar a hotelaria durante a pandemia

Sabemos que a indústria hoteleira vem tentando, desde o final do primeiro semestre de 2020, encontrar meios de compensar a queda brusca nas viagens. O setor sabe também que o potencial de viagens domésticas – sobretudo as chamadas viagens “hiperlocais” – ainda está longe de ser alcançado. É por isso mesmo que o conceito de staycation começa finalmente a fazer sucesso por aqui, e pode beneficiar enormemente a hotelaria durante a pandemia.

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As micro-viagens tornaram-se mais populares do que nunca nos últimos meses. São as “escapadas possíveis” para cada vez mais gente nestes tempos. Nos grandes eventos internacionais de turismo, como a ILTM, as staycations estão sempre apontadas entre as tendências de viagem da pandemia. Então nada mais natural que as staycations passem a ser encaradas como uma maneira de “fugir de casa” e relaxar um pouco sem envolver grandes deslocamentos ou logística complicada.

O termo se popularizou nos últimos meses e eis aí um tipo de viagem que acaba dando ao turista a sensação de maior controle e minimização de riscos. Afinal, estamos próximos de casa, senso de familiaridade, conhecemos toda a infra-estrutura hospitalar e emergencial do destino etc. 

O Rio de Janeiro foi a primeira cidade brasileira a ter sua hotelaria local investindo pesado em staycation na reabertura em tempos de pandemia. Inclusive já abordamos esse tema nesta coluna aqui. Mas desde o final de 2020 diversas outras propriedades espalhadas em grandes cidades brasileiras felizmente despertaram para esse filão – criando, muitas vezes, pacotes promocionais específicos para atrair esse tipo de hóspede. 

LEIA TAMBÉM: Oito tendências da hotelaria para 2021.

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Como a staycation pode beneficiar a hotelaria durante a pandemia

O termo “staycation“, corruptela de “stay” e “vacation“, existe para designar as férias passadas localmente já há muitos anos. Ganhou mesmo força internacional a partir da crise financeira de 2008. Mas, ao contrário de alguns outros países, a prática sempre foi bastante insípida no Brasil até o começo de 2020. E agora virou uma das grandes tendências da hotelaria para 2021.

LEIA TAMBÉM: Conheça os termos do turismo popularizados na pandemia.

Mas, ironicamente, a staycation tem sido “a luz no fim do túnel” para muitos hoteleiros brasileiros durante a pandemia. Dos econômicos aos mais luxuosos. Sobretudo no caso de propriedades instaladas em grandes cidades, que tinham nos viajantes internacionais grande parte de seu público anteriormente. Com o sumiço do turista internacional, foi preciso mais do que nunca investir no turista local.

Seja para quem quer apenas mudar um pouco a vista da janela de casa ou para famílias que procuram atividades diferentes para as crianças, a staycation revelou-se uma maneira descomplicada de sair de casa por alguns dias em tempos de pandemia. E mantendo o distanciamento social em mente. 

VEJA TAMBÉM: 10 hotéis para praticar turismo de isolamento no Brasil.

A prática tem sido comum também por quem procura um escritório diferente para o home office de todo dia. Com tanta gente ainda em trabalho remoto, a staycation e a workcation têm se fundido cada vez mais, sobretudo nas estadias em dias úteis. E o conceito de room office vai ficando cada vez mais abrangente.

E embora staycations possam ser facilmente reservadas com dois clicks em OTAs em geral, elas começam também a ser importante fonte de renda para muitas agências de viagem que estão promovendo mais esse tipo de escapada entre seus clientes.  

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Hóspedes gerando tickets cada vez maiores

Mais brasileiros começam a ver alguns hotéis em suas próprias cidades – ou muito próximo delas – como um destino em tempos de pandemia. Saem na frente, é claro, hotéis com boa oferta de espaços ao ar livre e, principalmente, que SAIBAM fazer bom uso desses espaços nestes tempos. 

Numa staycation, mais do que nunca o hotel deixa de ser visto como “um quarto” e passa a ser considerado por 100% dos hóspedes como uma experiência. E é fundamental o hoteleiro ter isso em mente ao receber esse tipo de hóspede, seja em um hotel ultra econômico ou em um hotel de luxo.

A staycation pode realmente beneficiar a hotelaria enormemente durante a pandemia. Sem as despesas de deslocamento, hóspedes em staycation costumam investir mais na escolha da acomodação. Além disso, geram um ticket final muito maior, consumindo também muito mais produtos e serviços dentro do hotel durante este tipo de hospedagem.

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Staycation em São Paulo

Depois do sucesso na hotelaria carioca, diversos hotéis em São Paulo criaram também recentemente pacotes promocionais para estimular as staycations na cidade.

É o caso, por exemplo, do Renaissance São Paulo Hotel. Após registrar um aumento expressivo de moradores da capital paulista entre seus hóspedes, o hotel criou o pacote Staycation, que inclui pelo menos dois benefícios extras nas diárias, ao gosto do freguês. Os benefícios podem ser serviços como café da manhã diário para dois, 20% de desconto nos bares e restaurantes do hotel, late check out, estacionamento etc).

Outras iniciativas na cidade, como a São Paulo Experience Tour, também têm se dedicado a estimular os paulistanos a praticarem staycations na maior cidade do Brasil – oferecendo produtos e serviços exclusivos e propondo redescoberta de espaços da capital paulista.

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Staycation no Palácio Tangará

Neste começo de 2021, resolvi apostar na staycation em São Paulo no belo Palácio Tangará – e tive uma excelente experiência. O hotel, parte do portfólio da prestigiosa Oetker Collection, foi eleito pela Condé Nast Traveller, no final do ano passado, como o melhor hotel do Brasil. 

Rodeado de verde em plena São Paulo, o Tangará fica anexo ao Parque Burle Marx e tem vista para o verde de praticamente todos os seus quartos – todos com muito espaço, amenidades Etro e pequenos balcões ou varandas. E dá para fazer ali seu room office tranquilamente.

O serviço impecável dá conta de manter a excelência e a amabilidade com o rigor necessário destes tempos para exigir que hóspedes cumpram todas as normas de segurança locais, o tempo todo – algo absolutamente fundamental.

O uso de máscara é obrigatório em todas as áreas públicas, internas e externas; as exceções são apenas à beira da piscina e, obviamente, nos restaurantes. Os espaços internos estão muito mais ventilados e há totens e displays de álcool em gel por toda a parte.

CONFIRA detalhes da staycation no Palácio Tangará aqui.

LEIA TAMBÉM: O crescimento das estadias prolongadas durante a pandemia.

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Novos espaços ao ar livre

Como hoje sabemos que o maior perigo da pandemia se encontra nos ambientes fechados, o Palácio Tangará criou um novo espaço delicioso ao ar livre, o Pateo do Palácio, que serve excelentes pratos e drinks dia e noite (com cardápios disponíveis em QR code) – e com música ao vivo nos finais de semana. 

O estrelado restaurante Tangará Jean-Georges também ganhou mais portas abertas para garantir boa ventilação e deliciosas mesas externas. 

CONFIRA detalhes da Staycation no Palácio Tangará aqui.

O Palácio Tangará não criou ainda nenhum pacote específico para staycation, mas trabalha até 31 de março com uma oferta de estadia que dá 50% off na terceira noite. 

VEJA TAMBÉM: As principais tendências para o turismo em 2021

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Enorme potencial para o mercado doméstico

Com o fim da pandemia parecendo cada vez mais distante, o setor começa a entender o enorme potencial que a staycation representa para o mercado doméstico neste período. O estímulo à staycation pode beneficiar a hotelaria de forma realmente imediata na pandemia. 

Falta, é claro, incentivo governamental para fomentar a prática. Diversos destinos internacionais estão vendo as próprias administrações locais fornecerem incentivos e subsídios a hotéis que trabalham o staycation durante as restrições de mobilidade da pandemia. Singapura, por exemplo, vem sendo um ótimo exemplo nesse sentido. E essa batalha ainda está bem longe de ser vencida.

E last but not least: obviamente, uma staycation só será de fato bem sucedida se hóspedes cumprirem as regras de segurança estabelecidas pela pandemia e se hotéis forem realmente rigorosos na fiscalização do cumprimento das mesmas.

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