Como você tem contado a sua história?

É sabido que vivemos a “era da experiência”, que expõe a necessidade das marcas em, mais do que venderem seus produtos e serviços, oferecerem para seus clientes o melhor momento que eles poderiam ter enquanto estiverem juntos. Nada mais justo, afinal, hoje, em um mundo com uma concorrência cada vez maior, as empresas precisam sim se destacarem, por todos os meios que elas tiverem em disponibilidade. 

E é aí que eu entro em um outro universo, que é a forma que as marcas estão se colocando no mercado, por meio, principalmente das estratégias de branded content, que envolvem a utilização das técnicas de storytelling e da aplicação do marketing de conteúdo. E é muito importante lembrar que esses termos e estratégias, não são exclusividades dos grandes players do mercado, mas, de qualquer um, independente do tamanho, que deseja expor seu produto ou serviço, por meio de sua história, sua essência, seu propósito e acima de tudo, a sua verdade. 

E eu até entendo que para pequenos e médios empresários possa parecer trabalhar essas estratégias possa parecer um pouco distante, afinal os principais cases são de marcas como CVC, Airbnb, Kontik Viagens, Gol, Localiza, Disney e Thomas Cook. Mas, não, hoje já existem hotéis, pousadas e pequenas agências, que já fazem o básico e estão se comunicando com seu público de maneira muito mais eficaz. 

Por isso, volto ao questionamento inicial. Como você tem contado a sua história? Como tem exaltado a experiência de seus clientes em seus canais de comunicação? 

Ao passo que os profissionais de marketing do turismo repensam como eles impactam potenciais visitantes e se diferenciam, contar histórias por meio de vídeos, artigos, podcasts e formatos diversos outros formatos compartilhados por canais tradicionais e digitais nunca foi tão importante. 

Portanto, uma dica, vivemos em um país de muitos altos e baixos, infelizmente isso tem se tornado muito cíclico, mas, mesmo em crise, conseguimos ser extremamente férteis em nosso terreno, uma vez ouvi pessoalmente de um grande empreendedor, Geraldo Rufino, que o dinheiro não some de repente, ele muda de lugar, e nós temos que encontrar formas de buscá-lo para gerar negócios. E isso passa por você buscar maneiras diferentes de se expor no mercado e contar a sua história para o seu público.  

O que falar sobre a estratégia de Branded Content da Kontik Viagens?

Semana passada vocês puderam acompanhar aqui mesmo no portal Panrotas uma matéria que anunciava o lançamento de uma nova seção no blog da Kontik Viagens e Turismo, chamada “Spot”. No espaço, a agência corporativa, que tem mais de 60 anos de atuação está entre as 5 maiores do seu segmento no Brasil, publicará artigos de diretores e profissionais da Kontik, além de profissionais convidados.

Enfim, atualmente, vivemos em um universo no mercado de Turismo, onde a massiva maioria das marcas trabalha em sua comunicação, apenas a publicidade tradicional – aquela que, explicando a grosso modo, simplesmente fala do produto ou serviço, querendo ser chamativa e bonita – deixando de lado as estratégias que visam torná-las autoridade ou relevantes para para seu público. Portanto, de cara, já me surpreendi positivamente com o fato da Kontik trabalhar de maneira diferente.

Não tenho acesso a estratégia completa da empresa, mas analisando o blog, que possui matérias com curadoria de temas da área e atividades da instituição é possível notar que eles buscam chamar a atenção com um conteúdo relevante, que visa informar o público, que muitas vezes ainda está na fase de aprendizado e descoberta,sem saber o que quer ainda, com o intuito de fidelizar essas pessoas para que eles virem leads que evoluam para clientes.

Isso acaba se tornando mais qualificado ainda, quando a Kontik insere em sua estratégia, conteúdos de profissionais relevantes, que é a proposta da seção “Spot”. Isso é Marketing de Conteúdo puro, que é  utilizado há anos, e com excelência, por marcas de segmentos diversos, porém, pouco explorado no Turismo, com algumas exceções.

O que é uma pena, pois existe abertura para tal aplicação de conteúdo de marca. O público está carente desse tipo de trabalho, mas as empresa ainda preferem focar sua comunicação em publicações que mostrem apenas promoções, imagens de destinos, pacotes, produtos e serviços de maneira geral. Isso também vale, mas deve ser uma parcela do que sua comunicação entrega para o público.

Mas, vale dar uns toques aqui

Agora, para não falar que simplesmente fiquei aqui “rasgando seda” (com o perdão do termo da época do meu avô) para a Kontik, vale aqui um uma orientação. Eu esperava mais conteúdos já publicados na seção “Spot”, hoje só tem um texto, escrito pelo  Diretor de Marketing e Relacionamento da empresa, Wilson Silva, onde o tema é interessante, mas o conteúdo acaba sendo simples, sem muita informação.

Então, lançaria a seção com mais publicações e um pouco mais densas, com mais construção de ideias. Além disso, abusaria do audiovisual, afinal, hoje, um conteúdo em vídeo já é mais consumido do que o textual.

Existem outras melhorias que podem ser feitas e direcionadas, porém, quero finalizar parabenizando a equipe de marketing e comunicação da agência, que se propõe a fazer algo diferente em sua forma de expor a marca, trabalhando branded content, por meio de estratégias de marketing de conteúdo, utilizando suas lideranças como formadores de opinião para seu cliente. Isso com certeza vai gerar um público cada vez mais qualificado e fiel, que se tornará consumidor da empresa.

Qual o seu propósito? Qual a sua causa?

Se engajar em uma ou mais causas é muito mais do que simplesmente eleger um tema (ou problemática) para defender. É fazer a relação entre seu propósito e as demandas existente na sociedade como um todo. É ser verdadeiro consigo, com seu público e com o nicho que irá atuar. E se você acha que isso é balela, sinto lhe dizer, mas sua empresa está muito atrasada e fora do contexto atual.

Segundo pesquisa da consultoria Edelman Earned Brand, 56% dos brasileiros dizem consumir ou boicotar marcas de acordo com o posicionamento delas diante de questões sociais relevantes. Quem mais? Em 2018, o instituto Akatu realizou uma pesquisa sobre o Panorama do Consumo Consciente no Brasil, que apontou a informação que 59% dos consumidores acreditam que as empresas deveriam fazer mais do que está nas leis para trazer mais benefícios para a sociedade.

É preciso entender que o público mudou, a sociedade não consome da mesma maneira que antigamente, o fluxo de informação está cada vez maior e o que vai ditar o sucesso da sua empresa/marca, será a sua capacidade de diferenciação, além de fazer o básico, que é prestar um bom serviço ou oferecer um bom produto.

Agora que estamos na mesma “página”, quero mostrar um estudo feito pela Cause, consultoria de identificação e gestão de causas, que mapeou os 37 temas que devem pautar as organizações com propósito em 2019. Nele, a instituição dividiu o estudo em cinco áreas (Grupos Identitários, Manifestações Culturais, Meio Ambiente, Saúde, Tecnologia, Panorama Global e Panorama Nacional) e dois grandes recortes geográficos, com os 37 temas que vão movimentar as organizações com propósito neste ano e trouxe também, 140 personagens para prestar atenção no mundo das causas em 2019.

Dos mais de 37 temas, todos são extremamentes importantes e válidos para sociedade, mas quero destacar alguns que podem ter mais relação com o turismo:

  • Combate às mudanças climáticas:

No ano passado, sabe-se que ao menos duas ilhas, East Island e Esanbe Hanakita Kojima, desapareceram, devido o efeito das alterações no clima. Portanto, essa é uma causa relevante, afinal como players do turismo, que visam um planeta funcionando em perfeito ecossistema, principalmente com um turismo sustentável, precisamos que a agressão à natureza seja combatida.

  • Defesa dos mecanismos de incentivo

Um relatório da FGV mostrou que, a cada 1 real investido em cultura via lei de incentivo, 1,59 real retorna para a economia. Fomentar a cultura, também impulsiona o turismo, portanto, a causa é importante para o nosso segmento.

  • Preservação do patrimônio histórico

O turismo histórico é extremamente importante para o nosso mercado, portanto, lutar pela preservação do nosso patrimônio é uma causa justa para as empresas de turismo.

  • Segurança Pública

Sabemos que um dos principais pontos negativos do Brasil, e que afasta os turistas estrangeiros é a falta de segurança no país, sendo assim, essa é uma pauta importante para ser discutida pelo trade.

Enfim, essas foram algumas causas que julguei serem relacionadas com o turismo, porém, vou ressaltar novamente, qualquer causa a ser engajada pela empresa, deve estar totalmente ligada ao propósito da marca. Caso essa relação não seja feita, as ações podem ser vistas como “fake”, gerando revolta do público e podendo desencadear em uma crise.