A EVOLUÇÃO DA ALEXA: UM NOVO PARADIGMA PARA O TURISMO

A Amazon acaba de anunciar uma atualização significativa de sua assistente de voz, agora chamada Alexa+. Integrando inteligência artificial generativa, a nova versão oferece uma experiência conversacional mais fluida, personalizada e eficiente. Os usuários poderão planejar viagens completas, reservar transportes, fazer reservas em restaurantes e muito mais, consolidando a Alexa+ como uma assistente digital integral para o cotidiano.

Esta nova versão marca um salto tecnológico impressionante em relação à versão inicial lançada em 2014. A Amazon claramente busca competir com os avanços em IA de gigantes como Apple, Google e OpenAI, que têm investido pesadamente em assistentes digitais cada vez mais sofisticados.

O diferencial da Alexa+ está em sua capacidade de trabalhar em segundo plano, coordenando múltiplos serviços de forma integrada. Por exemplo, o sistema poderá fazer uma reserva para jantar através do OpenTable, chamar um Uber para um amigo e enviar todos os detalhes sem que o usuário precise alternar entre aplicativos ou dispositivos.

Parcerias Estratégicas no Setor Turístico

Para viabilizar estas funcionalidades, a Amazon estabeleceu alianças com empresas-chave do setor de viagens, incluindo Booking Holdings (dona da Priceline e OpenTable), Tripadvisor e Uber. As principais funcionalidades incluem:

  • Planejamento de viagens: Parceria com Fodor’s Travel Guide e Tripadvisor para oferecer informações detalhadas sobre destinos e recomendações personalizadas
  • Reservas de hospedagem: Integração com Priceline (detalhes ainda não divulgados)
  • Transporte via Uber: Solicitação e reserva de viagens por comando de voz
  • Reservas gastronômicas: Agendamentos em restaurantes via OpenTable e pedidos de delivery pelo GrubHub
  • Bilheteria e bem-estar: Compra de ingressos via Ticketmaster e agendamento de serviços de bem-estar pela plataforma Vagaro

O Impacto na Experiência do Turista nas Cidades

A implementação da Alexa+ promete transformar profundamente a forma como os viajantes interagem com os destinos turísticos. Alguns dos principais impactos incluem:

1. Democratização da Experiência Personalizada

A IA generativa permitirá que cada turista receba recomendações altamente personalizadas sem a necessidade de pesquisas extensas ou consultoria especializada. Um viajante em São Paulo, por exemplo, poderá simplesmente perguntar: “Alexa, onde posso comer um bom prato típico paulistano que seja acessível e próximo ao meu hotel?”, recebendo sugestões relevantes e personalizadas instantaneamente.

2. Redução da Barreira Linguística

Para turistas estrangeiros no Brasil, a capacidade multilíngue da Alexa+ pode significar uma redução significativa nas barreiras de comunicação. Um visitante poderá solicitar recomendações em seu idioma nativo e receber instruções precisas para chegar a atrações locais, facilitando a navegação em cidades desconhecidas.

3. Exploração Mais Profunda dos Destinos

Com recomendações instantâneas e personalizadas, os turistas tendem a explorar áreas além dos circuitos turísticos tradicionais. Isso pode levar a uma distribuição mais equitativa do fluxo turístico nas cidades brasileiras, beneficiando estabelecimentos em bairros menos visitados tradicionalmente.

Impacto nos Fornecedores Locais de Serviços Turísticos

A revolução trazida pela Alexa+ apresenta tanto oportunidades quanto desafios para os negócios locais:

1. Visibilidade Digital como Fator Crítico

Estabelecimentos com forte presença em plataformas digitais integradas à Alexa+ (como Tripadvisor, OpenTable e Viator) terão vantagem competitiva significativa. Negócios sem presença digital adequada correm o risco de se tornarem “invisíveis” para este novo canal de recomendações.

2. Democratização do Acesso vs. Dependência de Plataformas

Por um lado, pequenos negócios turísticos locais podem ganhar visibilidade sem grandes investimentos em marketing. Por outro, cria-se uma nova dependência das plataformas parceiras da Amazon, que podem estabelecer novas taxas e comissões para inclusão nos resultados prioritários.

3. Mudança nas Expectativas de Atendimento

Com a facilidade de reservas e agendamentos via Alexa+, os clientes esperarão confirmação e atendimento igualmente eficientes dos fornecedores locais. Empresas que não estiverem preparadas para responder rapidamente às reservas digitais poderão sofrer com avaliações negativas.

o que as empresas de Turismo podem fazer?

Diante deste cenário de transformação tecnológica, algumas estratégias podem ajudar empresas e profissionais do setor turístico brasileiro a se prepararem:

1. Fortaleça sua Presença Digital Multidimensional

Não basta estar presente em apenas um canal digital. Certifique-se de que seu negócio esteja cadastrado e atualizado em todas as plataformas relevantes: Google Maps, Tripadvisor, Instagram, OpenTable (ou similares brasileiros como TheFork), Booking.com e outras que possam ser integradas à Alexa+ quando ela chegar ao Brasil.

2. Adapte-se ao Sistema de Reservas Instantâneas

Implemente sistemas que permitam receber e confirmar reservas automaticamente, 24 horas por dia. A capacidade de resposta em tempo real será um diferencial competitivo crucial.

3. Desenvolva Conteúdo Local Exclusivo

Crie experiências e conteúdos exclusivos que destaquem aspectos únicos da cultura local. Alexa+ pode recomendar estabelecimentos, mas experiências autênticas e memoráveis continuarão dependendo da criatividade dos agentes locais.

4. Invista em Parcerias Estratégicas Locais

Forme redes de colaboração com outros negócios locais complementares. Por exemplo, uma pousada em Fernando de Noronha pode estabelecer parcerias com operadores de mergulho, restaurantes e guias locais, oferecendo pacotes integrados que se destaquem nas recomendações da IA.

5. Prepare-se para a Economia de Voz

Otimize seu marketing para busca por voz, considerando como os turistas formulariam perguntas naturalmente. Por exemplo, em vez de palavras-chave como “restaurante São Paulo centro”, pense em frases completas como “Onde posso comer comida típica brasileira no centro de São Paulo?”.

6. Monitore e Adapte-se Constantemente

A tecnologia evolui rapidamente. Estabeleça processos para monitorar como seu negócio aparece nas recomendações de assistentes virtuais e ajuste sua estratégia digital conforme necessário.

7. Valorize o Toque Humano como Diferencial

Mesmo com toda a tecnologia, o calor humano e o atendimento personalizado continuarão sendo diferenciais importantes. Use a tecnologia para automatizar processos, mas invista na capacitação de sua equipe para proporcionar experiências memoráveis que nenhuma IA pode replicar.

A chegada da Alexa+ representa mais um capítulo na transformação digital do turismo global. Para o Brasil, com sua rica diversidade cultural e natural, esta tecnologia pode significar tanto uma oportunidade de ampliar a visibilidade internacional de destinos menos conhecidos quanto um desafio de adaptação para o setor.

Os profissionais brasileiros de turismo que compreenderem e se anteciparem a estas mudanças estarão melhor posicionados para aproveitar as oportunidades criadas pela nova era dos assistentes virtuais potencializados por IA generativa, contribuindo para um turismo mais sustentável, inclusivo e tecnologicamente integrado em nosso país.

10 Perguntas Essenciais para Secretários de Turismo que Estão Começando a Jornada em 2025

Assumir o cargo de Secretário Municipal de Turismo é um desafio que pode parecer intimidador, especialmente para quem não tem experiência prévia no setor. No entanto, com um pouco de direcionamento, é possível transformar o turismo em um motor de desenvolvimento econômico e social para o município. Aqui estão as 10 dúvidas e dicas práticas para superá-las.

1. O que exatamente faz uma Secretaria Municipal de Turismo?

O papel da secretaria é fomentar o turismo local, promovendo os atrativos da cidade, planejando ações estratégicas e criando condições para que o setor se desenvolva de forma sustentável.

Suas responsabilidades como secretário incluem liderar a equipe, articular parcerias, buscar recursos e garantir que o turismo beneficie a economia e a comunidade local.

2. Por onde eu começo?

O primeiro passo é realizar um diagnóstico rápido do potencial turístico da cidade. Junte todo material e experiência existente sobre os atrativos, infraestrutura e identifique os principais desafios. Com isso em mãos, defina prioridades claras para os primeiros 100 dias: ações de impacto rápido, como melhorar a sinalização ou promover campanhas regionais.

3. Quem deve compor minha equipe?

Uma equipe eficiente precisa de profissionais com perfis complementares, como:

   •       Gestores administrativos para cuidar do orçamento e da parte burocrática.

   •       Profissionais de marketing e comunicação para promover os atrativos.

   •       Técnicos em turismo ou cultura para planejar roteiros e eventos.

Capacitação contínua é essencial; busque parcerias para qualificar sua equipe.

4. De onde vem o orçamento e como posso usá-lo?

O orçamento da secretaria pode vir de recursos municipais, convênios estaduais e federais, ou parcerias público-privadas (PPPs). É importante conhecer a Lei de Responsabilidade Fiscal para utilizar esses recursos de forma legal e estratégica. Programas como o Plano Nacional de Turismo oferecem linhas de financiamento que podem ser acessadas.

5. Como atrair turistas para o meu município?

Para aumentar o fluxo de visitantes, aposte em ações de marketing digital, como redes sociais, e campanhas direcionadas para cidades vizinhas. Revitalize os atrativos mais populares e invista em eventos culturais que coloquem sua cidade no mapa turístico regional.

6. O que já foi feito até agora?

Antes de implementar novas ações, avalie as iniciativas da gestão anterior. Identifique projetos que tiveram impacto positivo e merecem continuidade, mas também fique atento a falhas que precisam ser corrigidas. Essa análise economiza tempo e recursos. Ouça bastante, depois trace seu plano.

7. Com quem eu devo me conectar?

O turismo é uma área que exige articulação. Conecte-se com as secretarias de seu município que têm relação próxima com o turismo, tais como cultura, limpeza urbana, infra-estrutura, comunicação. Além disso:

   •       Empresários locais do setor de hotelaria, gastronomia e transporte.

   •       Entidades como SEBRAE, Embratur e Anseditur.

   •       Líderes comunitários e associações culturais que possam colaborar na promoção do turismo.

A construção de um Conselho Municipal de Turismo (COMTUR) fortalece essa rede.

8. Como promover o município com poucos recursos?

Mesmo com um orçamento limitado, é possível adotar estratégias eficazes:

   •       Utilize redes sociais para divulgar atrativos e eventos.

   •       Promova parcerias com influenciadores locais.

   •       Invista em material visual de baixo custo, como vídeos curtos e fotos que destaquem as belezas do município. Faça um levantamento de vídeos, fotos e conteúdos existentes, eles são sua ferramenta de trabalho.

9. Quais eventos posso criar ou fortalecer?

Eventos são uma excelente forma de atrair turistas. Revitalize festas tradicionais já existentes e promova novos eventos temáticos, como feiras gastronômicas ou festivais culturais. O segredo é envolver a comunidade e garantir que os eventos ofereçam experiências autênticas.

10. O que diferencia meu município como destino turístico?

Para destacar seu município, é preciso identificar seus principais atrativos e trabalhá-los de forma estratégica. Pergunte-se: O que só minha cidade tem? Quais os nossos diferenciais? Por que uma pessoa viria nos visitar?  Pode ser um atrativo natural, um evento único, uma tradição cultural ou até a gastronomia local. Invista em branding turístico, criando uma identidade única para promover seu destino.

Encarar as dúvidas iniciais é normal, mas, com planejamento, parcerias e ações bem direcionadas, você pode transformar o turismo do seu município em um exemplo de sucesso. Use os primeiros 100 dias para estruturar suas ações e ganhar a confiança da comunidade e dos turistas. O turismo não é apenas lazer; é uma ferramenta poderosa para desenvolvimento sustentável e transformação social.

Quem vai dominar o mercado de viagens nos próximos anos?

Voltando ao relatório “Travel 2040”, desenvolvido em parceria com Google e Deloitte, vamos compartilhar mais alguns insights que complementam o meu post anterior sobre o Brasil como um dos maiores emissores de turistas até 2040. Nos próximos 15 anos, o número de viajantes internacionais deve atingir 2,4 bilhões, um aumento de 60%. Países como China, Índia e Estados Unidos vão liderar esse crescimento, moldando novos comportamentos e preferências no mercado global de viagens.

Índia e EUA: Protagonistas em Transformação

A Índia, com um crescimento projetado de cinco vezes no número de viajantes, será impulsionada por uma geração jovem e digitalmente engajada, que prefere reservas de última hora e destinos próximos inicialmente, expandindo gradualmente para locais mais distantes. Enquanto isso, os Estados Unidos manterão sua liderança, representando até 40% dos viajantes globais em destinos fora da Europa. Com um perfil de consumidor mais experiente, os americanos valorizam marcas confiáveis, estando dispostos a pagar mais por serviços de alta qualidade.

Mudança no Cenário de Destinos

O cenário global de destinos populares também passará por mudanças significativas. Espanha deverá superar a França como o país mais visitado, enquanto México e Oriente Médio despontam como fortes concorrentes. Emirados Árabes Unidos continuarão a expandir seu turismo, enquanto a Arábia Saudita investe em infraestrutura de alta qualidade e grandes eventos, como a Expo 2030.

Veja o meu post sobre o Brasil como mercado emissor até 2040 aqui.

Fiz um novo episódio do meu podcast HUB TURISMO com Rodrigo Possatto, Diretor da Smiles Viagens. Te convido a nos assistir no YouTube. Os temas que realmente interessam aos profissionais de turismo e que tratamos nesse papo são:

– qual o modelo de negócios da Smiles Viagens

– como a empresa complementa o portfolio do Grupo GOL 

– os primeiros passos da Smiles Viagens no mercado e os desafios enfrentados

– os diferenciais que ela oferece para agências de turismo interessadas em ampliar suas opções de produtos e serviços.

Rodrigo também compartilha as vantagens que as agências podem obter ao se associarem à Smiles Viagens, destacando o potencial de crescimento, aumento de clientela e expansão internacional. 

Se preferir pode nos ouvir no HUB TURISMO AQUI.

Por que o brasil (e o turismo) precisa de mais mulheres no poder?

No próximo domingo, dia 6 de outubro, o Brasil realizará as eleições municipais, um momento crucial para renovar os representantes das prefeituras e Câmaras Municipais. Hoje, às vésperas de exercer meu voto me perguntei sobre o turismo e sobre as mulheres. Logo percebi que a representatividade feminina ainda é uma questão crítica tanto na política quanto no turismo. Somos a maioria da população brasileira e estamos cada vez mais presentes em vários segmentos econômicos, mas nossa participação nos espaços de poder e decisão ainda está muito longe da igualdade.

 Mulheres na Política: Um Caminho de Desafios

Nas eleições de 2020 e 2026 apenas 12% dos prefeitos eleitos eram mulheres. Vereadoras, somente16% dos eleitos foram mulheres, ainda muito distante da equidade de gênero desejada. Isso demonstra que, apesar da cota de gênero, a realidade política brasileira continua marcada por barreiras estruturais e culturais que dificultam a presença feminina.

Esse cenário de desigualdade reflete a posição internacional do Brasil em termos de representatividade feminina. Hoje, em 2024, nós estamos na 132ª posição no ranking global de mulheres no legislativo, atrás de países conhecidos por regimes autoritários, como a Coreia do Norte e a Arábia Saudita. Embora a legislação tenha sido ampliada ao longo dos anos para incluir medidas de incentivo, como a destinação de 30% dos recursos do Fundo Eleitoral para candidaturas femininas, isso ainda não resultou em uma mudança significativa no equilíbrio de poder.

 Turismo: Protagonismo Feminino, mas com Desafios

O setor de turismo é uma das áreas em que as mulheres têm uma presença considerável. Nós representamos 49% da força de trabalho na área aqui no Brasil, ocupamos diversos tipos de funções ligadas ao esteriótipo feminino de “cuidar”, “arrumar”, “servir”. Mas muito longe do “chefiar”, “liderar”.

Um estudo do World Travel & Tourism Council – WTTC, revelou que 57% das agências de viagens e operadoras de turismo são lideradas por mulheres, uma realidade que foge aos estereótipos tradicionais de gênero e merece mais investigação. Ainda assim, essas mesmas mulheres enfrentam dificuldades para ascender a cargos de liderança e obter remunerações equivalentes às de nossos colegas homens. A desigualdade salarial e a segregação de gênero no turismo são reflexos de um problema maior que também se verifica na política.

Além disso, embora nós, mulheres, tenhamos níveis de escolaridade superiores aos dos homens no setor de turismo, somos sub-representadas em cargos estratégicos e de poder, tanto nas empresas privadas quanto no governo; o que foi detalhado em estudo publicado na Revista Brasileira de Pesquisa em Turismo. Esse cenário ilustra como, mesmo em um setor em que as mulheres são a maioria, as estruturas atrasadas ainda limitam nosso protagonismo.

 O Desafio da Igualdade

Para mitigar essas desigualdades, é fundamental que se promovam políticas públicas que incentivem não só a participação, mas também a permanência e ascensão das mulheres em todos os setores. No caso da política, é crucial garantir que as candidaturas femininas não sejam apenas formais, mas recebam apoio real para se tornarem competitivas. No turismo, é necessário criar condições mais favoráveis para que as mulheres possam equilibrar carreira e família, e que as empresas e governos estejam comprometidos com a promoção de igualdade de gênero. Além disso, temos que apostar na liderança feminina em cargos de empresas, entidades e associações. 

 Perspectivas Futuras

A participação das mulheres na política e no turismo no Brasil revela um panorama de avanços e desafios. Nós já conquistamos espaços, seja por meio de leis ou de nossas próprias iniciativas, mas o caminho para a equidade de gênero ainda é longo. No próximo domingo, as eleições municipais mais uma vez evidenciarão o quanto ainda é necessário fazer para garantir uma representatividade justa e inclusiva.

Para que as mulheres tenham mais protagonismo na política e no turismo, é essencial que os esforços para eliminar as desigualdades de gênero sejam constantes e eficazes. O Brasil precisa reconhecer que a inclusão feminina é vital para uma sociedade mais justa e democrática. A eleição de 2024 representa mais uma oportunidade para repensar a participação das mulheres nos espaços de poder. Somente com políticas inclusivas e o enfrentamento de preconceitos e estereótipos é que será possível garantir que as mulheres ocupem o lugar de líderes e não de coadjuvantes.

saiba como os Mercados Emergentes Redefinem o Turismo Global

O turismo global é um dos principais motores da economia mundial, influenciando o crescimento econômico, a criação de empregos e a interculturalidade. Recentemente, o setor tem mostrado uma impressionante capacidade de resiliência e inovação, após enfrentar desafios sem precedentes durante a pandemia. O retorno às viagens em massa nos últimos anos revela uma série de tendências que moldarão o futuro dos fluxos turísticos globais e sua contribuição para o desenvolvimento sustentável. Essas são as conclusões do WTTC – World Travel & Tourism Council em seu último relatório que passamos a mencionar a seguir.

A hegemonia americana e a ascensão dos mercados emergentes

Os Estados Unidos permanecem como o mercado mais poderoso no setor de viagens e turismo, com uma contribuição histórica para sua economia. No entanto, por mais que o mercado americano ainda esteja no topo, é impossível ignorar o crescimento vertiginoso de outras potências, especialmente nos mercados emergentes. A China, que antes de 2020 era vista como uma força em ascensão, reafirmou sua posição como uma das maiores potências do turismo mundial, mesmo com o impacto das restrições prolongadas de viagens durante a pandemia. Hoje, a China ocupa a segunda posição global, e projeções apontam que, nos próximos dez anos, deve ultrapassar os EUA, tornando-se o maior mercado de turismo do planeta.

Mas não é apenas a China que está mudando o cenário global. A Índia também se destaca cada vez mais no turismo, ocupando agora uma posição de destaque no top 10 mundial. Seu crescimento constante no setor reflete não apenas o aumento das viagens domésticas, mas também o crescente apelo do país como destino para visitantes internacionais. O papel desses mercados emergentes evidencia uma mudança estrutural nos fluxos turísticos, com uma redistribuição do poder econômico global.

Esses dois países, China e Índia, representam uma transformação significativa no turismo global, não apenas em termos de números, mas também na forma como moldam o futuro das viagens. O turismo, que por décadas foi dominado por destinos ocidentais, está se tornando cada vez mais multipolar, com destinos na Ásia, África e América Latina ganhando terreno.

Redescoberta de destinos tradicionais e o apelo de novos locais

Embora os destinos tradicionais como França, Itália e Espanha continuem a ser pontos de destaque no turismo global, estamos observando uma diversificação dos interesses dos turistas. Muitos viajantes estão buscando destinos menos conhecidos, impulsionados pela busca por experiências autênticas, culturais e naturais. Países como o Quênia, Egito e Colômbia, por exemplo, têm visto um aumento expressivo nos fluxos de visitantes, à medida que se posicionam como destinos únicos e autênticos, longe do turismo de massa.

A ascensão desses destinos reflete uma mudança no comportamento dos viajantes, que agora buscam não apenas conforto e conveniência, mas também conexão com culturas locais, biodiversidade e experiências que vão além do comum. Essa tendência está diretamente associada ao fortalecimento de políticas de sustentabilidade, que promovem o ecoturismo, o turismo de aventura e as viagens voltadas à preservação do meio ambiente.

Sustentabilidade como eixo central do futuro do turismo

A sustentabilidade já não é apenas uma palavra da moda no setor de viagens; ela se tornou um eixo central nas estratégias das principais economias turísticas. Com o aumento do turismo em destinos naturais e culturais, há uma preocupação crescente em proteger esses ativos, assegurando que as gerações futuras também possam desfrutar dessas experiências.

A dissociação entre o crescimento do turismo e o aumento das emissões de gases de efeito estufa é um dos objetivos mais ambiciosos do setor. Países ao redor do mundo estão investindo em infraestrutura mais verde, incluindo transportes menos poluentes, eficiência energética em hotéis e atrações turísticas, além de incentivar o turismo responsável por meio de políticas de conscientização.

Além disso, o setor também está se tornando mais inclusivo. Destinos estão cada vez mais promovendo a inclusão de comunidades locais na cadeia de valor do turismo, gerando empregos e oportunidades para grupos historicamente marginalizados, como mulheres, jovens e minorias étnicas. Essa abordagem não só ajuda a desenvolver a economia local, mas também proporciona aos viajantes uma experiência mais autêntica e significativa.

O papel da tecnologia na transformação da experiência de viagem

A tecnologia desempenha um papel fundamental na redefinição do turismo moderno. A inteligência artificial (IA), por exemplo, está transformando a forma como os viajantes planejam, reservam e experimentam suas viagens. Aplicações de IA permitem recomendações personalizadas de destinos, facilitam a logística de viagens e melhoram a experiência do cliente por meio de assistentes virtuais e serviços de concierge.

Além disso, a digitalização de passaportes e vistos, a adoção de tecnologias de pagamento sem contato e a expansão do turismo virtual (com o uso de realidade aumentada e virtual) também estão alterando profundamente a maneira como as pessoas viajam. Essas inovações não apenas melhoram a eficiência e a conveniência das viagens, mas também criam oportunidades para novas formas de interação e imersão nos destinos.

A recuperação dos gastos dos viajantes internacionais

Mesmo com a retomada dos fluxos turísticos globais, os gastos dos turistas internacionais ainda estão em processo de recuperação em muitas regiões. Países como Arábia Saudita, Turquia e Quênia lideram a recuperação, com aumentos significativos nos gastos em relação aos níveis pré-pandemia. Esses números, embora impactantes, refletem uma nova era de investimentos em infraestruturas turísticas e promoção internacional, o que tem atraído visitantes de mercados diversificados.

Esse retorno é alimentado por um aumento na confiança dos viajantes e pela flexibilidade proporcionada pelos destinos, que têm trabalhado para remover barreiras às viagens, seja através da flexibilização de restrições sanitárias ou pela introdução de políticas de incentivo ao turismo.

Fique de olho

O turismo global está entrando em uma nova fase, marcada pela resiliência, inovação e mudanças nos padrões de fluxo de visitantes. A hegemonia de destinos tradicionais está sendo desafiada pela ascensão de novos mercados, e o foco em sustentabilidade e inclusão promete moldar o setor nas próximas décadas. O futuro do turismo está cada vez mais conectado com a tecnologia e o desenvolvimento sustentável, com potencial para transformar as viagens em uma força ainda mais poderosa para a economia global.

Você quer turistas em sua cidade? Por que?

Neste episódio, vamos explorar um dos temas mais debatidos na vibrante cidade de Barcelona: o impacto do turismo na economia local e na vida dos residentes. Esse é um problema dos destinos turísticos do Brasil? Como enfrentá-los desde já?

Sabemos que o turismo continua a ser visto como a principal fonte de riqueza para a cidade. No entanto, a percepção sobre seus benefícios e desvantagens tem mudado ao longo dos anos. Analisamos as diferenças de opinião entre moradores, empresários e lideranças destacando como esses grupos percebem a importância do turismo e os desafios enfrentados. Exploraremos os benefícios econômicos que o turismo traz e as críticas crescentes sobre os aspectos negativos, como o aumento dos preços e a ocupação de espaços públicos.

Quero muito ouvir sua opinião, como sua cidade tem vivido questões similares?

TURISMO SUSTENTÁVEL: UMA CONVERSA URGENTE COM A BRAZTOA


Olá, hoje trago um tema fascinante e crucial para o futuro do turismo: a sustentabilidade. Em um episódio recente do HUB Turismo, eu (Jeanine Pires) conversei com Marina Figueiredo, Presidente Executiva da BRAZTOA, sobre as iniciativas sustentáveis no setor de turismo. Vamos explorar os pontos-chave dessa conversa inspiradora e entender como a sustentabilidade está moldando o futuro das viagens.

A Importância da Sustentabilidade no Turismo

Marina destaca que a sustentabilidade é um tema fundamental e urgente. A Associação Brasileira dos Operadores de Turismo (Braztoa) incorporou a sustentabilidade como uma diretriz transversal em todas as suas decisões, buscando promover práticas sustentáveis entre seus associados e no setor de turismo como um todo. Esta abordagem visa não apenas reduzir impactos ambientais, mas também fomentar a justiça social e a viabilidade econômica.

Braztoa: Pioneirismo e Compromisso

A Braztoa, ao longo de quase duas décadas, tem liderado iniciativas que promovem a sustentabilidade. Em 2023, a entidade tornou-se 100% carbono neutro, um marco significativo que envolve não apenas seus eventos, mas todas as suas atividades. Este é um exemplo claro de como uma organização pode liderar pelo exemplo, incentivando outras empresas a seguirem o mesmo caminho.

O Prêmio Braztoa de Sustentabilidade

Uma das principais ferramentas da Braztoa para incentivar práticas sustentáveis é o Prêmio Braztoa de Sustentabilidade. Com 12 anos de existência, este prêmio é reconhecido pela Organização Mundial do Turismo (OMT) e serve como um estímulo para a cadeia do turismo adotar práticas mais sustentáveis. O prêmio visa incentivar a responsabilidade ambiental, a justiça social e a viabilidade econômica, promovendo produtos e serviços sustentáveis que podem servir de exemplo para outros.

Impacto do Prêmio no Setor de Turismo

Marina ressalta que o prêmio não apenas reconhece as melhores práticas, mas também oferece visibilidade às iniciativas sustentáveis, inspirando outras empresas a adotarem práticas semelhantes. Ao longo dos anos, quase 1000 iniciativas foram inscritas, com 105 sendo reconhecidas e premiadas. Esse reconhecimento é fundamental para manter as empresas motivadas e engajadas na busca por soluções sustentáveis.

Casos de Sucesso e Exemplos Inspiradores

Marina compartilhou alguns exemplos de sucesso, como o de Zé Fernandes, um empresário pioneiro em práticas sustentáveis que ganhou o prêmio três vezes e agora faz parte do corpo de jurados. Outros exemplos incluem empresas como a BWT, HC Tur e a CVC, que são recorrentes em suas práticas inovadoras e sustentáveis.

Iniciativas Recorrentes e Seu Impacto

As práticas mais comuns entre os premiados incluem a neutralização de carbono, inclusão social e experiências turísticas voltadas para a sustentabilidade. Estas práticas não só ajudam a reduzir os impactos negativos, mas também promovem o desenvolvimento econômico das comunidades locais, proporcionando experiências autênticas e responsáveis para os turistas.

Ouça também o Episódio sobre a PEC DAS PRAIAS

Desafios e Oportunidades

Apesar dos avanços, Marina reconhece que o setor de turismo ainda enfrenta desafios significativos. A crise climática, por exemplo, impacta diretamente destinos turísticos e, consequentemente, a economia local. Um exemplo recente é a situação no Rio Grande do Sul, onde a crise climática afetou gravemente o turismo em Gramado, uma cidade que depende majoritariamente desse setor.

O Papel do Turismo na Agenda Climática

O turismo tem um papel duplo como vilão e herói na agenda climática, de acordo com Marina. Enquanto gera impactos inevitáveis, também possui um potencial enorme para promover práticas sustentáveis e regenerativas. A COP 30, que será realizada no Brasil, é uma oportunidade única para o país mostrar seu compromisso com a sustentabilidade e o papel do turismo nesse contexto.

Conclusão: Um Chamado à Ação

Marina conclui a conversa destacando que a sustentabilidade no turismo não é mais uma opção, mas uma necessidade. Através de iniciativas como o Prêmio Braztoa de Sustentabilidade, o setor pode continuar a avançar em direção a um futuro mais justo, viável e ambientalmente responsável.

O convite para inscrição no prêmio permanece aberto, incentivando todos os envolvidos no setor de turismo a participar e contribuir para um futuro mais sustentável. Para mais detalhes sobre o prêmio e como se inscrever, visite o site da Braztoa e acompanhe as próximas edições do HUB TURISMO PODCAST para mais discussões inspiradoras sobre sustentabilidade.


Espero que este artigo ajude a entender a importância da sustentabilidade no turismo e inspire ações concretas em direção a um futuro melhor. A sustentabilidade é uma jornada contínua, e cada passo conta!

Até a próxima! Ouça o Episódio completo abaixo:


WEF: BRASIL É 110 NO RANKING DE SEGURANÇA GLOBAL DO TURISMO

O Fórum Econômico Mundial (WEF) apresenta desde 22007 o Índice de Desenvolvimento de Viagens e Turismo (TTDI). O TTDI mede e avalia uma série de fatores e políticas que promovem o desenvolvimento sustentável e resiliente do setor de Viagens e Turismo (T&T), essencial para o crescimento econômico dos países.

Recentemente foi lançado o Relatório de 2024 com muitos dados e análises essenciais para nosso setor de turismo. A importância desse documento está em sua utilização e nos impactos que pode ter em decisões de investimentos públicos e privados, e, essencialmente, no futuro do setor. 

O TTDI tem como objetivos facilitar a comparação entre países, destacando o progresso em áreas-chave do desenvolvimento do turismo; orientar políticas e decisões de investimento; fornecer insights sobre as forças e áreas que necessitam de melhorias em cada país; oferecer uma visão abrangente da economia do turismo, incluindo facilitadores internos e externos e suas interdependências; e, servir como uma plataforma para o diálogo entre diversas partes interessadas, facilitando a formulação de políticas e ações em diferentes níveis.

PRINCIPAIS CONCLUSÕES PARA O BRASIL

Estamos em 26º. lugar no ranking global de 119 países, que resume a média de todos os pilares analisados, veja a lista abaixo:

Índice de Desenvolvimento do Setor de Viagens e Turismo 2024 – ranking geral

Nossas principais fortalezas e fraquezas

Existem muitos indicadores que são analisados, vamos destacar aqui os 5 principais fatores positivos e negativos (pontos a melhorar) analisados no relatório.

Performance do Brasil em 2024

Vamos ver nossa posição em cada Pilar no ranking global. Nesse item o que se destaca do Brasil são os recursos da atividade turística. São 4 eixos que podemos destacar como muito positivos no cenário mundial. Os recursos naturais (5ª. posição), os impactos socioeconômicos do turismo (9ª. posição), os recursos culturais (11ª. posição), e as atividades que não são de lazer.

Já os aspectos negativos são em maior número e mais impactantes. Nossa pior posição é no item segurança (110ª.), seguido da estrutura terrestre e portuária (98ª.) junto com o ambiente de negócios(98ª). Seguem depois os seguintes aspectos: priorização do turismo nas políticas públicas (79ª.), saúde e higiene (75ª), recursos humanos e força de trabalho (72ª.) junto com serviços e infraestrutura turística (72ª.); por fim o tema de preparação do ambiente de tecnologia da informação, que estamos em 63. posição.

Seguiremos nas análises em post adiante. O que você pode ajudar a analisar?

APÊNDICE:

A captura as condições gerais necessárias para operar e investir em um país e consiste em cinco pilares:

– Ambiente de Negócios: Este pilar capta a extensão em que o ambiente político de um país é propício para as empresas realizarem negócios e investirem.

– Segurança: Este pilar mede a extensão em que um país expõe locais, turistas e empresas a riscos de segurança.

– Saúde e Higiene: Este pilar mede a infraestrutura de saúde, acessibilidade e segurança sanitária.

– Recursos Humanos e Mercado de Trabalho: Este pilar mede a disponibilidade de funcionários qualificados e o dinamismo, resiliência e igualdade do mercado de trabalho, bem como o nível de proteção dos trabalhadores. Ele consiste nos subpilares Qualificação da Força de Trabalho, Dinâmica do Mercado de Trabalho e Resiliência e Igualdade do Mercado de Trabalho.

– Situação da Tecnologia: Este pilar mede a disponibilidade e uso da infraestrutura de tecnologia da informação e comunicação e serviços digitais.