França em tempos de Codiv-19 n°2

Querido leitor,

Escrevo para atualizar as informações referentes ao Codiv-19 na França.

O que está acontecendo e quais atrações estão abertas ou fechadas neste momento?

Como medida preventiva contra o Codiv-19 o governo estipulou que reuniões com mais de mil pessoas em lugares fechados estão proibidas. Isso afeta, sobretudo, grandes salas de teatro e atividades esportivas de grande porte.

  • Os cabarés Moulin Rouge, Lido e Paradis Latin seguem abertos, assim como a Torre Eiffel.  
  • O Louvre está aberto, porém restringiu o número de entradas, dando prioridade para que tenha ingresso comprado antecipadamente.
  • A EuroDisney continua aberta. Três de seus funcionários foram diagnosticados positivos, porém não tiveram contato prévio com o público e não representaram risco aos freqüentadores do parque.
  • Cruzeiros pelo Rio Sena estão parados temporariamente, mas não por causa do Codiv-19, e sim por causa da cheia do Rio Sena, que este ano nem apareceu nas notícias. Seguramente, dentro de alguns dias estarão de volta.

Muitos e-mails que recebi confirmam que todos interventores do ramo do turismo intensificaram aeração e desinfecção intensa como meio preventivo.

Como vivem os franceses neste momento?

Ainda como medida profiláctica, o governo e empresários autorizaram as pessoas em dúvida quanto ao seu estado de saúde a trabalhar a partir de suas residências.

As condições para consultas médicas à distância via aplicativo on-line sofreram mudanças e tornaram-se mais flexíveis.

No mais, para a grande maioria das pessoas, a vida segue normalmente!

No banco, nas praças, nas ruas a vida continua!

Desafios governamentais e trabalhistas: Droit de retraite ou Direito de retirada

De acordo com a legislação trabalhista francesa, o Droit de Retraite é o direito do empregado de se retirar de uma situação de trabalho que represente um “grave e iminente perigo para sua vida ou saúde”. Esse o direito de retirada é um direito individual, mas pode ser exercido coletivamente.

Se os funcionários da área de transportes exercerem seu “direito de retirada” em massa temendo o Codiv-19 as autoridades serão então forçadas a reduzir a oferta de transporte. Uma decisão que o ministro afirma “depender realmente do número de funcionários disponíveis”.

Medidas previstas pela Autoridade Autônoma de Transportes de Paris serão neste caso semelhantes às tomadas no auge da greve deste inverno. Segundo o secretário de Estado dos Transportes, um “maior absenteísmo” pode ser esperado nas empresas do setor, ao mesmo tempo em que afirma que a RATP ou o SNCF estudam planos para a continuidade de seus serviços.  

Para aqueles que estão acostumados à chegada de seu transporte em dois minutos, isso significa pelo momento alguns minutos a mais de espera.  

Quando muita informação mata a informação

Informações abundantes continuam a assolar a população, às vezes criando pânico, às vezes restaurando a tranqüilidade. Enfim, match nulo para este quesito.  

Algumas diretrizes e medidas sanitárias além da lavagem de mãos constante:  

  • Como muitas pessoas jovens podem contrair o vírus Codiv-19 e não apresentar sintomas (que NÃO É GRAVE para a maioria dos seres humanos) foi solicitado que evitem visitar pessoas idosas. 
  • Escolas primárias em regiões chamadas “clusters” foram fechadas por quinze dias também devido ao caráter assintomático da doença em crianças a fim de evitar a propagação junto aos demais membros da população.  

Aparentemente, as pessoas realmente a risco são anciãos, asmáticos ou portadores de problemas pulmonares, pessoas com imunidade baixa e graves problemas de saúde pré-existentes. Somente essas pessoas serão mantidas em hospitais em caso de contaminação, os demais enfermos deverão se cuidar em seus lares, em situação de isolamento.

  • Um amigo chinês que vive em Shangai me avisou: beber água após contato com pessoas potencialmente contaminadas faz com que o vírus saia das vias respiratórias e vá para o estômago, onde o mesmo morre em contato com o suco gástrico.

O que esperar?

Um aumento de casos é previsto para os dias a seguir, devido à alta taxa de contágio do Codiv-19 e potenciais casos assintomáticos.

As medidas preventivas devem melhorar o quadro, que poderia ser pior não fosse a determinação e pragmatismo do próprio povo francês. Amigos não se abraçam, cessaram se os beijinhos e apertos de mãos e em caso de dúvida, como já mencionado, as pessoas se isolam.

Tudo indica que essa situação passará como uma epidemia de gripe comum, que inclusive já atingiu seu pico neste inverno e recua neste momento. Gripe esta que matou 72 pessoas em 2020 na França e contabiliza atualmente 744 casos graves em reanimação. A média de idade das vítimas da gripe comum até o momento é de 52 anos. Dez vítimas eram crianças e adolescentes menores de 15 anos. 30 vítimas tinham entre 15 e 64 anos. 32 pacientes tinham mais de 65 anos de idade. Os vírus influenza H1N1 e B/Victoria foram os mais observados neste inverno, com base em amostras municipais e hospitalares.

E, no entanto, ninguém teme uma gripe comum, não é mesmo?

A cidade continua linda e suas atrações funcionando. A foto foi tirada cedo, tempos atrás, mas de maneira geral as ruas estão repletas, mesmo por quê pessoas evitam os transportes em comum quando possível . O governo tomou medidas ( a palavra prevenção e seus sinônimos preencheram esse texto) e os habitantes de maneira geral se sentem seguros. Neste momento escuto muitos jovens no bar ao lado festejando a vitória do PSG

MinhaS dicaS?

  • Relativizar é preciso.
  • Não desesperemos.

Greve em Paris: A situação e a opinião do turista

Amanhã é dia de greve geral em Paris e na França novamente.

Como na semana passada, haverá manifestação nas ruas das grandes cidades, segundo previsões serão 180.

greve em paris: o comércio

Em Paris o trajeto irá da Praça da Bastilha até Praça d’Italie, na zona leste da cidade.

Apesar do desespero dos comerciantes da região, com os quais condescendo sinceramente, podemos ficar felizes que, mais uma vez, o cortejo não passará em artérias turísticas da cidade. Nas demais áreas da cidade os comércios seguirão abertos.

greve em paris: transporte terrestre

No que diz respeito à situação do transporte, que esteve nestes últimos seis dias funcionando parcialmente, se apresenta para essa terça-feira dia 17/12 da seguinte maneira:

  • 1 TGV ( trem grande velocidade) sobre 3,
  • Trens Intermunicipais 1 trem sobre 6,
  • Transilien (trens para periferia de Paris)1 trem sobre 4,  
  • TER (trens nacionais) 4/10,
  • e dentro de Paris 13 linhas de metrô param completamente.

GREVE EM PARIS: transporte Aéreo

Para quem prevê voar nos céus europeus amanhã é fortemente recomendado verificação do status do vôo antes da partida de seu hotel ou alojamento.

Geralmente os vôos de longa-distância são mantidos, mas isso é somente uma previsão otimista, levando-se em conta que parte dos controladores aéreos apóia a greve.  

  • Air France manterá a maioria de maioria de seus voos, sem excluir possibilidades de atrasos.
  • RyanAir avisa que alguns de seus voos foram cancelados, assim como a companhia Iberia.
  • Até o momento nada consta no site da EasyJet, que no entanto coloca à disposição um dispositivo de busca para seus voos.

Greve em Paris: como fazem os VISITANTES

Já para quem estará acomodado em Paris, de maneira geral a situação se apresenta neste segundo dia de greve geral como na terça-feira passada.

Neste período os visitantes brasileiros vêm dando um jeitinho, sobretudo andando, mas também se deslocando com ajuda de bicicletas, patinetes, receptivos, táxis e serviços de Uber. Meios de locomoção que constituem de fato excelentes opções para conhecer a cidade.

Quem conhece sabe: andar em Paris é tudo de bom e tomar um taxi depois de um dia de caminhada cansativo é um verdadeiro alívio ! Com ou sem greve, esse cenário é muito típico.

greve em paris: o que diz o turista

Curiosa quanto à posição do visitante meio às desavenças entre os franceses e o governo Macron, eu aproveitei a presença de um colega profissional do turismo aqui em Paris para perguntar como passou suas férias na capital francesa.  

Sabrina e Silas comemorando a união.

O Silas é analista de produtos internacionais na CVC Corp. Ele e a sua esposa Sabrina vieram comemorar seu aniversário de casamento em Paris entre os dias 9 aos 14 de dezembro.

O jovem casal se hospedou no hotel Fertel Etoile, contaram com receptivo local para seus traslados e dentre as atividades realizadas estão a visita panorâmica da cidade,a visita de Versalhes e jantar num romântico cruzeiro pelo Sena.  

Le Sarah Bernhardt

Eu os encontrei dia 13/12 às 11 horas para tomarmos um café no bistrô Sarah Bernhardt, ao lado da estação de metrô Le Châtelet. Chegaram somente 20 minutos atrasados, nada se considerarmos as circunstâncias.

Silas e Sabrina vieram de metrô a partir da estação Argentine, ao lado do Arco do Triunfo.

Chocolate quente no Sarah Bernhardt

Enquanto tomavam seus chocolates, contaram que o percurso estava lotado, mas sem maiores problemas naquele momento.  Disseram haver notado claramente que para os parisienses em deslocamento as coisas não pareciam simples, a fila no ponto de ônibus à nossa frente confirmava seus dizeres. Mas e para eles? Como estavam vivenciando aquele momento?

Saiba como foram esses dias de comemoração e greve em Paris para o Silas e a Sabrina assistindo o vídeo:  

Pesadelo nas ruas de Paris?

Verdadeiro fenômeno nas metrópoles do mundo, os patinetes elétricos em livre-serviço apareceram em Paris em junho de 2018.

Em menos de um ano a cidade de 105km2 ganhou 12 empresas de patinetes, resultando em um total aproximativo de 15 000 patinetes nas ruas.

Patinete jogada na calçada

E então, o que era para ser um meio de locomoção lúdico, quase uma brincadeira, acabou virando um pesadelo para os pedestres e automobilistas, assim como se tornou um difícil quebra-cabeça para a prefeitura de Paris.

Anne Hidalgo em conferência de imprensa – Patinetes em Paris – Acabar com a anarquia!

A proliferação caótica virou polêmica, causou acidentes (óbvio) e tomou ares de filme de horror:

A Invasão dos Patinetes!

Calçadas intransitáveis e pedestres aterrorizados com um número crescente de acidentes levaram a municipalidade a reagir. E hoje, quem diz reação do Estado diz (geralmente) repressão e multa.

A primeira medida foi instaurar uma taxa fixa por patinete a ser paga pela operadora para a cidade de Paris.

Em seguida, o município proibiu a circulação e estacionamento no meio das calçadas e passou a multar as empresas gestoras 5€ pelo estacionamento indevido. As empresas por sua vez repassam a multa ao usuário via seu cartão de crédito.  

Os usuários flagrados em calçadas pagam 90€ de multa (a ser paga em 15 dias, caso contrário o valor é majorado a 135€).  

Além das calçadas e zonas indicadas nos aplicativos, os principais lugares onde é proibido estacionar patinetes e bicicletas em Paris são:

  • Jardim des Tuileries
  • Jardim du Luxembourg
  • Fondation Cartier pour l’art contemporain
  • Parque Montsouris
  • Parque Monceau
  • Gare Basse (Funiculaire de Montmartre)
  • Parque des Buttes-Chaumont
  • Cemitério du Père Lachaise
  • Quai de Valmy
  • Quais de la Seine (margens do Sena)

Globalmente, o estacionamento é permitido na rua, como um carro, paralelo à sarjeta.

Hoje é aconselhado estacionar e fotografar o local, pois se alguém move o patinete e você leva a multa, terá como provar sua inocência. Já há projetos de construção de estacionamentos de patinetes em estudo.

Outra medida da municipalidade foi exigir das empresas de patinetes a limitação de velocidade máxima do motor à 20km/hora. Anteriormente algumas chegavam até 80km/hora.

Neste meio tempo 5 das 12 empresas instaladas no decorrer do ano, cansadas das depredações e um mercado aparentemente (muito) saturado, deixaram o mercado.

bicicletas e patinetes em perigo?

Gobee bike, uma das empresas de bicicletas livre serviço que deixou Paris

Diga-se de passagem, esse foi exatamente o mesmo cenário das bicicletas em livre serviço. Atualmente, quase todas suplantadas por Vélib.

Estação Velib

E quando manchetes já anunciavam o “fim da festa dos patinetes e bicicletas em Paris ”, Uber lança Uber Bike e Uber Patinete em parceria com a empresa JUMP !

Jump by Uber

500 bicicletas e 500 patinetes elétricos vermelhas agora fazem parte do cenário da cidade luz.

JUMP é mais uma grande inovação do novo gigante da mobilidade Uber.

As bicicletas elétricas e patinetes robustos, bem pensadas e sobretudo com fácil acesso (basta você ser utilizador de Uber) parecem ter chegado para ficar.

E assim, apesar da polêmica, sem mesmo que turistas tenham notado qualquer coisa, tudo voltou ao normal.

Se você ainda não fez o passeio 3D pelas ruas de Paris e pelo Rio Sena, comprove você mesmo no vídeo abaixo a beleza da cidade luz, suas ruas, calçadas e atrações.