Greve geral. E agora?

Dia cinco de dezembro é dia de greve geral na França.

A lista de reinvindicações é longa, tendo a insatisfação com reforma da previdência em seu topo.

A lista dos grevistas é tão longa quanto é extensa a de reinvindicações: inúmeros sindicatos, diversas categorias, sobretudo servidores públicos.

Jovens, aposentados, bombeiros, profissionais da área da saúde, dos transportes, professores, agricultores, todo mundo parece insatisfeito com algo, seja desemprego, falta de recursos, cortes de subsídios, repressão social e outras reformas governamentais de todos os gêneros. 

Porém, dentre os aderentes à onda de movimentos sociais que se revezam em pontos estratégicos da cidade quotidianamente, faltavam os pesos pesados desta luta.

Quando o transporte público resolve PARAR

Os transportes param dia 5 e ameaçam seguir com serviços afetados nos dias a seguir, isso tanto a RATP , quanto o RER e a SNCF, Thalis e TER. Isso significa serviços municipais de metrô, trens intermunicipais de proximidade e longas distâncias nacionais e internacionais estarão fora de serviço entre os dias 5 e 9 de dezembro. De fato, em torno de 10% do serviço será mantido.  Quanto ao EuroStar, cessou a venda de bilhetes Paris-Londres-Paris do dia 5 de dezembro ao dia 9. Ônibus farão o trajeto Paris-Londres assegurando 23% do serviço.

Os sites dessas empresas propõe busca para verificação da existência ou não do transporte desejado e soluções de transporte opcionais.

Paliativos

A RATP propõe em seu site links para parceiros do ramo do transporte.

Para o tráfego intermunicipal nos arredores de Paris basta consultar Transilien 

Quanto ao site da região Île de France, aproveitou para promover locomoções alternativas com links para:

Penúria de gasolina

Já os profissionais relacionados à construção e trabalhos públicos, os profissionais do BTP *como são chamados, iniciaram desde o dia 29 de novembro o bloqueio a refinarias para protestar contra mudanças fiscais e cortes de subsídios  (*BTP –Bâtiments et Travaux Publiques) . Alguns postos de gasolina começam a sofrer penúria da matéria.

E agora?

Quem lê pode imaginar que isso aqui vai virar um caos!

Porém não, as empresas já contam com o “tele trabalho” (trabalha à distância) e os dispositivos para paliar os problemas dos usuários dos transportes em comum francês parecem estar à altura do desafio. O parisiense vai dar um jeitinho. Eu emprestei a bicicleta do meu filho para o garçom do restaurante que freqüento para que ele possa ir trabalhar, por exemplo.

Em face desses fatos fica até difícil explicar, porém para aqueles que não estão implicados no movimento social quase nada vai mudar.  Basta evitar a região do percurso da manifestação que parte da Gare du Nord, percorre os Boulevards Magenta, Republique, Voltaire e termina na Praça da Nation neste dia 5.

Quem mais para?

A Torre Eiffel pede em seu site que turistas mudem seus planos de visita para o dia 5, alegando perturbações no serviço.

O Museu do Louvre prevê atrasos e algumas salas fechadas no dia 5.

O Castelo de Versalhes, sempre combativo, fecha dias 5 e 6 de dezembro.

E para o turista? e agora?

Se fizer uma venda de última hora para essa semana subseqüente a greve sugira hotéis centrais para facilitar a vida do seu cliente.

Lembrando que Paris tem 105km2, a locomoção a pé é muito fácil. Isso sem falar nas bicicletas e patinetes accessíveis. Uberistas , taxis e receptivos continuarão prestando serviços igualmente.

Para o turista agora é hora de aproveitar e descobrir como as ruas, as praças e avenidas de Paris estão maravilhosas. Alternativas não faltarão.

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Silvia Helena

Após breves passagens pela Faculdade Metodista de São Bernardo e Belas Artes de São Paulo, aos 18 anos fui estudar no Canadá, onde vivi durante 23 anos. Lá me formei em História da Arte pela Universidade de Montréal, estudei turismo no Collège Lasalle de Montréal e no Institut de Tourisme et Hôtellerie du Québec. Comecei minha carreira na área trabalhando em Cuba. Durante os anos vividos no Canadá, entre outras coisas, fui guia de circuitos pela costa leste e abri minha primeira agência de receptivo para brasileiros. Há dez anos um vento forte bateu nas velas da minha vida me conduzindo até França. Atualmente escrevo de Paris, onde vivo e trabalho dirigindo a empresa de receptivo, a Holatour.

32 thoughts on “Greve geral. E agora?

    1. Boa noite, estamos saindo de Heidelberg amanhã ( 30/12) em direção a Gare D’leste. Até agora nossos trens não foram cancelados. Teremos que pegar mais um transporte até o nosso hotel que fica na região do Arco do Triunfo, gostaria de saber se teremos problemas nessa região? Vi sua dica de entrar no site da cia, e segundo ela , aparentemente não .
      Em relação ao clima da greve, gostaria de saber se está pacífico?

      1. Oi Gabriel
        Peguem um taxi na estação de trem até seu hotel e aproveitem que estarão em região bem central para andar e conhecer o melhor de Paris.
        Por toda cidade tudo tranquilo e pacífico! Nas terças-feiras as manifestações são em zonas afastadas até o momento.
        Boa viagem e feliz ano novo!

  1. Olá Silvia!!
    Chegaremos em Paris por Orly dia 21. Caso a greve permaneça, qual a melhor opção para ir ao meu hotel ( Saint German )?
    Dia 30 iremos para Londres pela Eurostar…como devo proceder caso a greve continue? Tenho hotel pago em Londres…
    Obrigada pela atenção !!!
    Adriana

    1. Olá, Adriana, como vai?
      Para seu transporte aeroporto-hotel, a melhor opção será tomar um taxi ou reservar um traslado em sua agência de viagens. Você pode reservar on-line igualmente. A vantagem da agência é que serve de ponto de apoio e restituição em quaisquer circunstâncias.
      Quanto a Eurostar, eles anunciam (no mais tardar) no dia anterior se seu trem está confirmado ou foi cancelado. Consulte o site com freqüência para verificar. Dia 30 é uma segunda-feira, acho que tem boas chances do trajeto funcionar. Quanto ao seu hotel, sinto muito, não saberia lhe dizer, pois não conheço as condições de aquisição. Tenha em mente e orçamento para em um plano B de alojamento em Paris caso não possa ir para Londres.
      Obrigada pela visita ao blog.

  2. Ola!
    Tenho um trem pela Renfe, partindo de Barcelona , no dia 01 de janeiro, até Paris?
    Pode me dar alguma orientação?
    Estou sem saber se cancelou a viagem e fico na Espanha.

  3. Olá Silvia ,estou entrando pela primeira vez no seu blog e está sendo muito bom ter uma informação atualizada sobre o movimento da greve. Estamos alojadas justamente próximo a estação de metro Voltaire. Íamos de metrô , mas li acima sua orientação. Chegamos dia 19 as 15h em Charles de Gaulle . Você pode indicar uma empresa de transfer? Não precisa ser exclusivo , estamos em 3 pessoas.
    Obrigada.
    Fabianna

    1. Oi Fabianna
      Como vai?
      Você pode encontrar traslados em agências de viagens financiados ainda mais!. Caso queira comprar direto de um transportador em Paris, sugiro o site brasileirosemparis.com. Seu hotel está bem localizado. Você pode andar até o Louvre, Notre Dame, Saint Germain, basta atravessar o simpático bairro do Marais.
      Para ir até os Champs Elysées a linha um está funcionando relativamente bem. Os ônibus Hop On Hop Off podem ser uma excelente opção de locomoção igualmente.

  4. Bom dia! Estou indo para Paris no dia 28/12 com meu marido, 3 filhos e minha avó. Estou preocupada com a greve. Perderíamos bastante dinheiro se cancelássemos. Mas acha uma opção mais acertada?
    Entraríamos de carro na cidade, pois nosso trem foi cancelado.
    Obrigada!

    1. Giovanna
      Tudo bem?
      Você vai entrar na cidade de carro. As crianças parisienses estão de férias escolares, muitas partiram com suas famílias e isso ajuda na locomoção, mas quem ficou para trabalhar também estará motorizado. Evite chegar pela manhã (entre 7h30e 9h30) e no fim da tarde (17h30as 19h30). No fim de tarde, se já estiver escuro mesmo, coma na estrada e depois entre. Tomando cuidado com as pistas de bicicletas, patinetes e faixas de ônibus, tudo deve correr bem. Nos cruzamento, a preferência é para quem vem da direita. Descubra qual porta do periférico fica mais próxima do seu hotel, isso pode te deixar mais segura. Mas se errar, não se preocupe, afinal seu GPS dará um jeito nisso.
      Você vem com sua avó, e isso pode dificultar na hora locomoção. Você não pode submete-la aos trens lotados em funcionamento. Tudo vai depender de onde se situa seu hotel, se você vai entregar o carro ou se pode manter sua locação. Se seu hotel é central e vocês não terão mais o carro, uma vez passada a hora do rush, podem se locomover de táxi ou Uber até os pontos que desejam visitar e explorar cada zona caminhando tranquilamente por elas, ou ainda fazer um city tour motorizado adaptado ao seu orçamento e gosto. As opções são inúmeras ( ônibus, semi privativo a partir de seu hotel com guia motorista falando português, completamente privativo ou ainda Hop On Hop Off) Neste momento 11h53min do dia 26 de dezembro um Uber de Paris Les Halles ( margem direita) até os Invalidos ( margem esquerda 3,2 km, 40 minutos de caminhada) custa de Uber X 9,57 e de Uber Pool 7,66 e Uber Confort 12,56. Do Louvre aos Inválidos 2 euros a menos.
      Esperando ter ajudado um pouco, desejo para vocês boa viagem e feliz ano novo.

  5. Olá!! Estarei e Paris de 4 a 8 fev. Gostaria de visitar a exposição de Leonardo da Vinci, sei que é necessário agendar antes. Não estou conseguindo no site do Louvre, será devido a greve? Você poderia me orientar?

  6. Olá
    Há alguma esperança de encerrar a greve ? E no período de réveillon, podem suspender temporariamente a greve, ajudando a cidade que recebe muitos turistas ?
    Quais as expectativas ?
    Estou chegando dia 29/12.
    Para ir até versailles e região de Reins, alguma dica ?
    Abs

    1. Olá Clóvis
      Como vai? Não a greve não vai parar. Mas ela não é como muitos imaginam, quando tudo TUDO fica parado. Isso acontece às terças feiras com escolas, transporte e hospitais.
      O comércio está aberto, restaurantes, bares museus, tudo funcionado de quarta à segunda. Consulte o site da RATP para saber quais linhas ficam abertas e horários dos trens. Aproveite que Paris é pequena e caminhe ou tome Uber. Para Versalhes e Reims acho melhor comprar transporte semi-privativo em agência de viagens no Brasil ou on-line. A vantagem da agência é o passeio garantido, apoio na hora de eventuais problemas e reembolso se necessário.

  7. Olá! Tudo bem? Pretendo passar as férias entre 8 a 19 de fevereiro de 2020 em Bordeaux, Toulouse, Carcassone, Narbonne e Nimes. O aeroporto de chegada à França e de retorno ao Brasil será o de Toulouse. Qual o grau de engajamento com a greve no sul da França? Precisaremos bastante de trem intermunicipal, especialmente para voltar de Nimes à Toulouse para o voo de retorno, e não temos recursos para contratação de transfer ou receptivo. Estamos pensando em cancelar as passagens. Ouvi dizer que a proposta de reforma previdenciária será enviada ao parlamento no dia 25 de janeiro de 2020. Está correta essa informação? Obrigada!

    1. OI Mimi
      Tudo bem? Como mencionei na resposta da Vera, a situação do transporte está melhorando a cada dia. De maneira geral as empresas estão tentando suprir as necessidades dos usuários com vagões dobrados e confirmam em torno de ¾ das viagens. O serviço de transporte ferroviário nunca para completamente com exceção de um dia por semana. Os ônibus também. O serviço é prestado parcialmente, então vocês precisam ficar de olho nos horários.
      O transporte aéreo também não para, foi ligeiramente afetado com atrasos e mudanças de horários nos dias de greve, mas até agora tudo segue relativamente normal neste ramo.
      Até então tivemos as terças-feiras de greve, essa semana será na quinta-feira dia nove. A cada semana ficamos sabendo qual será o dia critico. E ai o negocio é andar, nos demais dias é necessário acompanhar através dos sites a frequência dos trens e ônibus disponíveis.
      Os grevistas esperam que a proposta não seja enviada ao parlamento e estão em negociação com o governo neste momento. Vamos aguardar…
      Obrigada por sua visita ao blog.

  8. Olá Silvia!
    Tenho viagem marcada para Paris para dia 16/01, mas minha volta é por Barcelona. Tenho passagem de trem comprada pelo SNFC para Barcelona dia 23/01. Se o trem for cancelado devido à greve, qual será minha melhor opção para chegar em Barcelona? Estou muito preocupada com isso e até pensando em cancelar a viagem. Será que é o caso?
    Obrigada.
    Vera

    1. Oi Vera.
      Obrigada por sua visita ao blog.
      A situação do transporte está melhorando a cada dia. De maneira geral as empresas estão tentando suprir as necessidades dos usuários com vagões dobrados e confirmam em torno de ¾ das reservas. O serviço de transporte ferroviário nunca para completamente com exceção de um dia por semana.
      Até então tivemos as terças-feiras de greve, essa semana será na quinta-feira dia nove. A cada semana ficamos sabendo qual será o dia critico.
      O transporte aéreo também não para, foi ligeiramente afetado com atrasos e mudanças de horários nos dias de greve, mas até agora tudo segue relativamente normal neste ramo. Talvez fosse melhor dar uma olhada nas cias. low cost entre Paris e Barcelona também.
      E se tiver tempo para uma viagem mais longa, Flixbus noturno em caso de desespero.

  9. Silvia, boa tarde! Estou adorando o seu blog, muito obrigada por compartilhar.

    Vou para Paris dia 30/01/2020 e fico até 04/02/2020. Fechei uma hospedagem pelo booking no Garden Saint MArtin, que fica no 10° arr. Fiquei preocupada com as noticias da greve e gostaria de saber qual lugar/região/ hotel vocês indicam para me hospedar. Qual lugar é proximo de metrô e trem que esteja funcionando e na greve e que seja possível e proximo para andar a pé.

    Muito obrigada
    Amanda Pinheiro

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