Quarto com piscina no Six Senses Shaharut, em Israel

Como será a hotelaria de luxo na era covid-19

Junho chegou, e a reabertura de hotéis de luxo na Europa e nos Estados Unidos se torna mais frequente. Já dá para visualizar algumas mudanças neste setor. Ou não. Na realidade, por razões diversas, a hotelaria de luxo na era covid-19 não será muito diferente. Claro que protocolos de limpeza foram modificados, e todas as redes já criaram os seus. Esta semana a associação de hotéis de luxo independentes Leading Hotels of the World anunciou o programa Health Stays. O Baccarat Hotel, em Nova York, foi além e criou o cargo de Diretor de Saúde e Segurança Ambiental. Grandes grupos e pequenas propriedades terão que fazer ajustes em função da segurança sanitária para funcionários e hóspedes. Mas o maior impacto para a hotelaria de luxo, principalmente no Brasil e para os hoteleiros independentes, será mesmo o econômico.

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Hotelaria de luxo na era covid-19: fachada do hotel Belmond Copacabana Palace, no Rio de Janeiro
Copacabana Palace, Rio de Janeiro: reabertura em agosto | Foto de Carla Lencastre

No início de junho, a pesquisa “Recuperação da hotelaria urbana no Brasil”, realizada pela HotelInvest em parceria com Omnibees, STR e FOHB, e lançada pela Panrotas, indicou que o setor será o último segmento da hotelaria a sair da crise. Somente lá para 2023, em um cenário otimista. O levantamento, que não considerou resorts, faz a ressalva de que hotéis de luxo voltados para o lazer no Rio de Janeiro e em capitais do Nordeste podem ter recuperação menos lenta. O Rio começou a promover o relaxamento do isolamento, e teoricamente os hotéis podem funcionar. Mas a situação na cidade continua crítica e ícones da hotelaria, como o Belmond Copacabana Palace, seguem fechados. Os poucos hotéis abertos recebem profissionais da área de saúde e pessoas que necessitam de um local para se isolar.

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Piscina do Memmo Baleeira, no Algarve
Memmo Baleeira, Algarve: reabertura em junho | Foto @MemmoBaleeira

Na Europa, neste momento a prioridade da hotelaria de luxo na era covid-19 é salvar as férias de verão com o turismo interno, até porque a maioria dos países ainda está com restrições nas fronteiras. Para citar um que lidou bem com a crise, em Portugal as primeiras notícias de reabertura de hotéis independentes de luxo ou lifestyle, todos com a certificação nacional Clean&Safe, são no litoral, como o Sublime Comporta, a pouco mais de uma hora de Lisboa. O Memmo Hotels, com duas propriedades na capital e uma no Algarve, reabre primeiro o Baleeira, no litoral, em 6 junho. Também no Algarve será reaberto no dia 19 o Vila Vita Parc.

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Hotelaria de luxo na era covid-19: piscina em um dos quartos do novo Six Senses Shaharut, no Deserto de Negev, em Israel
Six Senses Shaharut, no Deserto de Negev: inauguração em setembro | Foto de divulgação/Assaf Pinchuk

Enquanto os independentes se preocupam com o verão no Hemisfério Norte, redes seguem expandindo as marcas da hotelaria de luxo na era covid-19. Depois do Regent Shanghai Pudong, ex-Four Seasons que trocou de bandeira em plena pandemia, o grupo britânico IHG confirmou para este ano a inauguração do Regent Phu Quoc, no Vietnã. E anunciou um InterContinental em Roma em 2022. Também parte do IHG, Six Senses chega em dezembro a Israel (Shaharut, no Deserto de Negev, foto de uma das suítes no topo do texto) e anunciou, no início da pandemia, um hotel em Roma para 2021, entre outros já previstos.

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O que pode mudar na hotelaria de luxo na era covid-19, além dos protocolos de limpeza

A seguir, listamos algumas novidades que já estão sendo postas em prática.

Serviço

Item de luxo essencial que terá que ser ajustado sem perder a graça. Principalmente em hotéis butique nos quais serviço caloroso é característica importante. Check-in virtual não é comum neste segmento, mas muitas vezes a operação já era realizada em uma área exclusiva para garantir privacidade. No Rosewood Little Dix, nas Ilhas Virgens Britânicas, hóspedes que chegarem pelo mar farão check-in na embarcação.

Há serviços que hotéis de alto padrão continuarão oferecendo, entre eles levar a mala até o quarto e o de abertura de cama. O hóspede decide se quer ou não, como já acontecia antes. A apresentação do quarto pode ser substituída por um telefonema. Hotéis de rede podem investir em tours virtuais para mostrar as amenidades dos quartos, apps para contato em tempo real e até robôs para atender a alguns pedidos de room service.

Leia mais: Cinco inovações que vão mudar a hotelaria

Alimentos & bebidas

A maioria dos hotéis de luxo já oferecia serviço à la carte, mesmo quando havia também um bufê. Este será outro ajuste relativamente simples. Assim como o dos minibares, que podem ser abastecidos sob demanda, quando e se o hóspede quiser, como anunciou o novo 1 Hotel West Hollywood, em Los Angeles. Já no hotel boutique Esencia, na Riviera Maya, uma novidade para a reabertura em 10 de junho é o menu digital do restaurante. O hóspede pode fazer o pedido pelo próprio celular.

O Esencia faz parte do Forbes Travel Guide. O guia fez uma extensa lista de hotéis de luxo que estão abertos ou vão reabrir nos próximos meses. O único representante brasileiro (na lista atualizada em 16 de julho) é o Belmond Hotel das Cataratas, em Foz do Iguaçu, com reabertura está prevista para 20 de agosto. Mesma data do Belmond Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.

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Design

Em hotéis de luxo, espaço e distanciamento social sempre foram importantes. A maioria das propriedades não terá que fazer grandes mudanças no desenho das áreas comuns. Mas marcar hora para usar a academia de ginástica ou ir ao restaurante passa a ser recomendável ou mesmo obrigatório. A decoração de quartos e suítes está sendo repensada aqui e ali, com objetos menos fáceis de serem limpos deixados de lado. O menu de tratamentos do spa, por exemplo, pode ser acessado por QR code. É mais uma novidade no Hotel Esencia, em Tulum.

Leia mais: O que vai mudar na limpeza dos hotéis com o novo coranavírus

Há um ponto de convergência entre os mais luxuosos e os mais econômicos: serão poucos os ajustes nos desenhos de quartos e áreas comuns. Nos hotéis de luxo, não falta espaço; nos econômicos modernos, como os operados sob a bandeira da Wyndham, menos é mais. Estas propriedades privilegiam, nos últimos anos, um design minimalista e funcional. O que facilita muito alcançar a limpeza almejada na hotelaria na era covid-19.  

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Como hotéis estão driblando a crise na pandemia

Já sabemos que o turismo é uma das indústrias mais atingidas nacional e globalmente pela pandemia do novo coronavírus. Também já sabemos que a reabertura completa dos hotéis hoje fechados virá cheia de modificações e novos investimentos para atender às novas exigências de saúde, limpeza e segurança que os novos textos exigem (dá para ver aqui como está sendo este processo de reabertura hoteleira nos destinos que já estão reabrindo para o turismo). Mas há hotéis driblando a crise mesmo em plena pandemia.

Afinal, nem só de espera ou investimentos em novos protocolos de limpeza vive a hotelaria de hoje, felizmente. A habilidade da indústria hoteleira em rapidamente se adaptar às necessidades e mudanças do mercado é notória, e não seria diferente neste momento. Algumas redes e propriedades estão investindo também em outras áreas, da alimentação à moda, para ampliar seu escopo de atuação – e estão driblando a crise do setor não somente agora, como também investindo em novas possibilidades para o futuro. 

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Foco na gastronomia

Nos últimos anos, o food tourism virou um componente chave na agenda dos viajantes. E diversas marcas do mercado de hospitalidade têm acompanhado com esmero e sucesso as inovações da cena culinária global, seja ao focar em oferecer sabores verdadeiramente regionais em seus restaurantes ou em fazer parcerias acertadas (ou colaborações) com chefs premiados. O grupo Hilton Hotels, por exemplo, é uma das redes de hotéis que estão driblando a crise gerada pela pandemia com a gastronomia: tem quatro chefs estrelados no Michelin respondendo por alguns restaurantes do grupo, de Michael Mina a Gordon Ramsay. 

Algumas propriedades vão além, construindo relacionamentos verdadeiros com artesãos locais, pequenos agricultores do entorno, produtores de vinhos, destilados e azeites etc, dando ainda mais autenticidade e sabor local ao que oferecem em seus menus. 

LEIA MAIS: como ser um bom hóspede em tempos de pandemia

Nestes tempos em que muitos dos hotéis reabertos – como já vimos neste texto aqui – estão trabalhando apenas com room service, nada mais importante que oferecer uma comida variada e verdadeiramente autêntica, que eleve a experiência do hóspede como um todo. Alguns hotéis ainda fechados devido à pandemia estão inovando na pandemia ao manter abertos seus restaurantes, agora operando para delivery e take away – como forma de manter a conexão com moradores e fornecedores locais justamente através da comida – e oportunidade de continuar gerando receita mesmo com o grosso das operações suspenso. E a máxima obviamente segue atual quando restaurantes estiverem livres para operar regularmente nos destinos nos quais estão inseridos – como já começa a acontecer em alguns países asiáticos e europeus -, servindo o melhor da produção local de maneira criativa, caprichada esteticamente e verdadeiramente engajada com a comunidade local. 

LEIA TAMBÉM: Como funciona a recreação infantil na pandemia

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Novos ambientes de trabalho

Numa situação sem precedentes como a pandemia da Covid-19, muitas propriedades e redes hoteleiras entenderam que a ideia de diversificar para multiplicar resultados é também saída para tempos de crise. A rede Accor, por exemplo, também está driblando a crise durante a pandemia através da diversificação: decidiu fazer uso dos quartos ociosos em seus hotéis com foco no mercado de trabalho – e o pioneirismo da execução veio justamente das propriedades brasileiras. 

O conceito de room office da Accor faz uso dos quartos ociosos para gerar nova opção de espaços de trabalho para quem está tendo dificuldades para se adaptar aos novos tempos de home office, exigido pela quarentena.  Num momento em que a maioria dos escritórios e espaços de co-working estão fechados devido à quarentena, a iniciativa começa com alguns resultados positivos. 

LEIA MAIS: Dez hotéis no Brasil para fazer turismo de isolamento

Desde 15 de maio já é possível alugar um room-office em qualquer um dos 23 hotéis abertos das marcas econômicas, midscale e premium da Accor na cidade de São Paulo. Faço um destaque especial para o ótimo Mercure Jardins, de localização imbatível.

O modelo escolhido promete oferecer um local de trabalho adequado, privativo, confortável, silencioso e seguro, seguindo todas as normas sanitárias em vigor em tempos de pandemia, segundo a Accor. As camas foram retiradas e substituídas por mesas, cadeiras e sofá com design bem contemporâneo.

Os quartos remodelados são equipados com mesas, cadeiras, internet de alta velocidade, amenidades como café, chá e água e possibilidade de room service. Algumas propriedades específicas oferecem também a possibilidade de alugar equipamentos para reuniões online e até alguns equipamentos esportivos. 

Clique aqui para mais detalhes sobre o Room Office das redes hoteleiras.

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Crédito: Divulgação

Room office chega até hotelaria de luxo

A ideia principal foi permitir que os espaços físicos ociosos dos hotéis fossem utilizados para gerar algum tipo de receita. A criação do room office supre uma necessidade antes não imaginada por inúmeras pessoas que não estão conseguindo se adaptar ao home office em suas próprias casas. Não se sabe hoje se o modelo tradicional dos co-working com muitos participantes sobreviverá à Covid-19; por isso mesmo, o modelo proposto pela Accor é estrategicamente pensado para durar a longo prazo também. 

As reservas são diárias (período das 8 às 20h, por valores desde R$99, com check in, check out e pagamentos todos feitos virtualmente), mas há descontos para reservas semanais e mensais e membros do programa de fidelidade ALL seguem acumulando pontos e aproveitando os benefícios de seu status. Leia mais sobre a iniciativa aqui.

Em um tempo de home office com tantas restrições, e seguindo uma tendência em que várias redes hoteleiras já andavam transformando seus espaços públicos cada vez mais em espaços para socialização e co-working, a iniciativa tem mesmo tudo para dar certo. No caso da Accor, a iniciativa foi planejada para durar até julho e deve abranger pelo menos 100 hotéis no país (Curitiba deve ser a próxima cidade a ter modelo implementado nas propriedades da rede), mas já há rumores de que ela possa se estender parcial e indefinidamente se for mesmo bem sucedida. 

LEIA TAMBÉM: A revolução cultural que está acontecendo na hotelaria

A medida vai de encontro com outras mudanças que a rede já tinha planejado para alguns de seus hotéis. Num cenário pós-pandêmico, todos os andares térreos dos hotéis da marca Ibis, por exemplo, também devem se tornar grandes áreas comuns integradas, oferecendo diferentes possibilidades de experiências de ócio ou trabalho não apenas para hóspedes, mas também para moradores e frequentadores da região, ampliando as possibilidades de uso dos espaços físicos de cada propriedade. 

E importante: outros hotéis com diferentes targets, de outras redes ou mesmo independentes, já entraram com tudo nessa onda. É o caso, por exemplo, do descolado Guest Urban, em Pinheiros, São Paulo, que também já oferece room office em parte de suas instalações. Clique aqui para saber mais sobre a propriedade e seu formato de room office.

Diversos resorts do interior de São Paulo também passaram a usar sua estrutura de convenções para criar oportunidades de road office (e também de hotel schooling) para atrair mais hóspedes durante a semana, como conto neste texto aqui. É uma saída certamente interessante para atrair famílias com crianças em idade escolar fora dos finais de semana na pandemia.

E o room office chegou também às propriedades de luxo, com ainda mais conforto, mimos e intalações e serviço caprichados. O destaque neste segmento fica por conta do Fairmont Rio de Janeiro Copacabana, que também passou a oferecer o disputado serviço de room office no hotel – que conta, aliás, com a piscina mais bonita da cidade! Leia aqui mais detalhes sobre o Fairmont Rio.

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Mergulho no mundo da moda

E se moda e hotelaria já vinham há muito tempo flertando – vide tantos lobbys, suítes e amenidades assinadas por grandes grifes em diferentes propriedades -, algumas marcas resolveram aproveitar as adversidades deste período e seus hotéis estão driblando a crise durante a pandemia para fazer um mergulho definitivo nesta fusão de mercados. 

É o caso, por exemplo, da nova iniciativa dos Pellicano Hotels que, enquanto mantêm seus hotéis fechados devido à pandemia, criaram a plataforma de e-commerce e lifestyle ISSIMO. A nova plataforma foi completamente inspirada na riqueza em cultura, design e estilo italiana e promete reunir as melhores opções de compras de produtos e experiências ligados à Itália, de roupas e objetos de décor a comida e viagem. 

É possível assinar a newsletter quinzenal da ISSIMO, que contará com dicas de decoração, culinária e, é claro, moda italiana, além de dicas de viagem de todo tipo. 

Alguns dos hotéis da Pellicano Hotels devem reabrir suas portas em breve, como o icônico Il Pellicano, em Porto Ercole, na Toscana (e parte do portfólio da Leading Hotels of the World), que tem reabertura marcada para o final de junho.

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Lobby do Four Seasons New York

Cinco inovações que vão mudar a hotelaria

Como não poderia ser diferente, neste momento de reabertura de hotéis na Europa e na Ásia a prioridade é a saúde de funcionários e hóspedes. A seguir, listamos cinco prováveis ou possíveis inovações que vão mudar a hotelaria em tempos de distanciamento social e biossegurança.

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1 Redesenho de áreas comuns
Inovações que vão mudar a hotelaria: lobby do Anaheim Marriott
Lobby do Anaheim Marriott pré-covid-19 | Foto de Carla Lencastre

Em muitos hotéis o lobby era um ponto de encontro, com espaços projetados para facilitar, e incentivar, a interação. Não mais. Várias propriedades estão rearrumando e redesenhando áreas levando em conta o novo coronavírus. Marriott International, a maior rede hoteleira do mundo, anunciou que vai remover móveis e reorganizar lobbies para permitir distanciamento social.

Inovações que vão mudar a hotelaria: quarto do Prince Hotel Hong Kong
Quarto do Prince Hotel Hong Kong | Foto de divulgação

Da Ásia, chega um exemplo significativo. O Prince Hong Kong, parte do grupo Marco Polo, já tinha uma renovação prevista para este ano que seria executada aos poucos, sem fechar. Com a crise, as atividades foram suspensas em fevereiro e a obra será feita de uma vez só. Mas, antes de começar, o hotel revisou todos os planos. Desenhos de espaços comuns como lobby e restaurante foram refeitos e revestimentos, repensados. No lounge executivo, a área será ampliada em 30%. Materiais mais fáceis de limpar e higienizar serão priorizados para pisos, balcões, mesas, cadeiras.

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2 Novas tecnologias de limpeza

Pulverizadores eletroestáticos e luz ultravioleta podem vir a fazer parte dos protocolos hoteleiros. O grupo Hilton avalia seguir os dois procedimentos. A rede Marriott pretende, nos próximos meses, adotar os sprays eletrostáticos. Esta é mais uma das inovações que vão mudar a hotelaria.

O Fórum Econômico Mundial diz que raios UV podem se tornar realidade na indústria da hospitalidade. A luz ultravioleta é a etapa final da limpeza; o efeito da descontaminação é reduzido se houver poeira, por exemplo. Usada em hospitais e transporte público, sua eficácia em relação ao novo coronavírus ainda está sendo estudada.

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3 Experiências de baixo contato

Mesmo que o check-in seja no lobby, a tendência é o hóspede usar o próprio telefone e não tocar em nenhuma superfície. Hotéis de diferentes categorias já ofereciam check-in e check-out sem contato físico. Muitos outros vão seguir pelo mesmo caminho. A Marriott anunciou que check-in e pedidos de serviço de quarto por celular estarão disponíveis em mais de 3.200 de suas propriedades em todo o mundo (o grupo administra cerca de sete mil hotéis).

Inovações que vão mudar a hotelaria: check-in e check-out virtuais no Four Seasons New York
Suíte com vista para o Central Park no FS New York | Foto de divulgação/Peter Malinowski

O Four Seasons New York, que está recebendo profissionais da área de saúde durante a pandemia, adotou check-in e check-out virtuais. Vão crescer os aplicativos de redes hoteleiras, inclusive as luxo, como Four Seasons (a foto no alto do texto é do lobby do FSNY). O app oferece comunicação em tempo real, mantendo a qualidade do serviço.

Menus de room service estarão em QR code, tablets ou TVs. Os hotéis do grupo europeu La Réserve, que reabriram este mês, removeram os cardápios dos quartos e, também, de seus restaurantes na Suíça (onde já está permitido o funcionamento). O pagamento por aproximação será ampliado. Incentivo ao meio eletrônico é um dos protocolos para a hotelaria do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC na sigla em inglês).

Elevadores touchless serão mais comuns. O Prince Hong Kong, com 394 quartos, incluiu painéis de controle de elevadores non-touch em seu projeto de renovação, por exemplo. Um mundo “beyond human” é a primeira das dez tendências de consumo apontadas pela Euromonitor International para 2020. No final de abril, a consultoria revisou a lista levando em conta a covid-19. Se no início do ano “além do humano” era um mundo onde a inteligência artificial poderia ser conveniente, agora é esperado rápido crescimento da automação no setor de serviços para evitar contato.

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4 Chave do quarto (e muito mais) no celular
Inovações que vão mudar a hotelaria: quarto do Hilton Denver City Center
Quarto do Hilton Denver City Center: chave digital pré-pandemia | Foto de Carla Lencastre

O grupo Hilton, um dos pioneiros em check-in sem interação física, anunciou que a partir de junho vai ampliar seu programa Digital Key para mais de 4.700 propriedades em todo o mundo (o grupo tem cerca de 6.100 hotéis). A inciativa é parte dos novos protocolos globais de limpeza da rede. O app Hilton Honors, onde fica a chave digital, permitirá também controlar iluminação, temperatura e televisão. O MGM Resorts terá chave digital na reabertura de seus 13 hotéis em Las Vegas. Além da chave no celular, o app permitirá fazer ckeck-in e check-out no próprio telefone.

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Cartões magnéticos continuarão a ser usados como chaves, mas terão que ser constantemente desinfetados como recomenda o WTTC em seus protocolos para o novo normal na hotelaria. Fico nervosa de pensar naquela situação nada rara em que o cartão não funciona. Você volta ao lobby, o cartão é limpo, reprogramado, desinfetado… Não era divertido antes (principalmente nos longos corredores dos hotéis em Vegas), imagina agora.

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5 Robôs para serviço de quarto
Inovações que vão mudar a hotelaria: Hannah, robô para serviço de quarto do H Hotel da Curio Collection by Hilton, em Los Angeles
Hannah, robô para serviço de quarto do H Hotel da Curio Collection by Hilton, em Los Angeles: na ativa desde muito antes da pandemia | Foto de Carla Lencastre

Em um mundo no qual o hóspede quer ter o mínimo possível de contato social e interação humana, pedidos de room service entregues por robôs podem se tornar mais comuns. Robôs para limpeza em hotéis não é usual, mas também pode vir a ser considerado. Um exemplo são os dispositivos que emitem raios ultravioleta, por enquanto usado em hospitais.

Escrevi também sobre as inovações vão mudar a hotelaria em um mundo com covid-19, e o setor de viagens em geral, para o Projeto #Colabora, site de jornalismo especializado em desenvolvimento sustentável. Clique aqui para ler mais sobre as novidades da área.

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Piscina do hotel The One, em Lisboa

Como é se hospedar no Palácio da Anunciada, novo hotel de luxo em Lisboa

Os números de 2019 ainda não foram divulgados, mas as projeções indicam que Portugal está prestes a bater mais um recorde de visitantes, e passar dos 26 milhões. Lisboa dá sinais de que continuará em alta, e não apenas entre os brasileiros. Pelo contrário, somos considerados mercado em crescimento. A capital portuguesa vê surgir novas atrações; cafés, bares e restaurantes, e, claro, hotéis, de boutique a propriedades de luxo. Entre estes, uma das novidades é o The One Palácio da Anunciada, novo hotel de luxo aberto em Lisboa há menos de um ano.

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Em uma localização central e com o selo da coleção L.V.X. da Preferred Hotels, o Palácio da Anunciada é uma construção da primeira metade do século XVI meticulosamente restaurada. Espere pisos em mármore, escadaria em pedra e tetos ornamentados. The One (não confundir com a marca americana 1 Hotels) é uma bandeira de luxo do grupo catalão H10 Hotels, que no total tem mais de 60 endereços na Europa e no Caribe (estes com a marca Ocean). Por enquanto, há apenas dois The One, um em Lisboa e outro Barcelona. O hotel na Catalunha foi um dos melhores do meu 2019, e ainda vou escrever mais sobre ele. Mas comecemos pela novidade lisboeta, onde estive no final do ano passado, a convite do hotel.

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Palácio da Anunciada, novo hotel de luxo em Lisboa

Localização

The One Palácio da Anunciada fica na Baixa, no Centro da cidade. Sua estreita rua calçada em paralelepípedos vai dar no Largo São Domingos e é paralela à Avenida da Liberdade. Comércio variado, teatros, bons restaurantes e tradicionais botequins de ginjinha estão por ali. Quinze minutos de caminhada, ou menos, pelas ruas comerciais da Baixa, e chega-se ao Chiado; ou ao Elevador da Graça, funicular do final do século XIX que leva ao Bairro Alto e ao Príncipe Real; ou à Praça do Comércio e ao Rio Tejo.

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Palácio da Anunciada, hotel de luxo em Lisboa: quarto da categoria deluxe no novo The One
Quarto da categoria deluxe no novo The One em Lisboa | Foto de Carla Lencastre
Quartos

Antiga residência abandonada, o palácio passou por um retrofit. Fotos nas paredes dos corredores e dos 83 quartos e suítes mostram o belo trabalho de restauração. As comodidades são do século XXI, como minibar com máquina de café expresso, tomadas ao lado da cama e na escrivaninha, Wi-Fi perfeito. Quartos em tons de azul e cinza têm decoração minimalista, com móveis de linhas retas, piso em madeira clara e pratos em cerâmica nas paredes. Banheiros em mármore rosa português têm amenidades Natura Bissé, grife de Barcelona. Há banheiras apenas em algumas suítes.

O quarto no qual fiquei, categoria deluxe, tinha cerca de 30 m², armário, escrivaninha com cadeira, mesa baixa em mármore e poltrona. Era de canto, no topo da construção, com teto inclinado e pequenas janelas, uma voltada para o pátio interno, outras para os telhados em frente. O décor, tanto nas acomodações quanto nas áreas comuns, é assinado pelo chileno Jaime Beriestain, celebrado designer de interiores baseado em Barcelona.

Palácio da Anunciada, hotel de luxo em Lisboa: pátio interno
O pátio interno do Palácio da Anunciada, construído no século XVI | Foto de Carla Lencastre
Áreas comuns

No belo jardim interno do Palácio da Anunciada, o paisagismo foi feito levando em conta um centenário dragoeiro. Fotos mostram a obra de engenharia que protegeu as raízes da árvore durante a reconstrução do hotel. A maioria dos quartos têm vista para esta área central, com um pátio com fonte e mesas sobre o piso em pedras portuguesas, onde se pode tomar café da manhã ou uma taça de vinho no fim de tarde naquela luz que só Lisboa tem. A piscina (foto no início do texto) é estreita, mas extensa o suficiente para nadar. Fica em um nível elevado, com vista para o jardim e as telhas dos vizinhos. Há um pequeno spa, ainda em fase de ajustes.

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Gastronomia

O café da manhã tem um bufê, com diversos itens em pequenas porções individuais, e serviço à la carte. As mesas estão em belas salas contíguas, com tetos trabalhados, e no pátio. À noite, o local abriga o Condes de Ericeira, de alta gastronomia portuguesa. Pode ter sido coincidência, mas quando jantei lá não havia ninguém além do meu grupo. Fiquei com a sensação de que o restaurante é mais voltado para eventos privados, ainda que oficialmente seja aberto ao público em geral.

O simpático Jardim Wine Bar, ao lado, tem mais de vida. Há cafés variados de dia, drinques perfeitos à noite, vinhos portugueses, saboroso menu de tapas. O bar de vinhos e o restaurante oferecem o serviço mais consistente do hotel (há acertos a serem feitos na recepção, na arrumação dos quartos e no spa). O Palácio da Anunciada tem ainda o Boémio Cocktail Lounge, para funções particulares. Fica no térreo, na área que abrigava os estábulos da residência.

No Instagram do Hotel Inspectors, no destaque Lisboa, há outras imagens do Palácio da Anunciada, incluindo vídeos.

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Praia do resort Six Senses Con Dao, no Vietnã

O difícil adeus ao plástico nos hotéis

Somos viciados em plástico no nosso dia a dia. A indústria hoteleira também. É possível um grupo hoteleiro de luxo, com 18 propriedades em 14 países e em expansão, substituir o plástico nos hotéis tanto nas áreas visíveis aos hóspedes quanto nas invisíveis? E trabalhar com fornecedores plastic free? A rede asiática Six Senses pretende provar que sim em 2022. O objetivo é ambicioso. Em uma concorrida apresentação durante a ILTM Cannes (a maior feira de viagens do mercado de luxo, realizada mês passado na França), o CEO do grupo, Neil Jacobs, chamou a atenção para alguns dos obstáculos.

Adeus ao plástico nos hotéis: banheiro de uma suíte do novo Six Senses Kocatas Mansions Istanbul | Foto de divulgação
Banheiro de uma suíte do novo Six Senses Kocatas Mansions Istanbul | Foto de divulgação

Canudos e garrafas descartáveis são apenas a ponta dos icebergs de plástico nos oceanos. Na rede Six Senses, parte do gigante grupo britânico InterContinental (IHG), canudos deixaram de ser usados em 2016. Garrafas de plástico, na década de 1990. Mas como lidar, por exemplo, com fornecedores de alimentos? Reconhecido especialista em sustentabilidade na hotelaria de luxo, Jacobs deixa claro que não há solução fácil.

“A meta de ser plastic free em 2022 é audaciosa. Em alguns países, como no Vietnã, peixes e frutos do mar chegam em caixas plásticas. É assim que funciona a cadeia de fornecedores. Estamos trabalhando com comunidades e autoridades para propor alternativas. Compartilhamos as soluções com outras redes hoteleiras, caso elas se interessem. Sustentabilidade e bem-estar viraram palavras banais. Ativismo é importante. Mas fundamental é como você se comporta. Temos que fazer o que for necessário para tornar o planeta melhor. Você não precisa mudar o mundo, mas faça algo.”

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Leia mais: Covid-19 prolonga o uso de plástico descartável na hotelaria

Adeus ao plástico nos hotéis: uma das 50 villas com piscina e vista para o mar no Six Senses Con Dao | Foto de divulgação
Um das 50 villas com piscina e vista para o mar no Six Senses Con Dao | Foto de divulgação

O Vietnã é um dos grandes responsáveis pela poluição plástica do planeta, o que só aumenta o tamanho do desafio. O Six Senses Con Dao, em uma ilha a 45 minutos de voo de Ho Chi Minh City (a antiga Saigon), completa uma década no final deste ano. É um dos resorts mais sustentáveis do grupo e um dos principais eco-lodges do mundo. O hotel participa de iniciativas para proteção da fauna local e tem 50 pool villas construídas em madeira, com vista para o Mar da China. De lá chega o peixe fresco. Em caixas plásticas.

Ainda na ILTM, Jacobs foi a principal atração de um evento da IHG, no belo InterContinental Carlton, no qual mostrou outros exemplos de que ser plastic free vai muito além de banir canudos e garrafas. Várias amenidades encontradas em banheiros de hotéis de luxo foram apresentadas na versão Six Senses, como escovas de dente em bambu, cotonetes com haste em madeira e embalagens feitas em papel reciclado, tudo com o bom design que se espera de uma rede de eco-luxo.

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Há muito plástico em hotéis, e é difícil se livrar dele. Inclusive para a Six Senses, que tem sustentabilidade no DNA. Plástico é barato, é fácil de limpar, é leve. É conveniente para hoteleiros e para hóspedes. Seria um aliado se não destruísse o meio ambiente (e microplásticos ainda fazem mal para a saúde).

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As dificuldades das grandes redes para acabar com o plástico nos Hotéis

Cada vez mais viajantes de diferentes perfis se preocupam com jornadas sustentáveis. Para a Geração Z, que começa agora a viajar por conta própria, sustentabilidade pode ser inegociável. Semana passada, a publicação americana Skift, voltada para a indústria de viagens, fez uma reportagem sobre várias das dificuldades das redes hoteleiras para se tornarem plastic free. IHG, Accor, Marriott, Hilton, Hyatt, todas já anunciaram prazos, que talvez não sejam alcançados, para acabar pelo menos com os plásticos descartáveis. Em O Problema com as Promessas, as amenidades líquidas são um dos exemplos citados. Se o hotel escolhe uma embalagem maior de plástico, ela irá da mesma maneira parar no aterro sanitário ou, pior, no mar. Se a opção for por vidro, é preciso higienizar e reabastecer, o que demanda logística. É simples? Não. É possível? Sim. É necessário? Sem dúvida. Você pode ler o texto da Skift, em inglês, clicando aqui.

Leia mais: Marriot está (finalmente) se livrando das cortinas de plástico

O longo caminho da hotelaria no Brasil para acabar com o plástico nos hotéis

Se grandes grupos internacionais ainda parecem no começo de um longo percurso, não é diferente no Brasil. Há exceções, claro. Por exemplo, o Hotel das Cataratas, em Foz do Iguaçu, tem uma extensa história de ações sustentáveis muito antes de ser administrado pela Belmond. Mas redução de plástico em hotéis brasileiros ainda é algo distante da realidade.

“A venda da água em garrafas plásticas nos minibares nos oferece uma das maiores margens de lucro e não temos planos de mudar”, me disse há apenas alguns meses o gerente geral de um recém-renovado hotel de quatro estrelas na orla da Zona Sul carioca. Mas aqui e ali o cenário brasileiro vai se transformando. Apontamos alguns bons exemplos baianos no nosso texto da semana passada. Ainda que não mude o mundo, é alguma coisa.

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