Uso de plástico nos resosrts do Brasil na era covid-19: garrafas PET recolhidas no mar

Plástico é a nova obsessão dos resorts no Brasil na era covid-19

O turismo nacional está recomeçando lentamente e já dá para perceber que plástico descartável por toda a parte é a nova obsessão dos resorts no Brasil na era covid-19. Nas últimas semanas assisti a vídeos mostrando toalhas, tapetes de banheiro e papel higiênico envelopados um a um e até amenidades e garrafas de plástico embrulhadas em… plástico. É como se o material tivesse um poder sobrenatural de garantir que um objeto não está contaminado pelo novo coronavírus.

O apego desmedido ao plástico não faz sentido do ponto de vista da ciência. Nem do bom senso. Como garantir que o filme de PVC que embala a garrafa não está contaminado? Plástico tem um grande impacto na poluição marinha e o setor de hospitalidade precisa reduzir o uso e cuidar do descarte adequado. É fundamental que hóspedes e agentes de viagem cobrem novos protocolos não apenas de biossegurança mas também de sustentabilidade. Afinal, turismo sustentável começa pelas escolhas que cada um faz.

Algumas pessoas que já voltaram a viajar me disseram que se sentem mais seguras em um mundo embalado a plástico. Entendo a sensação, afinal é um material fácil de limpar. Porém, de um modo geral, contágio por superfície é evitado mantendo mãos limpas, seja com água e sabão ou com álcool 70%. O hóspede assintomático na piscina ou no restaurante pode ser vetor de transmissão do novo coronavírus. Já embalagens de amenidades ou de bebidas em alumínio, plástico e vidro são facilmente laváveis com água e sabão caso o cliente desconfie da higiene do quarto.

Clique aqui para acompanhar @HotelInspectors no Instagram

Leia mais: É seguro usar de piscina de hotel durante uma pandemia?

Plástico é a nova obsessão dos resosrts do Brasil em tempos de covid-19: piscina de hotel brasileiro pré-pandemia
Piscina de hotel brasileiro pré-pandemia | Foto de Carla Lencastre

As insustentáveis luvinhas Do bufê self-service

Há excesso de plástico também no bufê de refeições de self-service dos resorts, atividade classificada como de alto risco na pandemia e que muitos hotéis insistem em manter. Além de ser cada vez menos justificável a exaltação ao desperdício de comida, os bufês agora fazem uma elegia ao plástico de uso único. Os talheres são embalados, às vezes um a um, e os hóspedes recebem luvas descartáveis cada vez que vão se servir.

Quando o bufê é assistido, com funcionários servindo, o uso de plástico diminui. Vale ressaltar que talheres envelopados em plástico chegaram a hotéis que oferecem apenas serviço à la carte. É um problema ambiental gigantesco criado pela hotelaria, e ainda não encontrei um empreendimento brasileiro que deixe claro como pretende descartar a novidade.

Leia mais: Como ficam os bufês de hotel em tempos de covid-19

.

O que diz a Resorts Brasil

Passei algumas semanas observando nas redes sociais fotos e vídeos de hóspedes de resorts que fazem parte da Associação Brasileira de Resorts. Dos 52 hotéis associados, 51 estão funcionando (o 52º é o Ocean Palace, em Natal, com reabertura marcada para o próximo dia 30). A Resorts Brasil tem em seu site um Guia para o Viajante Responsável, feito em parceria com 27 (!) entidades, e detalhados protocolos para os hoteleiros.

Na cartilha com procedimentos de higiene e segurança, validados pela Anvisa e por sete associações, não há nenhuma orientação sobre plástico descartável. No caso dos bufês, a recomendação é que o serviço seja assistido, com estações de alimento protegidas por acrílico e funcionários servindo os hóspedes. Para os frigobares, a orientação é abastecer sob demanda ou higienizar cada item individualmente entre um hóspede e outro. Um dos itens do manual destaca o uso de canais de comunicação digitais para informar sobre protocolos de segurança, o que a maioria dos hotéis brasileiros ainda não faz mesmo depois de seis meses de pandemia.

Já no guia do viajante o texto até chama a atenção para o uso excessivo de plástico, lembrando da importância de se evitar consumir produtos em embalagens plásticas, e orienta sobre o descarte de máscaras, que não podem ser misturadas com lixo reciclável. Sustentabilidade aparece como uma prioridade em um dos três eixos de atuação da associação e há um grupo de trabalho dedicado ao tema. Mas nenhuma informação sobre como lidar com a overdose de plástico de uso único gerada pela pandemia.

Mesmo resorts que têm em seus sites páginas dedicadas a promover medidas sustentáveis de verdade, como o uso de energia 100% limpa e ações de impacto voltadas para as comunidades locais, não fazem menção às medidas de redução do plástico ou ao descarte.

‘Plástico é medida cosmética’

Conversei sobre o uso indiscriminado do plástico na hotelaria nacional com a jornalista Ana Lucia Azevedo, há mais de três décadas especializada em ciência e saúde. Com vários prêmios na área, ela está cobrindo a pandemia para o jornal O Globo. Ao longo de seis meses entrevistou muitos especialistas sobre o novo coronavírus. “Embalar produtos em plástico é medida de efeito cosmético no que diz respeito à covid-19 e potencialmente poluente. Ao abrir o plástico, o cliente se exporá da mesma forma ao novo coronavírus. O importante é garantir a higienização. O aumento do consumo de plástico impacta os oceanos, que já sofrem com uma poluição sem precedente, comprometendo a qualidade da água e mata animais”.

.

Plástico pode, e deve, ser substituído

Semana passada, saí pela primeira vez para ir almoçar fora na pandemia. Escolhi o Arp, agora com mesas ao ar livre no calçadão do Arpoador. É um dos meus restaurantes de hotel preferidos no Rio de Janeiro, onde moro. O cliente recebe em embalagens de papel álcool em gel 70% e um envelope para guardar a máscara. Talheres e guardanapos chegam em embalagens de papel. É possível trilhar bons caminhos em meio a pandemia.

Clique aqui para ler tudo que publicamos sobre hotelaria e covid-19

Hotel Inspectors está no Instagram @HotelInspectors, no facebook @HotelInspectorsBlog, no Twitter @InspectorsHotel e no LinkedIn @Hotel Inspectors

Recreação infantil na hotelaria durante a pandemia

Temos mostrado aqui, toda semana, o quanto a hotelaria mudou nestes últimos seis meses. Em tempos de Covid-19 e da necessidade de distanciamento social, o mundo mudou e os turistas também estão mudando, é claro. Mudanças culturais importantes estão acontecendo nos hotéis e também mudou a forma como muitos viajantes encaram a recreação infantil na hotelaria durante a pandemia. 

Sabemos que parte do grande atrativo de hotéis-fazenda e resorts focados em famílias sempre foi a recreação infantil. Brincadeiras realizadas em grupo, com monitores eram sinônimo de sossego absoluto para os pais. Mas hoje alguns pais se assumem cheios de questionamentos sobre a segurança da retomada destas atividades. E uma parte significativa ainda não tem coragem de deixar os filhos participarem das mesmas.

Na prática, as propriedades hoteleiras no Brasil que já retomaram suas atividades estão trabalhando o entretenimento dos hóspedes seguindo seus protocolos de saúde e segurança, mas de maneira muitas vezes diferente entre si, gerando certa confusão em turistas que já frequentaram mais de um hotel ou resort na pandemia.

Acompanhe também nosso instagram

Foto: Mavsa/Divulgação

Como a recreação infantil está funcionando em geral

Além do óbvio distanciamento social obrigatório em áreas de lazer (como piscinas), existem hoje diferentes normas no funcionamento da recreação infantil na hotelaria brasileira durante a pandemia. 

Há pousadas, hotéis e resorts que ainda mantém parte do seu espaço comum destinado a esse fim e do seu serviço de recreação infantil suspensos por enquanto, até que os mesmos estejam realmente adequados de forma segura para esses novos tempos. Outros estabelecimentos modificaram o serviço de monitoria infantil oferecido, investindo em atividades recreativas pontuais, com menos participantes, e com atenção redobrada à higiene pessoal dos pequenos. 

A maioria das atividades agora acontece em locais ao ar livre (na ausência de chuvas, é claro), dividindo as crianças em grupos menores. Monitores estão sempre com máscaras e geralmente “armados” com frascos de álcool gel como parte do uniforme, aplicando o produto frequentemente não apenas nos pequenos como em si mesmos ao longo das atividades.

Apesar da existência de um cronograma de atividades diárias nestes hotéis e resorts durante a pandemia, os pais passam a ser coadjuvantes importantíssimos em boa parte das atividades recreativas. As crianças agora, por exemplo, passam a ser geralmente entregues de volta aos pais tanto para brincar na piscina (ou demais atividades aquáticas) quanto na hora das refeições, numa tentativa de garantir maior segurança e controle de higiene e distanciamento social entre elas nestas horas.

“Os hotéis estão todos seguindo seus protocolos. É bom lembrar que a segurança depende muito também da postura do hóspede. É preciso que quem decidir viajar agora esteja sempre muito atento e disposto a seguir todas as regras estabelecidas”, diz a jornalista Tarcila Ferro, editora-chefe da revista Viajar pelo Mundo, que tem viajado com os filhos pequenos nos últimos meses.

LEIA TAMBÉM: Como ser um bom hóspede durante a pandemia

Dúvidas sobre segurança ainda são comuns

Com tantas novas regras, diferentes protocolos e a necessidade de seguir mantendo o distanciamento social para frear os avanços do novo coronavírus na retomada do turismo, nem todos os pais já se sentem seguros o suficiente para deixar os pequenos participarem das atividades recreativas em grupo dos hotéis.

A jornalista Tarcila Ferro esteve recentemente com a família em quatro resorts diferentes no país – Tauá Atibaia, Mavsa Resort, Santa Clara Eco Resort e Malai Manso – e faz parte desse grupo mais ressabiado. “Crianças menores querem contato, não entendem o distanciamento social. Por mais que monitores marquem o chão ou usem bambolês para tentar manter a distância entre elas nas atividades, elas baixam as máscaras assim que começam a correr, tocam umas nas outras, é muito complicado”, diz.

Tarcila conta que as escapadas foram proveitosas mesmo assim, sem a socialização das crianças. “Queríamos viajar, mas manter nosso distanciamento social. Meus filhos também não fizeram questão da recreação, estavam mais interessados em curtir a piscina”, explica.

Espaços fechados dedicados a crianças e adolescentes em hotéis, pousadas e resorts brasileiros andam com funcionamento bastante variável. As brinquedotecas do Malai Manso, do Mavsa Resort e do Tauá Atibaia, citados aqui, seguem fechadas e sem previsão de reabertura. No Santa Clara Eco Resort, por outro lado, a brinquedoteca já está funcionando, com número limitado de crianças permitidas por vez. 

Há propriedades, como o Pratagy Beach Resort, em Maceió, que criaram também grupos de Whatsapp para os pais ou responsáveis pelas crianças participantes das atividades propostas pelo Kids Club Pratagy durante a hospedagem. A ideia é, mantendo-os informados o tempo todo sobre o que as crianças estão fazendo e como cada atividade seguinte vai ser executada, tentar tranquiliza-los e fazer com que todos aproveitem melhor a estadia no hotel.

LEIA TAMBÉM: Dez hotéis para praticar turismo de isolamento no Brasil

A onda do homeschooling

Na pandemia, com tanta gente em trabalho remoto, a indústria hoteleira internacional já vinha desde julho falando em “resort office“. Muitos hotéis criaram também o conceito de room office. Afinal, não apenas as atividades específicas de recreação infantil na hotelaria durante a pandemia estão atraindo a atenção de quem viaja em família. 

A tendência de adaptar hotéis para home office e homeschooling começou no exterior, com o verão no hemisfério norte. Até mesmo hotéis não necessariamente focados em famílias perceberam rapidamente que existia ali um filão importante para tentar aumentar seus índices de ocupação durante a semana. 

É o caso, por exemplo, do hotel boutique Esencia, na Riviera Maya, México, que foi ainda mais longe: incluiu nas diárias não apenas a estrutura para homeschooling e home office no hotel, como contratou staff exclusivamente dedicado para assessorar as crianças e adolescentes no EAD por até cinco horas diárias – enquanto os pais descansam ou fazem home office nas dependências do hotel.

Muitos hotéis e resorts brasileiros finalmente começaram a abrir os olhos para essa tendência também neste segundo semestre, como o Royal Palm Plaza, em Campinas, SP, que criou programas focados nisso.

Veja também: Oito pousadas para escapar no final de semana

Crédito: Accor/Divulgação

Estruturas adaptadas para pais e filhos

Algumas propriedades estão transformando sua estrutura para negócios e convenções, totalmente ociosa desde o começo da pandemia, em espaços comunitários de trabalho e estudo com o devido distanciamento social. 

Assim, pais podem aproveitar a estrutura caprichada do local – ar condicionado, mobiliário adequado para trabalho e internet de alta qualidade, por exemplo – para conciliar as necessárias horas de home office e escola durante a semana com o conforto das demais instalações do hotel, o prazer de um mergulho na piscina no final do dia ou qualquer outra atividade de lazer segura oferecida. 

Tarcila testou também o sistema oferecido agora pelo resort Tauá Atibaia, que criou espaços de co-work com três mesas distantes uma das outras em cada sala de eventos. “É bem melhor que trabalhar no quarto, sem dúvidas. Iluminação muito melhor, internet de ótima qualidade, sem a televisão ligada das crianças”, conta Tarcila. 

O serviço de homeschooling oferecido pelo hotel também funciona com três mesas para três crianças por sala, adaptadas para crianças e adolescentes de diferentes idades. “Acho que funciona melhor para crianças maiores e para adolescentes, que têm mais disciplina e se dispersam menos durante o estudo ali”, observa Tarcila. O resort oferece nestes espaços sucos, água e lanchinhos (como pão de queijo e sanduíche natural) sem custos para os hóspedes.  

Mais hotéis e resorts brasileiros devem passar a oferecer opções para home office e homeschooling no próximo mês. Vale ficar de olho.

Leia também: Como é a reabertura de um hotel durante a pandemia

.

.

.

Leia tudo que já publicamos sobre hotelaria em tempos de pandemia.

Acompanhe o Hotel Inspectors também no Instagram @HotelInspectors, no facebook @HotelInspectorsBlog e no Twitter @InspectorsHotel.

Bufê de café da manhã de hotel na pandemia | Foto de divulgação

O que mudou no bufê de café da manhã de hotel na pandemia

Comida exposta por horas. Talheres de servir compartilhados. Comensais andando e parando em frente a todos os pratos, ou quase todos, e conversando. Fila. Aquele que muda de ideia e volta algumas travessas, passando por quem está se servindo. Réchauds abertos e fechados quantas vezes a dúvida impulsionar. O bufê de café da manhã de hotel morreu na pandemia. Vida longa ao bufê de café da manhã de hotel na pandemia.

Nem a morte de mais de 127 mil pessoas no Brasil pela covid-19, até o início de setembro, foi capaz de deter este impávido clássico na hotelaria nacional. Uma tabela elaborada por epidemiologistas, infectologistas e especialistas em saúde pública da Associação Médica do Texas (TMA, na sigla em inglês) recentemente listou os riscos de contágio de diversas atividades em níveis vão de 1 (baixo risco) a 9. Comer em bufê está no nível 8, de alto risco. É uma atividade apenas menos arriscada do que ir a um show, evento esportivo ou culto religioso com mais de 500 pessoas. A classificação levou em conta que todos estariam usando máscaras, lavando a mão com frequência e mantendo distanciamento social.

Clique aqui para acompanhar @HotelInspectors no Instagram

Higiene X sustentabilidade

Como no caso da piscina de hotel, em que nada indica que a água clorada seja transmissora do novo coronavírus, nos bufês o problema não é a comida. São as pessoas e o entorno.

Com a flexibilização das medidas restritivas em todo o país, já surgiram vídeos de hotéis com piscina e bufê self-service repletos de destemidos aglomerados. Em imagens de outros resorts nota-se o uso surreal de plástico descartável em nome de higienizar o bufê, com talheres embalados e luvas para os hóspedes. Com um agravante: os hotéis não deixam claro como descartam o material. O plástico de uso único é um dos maiores vilões da poluição dos oceanos e o setor de hospitalidade tem responsabilidade nisso.

Leia mais: Plástico é a nova obsessão dos resorts brasileiros na era covid-19

Pequenas porções à mesa na pousada Solar da Ponte, em Tiradentes | Foto de Carla Lencastre
Café da manhã na pousada Solar da Ponte, em Tiradentes | Foto de Carla Lencastre

alternativas ao serviço de bufê

A área de alimentos e bebidas é responsável por parte significativa do custo operacional de um hotel. Hoje protocolos devem ser ainda mais rigorosos, incluindo os seguidos pelos fornecedores. Afinal, de nada adianta ter todas as precauções na manipulação de alimentos se o fornecedor não fizer o mesmo. O custo final de uma refeição à la carte é mais caro do que em um bufê, e isto também tem que ser levado em conta nesta complicada fase da hotelaria.

Há caminhos do meio que estão sendo seguidos por alguns resorts, como o dos bufês híbridos. No Club Med, com suas três unidades no Brasil reabertas, o bufê é assistido. Ou seja, funcionários com equipamento de proteção individual montam os pratos dos hóspedes, que não encostam nos utensílios nem nas máquinas de café, por exemplo. Com o staff a postos, também é mais simples garantir que nenhum hóspede será servido se não estiver usando máscara e que o distanciamento social será respeitado. Em outros hotéis, como já acontecia antes, o bufê tem itens em porções individuais, enquanto outros são pedidos à la carte. Ou ainda uma espécie de minibufê é servido à mesa, com pequenas porções de diferentes pratos.

Minibufê no ecolodge Mirante do Gavião | Foto de Carla Lencastre
Minibufê no ecolodge Mirante do Gavião, na Amazônia | Foto de Carla Lencastre
O Papel de cada um

Faço a ressalva de que nunca fui fã de bufês, por razões de gosto pessoal e, principalmente, por conta do imenso desperdício de alimentos. Mas reconheço que um bom bufê de hotel tem o seu apelo e pode ser uma experiência em si. Como em tudo nesta delicada fase pela qual a hotelaria está passando, fica mais fácil se cada um fizer a sua parte.

Ao hoteleiro que optar por manter o bufê à moda pré-pandemia cabe detalhar as medidas de biossegurança e de sustentabilidade. Não apenas em relação ao descarte de plástico, mas também ao desperdício de comida. Ao hóspede e ao agente de viagens que oferece o hotel ao cliente cabem cobrar informações claras sobre higienização, controle de ocupação de espaço, distanciamento social e cuidados com o meio ambiente. E, no caso do hóspede, seguir as regras, sempre. A revista Panrotas desta semana traz uma reportagem com 15 perguntas que se deve fazer antes do check-in no hotel. Conferir as adaptações no setor de alimentação é uma delas.

Bufê de café da manhã de hotel brasileiro à moda pré-pandemia | Foto de Carla Lencastre
Bufê de café da manhã de hotel brasileiro pré-pandemia | Foto de Carla Lencastre

Enquanto isso em las vegas…

Bufê de café da manhã de hotel é tradição brasileira, mas não é exclusividade. Há bufês de diferentes estilos em todos os continentes, e a origem histórica deste tipo de serviço está na Europa. Mas foi em Las Vegas, na década de 1940 que nasceu o conceito de bufê americano moderno, o all-you-can-eat. Coma o quanto aguentar. No café, no almoço e no jantar.

O Buffet at Wynn foi um dos primeiros da Strip (o Las Vegas Boulevard, onde estão os principais cassinos da cidade) a retomar as atividades, em meados de junho. O cliente fazia o pedido a um garçom, e o prato era trazido à mesa. O bufê-que-não-era-bufê fechou de novo menos de três meses depois, sem previsão de reabertura. Já o Caesars Palace pretendia reabrir o Bacchanal Buffet, com 600 lugares, em agosto. Pequenos pratos previamente montados seriam entregues por funcionários e vários itens seriam servidos diretamente nas mesas. A reabertura foi adiada para o fim do ano.

Atualização: Em meados de setembro o Wynn Las Vegas anunciou que 548 funcionários testaram positivo para covid-19. Todos eram assintomáticos. Desde junho o Wynn já recebeu mais de 500 mil hóspedes.

E no Brasil, onde você aposta as suas fichas? Encontraremos alternativas mais seguras? Ou o bufê self-service de hotel e de restaurantes de comida a quilo seguirão como na era pré-covid-19?

Clique aqui para ler tudo que publicamos sobre hotelaria e covid-19

Hotel Inspectors está no Instagram @HotelInspectors, no facebook @HotelInspectorsBlog, no Twitter @InspectorsHotel e no LinkedIn Hotel Inspectors

Chalés do Parador Lumiar, no Estado do Rio

Hotéis para respirar ar puro na serra do Rio de Janeiro

Ar puro é uma das commodities mais importantes da hotelaria em tempos de novo coronavírus. Há vários hotéis para respirar ar puro na serra do Rio de Janeiro, aproveitando os dias frescos do final do inverno e praticando o turismo de isolamento. Se você já se sente pronto para viajar, claro. Nas montanhas fluminenses, as cidades de Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo oferecem boas opções, fora do Centro, para uma escapada com muito distanciamento social. Afinal, com a média móvel de mortos no Brasil pela covid-19 em torno de mil pessoas por dia ainda não é a hora de se aglomerar. Segundo o Grupo de Trabalho Multidisciplinar da UFRJ sobre covid-19, a taxa de contágio na Região Serrana se manteve estável semana passada.

Leia mais: Plástico é a nova obsessão dos resorts brasileiros na era covid-19

Clique aqui para acompanhar @Hotel Inspectors no Instagram

Hotéis na serra do Rio de Janeiro: Parador Lumiar
Um dos 13 chalés do Parador Lumiar, na serra fluminense | Foto de Carla Lencastre
Parador Lumiar, opção imbatível nos arredores de Friburgo

Aparentemente, é mais difícil o vírus se propagar ao ar livre do que em ambientes fechados. Para quem já está confortável para viajar, o Parador Lumiar, a cerca de 40km de Nova Friburgo, é uma gostosa opção. Membro da associação Roteiros de Charme, a pousada reabriu este mês. Fica em Lumiar, distrito de Nova Friburgo, na serra fluminense, a 850 metros de altitude e a 160 km do Rio. São 13 os chalés de 37m² (três deles com ofurô em uma varanda envidraçada) em torno de um lago e em diferentes níveis de terreno, o que garante privacidade, além de distanciamento. Cada chalé fica a cerca de 10 metros de distância um do outro e o hóspede decide se quer que o quarto seja arrumado ou não. A piscina está liberada.

O Parador foi construído seguindo padrões de sustentabilidade, como o uso de madeira de demolição, e empregando mão de obra local. Dá para passar dias sem sair de lá, apreciando flores coloridas em meio ao verde exuberante da Mata Atlântica, contemplando o vale, observando os pássaros, ouvindo o coaxar dos sapos quando a noite cai. O hotel oferece passeios de jipe e de cavalo que levam a rios e cachoeiras da região. O Wi-Fi funciona bem.

Leia mais: É seguro usar piscina de hotel durante a pandemia?

.

cozinha do parador

Com um cardápio contemporâneo que valoriza os produtos locais, o chef baiano Isaías Neries revolucionou o Cozinha do Parador e sua espaçosa varanda debruçada sobre o verde. Pioneiro do farm to table, o chef usa ingredientes que ele mesmo planta na horta orgânica da pousada ou encomenda de produtores da região, como queijos e trutas. Para beber, a água mineral vem da fonte do hotel. As frutas usadas na caipirinha também. O Parador tem ainda uma adega com paredes em pedra e 450 garrafas. O restaurante, famoso na região pela feijoada de sábado e pelas massas frescas (nhoques divinos), ainda não reabriu para o público em geral.

Leia mais: Como fica o bufê de café da manhã de hotel na pandemia

.

Para famílias com crianças nos arredores de Petrópolis

O Parador Lumiar é um hotel pet friendly e recebe bem crianças. Mas para quem procura um lugar mais voltado para famílias na serra fluminense, o Solar Fazenda do Cedro é certificado pelo Circuito Elegante com o selo Safe & Clean, criado em parceria com o Bureau Veritas. Entre outras medidas, os itens do minibar são escolhidos na hora da reserva.

Como no Parador Lumiar, a temperatura é aferida no check-in e a bagagem, desinfetada. Os apartamentos são para três ou quatro pessoas e os chalés abrigam até cinco hóspedes. O hotel fica entre Pedro do Rio e Areal, a 40km de Petrópolis.

No Centro da cidade histórica, o Museu Imperial continua fechado. Também no Centro, o restaurante da Cervejaria Bohemia funciona com capacidade reduzida e sob reserva. A visita guiada pela fábrica segue suspensa.

Leia mais:

A reabertura para o turismo de Búzios, Angra e Paraty

Como estão funcionando os hotéis no Rio de Janeiro

.

Para uma experiência mais exclusiva na serra

Uma opção confortável para viagens multigeracionais ou de um grupo de amigos são os roteiros personalizados oferecidos pela Passion Brazil. Especializada em atender visitantes estrangeiros, com a pandemia a operadora criou um segmento para brasileiros. Neste primeiro momento, os roteiros são para lugares remotos ou sem aglomeração para passar alguns dias cercado apenas de familiares ou amigos e aproveitar a infraestrutura de lazer e a gastronomia da região.

.

Na serra fluminense, a hospedagem pode ser na deliciosa Pousada Tankamana, com chalés de 25 ou 40 m², estes com ofurô ou hidromassagem. Reaberta no mês passado, a pousada fica no Vale do Cuiabá, em Itaipava, entre Petrópolis (40km) e Teresópolis (30km).

O Parque Nacional Serra dos Órgãos, entre Petrópolis e Teresópolis, continua fechado e sem data prevista de reabertura.

Clique aqui para ler tudo que publicamos sobre hotelaria e covid-19

Hotel Inspectors está no Instagram @HotelInspectors, no facebook @HotelInspectorsBlog, no Twitter @InspectorsHotel e no LinkedIn @HotelInspectors

Piscina do Carmel Taíba, resort no Ceará | Foto de divulgação

Como ser um bom hóspede durante a pandemia

Na semana passada, acompanhamos atônitos as imagens das câmeras de segurança de um hotel em Varginha, Minas Gerais, mostrando um hóspede se recusando a ter a temperatura medida e agredindo verbal e fisicamente o recepcionista que avisou que sem tirar a temperatura não haveria check-in. Definitivamente um péssimo exemplo de como ser um bom hóspede durante a pandemia. 

Não têm sido raros os relatos de viajantes e hoteleiros sobre situações similares neste princípio de retomada do turismo. Episódios que não necessariamente cheguem à agressão física, mas cada vez mais corriqueiros desrespeitos por parte de alguns hóspedes às regras e aos protocolos de algumas propriedades, colocando em risco a segurança de todos os demais hóspedes e, obviamente, também do staff do local. 

Clique aqui para acompanhar as novidades do setor também pelo nosso Instagram.

Foto: Mari Campos

.

É preciso mais do que nunca seguir as regras

Na semana passada, denúncias de hóspedes do Grand Palladium Imbassaí, na Região Metropolitana de Salvador, registraram descumprimento de protocolos de saúde e segurança contra a disseminação do novo coronavírus. Fotos de hóspedes do resort recém-aberto mostravam aglomerações nas piscinas, nas áreas de lazer e até mesmo em filas nos restaurantes.

Por outro lado, a gente sabe que a maioria dos hotéis tem se esforçado imensamente (e investido enormemente) para criar protocolos e medidas que garantam o máximo de segurança para seus hóspedes. Já comentamos sobre novas medidas da hotelaria em tempos de pandemia em diversos textos, como esse aqui. E para tais medidas funcionarem, elas precisam ser sistematicamente respeitadas.

Máscaras vieram para ficar nas nossas vidas (e, obviamente, nas nossas viagens) até que tenhamos uma vacina contra a Covid-19. Estar “preparado para viajar novamente em tempos de pandemia” pressupõe respeitar o uso de máscara em qualquer lugar onde ele for exigido, do avião ao hotel.

“O uso da máscara onde a mesma for exigida não é uma opção do viajante; é uma obrigação e ponto”, defende Bruno Vilaça, proprietário da agência Superviagem, de Vitória, no Espírito Santo.

LEIA MAIS: Como funciona um hotel durante a pandemia

.

CURADORIA DO AGENTE DE VIAGEM

Mais do que nunca é preciso pesquisar ativamente opções antes de decidir por qual hotel você pretende retomar suas viagens. É aí que entra a curadoria sempre essencial do agente de viagens. Antes de reservar um hotel, é preciso que o viajante saiba questionar o agente de viagens sobre como cada hotel que pretende visitar está lidando com a pandemia para não ter surpresas desagradáveis (para dizer o mínimo) durante sua estadia.

Se você não consegue ver segurança, por exemplo, em resorts que ainda insistem nas refeições em sistema buffet, é preciso deixar isso claro para o agente de viagens quando estiver considerando sua reserva. Ele seguramente indicará boas opções com refeições à la carte dentro do seu perfil. A curadoria de um bom agente leva a encontrar o hotel que realmente atenda suas necessidades e expectativas.

Confira aqui como pousadas brasileiras se prepararam para a reabertura.

Bruno Vilaça hospedou-se recentemente em diferentes resorts brasileiros, como Ponta dos Ganchos, em Santa Catarina, e Carmel Taíba e Carmel Charme, ambos no Ceará. Embora tenha pego alguns voos mais tensos e lotados em alguns dos deslocamentos, nos hotéis não enfrentou problemas de nenhum tipo.

Encontrou staff extremamente preparado em todos eles e hóspedes cordatos com os novos requerimentos destes tempos de pandemia.  Vale lembrar que, neste caso, os hotéis escolhidos já eram naturalmente predispostos ao distanciamento entre hóspedes, mesmo quando em sua capacidade máxima, por sua própria arquitetura e filosofia. 

A mensagem que Bruno e sua equipe da Superviagem têm passado aos clientes nestes tempos tem sido exatamente essa: “Neste momento, a melhor dica é realmente se isolar, onde quer que você esteja, para onde quer que você vá. Tentar procurar hotéis que realmente permitam se distanciar e viajar de uma maneira diferente. E, claro, respeitar todas as normas de segurança estabelecidas pela propriedade”.

Confira aqui dez hotéis no Brasil para praticar turismo de isolamento.

Bangalô com piscina privativa no Carmel Charme | Foto de divulgação

.

Check-list do bom hóspede Durante A pandemia

É necessário entender que nossa vida, seja em casa ou viajando, mudou definitivamente com a Covid-19. Seguir os protocolos determinados por cada hotel (e companhia aérea, atração turística ou destino) é fundamental para garantir a segurança de todos até que tenhamos uma vacina disponível em larga escala. 

Confira aqui o que pode mudar e o que já está mudando na hotelaria com o novo coronavírus.

Mas é absolutamente vital que cada hóspede tenha a postura e o comportamento adequado. Aqui alguns lembretes para ser um bom hóspede em tempos de pandemia quando você se sentir realmente seguro para retomar suas viagens:

  • procure por hotéis, pousadas e resorts cuja filosofia vá de encontro à segurança que você espera neste momento. Informe-se, questione, envie mensagens para o hotel se tiver dúvidas sobre alguns procedimentos, confie na curadoria do seu agente de viagem.
  • distanciamento social continua sendo regra no dia a dia e também nas viagens. Evite qualquer tipo de aglomeração e procure manter pelo menos 1,5 metro de distância de outros hóspedes em qualquer ambiente (inclusive na piscina). Se acha a recomendação complicada de seguir em alguns lugares, procure por hotéis propícios para o turismo de isolamento.
  • respeite TODAS as normas da propriedade que você escolheu. Leia com atenção o comunicado entregue no check-in ou na reserva. Muitos hotéis já estão começando a exigir um termo de compromisso do hóspede para garantir o cumprimento das normas básicas de segurança e saúde. A partir do momento que você faz o check-in num hotel, você está concordando com todos os protocolos do local.
  • não mude mesas, cadeiras, espreguiçadeiras ou quaisquer outros móveis e objetos de lugar. Estes itens são higienizados e descontaminados pela equipe do hotel seguindo uma rígida ordem pré-estabelecida. SE realmente precisar mudar algo de lugar, PEÇA a um membro do staff que ele saberá exatamente qual item pode ser deslocado para onde. 
  • não compartilhe elevadores com outros hóspedes, mesmo que seja “rapidinho”.
  • respeite os horários de reserva prévia obrigatória se realmente fizer questão de usar a academia ou o spa do hotel.

Leia mais: Oito pousadas no Brasil para escapar quando você retomar suas viagens.

Foto: Mari Campos

.

GarantA que você esteja preparado

Sabemos que a maioria dos hotéis está se encarregando exemplarmente em zelar pelos melhores protocolos de higiene e segurança enquanto aposta na retomada do setor. Mas é preciso que o hóspede esteja igualmente preparado.

Se você acha que está preparado para retomar suas viagens, reflita se realmente está disposto a seguir todas as regras estabelecidas atualmente por hotéis, companhias aéreas, aeroportos, atrações e destinos. Se já estiver preparado, ótimo; informe-se bastante sobre as políticas dos lugares a serem visitados e respeite todas as diretrizes para que todos possam aproveitar uns dias fora de casa, em segurança. Mas se ainda não estiver confortável com todas as novas exigências que agora vêm junto com o ato de viajar nestes tempos de pandemia, fique em casa mais um pouquinho até se sentir realmente pronto para sair por aí em segurança.

.

.

Leia tudo que já publicamos sobre hotelaria em tempos de pandemia.

Acompanhe o Hotel Inspectors também no Instagram @HotelInspectors, no facebook @HotelInspectorsBlog e no Twitter @InspectorsHotel.