Dockside Inn, novo hotel econômico no Universal Orlando Resort

Novos (e bons) hotéis econômicos no Universal Orlando Resort

Hotel econômico bonito e confortável, com design bem pensado, boa relação custo x benefício e bem localizado é uma combinação que às vezes parece difícil de acontecer. O Universal Orlando Resort inaugurou durante a pandemia não apenas um, mas dois bons hotéis de perfil econômico. A novidade chega em boa hora para o mercado brasileiro, que vê o turista começa a voltar a Orlando, mas em uma retomada ainda lenta.

Em evento realizado durante a WTM Latin America, na primeira semana de abril em São Paulo, representantes do Visit Orlando se mostraram otimista com o retorno dos visitantes internacionais de um modo geral. A expectativa é que até o final de 2022 o número alcance 93% dos índices de 2019. A recuperação do Brasil ainda é gradual, já que as principais restrições de entrada de brasileiros nos Estados Unidos foram suspensas somente no final de 2021 e a emissão de vistos ainda não se normalizou. O dólar a quase R$ 5 também dificulta a viagem, principalmente quando a família é grande e o bolso, pequeno.

Dias antes da WTM, estive na Flórida, a convite do Universal Orlando, para visitar ou revisitar os atuais oito hotéis do portfólio. Todos são administrados pelo grupo americano Loews, coproprietário da rede hoteleira do resort. Fiquei hospedada justamente no mais novo hotel econômico, o Dockside Inn and Suites at Universal’s Endless Summer Resort, aberto em dezembro de 2020. Em frente fica o também recente Surfside Inn and Suites, menor do que o Dockside e mais tranquilo, mas bem parecido. Conversei com Russ Dagon, sênior vice-presidente de Resort Development do Universal Creative, área responsável pelo desenvolvimento dos hotéis. Ele destacou que “pesquisar e procurar entender as necessidades de cada família é fundamental para criar o conceito de cada hotel temático”.

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Como é se hospedar no Dockside Inn, novo hotel do Universal Orlando Resort

O Dockside Inn and Suites no Endless Summer Resort tem 2.050 acomodações, de um ou dois quartos, divididas em duas torres. Os tons de laranja e azul predominam na decoração, e o piso não tem carpete. As camas queen são confortáveis, há gavetões e ganchos para roupas e acessórios, e espaço para malas. Todos os quartos têm mesa de jantar com duas cadeiras, um banco grande, dois pufes, forno de micro-ondas, geladeira e cafeteria elétrica com sachês de café e chá de cortesia. Há pratos em papel, talheres e copos descartáveis. Uma prancha de surfe em pé marca a separação entre a área de estar e a de dormir. Nas acomodações com dois quartos, para até seis pessoas, a terceira cama fica no segundo quarto, que tem ainda um pequeno armário com cortina em tecido. Há muitas tomadas e saídas USB, e o wi-fi funciona perfeitamente.

O banheiro, com um bom chuveiro dentro de banheira-que-não-é-banheira com cortina em plástico, tradicional dos hotéis americanos mais econômicos, é proporcionalmente pequeno. As duas pias estão em uma bancada em ambiente separado, o que facilita a organização. Há secador de cabelo e um espelho de corpo inteiro. Fiquei em uma silenciosa suíte de dois quartos no 11º andar, voltada para uma das piscinas, com o vulcão do parque aquático do Universal Orlando Resort, o Volcano Bay, despontando ao fundo.

Cada torre tem uma piscina, com respectivo bar. As duas áreas de lazer, abertas até as 23h, são bem parecidas, mas nada impede que os hóspedes frequentem os dois bares ou usem as duas piscinas. Em ambas há uma área com areia que diverte crianças menores. Para os adultos, uma curiosidade: os drinques têm nomes de atrações do antigo parque aquático Wet’n’Wild, que ficava no local onde foi erguido o Endless Summer Resort.

No lobby, entre as duas torres, estão o Pier 8, mercado com produtos variados e estações de sanduíches, pizzas e comidas rápidas em geral, para comer lá mesmo (há uma ampla e iluminada área com mesas e boa trilha sonora) ou no quarto; uma cafeteria Starbucks, parceira dos hotéis do Universal Orlando, e um terceiro bar, o Sunset Lounge. Nos horários de pico, espere movimentação intensa no lobby e filas no café e no mercado. Há também uma loja com produtos de conveniência e suvenires, como em todos os outros hotéis do Universal Orlando Resort. Ônibus frequentes fazem o transporte gratuito para a CityWalk, onde ficam os acessos aos parques Universal Studios Florida e Islands of Adventures, e para o Volcano Bay.

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O novo Surfside e os outros hotéis do Universal Orlando Resort

Inaugurado um ano antes, em 2019, o Surfside Inn and Suites é bem parecido com o irmão mais novo, porém mais tranquilo. As 750 acomodações, também com um ou dois quartos para até seis pessoas e minicozinha, ficam em uma torre única, que tem piscina com bar e área de alimentação. É boa opção para famílias com crianças menores.

Os dois hotéis do Endless Summer Resort acrescentaram 2.800 quartos ao portfólio hoteleiro do Universal na Flórida, que soma nove mil acomodações divididas em quatro categorias: econômica (Dockside e Surfside), econômica plus (Cabana Bay Beach e Aventura), preferencial (Sapphire Falls) e premium (Royal Pacific, Hard Rock e Portofino Bay. Todos, independentemente da categoria, oferecem transfers gratuitos, permitem entrada mais cedo no parque Volcano Bay e em algumas atrações do The Wizarding World of Harry Potter, e fazem a entrega de compras feitas nos parques e na CityWalk. Há transporte gratuito entre os hotéis, e cada um tem um tema diferente, com bons bares e restaurantes, entre outros atrativos. Aos poucos estou mostrando os hotéis no meu Instagram @CarlaLencastre.

Na edição desta semana da revista Panrotas, detalho as novidades dos oito hotéis do Universal Orlando Resort.

Serviço

Endless Summer Resort: As diárias do Dockside e do Surfside, em quarto com duas camas, custam a partir de US$ 91, mais taxas, para um mínimo de quatro noites. As acomodações com três camas começam em US$ 136.

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Hot Beach Olìmpia

Olímpia: o ‘case’ de sucesso da hotelaria no interior de SP

Há anos tenho curiosidade profissional de conhecer Olímpia. A partir da descoberta de águas termais, na década de 1980, a pacata cidade no interior de São Paulo foi se transformando em um importante destino nacional para o turismo de lazer. Com cerca de 55 mil habitantes, muitos deles empregados em um dos maiores parques hoteleiros do estado, com cerca de 30 mil leitos, Olímpia fica a 440 km da capital, perto das divisas com Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Em 2019, a cidade chegou a atrair quase três milhões de visitantes. As águas quentes naturais, com temperatura média de 30° C, são do aquífero Guarani, o maior do mundo.

No final de 2021, passei alguns dias em Olímpia a convite do Hot Beach Parque e Resorts. Com capacidade para mais de cinco mil pessoas e em fase de expansão, o Hot Beach Olímpia é um dos dois parques de águas termais na cidade (o outro é o Thermas dos Laranjais). São mais de uma dezena de atrações voltadas principalmente para famílias, sem grandes doses de adrenalina e distribuídas em uma ampla área com um bonito paisagismo. O parque faz parte do grupo Ferrasa, que administra quatro hotéis na região. Com 484 apartamentos, o Hot Beach Resort tem acesso direto ao Hot Beach Olímpia. É um “hotel pé na areia”: a piscina de ondas com uma prainha de areias brancas fica a poucos metros do lobby. O hóspede do resort pode entrar e sair do parque aquático quantas vezes quiser ao longo do dia, assim como quem estiver hospedado em um dos outros empreendimentos do grupo.

O encantador Thermas Park Resort & Spa, com apenas 48 suítes espalhadas pelo terreno, foi o primeiro hotel do grupo na região. É uma gostosa opção para quem quer aproveitar as águas termais sem fazer turismo de massa. As acomodações são coloridas, há um spa repleto de charme, um pequeno playground aquático para crianças pequenas, e piscinas quentinhas em um bonito jardim. O grupo Ferrasa tem ainda o Celebration, hotel com 264 apartamentos e pet friendly, e o Hot Beach Suites, com 442 apartamentos em sistema de multipropriedade. Inaugurado no final de 2021, vizinho ao parque e ao Hot Beach Resort, o Suites tem apartamentos para até seis ou oito pessoas com sala, quarto e varanda, e acesso livre ao parque. Além de geladeira e fogão, todas as acomodações têm churrasqueira na varanda.

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Multipropriedades: um apartamento, dezenas de donos

Olímpia foi precursora do sistema de multipropriedade, modelo de negócio imobiliário em que um apartamento ou casa possui dezenas de proprietários e cada um tem o direito de usar o imóvel por uma semana ao ano (ou mais, dependendo da quantidade de cotas adquiridas). O dono também pode por deixar a sua fração da propriedade à disposição da rede hoteleira que se encarrega de alugar o apartamento para outros hóspedes, como se fosse um quarto de hotel.

A rede Wyndham administra o Olímpia Royal Hotel, com uma torre hoteleira e outra de multipropriedades. O resort é anexo ao Thermas dos Laranjais, o primeiro parque da cidade, que também está sendo ampliado. O Thermas surgiu no final da década de 1980 como um clube para os moradores da cidade, e se tornou um dos maiores e mais visitados parques aquáticos da América Latina, com dezenas de atrações radicais, entre elas uma famosa montanha-russa. Na hora de planejar a visita, vale evitar fins de semana e feriados, quando o local é muito procurado por moradores de cidades vizinhas, chegando a receber cerca de 20 mil pessoas por dia. No domingo de sol em que estive lá o parque estava lotado e as filas para as atrações mais concorridas, como a montanha-russa aquática, levavam duas horas ou mais.

Quem está em uma das 960 acomodações distribuídas pelas duas torres do Olímpia Royal Hotel tem o conforto de poder entrar e sair do Thermas dos Laranjais várias vezes ao dia, o que permite driblar horários mais concorridos. O hotel tem também sua própria espaçosa área de piscinas, com playground aquático, bares e restaurantes. Até recentemente, o Wyndham de Olímpia era o “maior resort do país” em número de quartos. O título foi perdido, mas continua na cidade. Agora pertence ao grupo Enjoy, com o Solar das Águas Park, com mil suítes, inaugurado no final do ano, e o Olímpia Park, com 912 quartos, ambos multipropriedades.

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Como é se hospedar no Hot Beach Resort, em Olímpia

Apenas alguns passos separam o lobby do acesso ao Hot Beach Olímpia. É tão perto que de manhã cedo, antes de o parque abrir, a fila para entrar se estende hotel adentro. E o barulho da música alta, dos animadores e dos frequentadores invade o quarto mesmo no 10° andar.

Fiquei em uma acomodação Premier Família, com duas camas de casal queen size, varanda e vista para a bonita piscina do hotel e o parque. Com decoração clean, o quarto era confortável, com algumas ressalvas. Senti falta controles de luz que permitissem, por exemplo, uma iluminação para quando uma criança estiver dormindo e um adulto, acordado. O enxoval de cama e banho é em poliéster. E há uma pequena geladeira vazia, que não é abastecida nem sob demanda. Não há serviço de quarto. Apenas a limpeza diária, se o hóspede quiser.

A área de alimentos e bebidas é o ponto mais fraco do resort. O gigantesco restaurante principal, com meia pensão ou pensão completa, não tem tratamento acústico. Dependendo da lotação, o barulho pode ser ensurdecedor, principalmente no café da manhã e no jantar. Todas as refeições são servidas em esquema de bufê, com filas confusas e pratos lascados.

A apresentação não é das melhores, mas a comida de um modo geral é correta, com tempero caseiro. Há grelhados, pratos com peixe, frango e carne, massas e saladas. Bebidas são pagas à parte. Isso caso você consiga ser atendido, porque o serviço é bem desatento, ainda que simpático. A única bebida alcoólica no restaurante é cerveja. Nos bares, tanto no hotel quanto no parque, há variedade de bebidas, alcoólicas ou não. Vending machines têm água, salgadinhos e chocolates, e a loja de conveniência no lobby tem um bom café espresso.

Por toda a parte chama a atenção o excesso de plástico de uso único: nos copos do restaurante, nas garrafas de água (não há onde abastecer a própria garrafa com água filtrada), nos quartos embrulhando cobertores extras, no xampu e condicionador 2 em 1 de marca própria em pequenas embalagens descartáveis. Mas está lá no banheiro o recado pedindo para o hóspede reutilizar as toalhas, que parte da hotelaria quer fazer crer que é sinônimo de sustentabilidade.

Serviço

No Hot Beach Resort as diárias de um quarto Premier Família (com duas camas de casal e vista para o parque aquático) começam em R$ 902. No Superior Família (também com duas camas de casal, mas sem vista para o parque), as diárias são de R$ 785.

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Hotéis peruanos premiados no WTA Latin America

‘Oscar do turismo’: hotéis peruanos se destacam na América do Sul

O Peru foi o grande vencedor do World Travel Awards Latin America quando o recorte é hotelaria na América do Sul, com hotéis peruanos reconhecidos em diferentes categorias. Em sua 28ª edição, o “Oscar” do turismo, como o WTA é chamado, escolhe seus (muitos) premiados por um mix de votos do público em geral e de profissionais do setor de viagens.

Em tempos de COP 26, a importante Conferência do Clima em Glasgow, na Escócia, começo destacando os prêmios de hotelaria relacionados ao desenvolvimento sustentável. Eles ainda são minoria na extensa lista de categorias contempladas pelo WTA. Mas, mesmo em pequeno número, indicam quem está no bom caminho como inspiração para hoteleiros ou para serem priorizados pelo público final em nossas próximas viagens pelo continente.

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O equatoriano Mashpi Lodge foi eleito o South America Leading Eco-lodge. O país ganhou ainda nas categorias Green Destination e Nature Destination na América do Sul. Na extensa lista de prêmios para os hotéis peruanos, os reconhecimentos na área de sustentabilidade foram para o Tambopata Research Center, Leading Green Hotel pelo segundo ano consecutivo, e o Posada Amazonas Lodge Peru, que recebeu o Responsible Tourism Award (categoria na qual há outros concorrentes além de hotéis), também pela segunda vez consecutiva. Ambos ficam na região de Puerto Maldonado, na Amazônia peruana. O grupo Explora, reconhecido mundialmente por seu trabalho de preservação ambiental e com lodges em quatros países da América do Sul, incluindo um no Vale Sagrado peruano, entre Cusco e Machu Picchu, venceu na categoria Leading Expedition Company.

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Outros hotéis premiados em diferentes cidades no Peru foram Casa Andina Premium Arequipa (Boutique Hotel); Aranwa Cusco (Luxury Boutique Hotel); Belmond Monasterio (Heritage Hotel), em Cusco; Paracas, a Luxury Collection Resort (Leading Resort), no litoral do Oceano Pacífico, ao sul de Lima. Na capital, foram reconhecidos pelo WTA o Belmond Miraflores Park (Most Romantic Resort), o B Hotel (Design Hotel), o JW Marriott Lima (Business Hotel) e o Swissôtel (Conference Hotel, sendo que a marca ganhou também como Hotel Brand). Estive em Lima uma das vezes justamente para participar de uma conferência no Swissôtel, onde fiquei hospedada. Tudo impecável, a estrutura do evento e a hospedagem.

A quantidade de prêmios para os hotéis peruanos impressiona, ainda que não surpreenda. Há anos o país é reconhecido pela excelência da hotelaria e da infraestrutura para o turismo em geral. Mas o principal prêmio do setor de hospitalidade na América do Sul, o de Leading Hotel, ficou com a Colômbia, outro país que vem se destacando no setor de viagens e turismo no continente. O vencedor foi Sofitel Legend Santa Clara Cartagena, que ganhou também na categoria Leading Hotel Suite. Estive neste hotel em duas oportunidades, a mais recente em 2019. Escrevi sobre hotelaria de luxo em Cartagena das Índias, incluindo o inspirador Santa Clara, neste texto aqui.

A hotelaria brasileira levou quatro prêmios na América do Sul: Six Senses Botanique (New Hotel, e finalista na categoria World’s Leading New Hotel), em Campos do Jordão (SP); Dom Pedro Laguna (Beach Resort), em Fortaleza; Wish Foz do Iguaçu (Family Resort, pelo quarto ano consecutivo), e Saint Andrews (Luxury All Suite Hotel), em Gramado (RS). A lista completa dos premiados da América do Sul no World Travel Awards Latin America pode ser conferida aqui. Os vencedores do WTA nos outros continentes estão neste link.

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Grandes redes estão investindo em resorts all inclusive

Nos últimos dezenove meses, muitas mudanças ocorreram na indústria da hospitalidade, provocadas pela pandemia. Além das transformações e ajustes que se fizeram necessários de 2020 para cá para que hotéis e pousadas se adequassem aos novos tempos, temos visto também a aceleração de alguns movimentos e tendências que já tinham começado no pré-pandemia. E é nesse contexto que um desses movimentos chama a atenção: grandes redes estão investindo em resorts all inclusive. E de maneira cada vez mais consistente.

Algumas das maiores redes hoteleiras do mundo, incluindo Marriott, Hyatt, Hilton e Wyndham, por exemplo, têm investido bastante nisso ultimamente. Entre 2020 e 2021, diferentes marcas hoteleiras que nunca tinham apostado nesse nicho investiram em portfólios all inclusive – tanto em rebranding de hotéis existentes como no lançamento de propriedades novinhas em folha. Mesmo redes que nunca primaram exatamente pelos padrões de serviço estão entrando nessa onda – e até o mercado de luxo quer uma fatia cada vez maior deste segmento.

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Crédito: Westin Porto de Galinhas / Divulgação

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Grandes redes estão investindo em resorts all inclusive

A Wyndham Hotels & Resorts, por exemplo, criou a marca Wyndham Alltra, a primeira do grupo inteiramente dedicada a resorts tudo incluído. Definida de maneira controversa como “upper midscale”, a nova marca se aliou à Playa Hotels and Resorts e está convertendo duas propriedades em Cancun e Playa del Carmen nas primeiras unidades da nova Wyndham Alltra – uma delas exclusiva para adultos. A rede comunicou recentemente que anúncios de novas unidades da marca all inclusive virão em breve. 

A Hilton Hotels também anunciou recentemente dois novos resorts all inclusive em seu portfólio no México. O grupo Hyatt, dono dos já populares Hyatt Zilara e Hyatt Ziva, comprou o Apple Leisure Group e, assim, adquiriu também os Secrets Resorts and Spas, famosos por seus resorts com tudo incluído em diferentes destinos.

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Foto: Marriott/Divulgação

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A Marriott, que já andava flertando com o nicho dos all inclusive há mais tempo, inaugurou nada menos que vinte novas propriedades all inclusive. E anunciou que deve abrir outras 33 (!) até 2025, incluindo um Westin All Inclusive em Porto de Galinhas (PE). O programa All-Inclusive by Marriott Bonvoy parece estar fazendo sucesso, principalmente entre turistas norte-americanos. 

O grande diferencial da Marriott é que, ao contrário de outras redes que chegam agora aos resorts tudo incluído, ela não está focando apenas nos típicos resorts de categoria turística tão comuns ao nicho. Algumas de suas novas propriedades all inclusive fazem parte do luxuoso portfólio da Autograph Collection, o que tem elevado o conceito de “tudo incluído” a outro patamar.

A longo prazo, a rede planeja incluir também marcas como W e The Ritz-Carlton no nicho all inclusive. A ideia da Marriott é deixar o clássico estereótipo dos resorts all inclusive (comida ruim, quartos caídos, buffets com filas intermináveis, drinks aguados etc) definitivamente para trás.

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Crédito: Marriott/Divulgação

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Mudança de mentalidade dos viajantes  

Depois de tanto tempo em casa durante a pandemia, retomar as viagens após completar o processo vacinal tem sido atividade repleta de desafios e inseguranças para a maioria dos turistas – principalmente se a viagem for internacional (tenho falado um pouco sobre isso também no meu Instagram @maricampos).

A maior procura por propriedades all inclusive pode muito bem estar também associada à ideia de “segurança” que ela muitas vezes traz: mais espaço nos resorts para praticar o distanciamento social, tudo organizado sob o mesmo conjunto de protocolos e regras, senso de familiaridade com os processos cotidianos e nada de surpresas financeiras na hora do check out. 

Vale lembrar que muitos resorts em diferentes destinos estão criando também suas pequenas “bolhas” de segurança ao exigir certificados de vacinação ou testes negativos de Covid-19 como condição fundamental para aceitar a reserva e efetuar o check-in.  

Não à toa, grandes redes estão investindo em resorts all inclusive cada vez mais. Seus executivos defendem que estudos recentes mostram cada vez mais viajantes, de diferentes perfis sócio-econômicos e de diferentes nacionalidades, interessados pela ideia das férias com tudo incluído

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Crédito: Marriott/Divulgação

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Até os mais jovens estão mais abertos aos resorts all inclusive

Um relatório da STR para a Marriott mostrou que mesmo no pré-pandemia a tendência de valorização dos resorts tudo incluído já existia. No primeiro semestre de 2019, hotéis all inclusive teriam gerado $7.9 bilhões em vendas, o que já representava um aumento de 20% em relação aos cinco anos anteriores.

Junto com o relatório, a Marriott também divulgou uma pesquisa online feita com norte-americanos em julho deste ano na qual 54% dos entrevistados afirmaram considerar um resort all inclusive para as próximas férias – número que salta para 70% na faixa de entrevistados entre 18 e 34 anos. No estudo, 75% dos entrevistados disseram ainda que vêm resorts tudo incluído como opções seguras para as primeiras viagens pós lockdown e 84% afirmaram dar preferência a marcas com as quais estejam familiarizados na hora de escolher a hospedagem, independente do destino.

Atingir viajantes mais jovens com propriedades all inclusive pode ser mesmo um diferencial importantíssimo para as grandes redes – inclusive a longo prazo, trabalhando bem a lealdade à marca ao longo da vida do hóspede. Vale lembrar que a Marriott é hoje não apenas a maior rede operadora de hotéis do planeta com também dona de um dos mais bem-sucedidos e utilizados programas de fidelidade da indústria da hospitalidade.

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Foco nas experiências

Mesmo hotéis que não têm planos de se tornar tudo incluído passaram a oferecer gama muito maior de serviços e experiências aos hóspedes durante a pandemia.  Pousadas, hotéis boutique, unidades de grandes redes e resorts, todos tiveram que se adaptar nos últimos dezenove meses. E o chamado “turismo de experiência” ganhou ainda mais força no mundo e no Brasil durante a pandemia. 

O Amplia Mundo e a Braztoa, por exemplo, se uniram para criar cursos destinados a pequenos negócios do turismo para que sejam capazes de criar experiências interessantes e seguras para atrair a demanda reprimida de viajantes – e têm casos hoje de membros da comunidade que aumentaram em impressionantes 1000% seu ticket médio neste ano. 

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No nicho do turismo de luxo, os hotéis Fasano são um bom exemplo do investimento pesado na criação de novas experiências para os hóspedes nestes novos tempos. Até o site do grupo foi agora remodelado para que as reservas já possam ser feitas ali mesmo com as experiências durante a estadia incluídas – reforçando a tendência de “simplificação das férias” apontada pelas pesquisas internacionais. 

O Fasano Angra, por exemplo, aproveitou os atrativos naturais e culturais da Costa Verde para apostar no turismo de experiência. Dentre as novas atividades lançadas pelo resort neste semestre estão caminhada pela Trilha do Ouro com degustação de plantas comestíveis da região, travessia de SUP pela baía de Angra, canoagem pelo manguezal e Rio Grande, piquenique personalizado no bosque e jantar privativo ao luar.

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Four Seasons Napa Valley

Trabalho remoto contribui para a recuperação da hotelaria

Hotel office, resort office, room office, anywhere office. Você seguramente já leu e ouviu várias vezes essas expressões nos últimos meses. Afinal, nestes longos mais de treze meses de pandemia, muita gente ainda segue em trabalho remoto. E, graças também a ele, a indústria da hospitalidade – aqui e lá fora – tem conseguido se manter nesses tempos complicados. Sim, o trabalho remoto contribui para a recuperação da hotelaria. 

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Durante a pandemia, muitos profissionais começaram a aproveitar o pretexto do trabalho remoto para eventualmente mudar por alguns dias o seu local de home office, mantendo algum distanciamento social em outro endereço. Afinal, sabemos que não é nada fácil passar 24h por dia no mesmo lugar, com vida profissional e pessoal se misturando o tempo todo.

Assim, lazer e trabalho foram ganhando limites mais tênues e o escritório de casa começou a ser substituído para algumas pessoas por uma casa alugada por uma semana na praia, um chalé na montanha, uma villa isolada, uma pousadinha discreta, um hotel à beira-mar. Desde, é claro, que tenham uma conexão bem potente à internet para que o trabalho possa ser executado sem absolutamente nenhum percalço durante a estadia.

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Crédito: Divulgação

Como O trabalho remoto contribui para a recuperação da hotelaria

A tendência do bleisure (mistura de business e leisure) ou das chamadas workcations (mistura de work e vacations) nunca fizeram tanto sentido quanto nesses tempos. E assim, com cada vez mais importância, o trabalho remoto contribui para a recuperação de parte da hotelaria – inclusive aqui no Brasil. 

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Diversas famílias com crianças em idade escolar que conseguem flexibilizar o trabalho também já utilizaram o ensino à distância como pretexto para mudar um pouquinho o endereço do seu isolamento social para um imóvel de temporada, pousada ou hotel. Muitos hotéis começaram a investir ainda em julho do ano passado em divulgação com uso do termo hotel schooling

Dados recentes da Abear mostram que em novembro passado o Brasil operou o equivalente a 60% dos voos do mesmo período de 2019. Em destinos como Salvador esses números chegaram a impressionantes 81% no mesmo mês. Muitos hoteleiros, agentes e consultores de viagem atribuem tais índices justamente à “virtualização” do trabalho em muitas empresas e parte das instituições de ensino brasileiras.

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Aposta bem sucedida em propriedades com diferentes perfis

De hotéis fazenda (como o Dona Carolina, no interior de São Paulo) a resorts (como Royal Palm Plaza, Mavsa Resort, Sofitel Jequitimar, Hotel Fazenda Mazzaropi, Tauá), diversos hotéis e pousadas têm focado cada vez mais nos conceitos de hotel office e hotel schooling para atraírem hóspedes durante a pandemia. Principalmente durante os dias da semana.

Grandes hotéis de luxo também vêm aproveitando a tendência com sucesso, do Palácio Tangará, em São Paulo, ao icônico The Dorchester, em Londres. Alguns resorts de luxo focados em turistas americanos no México e algumas ilhas no Caribe chegaram a oferecer inclusive o serviço de monitores de home schooling como parte das amenidades incluídas nas diárias de hotel office durante a semana.

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Aqui no Brasil, trabalho e ensino remotos têm sido grandes responsáveis pelas taxas de ocupação de muitas propriedades durante a semana. As estadias prolongadas com foco em hotel office e hotel schooling também têm sido cada vez mais requisitadas por distintos perfis de turistas e profissionais.

Fora do Brasil, o trabalho remoto também contribui para a recuperação da hotelaria em geral desde meados do ano passado. Plataformas especializadas em reservar hotéis por apenas algumas horas fizeram bastante sucesso desde então, como a dayuse.com.

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Crédito: Accor/Divulgação

Como tem funcionado o conceito de hotel office

Devagarinho, o home office começa a virar eventualmente uma espécie de road office para alguns brasileiros. Afinal, muita gente já vinha mesmo tendo problemas em se adaptar ao home office desde o começo da pandemia, com dificuldades de trabalhar e morar no mesmo endereço.

Ainda em maio de 2020, algumas propriedades em São Paulo começaram a transformar seus quartos ociosos em escritórios que poderiam ser alugados por um dia, semana ou mesmo um mês. Primeiro foi a rede Accor que apostou no conceito de room office em seus hotéis; depois, diversas outras propriedades independentes também começaram a apostar no mesmo modelo de day use dos quartos como escritório, incluindo até o pequeno Guest Urban, em São Paulo.

Mas, sem dúvidas, a possibilidade de migrar de mala e cuia por alguns dias para um outro destino e poder, além de trabalhar e estudar em outro ambiente, aproveitar também benefícios do local em si (muitas vezes sem ter que pensar no que cozinhar para o almoço e o jantar) tem outro sabor. 

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Bleisure, Workcation, anywhere office

Em muitas propriedades brasileiras, graças à difusão do conceito de hotel office (ou anywhere office), quartos ganharam nos últimos meses conexões mais potentes à internet e mesas e cadeiras mais confortáveis e eficientes. Afinal, o hóspede agora passará horas sentado ali, trabalhando naquele espaço antes pensado exclusivamente para o lazer.

Até mesmo propriedades que nunca tinham cogitado receber esse tipo de hóspede antes – como a remota Canto do Papagaio, em Aiuruoca, Minas Gerais – se viram obrigadas a fazer modificações estruturais importantes para atender à nova demanda. 

Alguns resorts e grandes hotéis de rede aproveitaram o crescimento da tendência do hotel office para transformar suas salas de eventos, completamente ociosas desde o começo da pandemia. Os espaços foram transformados em estruturas compartilhadas (com o devido distanciamento social, é claro) de trabalho e estudo.  Em muitos casos, com design que segue a tendência dos chamados “co-working” (que já existiam desde muito antes da pandemia), incluindo até mini-bar cortesia com café, água, sucos e lanches.

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Tendência parece ter vindo para ficar 

A indústria da hospitalidade já entendeu que investir em transformações e adaptações para atender a essa nova demanda de hóspedes em busca de espaços para misturar trabalho e lazer é inevitável. A tendência do hotel office parece ter vindo para ficar: muitas grandes corporações já anunciaram que pretendem manter o trabalho remoto ao menos parcialmente para muitos dos seus funcionários após o fim da pandemia.

Hotéis inaugurados durante a pandemia já abriram suas portas com isso em mente. Caso, por exemplo, do Canto do Irerê, em Atibaia, interior de São Paulo, que desde sua abertura tem recebido majoritariamente hóspedes procurando conjugar isolamento, trabalho e lazer no mesmo endereço. 

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Prova de que o trabalho remoto também contribui para a recuperação da hotelaria é que, para muitas propriedades brasileiras, investir no hotel office e no hotel schooling gerou aumento de pelo menos 40% nas taxas de ocupação durante a semana. E contribuiu imensamente para as arrecadações durante todo o período, mesmo com as tarifas mais camaradas geralmente praticadas durante a semana.

Além disso, muitas vezes, viajantes que se hospedaram durante a semana em determinada propriedade para praticar hotel office e hotel schooling, variando um pouquinho o cenário do trabalho e do estudo remoto destes tempos, gostam tanto da experiência que acabam voltando semanas ou meses depois em um final de semana. Mas, desta vez, apenas para descansar e curtir os serviços da boa hospitalidade.

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