Fazenda Santa Vitória

Fazenda Santa Vitória: fugindo do estereótipo do “hotel fazenda”

Desde a reabertura do turismo brasileiro no segundo semestre do ano passado, hotéis com grandes espaços ao ar livre têm sido especialmente procurados durante a pandemia. Muitos estão inclusive batendo recordes históricos de ocupação nos últimos meses, tão grande vem sendo a procura. É o caso da Fazenda Santa Vitória, em Queluz, SP, que vem também fugindo do estereótipo do “hotel fazenda” brasileiro.

Localizada no Vale do Paraíba, a propriedade começou a operar como parte da indústria da hospitalidade há cerca de quatro anos e meio, após os proprietários unirem quatro fazendas adjacentes da década de 1920. 

Hoje, apesar de funcionar unicamente de 5a. a domingo e feriados, o sucesso do empreendimento tem sido tão significativo que a ocupação anda beirando os 100% frequentemente – e as reservas disponíveis são para geralmente só daqui três ou quatro meses. E a sustentabilidade de suas operações é sem dúvidas seu principal atrativo.

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Fugindo do estereótipo do “hotel fazenda” brasileiro

A Fazenda Santa Vitória vem fugindo do estereótipo do “hotel fazenda” brasileiro desde sua abertura. Ali não há imensos buffets, programação diária de atividades, monitores nem qualquer tipo de entretenimento infantil. A propriedade é assumidamente muito mais pensada para e focada em adultos do que famílias com crianças e adolescentes. 

Também não se trata de um hotel de luxo. O hóspede não deve esperar excelência em serviço, mimos nem acomodações impecáveis. A proposta ali é oferecer amplos espaços ao ar livre, em um autêntica fazenda do Vale do Paraíba, para que cada um encontre na natureza e na cultura local seu espaço e diversão.

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As 18 acomodações estão espalhadas em diferentes modelos e espaços. Optando por qualquer uma delas, o hóspede tem acesso aos mesmos espaços comuns: gramados e jardins muito bem cuidados, trilhas, riacho e até cachoeira. E também ao mesmo serviço de pensão completa. Há também quadra de tênis, salão de jogos, piscina, sauna, “caldário” – e passeios à cavalo podem ser contratados à parte (mediante pagamento).

Para curtir melhor muitos dos espaços ao ar livre, tão fundamentais hoje em dia, o hóspede muitas vezes vai ter que pegar seu próprio carro e dirigir. Há bicicletas gratuitamente disponíveis para os hóspedes, mas alguns trajetos podem ficar mais “puxados” sobre apenas duas rodas. Mesmo os meros 4km que separam a sede da cachoeira, dada a topografia do terreno (acidentado e montanhoso), são definitivamente mais factíveis de carro. 

O hotel deve ganhar um spa até o final do ano e oferece ainda a possibilidade de visita à Casa do Arado, uma casinha isolada na fazenda que, em parceria com o Instituto Arado, tenta divulgar e preservar a história e a cultura regional caipira da região. 

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fazenda santa vitória: Diferentes tipos de acomodação

As 18 acomodações disponíveis na fazenda estão divididas, da mais simples à mais luxuosa, em suítes-sede, suítes-quintal, casas do pomar e casas na montanha. As linhas gerais propõem simplicidade com arquitetura de época integrada à natureza. Todas as acomodações são operadas em diárias com pensão completa, wifi e uso de todos os espaços comuns; mas as facilidades de cada tipo de acomodação mudam bastante. 

Fiquei hospedada em uma das quatro suítes da casa sede no último feriado de Independência do Brasil; mas vale o alerta de que são de longe as menos interessantes da propriedade toda. São mais simples, antigas e pequenas, sem qualquer balcão, varanda ou contato com a natureza. Na casa sede, há constante “entra e sai” de hóspedes e funcionários o dia todo, tirando qualquer resquício de privacidade dos quartos. O som vaza com facilidade de um quarto para outro e os quartos absorvem também todo o barulho e “falação”, tanto da piscina quanto da cozinha principal (logo cedo pela manhã nesse caso, inclusive). 

A minha recomendação é escolher acomodações das suítes-quintal (que têm diferença de valor ínfima em relação às suítes-sede) em diante. Todas essas são não apenas esteticamente muito mais interessantes como também mais aconchegantes e muito mais silenciosas e privadas. As suítes quintal e as casas do pomar (estas últimas inauguradas neste 2021) ficam quase anexas à sede, ao centro lazer e ao restaurante. Já as casas na montanha ficam isoladas, com vista panorâmica para a fazenda e os arredores (mas o hóspede precisa pegar o carro na hora de ir fazer as refeições ou utilizar a infraestrutura da sede).  

Dá pra conferir detalhes de toda a minha estadia por lá em várias imagens e vídeos tanto no feed quanto nos Stories do meu instagram @maricampos, sempre atualizadinho.

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Hospitalidade sustentável

O grande atrativo da Fazenda Santa Vitória é ser um hotel verdadeiramente sustentável, com iniciativas realmente interessantes que raramente são vistas em “hotéis fazenda” brasileiros. Há práticas regenerativas importantes tanto do ponto de vista ambiental quanto cultural, social e econômico.

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A propriedade, antes voltada para exploração de madeira e pecuária extensiva, hoje promove reflorestamento e manejo sustentável da terra. A pequena criação de gado é voltada para a produção local de leite e queijo para hotel e moradores. 

A equipe do hotel é quase toda composta por membros das famílias dos empregados originais da fazenda, que ainda moram ali mesmo e tiram dali o seu sustento. E em diversos aspectos tentam resgatar/preservar as referências histórico-culturais da região (da decoração à Casa do Arado, em parceria com o Instituto Arado).

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Há também painéis solares instaladas em diferentes pontos da propriedade, o hotel já é autossuficiente energeticamente e planeja construir em breve uma pequena termoelétrica para que seja capaz de gerar energia positiva – ou seja, gerar mais energia do que consome. 

Nos quartos, as amenidades Trousseau são colocadas em grandes dispensers nas paredes. Plásticos são evitados e há água filtrada cortesia generosamente abastecendo tanto um filtro à entrada da casa da sede o dia todo quanto charmosas moringas à cabeceira da cama em todos os quartos. 

A alimentação não fica de fora: boa parte do que chega à mesa do hóspede é preparado com a produção da própria fazenda, seja da queijaria, da horta ou do pomar.

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FOCO ainda maior na gastronomia

As refeições são parte importante da experiência na Fazenda Santa Vitória e os quitutes da cozinha conduzida pelo chef Vitor Rabelo estão sempre incluídos nas diárias. A propriedade deve passar a focar ainda mais no aspecto gastronômico do hotel: até o ano que vem, deve ganhar novos espaços dedicados à gastronomia, inclusive um restaurante totalmente dedicado a carnes, instalado no haras, com vista panorâmica para o vale. 

A maioria das refeições, ainda que com menu bastante enxuto (entrada e sobremesa sempre únicas, três opções para o prato principal), é à la carte. As mesas são fixas para cada quarto/hóspede/família. Mas como os slots de horário para as refeições não são muito amplos, convém chegar cedo para pegar o restaurante mais vazio.

Os pratos são muito bem apresentados e há sempre alguma opção vegetariana no cardápio. Mas vale saber que a feijoada de todo final de semana é obrigatoriamente servida em um buffet assistido.

Eventualmente, oferece-se aos hóspedes algum tipo de degustação cortesia de produtos da região durante a estadia. Nos meus dias por lá, houve degustação de cerveja artesanal em um dos almoços e de cachaça antes de um dos jantares.

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O café da manhã merece destaque: a melhor refeição da casa é todinha preparada ali mesmo, item por item, e chega com capricho à mesa. O iogurte da casa é excelente e tem também uma das melhores granolas que já provei na vida! 

É pena que a propriedade não utilize regularmente seus muitos gramados e espaços abertos para também à hora das refeições, ainda mais durante a pandemia. Apenas dois almoços são feitos ao ar livre (um nos arredores da cachoeira e outro nos jardins da casa sede); todas as demais refeições são sempre feitas dentro do restaurante e/ou em sua varanda coberta anexa.

A Fazenda Santa Vitória vai ganhar em breve também uma queijaria completa, em parceria com o queijeiro João Laura, que vai contar inclusive com espaço dedicado para degustações e um terraço aberto.

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Serviço

A Fazenda Santa Vitória fica na cidade de Queluz, SP, quase na divisa entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Viajei para lá no meu próprio carro e achei o acesso a partir da Via Dutra muito fácil e bem sinalizado, com apenas um pequeno trecho em estrada de terra. As diárias com pensão completa valem desde R$2.200,00 para duas pessoas, incluindo café da manhã, almoço, bolo com café à tarde e jantar – sempre com água filtrada cortesia à mesa. Demais bebidas são todas cobradas à parte.

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Amanhecer no Kilombo Villas

Kilombo Villas: distanciamento social nos arredores da Praia da Pipa (RN)

Como um destino que era mais conhecido pelo turismo de massa está se portando na pandemia? Foi com essa pergunta na cabeça que fiz minha primeira viagem de avião depois de quase um ano e meio. Voei do Rio de Janeiro para Natal, no Rio Grande do Norte, e de lá fui de carro até a Praia da Pipa. Ou melhor, até Sibaúma, onde fica o Kilombo Villas.

Para quem procura um hotel boutique no litoral do Nordeste fazendo tudo certo na pandemia, o belo e discreto Kilombo Villas pode ser uma gostosa opção. São somente dez villas ou suítes em um amplo jardim de frente para o mar, no alto da falésia da isolada e deserta Praia de Sibaúma. Reduto de tartarugas-marinhas e monitorada pelo Projeto Tamar, Sibaúma fica a 15 minutos de carro do centrinho da Pipa e a duas horas do Aeroporto de Natal.

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O Kilombo na pandemia

O Kilombo é um hotel tranquilo desde tempos pré-pandêmicos. O que o tornou facilmente adaptável às novas expressões do vocabulário de viagens, como distanciamento social ou mesmo turismo de isolamento. O check-in é feito online, inclusive o envio do documento de identidade.  No local, o serviço por WhatsApp funciona bem. É atencioso e personalizado.

O espanhol Eduardo Gilles, o sócio à frente da operação do hotel, está sempre por ali e supervisiona todos os encantadores detalhes. Um deles: flores e folhas que caem pelos jardins ganham vida extra em outras áreas comuns e nas acomodações. Os pequenos arranjos podem aparecer nos lugares mais inesperados, como no bolso do roupão de banho. Outro detalhe charmoso: a embalagem de álcool em gel logo na entrada do hotel fica dentro de um coco, o coco gel. Mais um: a trilha sonora perfeita aqui e ali, às vezes quase imperceptível. São delicadezas que fazem bem ao corpo e à alma em tempos tão duros.

O bar e restaurante ficam ao lado da piscina, com mesas ao ar livre ou na área coberta com ventilação cruzada, e o menu é enviado por WhatsApp logo depois da chegada ao hotel. A cozinha é ótima, com pratos frescos e bem apresentados, e atende diariamente o dia todo. As cartas de drinques e de vinhos também são boas. Jantar à beira da piscina em noite de lua cheia é memorável. Ou seja, é possível ficar isolado no Kilombo, se for essa vontade do hóspede. Quem se sentir confiante para ir a restaurantes, tem várias opções na Pipa ao ar livre ou em lugares cobertos com amplas janelas e ventilação cruzada. Jantei em lugares bons, bonitos e charmosos, nos quais me senti segura. Todos fazem parte da associação de empresários Preserve Pipa, que quer tentar fazer com a retomada do turismo na região seja mais sustentável e menos de massa. O pessoal do Kilombo tem dicas de restaurantes e agenda táxis de ida e volta para quem estiver sem carro.

Dá para passear pela região de Tibau do Sul, onde estão Pipa e Sibaúma, passando longe de aglomerações. De carro, barco, bicicleta, cavalo ou simplesmente andando, como cada um se sentir melhor. Optei por combinar passeios privativos de carro organizados pelo hotel e caminhadas pelo Santuário Ecológico e pela falésia e a praia desertas. Fotos e dicas destes passeios e dos restaurantes da Pipa estarão no meu Instagram @CarlaLencastre.

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Como são as acomodações

Inaugurado em 2007, o Kilombo passa por manutenções constantes. A renovação mais recente foi em meados do ano, quando o hotel esteve fechado por um mês para reforma. Entre as novidades, uma das villas, a romântica das Rosas, com 140 m², passou a oferecer uma pequena piscina privativa ao ar livre e de frente para o mar. Além de uma jacuzzi.

As acomodações têm entre 35 m² e 230 m² (esta última é uma villa para quatro pessoas) e estão espalhadas em uma área verde de 1,6 mil m² frente para o mar, com ar puro, paisagismo exuberante e silêncio. Há uma bonita piscina no jardim, e algumas villas têm terraços com banheiras de hidromassagem. Com decorações únicas, todas as acomodações são repletas de luz natural.

A villa na qual me hospedei tinha um jardim de inverno com duas redes; varanda, e um solarium com jacuzzi e vista para o amanhecer no mar. Havia álcool em gel; minibar com águas, cervejas e refrigerantes, e cafeteira expresso. Um único ponto negativo: as cápsulas de café expresso são pagas à parte. Para quem pode trabalhar remotamente, o Wi-Fi é ótimo em toda a propriedade, e permite inclusive reuniões em vídeo. Há também muitas tomadas por toda a parte, tanto nas acomodações quanto em pontos estratégicos do jardim.

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O café da manhã pode ser servido na acomodação, ao livre no restaurante à beira da piscina, ou em um bangalô debruçado sobre a falésia. Neste último caso há uma taxa extra, mas vale a pena: a sensação é de estar no deque de um navio. A hora e o local devem ser marcados de véspera, por WhatsApp, e de manhã é possível ajustar o horário. O dia começa com delícias feitas na cozinha do hotel, como pães, bolos, tapiocas, geleias, ovos, queijo coalho na brasa com mel de abelhas nativas da região, doce de leite, um iogurte inesquecível, sucos frescos.

O serviço de arrumação e de abertura de cama são sob demanda e o horário também deve ser combinado por mensagem, assim como qualquer outro pedido, como água de coco gelada. À noite, a arrumação do quarto (somente se e quando o hóspede quiser) inclui aromaterapia, com uma linha exclusiva criada pela aromaterapeuta Fernanda Masson. São três aromas diferentes: alecrim, baunilha e patchouli. Escolhi a leveza do alecrim, e fui feliz.

Ações sustentáveis

Todos os funcionários do Kilombo são da região, e a maioria é descendente da comunidade quilombola homenageada no nome do hotel. Além de empregar a comunidade local, o Kilombo tem outras práticas sustentáveis, como água mineral extraída de um lençol freático a 72 metros de profundidade e energia solar para aquecer a água. Nos banheiros, as amenidades são em dispensers, diminuindo o plástico de uso único. Peixes e frutos do mar são da região, assim como o mel. Os talheres chegam em embalagens de papel reciclado. O terreno irregular não facilita a inclusão de pessoas com deficiência, mas o hotel está se preparando para receber quem tem dificuldades de locomoção. Até o final do ano, uma das villas será adaptada.

Serviço

As diárias do Kilombo para duas pessoas, em outubro, começam em R$ 824 por noite e incluem café da manhã e chá da tarde. É necessário reservar um mínimo de três noites. Fui do Rio para Natal no voo inaugural da Itapemirim (que também voa a partir de São Paulo), convidada pela Empresa Potiguar de Promoção Turística (Emprotur).

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Anavilhanas Amazonia

WTM: hotelaria precisa ser mais sustentável e inclusiva

Na semana passada, aconteceu a primeira edição 100% virtual da WTM Latin America. Sob o comando de Simon Mayle, a nova edição do evento foi um sucesso e ganhou até um inesperado dia extra. E, dentre discussões frequentes sobre inclusão, equidade de gênero, empregabilidade, tecnologias, reabertura de destinos e sustentabilidade, um alerta constante: a hotelaria precisa ser mais sustentável e inclusiva urgentemente.

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Afinal, não basta apenas falarmos constantemente sobre ESGs; é preciso que a indústria hoteleira pratique ações cotidianas realmente condizentes com esse discurso. E que proprietários, gerentes, colaboradores, moradores e hóspedes sejam educados constantemente para o engajamento. 

Novos modelos de negócios, novos produtos e até mesmo novos mercados surgiram em meio à crise gerada pela pandemia. Tudo isso constitui novas possibilidades de se engajar de fato nas transformações necessárias ao setor, desde já, mesmo que resultados mais significativos só apareçam no médio prazo. 

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Foto: Mari Campos

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HOTELARIA PRECISA SER MAIS SUSTENTÁVEL E INCLUSIVA JÁ

A digitalização acelerada, demandas de sustentabilidade e necessidade de inovação constante já são realidade para a maior parte do mercado hoteleiro, seja no Brasil ou no exterior. A pandemia mudou não apenas procedimentos e logísticas, mas também prioridades. 

Novas tecnologias tornaram-se o grande “capacitador”, e é preciso tirar proveito cada vez melhor delas a curto, médio e longo prazo – inclusive como ferramentas de fomento à sustentabilidade e à inclusão real dos estabelecimentos. A inovação foi a chave para qualquer adaptação feita pela indústria da hospitalidade nesse período.

Marília Borges, da Euromonitor, defendeu em sua palestra que é fundamental focar em sustentabilidade, saúde, necessidades do consumidor e tecnologias/digitalização de processos para a própria recuperação do setor. “Vimos os problemas do modo como o turismo funcionava pré-pandemia e hoje temos novas prioridades – e novas necessidades foram criadas também”, disse. 

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Soneva Maldivas
Foto: Soneva Maldivas

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CHEGA DE SUSTENTABILIDADE DE FACHADA

Os conteúdos criados especialmente para a WTM Latin America ressaltaram constantemente a necessidade de ampliar a conscientização sobre todas as esferas da sustentabilidade para hóspedes, staff e investidores. “A hotelaria tem que sair do paradoxo de que sustentabilidade é custo”, afirmou Antonietta Varlese, da Accor Hotels, durante o evento. “A gente ainda tem que insistir muito nisso, infelizmente. Mas fico feliz que hoje a maioria dos nossos parceiros já entende bem isso e apoia”, completou. 

Ela contou que há anos a empresa investe constantemente em educação e engajamento de pessoas, sejam comunidades locais, funcionários ou hóspedes. “Os índices de ESG não podem ser da boca para fora porque são analisados pelo mercado financeiro o tempo todo. Também não adianta falar que tem algo e consumidor chegar lá e não ter, isso é terrível”, alertou. 

O programa Accor Solidarity destina anualmente uma verba global para que seus hotéis apoiem entidades regionais – trabalhando sempre para que os projetos assistidos pelo grupo possam ser autossuficientes com o passar do tempo. Segundo Antonietta, a maioria dos projetos de sustentabilidade apoiados pela Accor foi indicada pelos próprios funcionários da rede, mantendo real engajamento dos mesmos.

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NECESSIDADE DE REGENERAÇÃO É URGENTE

Durante a WTM Latin America, diferentes participantes dos painéis reforçaram também ser essencial investir continuamente em capacitação local para promover sustentabilidade real. Integrar hotel, população local e turistas é fundamental.  Assim, parte significativa da renda permanece de fato no próprio destino da propriedade. A hotelaria precisa ser mais sustentável e inclusiva, fazendo a roda da sustentabilidade gerar regenerativamente em seus negócios e destinos. 

Há casos incrivelmente bem sucedidos de sustentabilidade real e regenerativa na indústria da hospitalidade no mundo todo. Inclusive em várias propriedades que já citei em diferentes oportunidades aqui na coluna mesmo, como os brasileiros Anavilhanas Jungle Lodge e Casa Turquesa, os impecáveis lodges africanos da Great Plains Conservation, o resort polinésio The Brando e tantos outros bons exemplos. Também abordo o tema frequentemente em matérias para outros veículos, na minha coluna no Estadão ou no meu Instagram @maricampos

Hotelaria sustentável de fato, que não apele para sustentabilidade de fachada, que não ache que pedir aos hóspedes para “economizar” toalhas durante a estadia é suficiente, é não apenas essencial para a sobrevivência do setor como urgente. Não apenas porque vivemos a pior crise climática da história, com um futuro próximo já trágico (o relatório do IPCC deste mês deixou isso bem evidente), mas também porque o hóspede vai demandar cada vez mais ações concretas da indústria da hospitalidade nesta direção. 

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Foto: Divulgação/Mandarin Oriental

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DIVERSIDADE PRECISA GERAR MAIOR INCLUSÃO 

A necessidade de gerar mais diversidade e inclusão real na hotelaria e em todo o trade turístico também esteve presente nas pautas de muitas das discussões e painéis do evento.  Concluiu-se que ações relacionadas a elas precisam urgentemente sair do escopo do marketing e tornar-se realidade nas empresas que gerem os produtos turísticos. “Diversidade é convidar para o baile; inclusão é quando você convida para dançar”, citou Hubber Clemente, do Afroturismo HUB.  “Podemos ser mais diversos e inclusivos no turismo sim”. 

Afinal, o turismo sempre foi visto como um setor “naturalmente diverso”, mas a diversidade TEM que gerar real inclusão na hospitalidade. “Hotelaria é feita por pessoas, para pessoas. Todas as mudanças sociais têm que ser acompanhadas pelo setor, o tempo todo”, lembrou Antonietta, da Accor. 

Se iniciativas públicas podem demorar muito para acontecer nesse setor, da ótica da iniciativa privada é possível – e necessário – começar agora mesmo. Muitas propriedades, de pequenas pousadas a grandes hotéis, felizmente já começaram essa batalha há muito tempo. Esperemos agora que muitas outras se juntem urgentemente a elas. 

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