Vamos estar prontos para 2014 e 2016 ?

Essa é a pergunta corrente, e continuará sendo até 2014 e 2016.

E minha pergunta é: acreditamos em nós, brasileiros ? Podemos tratar os temas de forma coerente, séria e responsável ?

Faço a pergunta porque há grande diferença entre senso crítico, transparência, acompanhamento do que está sendo feito, tanto pelos governos como pelas empresas; e apenas jogar palavras de que não vamos fazer, que é uma vergonha, que vai haver roubo.

Ora, trata-se aqui de realizar os dois maiores eventos esportivos do planeta! Fomos escolhidos porque apresentamos projetos, porque traçamos objetivos, porque a visibilidade internacional irá contribuir para um maior conhecimento de nosso povo e de nossa nação.

A cobrança deveria ser por mais informações, tanto de governos, empresas como dos organizadores dos eventos. Deveríamos estar preocupados com o legado, com o cumprimento das garantias que o país assinou com a FIFA e o COI. Precisamos refletir sobre como aproveitar as oportunidades para alavancar mais negócios, melhorar serviços e promover mais o Brasil no exterior.

Acredito até que devemos exigir ser respeitados enquanto nação, mantendo uma visão crítica e ao mesmo tempo responsável para que o resultado da realização desses eventos esteja além do sucesso dos acontecimentos, seja a vitória do Brasil.

E a resposta é sim: o Brasil, nós vamos realizar grandes eventos esportivos.

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Jeanine Pires

Professora e empresária, tem 19 anos de experiência em turismo e eventos. Diretora da Pires & Associados e da MATCHER Travel Business.Suas principais atividades são a realização de Planos de Marketing de Destinos Turísticos e palestras no Brasil e no exterior. Presidiu a EMBRATUR de 2006 a 2010, onde também foi Diretora de Turismo de Negócios e Eventos. Liderou o trabalho de promoção do Brasil como destino turístico no exterior, os programas de captação de eventos internacionais e a agenda de promoção do Brasil de 2003 a 2010. Participou da elaboração do Plano Aquarela - Marketing Turístico Internacional do Brasil em 2005 e também coordenou sua versão para 2020. Nos Convention & Visitors Bureaux de Maceió e Recife como diretora executiva, desenvolveu os programas de marketing de lazer e eventos para aquelas cidades entre 1997 a 2002. Esse blog reflete opiniões pessoais e não tem qualquer vínculo institucional

10 thoughts on “Vamos estar prontos para 2014 e 2016 ?

  1. Jeanine, boa tarde

    Em primeiro lugar, eu gostaria, como muitos brasileiros, de acreditar que iremos realizar grandes eventos em 2014 e 2016.
    Mas quem acompanha o noticiario e se informou dos resultados no Panamericano do RIO, quanto se gastou a mais do previsto, das auditorias das contas e principalmente do “legado” deixado na cidade, não consegue ver no futuro algo parecido com o que deveriamos ter.
    Quando vemos que as obras para a Copa se resumem a reformas milionárias em estadios, que nada ou quase nada esta sendo feito em transporte, infra estrutura, hotelaria e aeroportos, fica mais distante ainda o objetivo desejado.
    E mais, podemos apostar, como sempre acontece, que a pouco tempo dos eventos tudo será feito a toque de caixa, sem licitações, com aumento das verbas pagas pelo poder público, pois teremos emergência no termino das obras, acompanhadas é claro, do velho discurso politico….
    Enfim, tenho certeza que alguns lucrarão muito com os eventos, mas a um alto custo das verbas públicas.

    Lamento pela falta de otimismo, e excesso de realismo….

    Eduardo Vezzetti

    1. Eduardo, obrigada pelo comentário.

      Não acredito que os eventos esportivos sejam a solução para todos esses problemas que temos em nosso país. Creio que eles, por haver uma data para acontecer, irão acelerar melhorias para o turismo. Da mesma forma, muitas coisas ainda estarão por fazer após esses eventos.
      Meu ponto é: precisamos ter mais informações, acompanhar prazos. Por exemplo, a hotelaria é um tema que está andando, as cidades sede estarão com melhores e mais equipamentos.

      Vamos acompanhar, não e mesmo ?

  2. Jeanine,

    Normalmente concordo com suas análises e compartilho de seu otimismo com relação ao nosso setor. Desta vez, entretanto, estou mais inclinado a concordar com o comentário do Eduardo Vezzetti. Não vejo como o BRASIL pode beneficiar-se desses dois grandes eventos quando percebemos que o maior e mais importante legado (a infraestrutura, a solução dos problemas de mobilidade urbana, a segurança e a melhoria no sistema de saúde, entre outras coisas) já foi deixado para trás em benefício das grandes obras nos estádios (a maioria deles com vocação para elefantes brancos) com a corrupção correndo solta e “os de sempre” metendo dinheiro no bolso. Sinceramente, por mais que tenham sido duras e deselegantes as palavras de Jerôme Valcke, numa coisa ele acertou: o Brasil parece mais interessado em GANHAR a copa do que em organizar a copa. É claro que se olharmos esses dois eventos apenas pela ótica do nosso setor (e pode ser isso que motivou seu post e que está na origem de seu otimismo) podemos vislumbrar um efeito bastante positivo, pois teremos exposição mundial ímpar, e oportunidades mil de alavancar os negócios do turismo. Entretanto, se pensarmos como país, como Nação, temo não termos muito o que comemorar. Aliás, isso era uma tragédia anunciada, uma piada pronta. Em meu blog http://www.ruicarvalho.com.br, há mais de um ano eu venho alertando para o fato de que caminhamos, desde o início, para uma situação na qual alguns empresários oportunistas e figurões com espírito de ave de rapina, com o apoio dos políticos do “baixo clero”, encherão as burras com contratos milionários e superfaturados, recheados de propinas e adendos, justificados pelo regime de emergência que por certo será invocado “para que o Brasil não faça feio e honre seus compromissos”. Era de esperar e não será surpresa para ninguém. Resumindo, até acho que nós, do turismo, podemos comemorar a ocorrência desses dois eventos no Brasil, mas o país, essa entidade amorfa que muitos teimam em confundir com o governo, infelizmente terá muito mais a lamentar do que a comemorar. É uma pena, pois este povo merecia melhor sorte. Mas enfim, como esperam alguns espertalhões, conseguiremos ganhar o título de campeões e isso ajudará a amortecer a percepção do desastre. É o cenário de sempre: desde a Roma antiga que onde falta educação e cultura política, sobra pão e circo. Afinal, se Deus é brasileiro, o resto são só detalhes!

    Abraço

    1. Caro Rui, obrigada pela contribuição.
      O tema é amplo, claro, e não teremos a solução de todos os problemas. Mas acredito sim na realização desses eventos porque acredito na capacidade do Brasil.
      Não acho que tudo é roubo, acredito que existem pessoas honestas, trabalhando para que o sucesso seja garantido.
      Também considero muito importante cobrar que as informações cheguem à sociedade, que os compromissos para os eventos sejam cumpridos.
      Entendo esses evento como uma plataforma para o avanço do país e do turismo, onde credibilidade, honestidade e profissionalismo terão que estar em primeiro lugar. E aqueles que não estiverem cumprindo duas obrigações sejam responsabilizados.
      Desejo uma visão crítica e responsável.

      Vamos ficar de olho !!

  3. Não tenho a menor dúvida que não estamos preparados. Infelizmente vamos passar por uma enorme VERGONHA, que será inesquecível!
    Não precisamos disso… Que tristeza!
    Este otimismo, tem um outro nome: POLÍTICA.

    1. Maurício, respeito sua opinião. Só não sei o que vc acha que é política.
      Política é tudo que você, eu, nós todos fazemos todos os dias. Se você quis se referir à política partidária, ou a governantes, concordo que existe muita discrença em relação a eles, por motivos justos.
      Como não estou na organização desses eventos, nem no governo, fico muito à vontade para opinar sobre a forma como acredito que devemos acompanhar o andamento das coisas, cobrando transparência e com responsabilidade.
      Obrigada pela participação.

  4. Prezada Jeanine,

    Embora admirador de s. artigos, nunca tive a oportunidade de comentar neste espaço, mas este tema em particular me chamou a atenção, não necessariamente por seu mais que interessante título, mas em especial por partir de alguém que esteve diretamente envolvido no Primeiro Setor, tem suas conexões ali e sabe exatamente do que fala… A impressão que tive, e corrija-me se estiver errado, é que quando a senhora sugere que deveríamos “cobrar mais informações” é porque tem conhecimento de algo que o Brasileiro médio desconhece. Que sabe que estamos evoluindo nos preparativos destes eventos e quer nos tranquilizar. Minha impressão com seu texto é que se tivéssemos acesso ao “status” das melhorias implantadas pelo Estado a população estaria mais otimista. É isto mesmo? Um pouco disto? Ou nada disto e entendi tudo errado…?

    O fato é que como cidadão comum, mas que tem viajado pela grande maioria das cidades que receberão estes eventos, não tenho percebido mudanças relevantes. Minha sensação é ainda mais de pessimismo quando recordo das viagens que fiz à África do Sul, China e Coréia anos antes destes países receberem os mesmos eventos que o Brasil receberá brevemente. Tenho clara recordação de Xangai em 2007/2008, dois anos antes do início de sua Expo, quando conheci uma cidade com canteiro de obras espalhados por todos os lados, obras com objetivo de melhorar a infraestrutura local como um todo, mas com pano de fundo o evento mundial… Digo a todos ter vivido a transformação do aeroporto de Johannesburg na África do Sul para receber a Copa daquele país, ter visto as mudanças que Nova Delhi na Índia passou para sediar seus Commonwealth Games em 2010. E pior, regressei ha duas semanas de Beijing depois de cinco anos da última visita e encontrei uma cidade completamente mudada e que utilizou seu evento olímpico para alavancar tais mudanças! Melhoraram a rotina dos habitantes e seus visitantes utilizando-se deste evento como “ponto de partida” para as desapropriações, obras e investimentos necessários! Se houve desvio de verbas como tememos aqui, talvez sim, mas fizeram o que era necessário e fizeram bem feito!!!
    Enfim, se estaremos prontos para 2014 e 2016? Depende do que queremos para o país em 2014 e 2016, se o objetivo é ter arenas prontas para sediar uma série de jogos por um período de 30 dias seguindo os compromissos assumidos com COI, FIFA, etc. muito provavelmente que sim, agora se for para realizar tais eventos e ainda deixar no Brasil os legados infra estruturais, culturais/educacionais (veja o exemplo dos chineses, e note como agora recebem o turista estrangeiro…muito melhor que há cinco anos) e de exposição midiática que Coréia, China, África, Delhi, Barcelona, Sydney, etc. herdaram, aí, penso que a resposta é outra, pois não estamos preocupados com isto, ao menos, esta é minha impressão… e caso você tenha opinião contrária ou conheça onde estão sendo feitas tais melhorias, por favor me informe! Ficarei feliz em saber que de fato estamos evoluindo como de fato deve ser.

    Cordialmente,
    Jefferson Santos

    1. Bom dia Jefferson,
      Obrigada pelos comentários.
      Quando me refiro a ter mais informações significa que também não as tenho, porque também sou uma cidadã comum e gostaria de ter mais dados.

      Em nenhum momento estou afirmando que estamos preparados, que tudo será uma maravilha. Mais uma vez volto ao meu ponto central. Precisamos pensar sobre a importância desses eventos para o turismo, enquanto setor privado precisamos estar atentos para as oportunidades. E, devemos pedir mais informações, para que nosso acompanhamento e nossas críticas sejam baseados em dados reais, nos compromissos assumidos e sejam uma forma construtiva de olhar para o tema.

      Acho inclusive que estamos perdendo a oportunidade de olhar e buscar oportunidades porque temos muitos problemas básicos a tratar.

      Concordo plenamente com você, nosso país não tem estratégia de mensagens para o mundo por conta da exposição de imprensa dos grandes eventos esportivos. O que é uma imensa oportunidade perdida.

      Também não estou afirmando em nenhum momento que estamos com tudo nos prazos, evoluindo da melhor maneira. temos a maioria dos estádios em obras, que devem ficar prontos. E temos muitas obras públicas que não serão para os eventos esportivos, são a recuperação de um déficit de infra-estrutura que nosso país tem. Vamos torcer para que as datas dos eventos nos ajudem a resolver parte dos problemas de forma transparente, eficiente e rápida.

      Obrigada pela sua contribuição.

  5. Parece que todos os que comentaram estão com a mesma sensação: onde estarão os ganhos pós-eventos? Onde estão as obras de infraestrutura? Quais cidades estão investindo seriamente em metrô, por exemplo? Vamos aproveitar os jogos para iniciar uma fase de melhoria com um legado que perdure, ou teremos belas arenas que consumirão milhões em recursos públicos que poderiam (deveriam) ir para a saúde, a segurança, a educação e o transporte? Queremos fazer bonito para os turistas durante um mês, ou vamos fazer bonito para o cidadão brasileiro daqui em diante? Pois é, são muitas perguntas e eu não conheço as respostas ou alguém que possa, honestamente, responder que sim, estamos preparados e esse legado vai ficar. No que diz respeito a oportunidades concordo com a Jeanine e acho que nosso setor (turismo) vai aproveitar e ganhar forte impulso. Entretanto, repito, na minha opinião esse é o menor ganho que o Brasil deveria esperar com esses eventos. O mais importante, as obras de infraestrutura e os investimentos em segurança (definitivos), saúde e mobilidade urbana, esses não percebi onde estão, isso é fato.

  6. Bom, pelo que foi feito até o presente momento, tenho a impressão de que estes eventos estarão aquém das expectativas de todos, sem contar que a maiorias dos projetos para melhorias das coisas que beneficiarão a população em geral (Metrôs, Linhas de ônibus, aeroportos, novas avenidas e pontes, etc…) ainda não saíram do papel…uma pena.

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