AVALIANDO CENÁRIO ATUAL COM DADOS

Primeiro trimestre de 2020 aponta queda de 22% nas chegadas internacionais de viajantes pelo mundo; relato da OMT também mostra a diminuição de 19% nas chegadas à América do Sul. A perda de receitas globais do turismo pode chegar a US$ 1,2 trilhões esse ano e os empregos diretos em risco podem chegar a 120 milhões em todo o planeta.

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Tudo bem, sei que você não está querendo ouvir notícias ruins, pois o cenário já está bastante difícil e está sendo bombardeado com informações difíceis de digerir. Quero te convidar a avaliar os números recentes sobre o impacto da COVID-19 na indústria de viagens e turismo porque estou, assim como você e todos em nosso setor, na torcida e com as mãos na massa para a retomada, e só acredito em cenários quando eles são baseados em números e avaliações consistentes. Considero então que devemos entender o que está passando no planeta para olhar para o futuro do turismo.

Dados de hoje (18 maio 2020), divulgados pela Organização Mundial de Turismo, OMT mostram os primeiros números coletados para o primeiro trimestre de 2020 nas chegadas internacionais de viagens: uma queda global de janeiro a março de 22%. A Ásia-Pacífico é a região mais impactada, pois lá a epidemia chegou mais cedo do que nos demais países, uma diminuição de 35%; as Américas tiveram uma queda de 15% com a sub-região América Latina foi mais impactada, – 19%. Destaca-se que somente o mês de março registrou -57% nas viagens, e fevereiro, -9%. Veja as imagens abaixo:

As projeções da OMT levam a uma diminuição entre 58% a 78% das viagens mundiais em 2020, a depender de como o cenário evolui, especialmente na contaminação e re-abertura progressiva dos países e suas fronteiras. Nas divisas geradas pelas viagens internacionais, a perda pode chegar a US$ 1,2 trilhões, a maior queda registrada historicamente no setor. O setor ainda projeta que o impacto no turismo coloca hoje cerca de 100 a 120 milhões de empregos diretos em risco.

Outras entidades e pesquisas também trazem números que são importantes conhecer. A International Air Transport Association, IATA mostrou uma diminuição de 22% na demanda de passageiros de janeiro a março no mundo, sendo somente em março uma queda de 56%; a projeção para o ano de 2020 é de diminuição de 48%. Estudos sobre os quais a PIRES INTELIGÊNCIA EM DESTINOS E EVENTOS teve acesso em abril mostram que as buscas por viagens aéreas no Brasil começaram a cair em março (-6,6%) e já à partir de abril e maio registraram queda de -36% e -46%, respectivamente. A demanda internacional da Europa, por exemplo, em abril já registrava queda de 31% em relação ao mesmo período de 2019.

Hoje o Brasil tem 8,5% de sua frota de aeronaves voando, e diversas empresas aéreas nacionais e internacionais anunciam a retomada gradual de voos no início de junho, a depender da abertura de fronteiras hoje fechadas no país. Você pode ouvir mais sobre o cenário de aviação no podcast HUB TURISMO, episódio 7, quando conversamos com Eduardo Sanovicz, Presidente da ABEAR.

Seguimos acompanhando os dados futuros, lembrando que a FowardKeys, empresa espanhola de big data para antecipação de demanda mostrou que para os meses de junho, julho e agosto temos no Brasil uma queda de 51.7% nas reservas com confirmação até 2 de maio de 2020 em relação ao mesmo período de 2019.

5 IDEIAS SOBRE O QUE PODE MUDAR NO TURISMO

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Se existia uma previsão de crescimento do turismo global entre 3 e 4% em 2020, já se pode estimar uma queda entre 20 a 30% nas viagens e uma perda de US$ 300 a 450 bilhões nos gastos dos viajantes internacionais.

Agora é o momento de colocar o bem estar das pessoas em primeiro lugar, não há dúvidas em relação a essa responsabilidade, que é global. No caso da indústria de viagens e turismo, uma das mais impactadas diante da pandemia, sabemos que ela vive um cenário totalmente inédito e sem precedentes; simplesmente as pessoas pararam de se locomover. Dos deslocamentos mais simples, dentro das cidades, até as longas viagens internacionais estão todos em casa se protegendo e evitando a ampliação do contágio. Embora seja muito cedo para qualquer conclusão, e ainda estejamos todos avaliando e tentando entender o que ocorre e quais serão os novos horizontes, já podemos computar um prejuízo enorme no setor, desde pequenas empresas até grandes empreendimentos. Somente as empresas aéreas já projetam uma perda de US$ 252 bilhões em 2020, segundo a IATA são US$ 39 bilhões de bilhetes comprados e não voados que são responsabilidade das companhias.

Se existia uma previsão de crescimento do turismo global entre 3 e 4% em 2020, já se pode estimar uma queda entre 20 a 30% nas viagens e uma perda de US$ 300 a 450 bilhões nos gastos dos viajantes internacionais, segundo a Organização Mundial de Turismo (OMT). Ainda segundo a entidade, podemos levar de 5 a 7 anos para recuperar as perdas de 2020. Somente para termos uma ideia, em 2009, com a crise econômica global, as chegadas de turistas internacionais caíram 4% e durante a SARS, a queda foi somente de 0,4% em 2003. Aqui no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Empresas Aéreas (ABEAR), na semana de 23 de março desse ano as empresas associadas já apresentaram uma redução de 75% na demanda nacional e de 95% na internacional em relação a igual período de 2019.

Mesmo sendo uma crise inédita e um panorama nebuloso, penso ser importante trocarmos ideias e projetar futuros cenários; não tentando imaginar, mas buscando tatear quais transformações podem ocorrer em nossa indústria. A única certeza é de que já não somos mais o mesmo negócio, e que, provavelmente as respostas para nossas atuais perguntas ainda estejam em plena mutação. Mas vamos lá, pensar agora e reavaliar continuamente, assim, reflito sobre 5 temas que podemos começar a trocar ideias:

  1. Assim como vivenciamos depois do 11 de setembro, muitas novas medidas de restrições e segurança sanitária devem passar a fazer parte das jornadas de viagens. Sendo a segurança uma preocupação de viajantes e de autoridades de fronteira, todos irão buscar viajar com proteção e evitar possíveis contágios. Tendo a segurança como uma prioridade, o desafio de autoridades e de empresários será garantir que as medidas de proteção sejam tomadas sem prejudicar os deslocamentos, poupando tempo e garantindo o livre trânsito de pessoas;
  2. A depender de como a pandemia evolui em cada país e continente, e ainda como são os diferentes hábitos e formas de viajar em cada país e cultura, podemos presenciar num primeiro momento o predomínio das viagens domésticas. Em seus países as pessoas possuem mais informação, sentem-se mais seguras e assim ficam mais à vontade para fazer deslocamentos a negócios e a lazer. Suponho que a retomada das viagens internacionais irá variar muito de acordo com o país, sua realidade, com a progressiva oferta de voos e a situação de toda a cadeia do setor de viagens e turismo local. Como o turismo é uma atividade que tem mostrado ao longo de décadas uma grande capacidade de recuperação, vamos observar como será o comportamento do consumidor no final de 2020 e nos períodos de alta temporada de cada continente para entender o passo da retomada paulatina;
  3. Necessidade urgente de diálogo entre autoridades públicas e empresários para minimizar impactos e garantir a sobrevivência de empresas, empregos e a recuperação de um setor que é responsável por 1 em cada 10 empregos no planeta. Dependendo do tamanho da empresa, da duração (imprevisível ainda) da crise e das paralizações de viagens, e do segmento de atuação, são necessárias medidas que possam monitorar diariamente o cenário e que, objetivamente, auxiliem e apoiem as empresas para a manutenção de empregos e o enfrentamento da crise. Diversas entidades mundiais e nacionais já divulgaram recomendações e orientações que ajudam a entender os tipos de medidas que podem ser tomadas;
  4. Mudança de hábitos do consumidor é outra tendência que podemos esperar, mesmo que ainda sendo ainda cedo para entender como irá ocorrer. Talvez siga adiante (mas por outros motivos) a ideia de evitar lugares com muitas pessoas, evitar o overtourism; a exigência de atitudes sustentáveis também poderá ser elevada, buscando destinos aonde o respeito ao meio ambiente se traduzirá em mais segurança sanitária em todos os aspectos (meios de hospedagem, alimentação, praias, natureza, respeito à cultura local, dentre outros). Talvez ainda, vivenciemos alteração de períodos de férias, quando poderá ocorrer a busca de viajar em baixa temporada. Infelizmente também poderemos presenciar preconceitos com a procedência de turistas, trazendo um comportamento preconceituoso ou pejorativo por parte de comunidades locais ou até de profissionais. Nem imaginamos ainda as mudanças, mas certamente o cliente será cada vez mais o protagonista de suas decisões, na busca de experiências mais autênticas, porém mais seguras e com uma interação ainda mais engajada em todas as etapas de sua viagem;
  5. Adaptação e imagem das empresas, esses certamente serão aspectos que temos que focar nossa atenção no cenário pós pandemia. As empresas terão que avaliar rapidamente as mudanças e fazer adaptações para garantir sua competitividade, lembrando que mais do que adaptações de gestão serão importantes aquelas que irão entender e atender às necessidades dos clientes. Isso está diretamente relacionado à imagem de sua marca, ela terá que passar ainda mais segurança, transmitir valores reais e demonstrar sua dedicação à respostas rápidas e precisas ao consumidor. Isso vale para empresas e também para destinos, que terão novos desafios de comunicação e marketing. Como será a promoção de destinos no novo cenário em que a segurança terá uma dimensão ainda mais ampla e exigente? O que e como comunicar? Como falar das experiências e realmente fazer o turista sentir-se parte de algo que irá satisfazer novas necessidades ?

O que você acha desses aspectos? Nos ajude a pensar e avaliar o cenário ainda tão difícil e buscar caminhos que possam ajudar a indústria de viagens turismo a superar com força esse atual desafio.

A tecnologia e o humano na aviação

 

Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) anunciou os resultados da sua Pesquisa Global de Passageiros (GPS) de 2018. Foram 145 países envolvidos e mais de dez mil respostas fornecidas, para reafirmar a percepção de que, atualmente, os passageiros buscam novas tecnologias a fim de melhorar a eficiência das suas viagens.

A pesquisa revelou que os passageiros desejam se informar sobre as viagens em tempo real, através de seus dispositivos pessoais. Assim como apreciam “recursos facilitadores”, como é o caso da identificação biométrica, e “recursos de controle”, como o rastreamento de bagagens.

Receber informações sobre o status do voo (82%), bagagem (49%) e tempo de espera na segurança / imigração (46%) foram identificadas como as três principais prioridades dos viajantes após a reserva de um voo. Sendo essas informações preferencialmente recebidas através de um dispositivo pessoal. 73% dos passageiros, por exemplo, gostam de receber informações via SMS ou aplicativo de smartphone.

Outro dado mostrado pela pesquisa é que a maioria deles valorizam serviços que possam ser feitos de maneira autônoma. Como é o caso check-in de bagagem self-service, preferido por 70% dos entrevistados, e do check-in automatizado, preferido por 84%.

No entanto, é importante ressaltar que, embora as empresas devam ficar atentas e trabalhar para suprir o desejo dessa maioria, a minoria não deve ser ignorada. Embora seja menor, existe a parcela que ainda opta pelo “toque humano”. Cerca de 43% dos viajantes, por exemplo, preferem usar uma agência de viagens para reservar seus voos. E quando há algum tipo de problema, durante a viagem, uma parte considerável tende a resolver a situação por telefone ou interação presencial. Como já falamos aqui, em um texto sobre o papel do agente de viagens, o “toque humano” ainda é bastante valorizado.

Diante desse cenário fica posto o desafio dos aeroportos e companhias aéreas atenderem as expectativas dos seus clientes respeitando a pluralidade. Focar nos desejos em comum e trabalhar para oferecer uma diversidade de opções pode ser a melhor estratégia. Cada vez mais me convenço que as tecnologias estão avançando e tendem à melhorar a vida das pessoas, no entanto, nada substitui o contato humano. Não quero falar só com robôs.

Aviação: 2016 teve 3,8 bilhões de passagens aéreas, segundo IATA

O transporte aéreo de passageiros avançou, é o que diz a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), que reúne as 275 maiores companhias aéreas do mundo. A IATA revelou nesta segunda-feira (9) que, no ano de 2016, 3,8 bilhões de passagens foram vendidas no mundo inteiro.

A informação foi divulgada no relatório final do desempenho da aviação comercial no ano passado e representa um crescimento de 7% na quantidade de passageiros em relação a 2015.

O crescimento da aviação de passageiros foi mais expressivo no mercado da Ásia-Pacífico, onde o crescimento no tráfego foi de 11,3%, somando 1,3 bilhão de embarques e respondendo por 35% do transporte aéreo em 2016.

A Europa possui, de acordo com a IATA o segundo maior mercado, com 26% de participação.

América Latina

De acordo com o relatório divulgado, a América Latina não obteve um crescimento expressivo no ano de 2016, ficando com um aumento de 1,8% em relação ao ano anterior e representando 7% da aviação global. Entretanto, o mercado latino tem manifestado números positivos que conferem otimismo ao nosso mercado aéreo: no balanço da IATA do último mês de agosto, a América Latina obteve crescimento de 9,3% na demanda, sendo a região que mais cresceu no mês, em comparação a agosto do ano passado.

Brasil

O tráfego doméstico no Brasil subiu 5,5% no mês de agosto e seu crescimento caminha a passos mais vagarosos, devido ao momento econômico ainda instável, apesar de alguns sinais de recuperação. Já a capacidade do doméstico brasileiro subiu 3,6%, o que fez a taxa de ocupação média das aeronaves brasileiras chegarem a 80,3%, uma porcentagem considerável.

A gente segue acompanhando as novidades e desdobramentos do setor.

 

Uma breve reflexão sobre aviação e Turismo

Depois da aviação doméstica brasileira apresentar sinais de recuperação e mostrar alta de 5,9% no mês de março, após 20 meses de retração, segundo a ABEAR; a Iata informou que a demanda internacional de passageiros do mês de março também obteve crescimento, de 6,4%.

Além disso, em março, companhias da América Latina tiveram alta de 9,7% no tráfego, ainda segundo a Iata.

A região Nordeste tem sido ferramenta fundamental de expansão da malha aérea no país: de acordo com a Agencia Nacional de Aviação Civil (Anac), o número de vôos para o exterior operado por empresas brasileiras e que têm cidades nordestinas como origem cresceu sete vezes em dois anos.

Articular medidas que viabilizem, principalmente em questões econômicas, a operacionalidade de vôos -como a redução da alíquota de ICMS sobre o preço do combustível- é uma dos principais fatores de incentivo à expansão da malha aérea nacional.

A aviação, apesar de ter sua própria legislação, atuação estável e políticas próprias, não pode ser vista como uma peça distanciada do setor: ela está profundamente relacionada e interligada ao Turismo. E é de extrema importância que o alcance de práticas se estenda a todo o setor unificado, para que o Turismo se desenvolva plenamente.

Tráfego aéreo global aumenta, mas ritmo de crescimento é lento

No Brasil mercado doméstico está aquecido

Em comparação ao mês de julho de 2011 o tráfego aéreo global cresceu 3,4% em julho deste ano. Mesmo assim, em relação aos anos anteriores o ritmo de crescimento ainda é considerado lento pelos especialistas. Segundo os dados divulgados pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês), essa desaceleração é consequência das incertezas econômicas em vários mercados.

“As companhias aéreas estão reagindo a este momento com a redução da capacidade, que tem estabilizado as taxas de ocupação, que estão relativamente altas, e apoiado os resultados positivos”, apontou o estudo da IATA, que também citou o alto preço dos combustíveis como um fator prejudicial ao crescimento.

A IATA informou que a capacidade global cresceu 3,6% em julho, e que a taxa de ocupação teve uma média de 83,1%.  “Com exceção de África, Oriente Médio e o mercado doméstico chinês, os principais destinos viram a procura cair entre Junho e Julho. No geral, o índice de procura foi superior ao registrado no ano passado, mas a tendência de crescimento ainda está abaixo do esperado. O fato, junto com o aumento dos preços do combustível, pode fazer deste segundo semestre um período difícil para a indústria do transporte aéreo”, diz a análise da associação.

Já no Brasil o mercado doméstico de passageiros transportados por quilômetros pagos, em comparação com o mesmo período de 2011, cresceu 7,86% em julho de 2012, segundo informou a Agência Nacional de Aviação Civil, (Anac). A oferta aumentou 2,06% no mês, e no acumulado do ano (de janeiro a julho e 2012) a demanda e a oferta subiram: 7,39% e 7,47%, respectivamente. A taxa de ocupação dos voos domésticos foi de 79,45 em julho deste ano, o que representou um crescimento de 5,67% em relação aos 75,18% alcançados no mesmo mês do ano passado.