Internacional segue abalado

A aviação é extremamente importante para a economia e para o mercado de turismo no Brasil. A recente ‘descoberta’ de viagens de carro e outras formas de deslocamento terrestre são significativos para o setor. Nossa dependência dos voos é e deverá continuar a ser grande. Os voos domésticos em nosso país estão em cerca de 40% do que tínhamos antes da pandemia, e devem chegar a cerca de 65% em dezembro, conforme dados da ABEAR. Já o cenário internacional segue bastante adverso e extremamente difícil de recuperar.

Dados da Fowardkeys, empresa espanhola que avalia a demanda passada e futura de viagens com base em big data, mostram que o Brasil, entre janeiro e agosto de 2020 está no patamar de 67% do número de reservas aéreas em relação ao mesmo período de 2019. Mas se analisarmos as últimas semanas de agosto e as próximas semanas de setembro, ainda estamos estacionados em 90% das reservas em relação aos mesmos meses do ano passado.

Mundo segue quase parado

São diversos os fatores que a pandemia nos impõe quando buscamos entender a situação do movimento de passageiros, com destaque para as fronteiras fechadas. Com exceção da melhoria de voos entre os países da Europa, o tráfego internacional de passageiros ainda está com uma perda acima de 90% na comparação com 2019 (IATA). Aqui no Brasil, vemos aos poucos, lentamente, o retorno de algumas rotas, que ainda dependem da abertura de fronteiras entre nossos principais emissores como Argentina, Chile, Uruguai, Portugal, Alemanha, dentre outros.

Caminho muito longo pela frente

Em diversas conversas e estudos, me chama a atenção a grande batalha que será necessária para que os destinos brasileiros recuperem os voos que tinham, ou melhor, se esforcem muito para manter um mínimo de operações internacionais na busca de recuperação de seus visitantes estrangeiros. Como ainda não existem planejamentos fechados por parte das aéreas em relação à conexão com o Brasil, ficamos entre voos que voltam com poucas frequências para São Paulo e alguns outros poucos para determinados destinos; entre voos que foram cancelados e não voltam tão cedo ou nunca mais; e voos que podem voltar aos poucos à depender do recuo da pandemia, abertura e fronteiras e um ajuste entre governos sobre regras de viagens quando estas forem possíveis.

Cenário futuro desastroso

Nessa próxima etapa com a abertura de fronteiras, há ainda um longo caminho, estruturar protocolos que sejam os mais parecidos e claros possíveis entre os países de nosso continente, evitando bater cabeça sobre o que é e o que não é exigido de um estrangeiro que chega aqui e nos demais países. Além de cooperação e informação, o trabalho para que o Brasil seja reconhecido como uma opção nas viagens internacionais levará mais tempo do que a própria pandemia. Já entramos em 2020 em desvantagem no cenário global, com uma queda de 4,1% na chegada de estrangeiros em 2019, quando o mundo cresceu 3,4%, conforme detalhamos nesse post. O Brasil segue sem órgão de promoção internacional, sem recursos, sem estratégia, transformando o trabalho de imagem e de atração de turistas na situação mais adversa que já pude observar.

Por enquanto e por um bom tempo o doméstico segue sendo nossa fortaleza, conforme falamos aqui nesse post.

Primeiros sinais do internacional?

Photo by Josh Hild on Unsplash

A Pires Inteligência em Destinos e Eventos vem acompanhando semanalmente os dados de demanda internacional para o Brasil em parceria com a Fowardkeys, empresa espanhola de monitoramento de viagens aéreas passadas e futuras. São meses sem nenhum movimento aéreo internacional, e que acaba de ser alterado à partir da abertura de fronteiras do nosso país no último dia 29 de julho. O que observamos, segundo o especialista em análises de mercado da Fowardkeys Juan Gómez:

  • Novas reservas substituíram, em números, os cancelamentos na semana de 6 de julho pela primeira vez desde o início da crise
  • Para reservas futuras, em comparação com o mesmo período de 2019, houve diminuição média de -95% para -83% na semana de 27 de julho, quando houve o anúncio da reabertura das fronteiras
  • Há um grande número de reservas com bilhetes somente de entrada no Brasil, especialmente de destinos sulamericanos como no caso da Argentina. A maioria das novas reservas foram de última hora (viagens para as duas primeiras semanas de agosto)
  • Na primeira semana de agosto registramos cancelamentos de viagens para setembro e outubro, provavelmente de passageiros que tinham viagens marcadas, mas devido à pandemia ainda estar com alto índice de contágio tiveram que cancelar suas viagens

Resumindo:

  1. Embora os sinais de retorno do internacional tenham sido iniciados com o anúncio da abertura de fronteiras, ainda precisamos que o Brasil mude os índices de contágio da pandemia para que os mercados nos aceitem e comecem a pensar em nos visitar;
  2. As reservas que foram feitas recentemente são, em sua maioria, somente de uma perna, one way, o que indica serem pessoas que moram no Brasil ou que estavam no exterior aguardando a possibilidade de retorno e;
  3. Quanto mais o Brasil demorar para enfrentar a pandemia mais tempo vamos demorar na recuperação do internacional, o pode estar demorando mais do que as projeções iniciais haviam calculado.

Reservas passadas e futuras para o internacional

Photo by Isaac Smith on Unsplash

Temos todos acompanhado o retrocesso do mercado internacional de turismo para o Brasil, diante desse cenário, fica a pergunta: e então como preparar o futuro? Acredito que termos dados é a chave para combinarmos com nossa experiência, especialmente quando vemos cerca de 94% de nossas chegadas aéreas menores do que 2019 (junho 2020). Trago para você números que nos permitem aprofundar os movimentos de chegadas aéreas que tivemos entre janeiro e junho de 2020 em cada um dos mercados emissores para o Brasil, assim como olhar para as futuras reservas.

Chegadas aéreas passadas

Segundo dados da FowardKeys (empresa de big data que mapeia reservas aéreas passadas e futuras com fonte nos GDSs e empresas aéreas), exclusivos para a Pires Inteligência em Destinos e Eventos, o Brasil registrou entre janeiro e junho de 2020 uma diminuição de 58 % nas chegadas aéreas internacionais. Dados da Argentina, que respondeu por 29,3% do total, mostram que perdemos 59,4 % de viajantes; no segundo mercado emissor nesse período, o Chile, a diminuição foi de 53,1%; e o Uruguay registrou -55,2% de chegadas. Quando olhamos para a Europa as maiores quedas vieram da Espanha (-59,9%) e da Itália (-59,6%); e as “menores” vieram da França (-52,2%) e de Portugal (-52,1%). Vemos claramente como os países mais impactados pela pandemia fizeram menos viagens para o Brasil, será que essa tendência pode ocorrer para as futuras reservas?

RESERVAS FUTURAS

Falando nas reservas futuras de curto prazo, os dados da FowardKeys demonstram que entre 29 de junho até 9 de agosto de 2020 comparado ao mesmo período de 2019, temos uma diminuição de 90% de chegadas internacionais programadas para o Brasil. Muito interessante notar aqui, que mesmo sendo um volume muito baixo de passageiros, países como a Argentina, Chile e Uruguai têm mais de 92% de diminuição de reservas futuras, e alguns países europeus refletem de forma lenta uma pequena retomada inicial, com cerca de até 81%, 84% de diminuição em relação a 2019. Esse fator, nesse momento, indica um aumento do share de chegadas da Europa para o Brasil, principalmente da Alemanha, Reino Unido, Itália e Portugal.

Não obstante as restrições atuais para passageiros entre o Brasil e América do Sul, Europa e outros destinos; além das incertezas do futuro próximo, é importante planejar desde agora 2021. Ficar ausente na mente dos possíveis consumidores no cenário de alta competitividade internacional é a pior estratégia, já que para recuperar o mercado de turistas estrangeiros teremos outros desafios além da própria pandemia em si. A grande oferta mundial estará toda focada em conquistar pequena demanda existente.

Vamos ficar de olho e trazer para você informações sempre atualizadas, lembrando que a volta da confiança nas viagens, a vacina, as restrições entre fronteiras e o cenário econômico podem impactar tendências em qualquer sentido. Leia aqui o que falamos sobre confiança nas viagens como fator decisivo para a retomada.

Para saber mais sobre esse tema:

Qual cidade ganhou ou perdeu na oferta de voos internacionais?

Fortaleza é a cidade brasileira que mais cresceu em número de voos e assentos em voos internacionais no mês de março de 2019. A cidade que mais perdeu assentos foi João Pessoa. Desde minha época de EMBRATUR adoro avaliar a oferta de voos internacionais para o Brasil, estou feliz que esse trabalho continue a ser feito até hoje pelo Joaquim Neto da EMBRATUR. Parabéns! Hoje foi divulgada pela autarquia a variação da oferta de voos e assentos do mês de março de 2019 em relação a março de 2018. E alguns números nos chamam a atenção.

Fortaleza aparece disparada com a maior variação positiva de voos internacionais, cresceu 79,65% sua oferta e 69,1% sua oferta de assentos. Um número muito alto que mostra uma estratégia acertada do Ceará sob a liderança do Secretário Arialdo Pinho de fazer um novo portão de entrada no Brasil para distribuir passageiros por todo o território. A chegada do hub AL/KLM e da GOL ajudou nessa ampliação, assim como a vinda de muitos outros voos internacionais de diversas empresas. As cidades que mais aumentaram sua oferta de assentos também foram: Cabo Frio (31,115%); Brasília (24,99%) e Florianópolis (21,33%). Muitas cidades tiveram ganhos menores de assentos no período. O acumulado de janeiro a março desse ano está quase estável (+0,48%) em relação ao mesmo período de 2018, somando 3.739.279 assentos de e para o Brasil.

As cidades que mais perderam assentos internacionais em março de 2019 comparando com 2018 foram: João Pessoa (-63,8%); Porto Seguro (-50,5%) e Recife (-38,2%). Logo depois vem Navegantes com -37,94%; e Belo Horizonte caiu 31,56%. É claro que algumas cidades se destacam tanto no aumento e outras na retração, sobretudo aquelas que já tinham pouco voos como é o caso de João Pessoa e perdem pouco, mas muito na proporção.

Por que estou sempre de olho nessa oferta? Porque ela é um retrato do avanço ou recuo de um destino, região e do país nos resultados das chegadas e receitas internacionais por via aérea. Sempre olho a oferta de assentos, pois eles podem aumentar ou diminuir sem alteração da oferta de voos. Bem, esses dados nos levam ao recorrente tema de promoção internacional do Brasil, que pelos impactos gerados pelo turismo na economia merece mais atenção, mais investimentos, continuidade de relacionamento no mercado internacional. O que exploramos mais em detalhes nesse post aqui: Turismo cresce o dobro da economia.

Qual cidade ganhou ou perdeu na oferta de voos internacionais?

Fortaleza é a cidade brasileira que mais cresceu em número de voos e assentos em voos internacionais no mês de março de 2019. A cidade que mais perdeu assentos foi João Pessoa. Desde minha época de EMBRATUR adoro avaliar a oferta de voos internacionais para o Brasil, estou feliz que esse trabalho continue a ser feito até hoje pelo Joaquim Neto da EMBRATUR. Parabéns! Hoje foi divulgada pela autarquia a variação da oferta de voos e assentos do mês de março de 2019 em relação a março de 2018. E alguns números nos chamam a atenção.

Fortaleza aparece disparada com a maior variação positiva de voos internacionais, cresceu 79,65% sua oferta e 69,1% sua oferta de assentos. Um número muito alto que mostra uma estratégia acertada do Ceará sob a liderança do Secretário Arialdo Pinho de fazer um novo portão de entrada no Brasil para distribuir passageiros por todo o território. A chegada do hub AL/KLM e da GOL ajudou nessa ampliação, assim como a vinda de muitos outros voos internacionais de diversas empresas. As cidades que mais aumentaram sua oferta de assentos também foram: Cabo Frio (31,115%); Brasília (24,99%) e Florianópolis (21,33%). Muitas cidades tiveram ganhos menores de assentos no período. O acumulado de janeiro a março desse ano está quase estável (+0,48%) em relação ao mesmo período de 2018, somando 3.739.279 assentos de e para o Brasil.

As cidades que mais perderam assentos internacionais em março de 2019 comparando com 2018 foram: João Pessoa (-63,8%); Porto Seguro (-50,5%) e Recife (-38,2%). Logo depois vem Navegantes com -37,94%; e Belo Horizonte caiu 31,56%. É claro que algumas cidades se destacam tanto no aumento e outras na retração, sobretudo aquelas que já tinham pouco voos como é o caso de João Pessoa e perdem pouco, mas muito na proporção.

Por que estou sempre de olho nessa oferta? Porque ela é um retrato do avanço ou recuo de um destino, região e do país nos resultados das chegadas e receitas internacionais por via aérea. Sempre olho a oferta de assentos, pois eles podem aumentar ou diminuir sem alteração da oferta de voos. Bem, esses dados nos levam ao recorrente tema de promoção internacional do Brasil, que pelos impactos gerados pelo turismo na economia merece mais atenção, mais investimentos, continuidade de relacionamento no mercado internacional. O que exploramos mais em detalhes nesse post aqui: Turismo cresce o dobro da economia.