Vista aérea do Kudadoo Maldives, nas Maldivas

Os novos hotéis de luxo mais esperados para 2019

A International Luxury Travel Market (ILTM) North America cresceu, triplicou de tamanho em relação ao seu formato original e chegou aos 7 anos sem sinais de crise. Realizada no fim de setembro na Riviera Maya, esta foi a primeira edição da feira de viagens de luxo inteiramente voltada para o mercado de compradores da América do Norte, um dos mais consistentes do mundo. Propriedades independentes, pequenos grupos de hotelaria e grandes redes apresentaram muitas aberturas e projetos de hotéis de luxo para até 2021. Escolhi quatro de estilos bem diferentes, dois para o finalzinho deste ano e dois para a primeira metade de 2019.

Uma seleção de novos hotéis de luxo para ficar de olho

Kudadoo, Maldivas. Já estava acompanhando este hotel há algum tempo, pelo Instagram. O que primeiro me chamou a atenção foi seu alto comprometimento com sustentabilidade (melhor, o que primeiro me chamou a atenção foi a vista aérea que está no alto deste post). Não dá mais para chamar compromisso com meio ambiente de tendência, mas depois de ido a todas às ILTMs no México, com exceção da primeira, sem dúvida este foi o ano em que a maioria dos hotéis, pequenos e grandes, fez questão de falar claramente sobre sustentabilidade.

Villa com piscina do Kudadoo Maldives, nas Maldivas
Kudaddo, um dos novos e mais esperados hotéis de luxo. Todas as villas têm piscina privativa / Foto de divulgação

Além de painéis de captação de energia solar dispostos em forma de obra de arte no teto da única construção na ilha (entre outras medidas sustentáveis), o Kudadoo Maldives Private Island by Hurawalhí, seu nome completo, tem apenas 15 villas overwater, todas com piscina. Tudo está incluído: refeições, bebidas alcoólicas e atividades aquáticas. As diárias têm preços equivalentes aos do Brando, na Polinésia Francesa (leia aqui sobre hotéis de luxo em Bora Bora). Os hóspedes do Kudadoo podem aproveitar as facilidades do Hurawalhí, a cinco minutos de lancha, inclusive o famoso restaurante envidraçado debaixo d’água (cobrado à parte) deste resort vizinho. A abertura do Kudadoo está programada para 1º de dezembro deste ano. Kudadoo e Hurawalhí fazem parte do pequeno grupo local Crown & Champa, com dez hotéis nas Maldivas.

Fachada Hotel Omm, Barcelona
Fachada do Hotel Omm, no Passeig de Gracià, Barcelona: novo Sir Hotel / Foto de divulgação/Rafael Vargas

Hotel Omm, Barcelona. Outro pequeno grupo hoteleiro, EHPC, baseado em Amsterdã, comprou o Omm, um símbolo do Passeig de Graciá que foi também a casa barcelonesa dos irmãos Roca, do premiado restaurante El Celler de Can Roca, em Girona. O hotel reabrirá em 2019 repaginado, sob a nova administração e com um novo nome. O Europe Hotels Private Collection tem três marcas e 12 hotéis em seis cidades: Amsterdã, Barcelona, Berlim, Haia, Hamburgo e Ibiza.

As duas novidades são os hotéis na Espanha. Sir Joan abriu em Ibiza no verão europeu deste ano, e já foi descoberto pelos brasileiros. Mais ou menos na mesma época, o grupo comprou o Hotel Omm, instalado há 15 anos em um dos prédios mais conhecidos do Paseig de Graciá, no Centro de Barcelona, com vistas para construções de Gaudí como Casa Milà (La Pedrera) e Sagrada Família. Tudo será renovado: 91 quartos, terraço com piscina, spa, bar e restaurante. Um novo ciclo começa quando o hotel reabrir na primeira metade de 2019 sob a marca Sir Hotel. O nome ainda não foi anunciado. Nos próximos dois anos a EHPC pretende chegar também a Viena e Milão.

Belmond Cadogan Hotel London, Londres
Lobby do Belmond Cadogan Hotel, em um prédio histórico de Londres / Foto de divulgação

Belmond Cadogan, Londres. Para quem procura um cheiro de quarto novo na Europa entre os últimos dias de 2018 e os primeiros de 2019, Londres é o destino. Na Sloane Street, o Cadogan Hotel consumiu o equivalente a mais de US$ 48 milhões de dólares em obras, que a Belmond prefere classificar como de restauração, e não de renovação. O prédio de 54 quartos é de 1887, e já teve Oscar Wilde como um de seus residentes. O restaurante será comandado pelo chef Adam Handling, escocês baseado em Londres que busca o desperdício zero. Mais um ponto a favor.

Fachada Raffles Singapore, Singapura
Raffles, ícone de Singapura que reabre em 2019 / Foto de divulgação

Raffles, Singapura. A reabertura deste hotel que já era incrível está prevista para meados de 2019. O Raffles Singapore entrou obras ano passado, quando completou 130 anos. O Long Bar, ícone local e casa do clássico drinque Singapore Sling, já foi reaberto, com o famoso balcão restaurado. Entre as muitas novidades gastronômicas, o tradicional Bar & Billiard Room terá agora a assinatura do multiestrelado chef francês Alain Ducasse. Anne-Sophie Pic, outra chef francesa com três estrelas Michelin, estreia na Ásia com seu La Dame de Pic. Os dois chefs remetem à história do hotel, que foi o primeiro a levar a cozinha francesa à Singapura, no final do século XIX.

A cobertura da ILTM North America, na Riviera Maya, pode ser lida na edição impressa desta semana da Panrotas e também na versão digital no Portal Panrotas. O texto começa na página 20.

Leia mais sobre hotéis de luxo em Tulum .

Leia mais sobre hotéis de luxo em Cancún e na Riviera Maya.

Leia mais sobre outros hotéis de luxo em 2018.

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Rinocerontes em safári na África do Sul

Safári na África do Sul: Shamwari, uma alternativa ao Kruger

Safári é uma das mais emocionantes experiências de viagens. Fiz, repeti, fui outra vez e continuo querendo mais. Vejo um único problema em safári na África do Sul: o preço. Na minha viagem passada ao país conheci a Shamwari Game Reserve, na Costa Leste. Tem os cinco grandes (rinoceronte, leopardo, leão, elefante e búfalo) e lodges confortáveis. Os valores são menores que os das áreas do Kruger Park e do Greater Kruger, ainda que não muito. Pode ser aquela diferença que permite ficar um número maior de noites. O custo com as passagens aéreas internas também ajuda a melhorar a conta final, já que a localização da Shamwari é mais conveniente para roteiros que incluem a Cidade do Cabo e a Rota Jardim.

Lodge em reserva de safári na África do Sul
Founders Lodge: o quarto original de Adrian Gardiner na reserva para safári na África do Sul / Foto de Carla Lencastre

Safári na África do Sul: o adorável Founders Lodge

Fiquei hospedada no Founders Lodge by Mantis, do conservacionista sul-africano Adrian Gardiner, criador da Shamwari (em 1992) e fundador do grupo hoteleiro Mantis Collection. A uma hora de carro de Port Elizabeth, no Cabo Oriental, o lodge foi aberto há dois anos. Como o nome indica, era a casa de Gardiner. Ele vendeu a Shamwari, mas manteve o imóvel e o direito de fazer safáris na reserva. O Founders Lodge tem apenas seis quartos, todos com varanda e confortos modernos. Dois estão na casa original da década de 1940, com decoração clássica. Outros quatro estão em uma construção anexa recente e oferecem ambientes mais contemporâneos. A piscina ao livre encontra-se em meio a um bonito jardim. O ambiente low profile, o serviço atencioso e a sensação de exclusividade me conquistaram imediatamente.

Lodge em reserva de safári na África do Sul
A área ao ar livre do lodge ao lado da Shamwari Game Reserve / Foto de Carla Lencastre

As diárias incluem dois safáris por dia e três refeições (com bebidas alcoólicas nacionais), como é comum neste tipo de hospedagem. O lodge mantém o jeito de casa, com lareira, livros por toda a parte, mesa de sinuca, poltronas e sofás confortáveis, obras de arte, vasos de flores. No bar, conheci um bom gim artesanal da Cidade do Cabo, o Cape Town Rooibos Red Gin. Nas refeições, servidas em um bufê caprichado, destacaram-se o pão assado lá mesmo, carnes e frutos do mar grelhados na hora e na frente dos hóspedes, a variedade de queijos e frutas frescas. As louças são feitas especialmente para o lodge e decoradas com desenhos de animais selvagens. Nos quartos, há uma garrafa de cristal com vinho de sobremesa. Perfeito para o fim de noite.

O mais importante: os safáris foram ótimos. Os quartos têm uma extensa lista com toda a fauna e a flora da região, inclusive deixando claro quais são os animais raros na área, como hipopótamos. Participei de dois games, um à noite e outro na manhã seguinte. Montanhas ao fundo criam um panorama diferente dos safáris no Kruger e arredores. Em momento algum vimos mais do que um outro veículo com passageiros. Na maior parte do tempo, estávamos sozinhos. Dos Big Five, só não encontramos leopardos, mas eles estão por lá. (Neste acaso, acho que o problema sou eu. Em mais de uma década de idas à África do Sul, com amplo currículo de safáris em diferentes áreas do país, o leopardo nunca apareceu para mim.)

Rinocerontes em safári na África do Sul
Rinocerontes no safári de fim de tarde (os da imagem no alto foram vistos pela manhã) / Foto de Carla Lencastre

Os safáris do Founders Lodge não têm trackers. A ausência desta figura importante para uma expedição bem-sucedida é compensada por rangers da região. O que nos acompanhou era bem treinado, divertido e não hesitava em sair das trilhas em busca de guepardos, por exemplo. Sem abrir mão da segurança em momento algum, o que é fundamental neste tipo de atividade. À noite, durante o jantar, contou histórias curiosas sobre a reserva e os arredores.

Os veículos do safári são abertos e o ranger organiza paradas para o café da manhã e os sundowners em meio à expedição, como acontece nos safáris dos lodges mais conhecidos do Kruger e do Great Kruger. No game drive no fim da tarde, a mesa ao ar livre tem vinhos sul-africanos branco e tinto, gim britânico, água tônica, frutas e frutos secos, chips salgados.

Há uma diferença importante em comparação a outros lodges mais luxuosos e integrados à savana. O Founders é cercado e fica em uma área adjacente à Shamwari, onde são feitos os safáris. Ou seja, não há possibilidade de ter elefante bebendo água na piscina. Dentro da reserva, há outras sete opções de hospedagem para diferentes perfis. Confira as outras opções para safáris na África do Sul, na Shamwari, clicando aqui. Como na maioria dos lodges de safáris, na Shamwari não são permitidas crianças menores de 4 anos.

Leão em safári na África do Sul
Não resisto à legenda clichê: acho que vi um gatinho… / Foto de Carla Lencastre

Safári no continente africano é como bangalô sobre as águas de Bora Bora, na Polinésia Francesa: você não espera que seja menos do que perfeito. E isso tem um custo. Safári não tem como ser barato. A inspector Mari Campos explica bem o porquê neste post aqui (e recomenda também lodges incríveis na área do Kruger). Dá para economizar dirigindo seu próprio carro em um parque nacional. Fiz isso no Hluhluwe-iMfolozi e não indico. O motorista até era acostumado com a mão inglesa (o que seria um problema se eu estivesse dirigindo). Ainda assim achei estressantes tanto a sensação de insegurança (este elefante está entretido derrubando a árvore ou vai vir para cima do veículo?) quanto a falta de conforto da hospedagem econômica do parque. O Founders Lodge foi uma surpresa de como gastar um pouco menos mantendo o conforto e a emoção de estar em meio à vida selvagem proporcionada por um bom safári.

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O melhor bar de hotel do mundo 2

No início do mês contei aqui que o American Bar, do Savoy Hotel, em Londres, ganhou em julho o Spirited Awards de melhor bar do mundo pela Tales of the Cocktail, prestigiosa fundação americana sem fins lucrativos. O outro grande prêmio da noite, de melhor carta de drinques, ficou com o Dandelyan Bar, no Mondrian Hotel, também em Londres. O moderno Dandelyan está em segundo lugar no ranking World’s 50 Best Bars, no qual o centenário American Bar ocupa a primeira posição. Nos últimos anos, estes dois endereços, tão bons e tão diferentes, têm levado um bocado de prêmios quando o assunto é bar, de hotel ou não.

O belo balcão em mármore do premiado Dandelyan / Foto de Carla Lencastre

No post anterior, que você pode ler clicando aqui, escrevi um pouco sobre o American Bar e expliquei porque sou fã de bons bares de hotel. O American Bar e o Dandelyan estão no topo da minha lista de favoritos, justamente por serem tão diferentes. No Dandelyan o primeiro impacto já começa com a decoração assinada por Tom Dixon, designer tunisiano radicado em Londres. Dixon privilegia tons esverdeados e rosados, em um ambiente com glamour e conforto. A alegria continua com um cardápio que reúne drinques criativos divididos em capítulos ilustrados. Quando chegam as bebidas, aí não tem mais como dar errado.

O premiado mixologista Mr. Lyan / Foto de divulgação / Steven Joyce

O Dandelyan é criação do premiado mixologista Ryan Chetiyawardana. Conhecido como Mr. Lyan, ele estudou biologia e trabalhou como cozinheiro. Em 2013 trocou de vez as panelas pelas coqueteleiras e abriu o White Lyan, em Hoxton, no East London, que mais tarde se transformou no Super Lyan. O Dandelyan foi inaugurado junto com o Mondrian, em 2014. O bar fica no térreo do hotel, no Southbank, com uma parede envidraçada oferecendo vista para o Rio Tâmisa, a Catedral de São Paulo e o movimento de gente e de embarcações. Para quem viaja sozinho, é um ótimo lugar para passar o tempo vendo o tempo passar.

O tradicional chá da tarde inglês na versão Wyld Tea do Dandelyan / Foto de divulgação / Steven Joyce

Quem aprecia o ritual do chá da tarde quando em Londres, encontra no Dandelyan uma versão harmonizada com quatro drinques, o Wyld Tea. Na carta de gins, destaque para o exclusivo Beefeater London Garden Edition, encontrado somente na destilaria (ao sul de Londres) e no Dandelyan. Os drinques têm combinações inesperadas e sabores originais. O Chablis, meu preferido em uma tarde no Dandelyan, mistura London Garden e vinho branco. O cardápio de drinques muda uma vez por ano, sempre na primavera londrina. Agora está em cartaz The Modern Life of Plants. À tarde é relativamente fácil conseguir um lugar. À noite, chegue cedo ou reserve.

Os bons drinques de Mr. Lyan estão também em cada um dos quartos do Mondrian London / Foto de Carla Lencastre

O Mondrian London fica no Sea Containers, prédio de escritórios da década de 1970. Na margem sul do Tâmisa, o hotel está entre a Tate Modern e a London Eye. Tom Dixion assina não apenas o design do Dandelyan como o de todo o hotel (é seu primeiro trabalho na área de hotelaria) de 359 quartos. As áreas comuns são inspiradas nas viagens transatlânticas do início do século 20. Ao lado do bar fica o bom restaurante Sea Containers, com cozinha americana e britânica e vista para o rio. O hotel tem ainda um bar na cobertura, Rumpus Room, com mais vistas panorâmicas para o Tâmisa e as construções na margem norte.

O Mondrian London faz parte do Morgans Hotel Group, criado pelo hoteleiro americano Ian Schraeger, fundador do Studio 54, boate famosa em Nova York na década de 1970. Schraeger é considerado o criador do conceito de hotel boutique. Hoje é parceiro da Marriott International nos hotéis Edition. Já o Morgans foi comprado pelo SBE Group, que recentemente assinou uma parceria com a Accor Hotels. A rede francesa anunciou que vai adquirir 50% do grupo.

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O melhor bar de hotel do mundo

A fundação Tales of the Cocktail acaba de anunciar seus eleitos de 2018. A festejada organização americana sem fins lucrativos, que apoia, incentiva e premia bares, elegeu um bar de hotel como melhor do mundo. Não por acaso, são também bares de hotéis que ocupam os quatro primeiros lugares da edição atual da lista britânica The World’s 50 Best Bars. Os dois rankings têm endereços em comum, a começar pelo do campeão. O melhor do mundo em ambas as seleções é o American Bar, do Savoy Hotel, em Londres.

Os prêmios em lugar de destaque no bar do melhor bar do mundo / Foto de Carla Lencastre

Um dos primeiros hotéis de luxo de Londres, entre a movimentada Strand e o Rio Tâmisa, o Savoy passou por uma reforma de 220 milhões de libras. Reabriu em 2010 sem perder suas características originais. O ambiente elegante com poltronas forradas em couro escuro, luzes indiretas, fotografias em preto e branco e espelhos, e uma carta impecável com clássicos e inovações justificam o merecido sucesso do American Bar, no térreo do hotel. Foi ali que Harry Craddock, lendário bartender da casa, reuniu uma centena de receitas de drinques para o “Savoy cocktail book”, em 1930. Reeditado até hoje, o livro é um ícone da coquetelaria. No American Bar, drinques convive bem com a carta de vinhos, que ostenta o Pol Roger Cuvée Sir Winston Churchill, champanhe criado em homenagem ao primeiro-ministro britânico.

Negronis no American Bar, no Savoy / Foto de Carla Lencastre

O Spirited Awards, nome do prêmio da TOTC, foi entregue no fim de julho na festeira Nova Orleans. O American Bar recebeu também os prêmios de melhor equipe de bar fora dos Estados Unidos e de melhor bar de hotel fora dos EUA. E ainda foi finalista de melhor carta de drinques em todo o mundo. O primeiro lugar na categoria melhor menu ficou com o Dandelyan, outro bar de hotel. No térreo do moderno Mondrian London, com vista para o Tâmisa, o concorrido Dandelyan é o segundo melhor do mundo na lista do World’s 50 Best Bars (a relação é uma versão etílica do ranking mais famoso, The World’s 50 Best Restaurants).

Para mulheres viajando sozinha, bar de hotel é a quase certeza de poder tomar um drinque com o mesmo atendimento dedicado aos homens e sem ser importunada (programa testado e aprovado de Nova York a Tóquio, de Helsinki a Cidade do Cabo, incluindo cidades no Oriente Médio, como Dubai e Doha). Se a ideia for puxar papo, bar de hotel também é ótimo para isso. No Brasil, parte da hotelaria sabe que um bom bar atrai visitantes que estão em outros hotéis, e acabam conhecendo a sua propriedade. E, principalmente, conquistam moradores e ajudam a manter o movimento mesmo quando a taxa de ocupação está baixa.

Spencer Amereno Jr, head bartender do Frank Bar / Foto de Carla Lencastre

O campeão brasileiro nesta área é o ótimo Frank Bar, no lobby do Maksoud Plaza, em São Paulo, comandado por Spencer Amereno Jr. e equipe. Inaugurado há três anos, o Frank estreou em 2017 na 66º posição na lista dos World’s Best Bars (é o brasileiro mais bem colocado). Está também no recém-anunciado ranking dos dez melhores bares das Américas (fora dos EUA) do Tales of the Cocktail. O outro bar de hotel no Brasil que faz parte do top ten Américas do TOTC é o do Belmond Copacabana Palace, no Rio de Janeiro (leia aqui sobre um dos restaurantes do hotel carioca).

Dandelyan, o premiado bar do Mondrian London / Foto de Carla Lencastre

Como os Inspectors são fãs de bons drinques, este é um assunto ao qual voltaremos outras vezes. Inclusive para contar como é o maior concorrente do American Bar. O Dandelyan, no Mondrian London, é em tudo diferente do bar do Savoy. E ainda assim com as mesmas características que fazem um bom bar em hotel ou não: clássicos perfeitos, receitas originais, equipe afinada, atmosfera envolvente… Passe por aqui de vez em quando para conferir.

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Restaurante de hotel no Rio de Janeiro

Três novidades em restaurantes de hotéis no Rio de Janeiro

Com um céu azul profundo e baixa umidade relativa que fazem com que as silhuetas de prédios e montanhas pareçam traçadas a bico de pena, o Rio de Janeiro de inverno nos oferece sua versão mais gentil, calorosa sem ser calorenta. Se no verão o que você quer são bares e restaurantes climatizados, agora é hora de apreciar o Rio onde ele é mais Rio, na rua. Agora reserve tempo para conferir três boas novidades gastronômicas na categoria restaurante de hotel no Rio de Janeiro.

Restaurante de hotel no Rio de Janeiro
O Térèze, restaurante do Hotel Santa Teresa no Rio de Janeiro, tem um novo chef / Foto de Carla Lencastre

Restaurante de hotel no Rio de Janeiro: Santa Teresa, Emiliano e Copacabana Palace

O Térèze, no Hotel Santa Teresa Rio MGallery, tem no comando da cozinha o uruguaio Esteban Mateu, que trabalhou no premiado Pujol, na Cidade do México, e no D.O.M., em São Paulo. Seus sabores passeiam entre as cozinhas brasileira e latino-americana. As louças foram feitas especialmente para o restaurante por artistas dos muitos ateliês do bairro histórico de Santa Teresa. Os pães frescos e quentes do couvert, por exemplo, são servidos em um suporte inspirado nos trilhos do bonde que percorre o bairro. A manteiga acompanhada de flor de sal vem em uma pedra que lembra os paralelepípedos que calçam as ruas. O salão do Térèze tem mesas e cadeiras em madeira e é decorado com materiais de demolição e obras de arte. Amplas janelas dão vista para o Centro do Rio e a Baía de Guanabara.

Restaurante de hotel no Rio de Janeiro
Entrada do Emile, o restaurante do Emiliano Rio aberto ano passado / Foto de Carla Lencastre

Enquanto isso, Damien Montecer, ex-chef do Térèze, assumiu a cozinha do Emile, inaugurado há um ano no Hotel Emiliano Rio, na Praia de Copacabana. O restaurante não tem a vista do terraço (foto no alto do post), aberto somente para hóspedes, mas o design brasileiro moderno é sedutor. O Emile fica no térreo, instalado em um jardim de inverno com pé-direito alto e parede coberta por plantas tropicais. Há um bom e bonito bar no lobby decorado com móveis de designers brasileiros. O menu contemporâneo prioriza ingredientes frescos, principalmente peixes e frutos do mar.

Restaurante de hotel no Rio de Janeiro
Detalhe do novo Pérgula, um dos três restaurantes do Copacabana Palace / Foto de Carla Lencastre

Na outra ponta da praia, o Belmond Copacabana Palace remodelou inteiramente um dos seus três restaurantes no fim do ano passado para as comemorações de seus 95 anos. Cardápio, chef, décor, tudo mudou no Pérgula, ao lado da piscina mais famosa do Brasil. A primeira coisa que chama atenção é a decoração contemporânea e vibrante, com sofás estofados em amarelo e azul, e, ao fundo, um painel colorido com uma paisagem do Rio por Dominique Jardy. O teto espelhado reflete os pratos criados pelo chef Filipe Rizzato, como vieiras grelhadas com salada de feijões e polvo com batatas ao murro. Para encerrar, peça o imbatível chocolate em forma de cacau recheado com sorvete de cupuaçu.

Leia aqui sobre o novo Belmond Cadogan Hotel, em Londres.

Leia aqui sobre o Belmond Grand Hotel Europe, em São Petersburgo.

E o Rio de Janeiro continua lindo… / Foto de Carla Lencastre

E já é hora de voltar para a rua e aproveitar os bonitos e amenos dias do inverno carioca. Na edição desta semana da Panrotas tem estas dicas de restaurante de hotel no Rio de Janeiro e muitas outras além da hotelaria. O texto começa a página 16 da versão digital.

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Vista do H Hotel próximo ao aeroporto de Los Angeles

Hotel novo no aeroporto de Los Angeles

Hotel próximo ou dentro de aeroporto não costuma ter muita graça. É lugar para dormir antes de um voo que parte muito cedo ou para um day use durante uma conexão longa. Mas, como dissemos lá no nosso primeiro post do blog Hotel Inspectors no Portal Panrotas, não acreditamos em hotel só para dormir. Nem mesmo dentro de aeroporto.  Foi uma boa surpresa conhecer o novo H Hotel, da Curio Collection by Hilton, próximo ao  Aeroporto Internacional de Los Angeles.

Lobby do H Hotel, próximo ao aeroporto de Los Angeles
O lobby do H Hotel. Ao fundo, “Llywood”, desenho a lápis sobre papel de Susan Logorecci / Foto de Carla Lencastre

O H Hotel, próximo ao Aeroporto de Los Angeles

Inaugurado em outubro passado, o H Hotel oferece transfer gratuito 24 horas por dia (são apenas cinco minutos de distância do aeroporto), um bom chuveiro, cama confortável, janelas antirruído com vista para o LAX e Wi-Fi grátis. O que se espera hoje em dia de um bom hotel de aeroporto.

Quarto do H Hotel, próximo ao aeroporto de Los Angeles
Um dos quartos do hotel novo do LAX, inaugurado em outubro passado / Foto de Carla Lencastre

O H vai adiante e tem um lobby com design cheio de graça e obras de arte inspiradas em Los Angeles e no aeroporto; quartos amplos, elegantes e de pé direito alto; restaurante de cozinha californiana (Waypoint Kitchen+Bar, com café da manhã das 6h às 10h e jantar das 17h às 22h), piscina ao ar livre, academia de ginástica e divertidos robôs, chamados Hannah, que podem atender pedido simples, como entregar toalhas extras ou um snack.

Robô do H Hotel, próximo ao aeroporto de Los Angeles
Hannah, um dos robôs do H Hotel Los Angeles / Foto de Carla Lencastre

O H Hotel divide um prédio da década de 1960 (e o lobby, o restaurante e a piscina) com o Homewood Suites by Hilton, em uma propriedade dual-branded. Ainda que tenha 168 quartos e suítes, parece um hotel boutique que poderia estar na vizinha Venice Beach.

Lobby do H Hotel, próximo ao aeroporto de Los Angeles
O balcão de check-in, dividido com o Homewood Suites / Foto de Carla Lencastre

A Curio Collection é uma das mais interessantes bandeiras hoteleiras surgidas recentemente. Lançada em 2014, conta com mais de 50 hotéis upscale e de luxo em todo o mundo. São propriedades independentes, que têm em comum arte, design e gastronomia.

Lobby do H Hotel, próximo ao aeroporto de Los Angeles
Prédios de Los Angeles na obra “Facades of LA”, com fotos de Paul Brokering / Foto de Carla Lencastre

O aeroporto de Los Angeles tem um pró e um contra para longas conexões. O pró: está a 20 minutos de táxi ou Uber de Venice e a 30 minutos do Santa Monica Pier. Ou seja, dá para caminhar às margens do Oceano Pacífico entre um voo e outro. O contra: não tem lugar para guardar bagagem. O que torna mais importante um hotel com day use, como o H.

Píer de Santa Monica, em Los Angeles
O píer de Santa Monica, a apenas 30 minutos de carro do H Hotel / Foto de Carla Lencastre

Foi assim que eu o descobri, quando tive 9h30m de conexão antes de voar pela Air Tahiti Nui para Papeete, na Polinésia Francesa (tem uma análise sobre hotéis de luxo em Bora Bora clicando aqui).

Alguma dica de hotel de aeroporto? Deixe na caixa de comentários!

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Copa do Mundo: quatro hotéis de luxo em São Petersburgo

“Era uma noite prodigiosa, uma dessas noites que talvez só vejamos quando somos novos, querido leitor. Estava um céu tão fundo e tão claro que ao olhá-lo uma pessoa era forçosamente levada a perguntar se seria possível que debaixo de um céu daquele pudessem viver criaturas más e tenebrosas. Questão esta que, para dizer a verdade, só é costume levantar quando somos novos, mesmo muito novos, querido leitor.” Assim começa “Noites brancas” (em tradução de Nivaldo dos Santos para a Editora 34), romance de Fiódor Dostoiévski passado em São Petersburgo. A pergunta pueril talvez só se faça mesmo muito novo. Mas não há idade para se encantar com o céu das noites de verão (como o da foto acima) em uma das mais impressionantes cidades da Rússia.

Durante a Copa do Mundo, com um novo estádio para quase 70 mil pessoas, São Petersburgo sedia sete jogos, entre eles Brasil x Costa Rica no dia 22 e uma semifinal. A seleção brasileira se hospeda no Corinthia St. Petersburg, um dos principais hotéis da cidade.

A fachada principal do Corinthia, hotel que hospeda a seleção brasileira em São Petersburgo / Foto de divulgação

O Corinthia fica na Nevsky, a mais importante e movimentada avenida de São Petersburgo. Integrante do grupo hoteleiro de mesmo nome, baseado em Malta, é um hotel grande, com 388 quartos, que nos últimos meses deu uma repaginada nas acomodações. Foi uma das minhas opções de hospedagem quando estive na cidade, mas não foi a preferida. Lá no final eu explico o porquê. Por hora, voltemos às noites brancas.

O bar Hi So, ainda na fase W, e a Catedral sob o céu das 22h de uma noite de verão / Foto de Carla Lencastre

Um dos hotéis com melhor vista para noites que não anoitecem é o So Sofitel. Até o início do ano, era um W Hotel, parte do portfólio da Marriott Internacional. Em meados de fevereiro passou a ser administrado pela AccorHotels sob a a nova bandeira de lifestyle So Sofitel. O bar no terraço é dos melhores para aproveitar uma noite branca. Renovado e rebatizado de Hi So Terrace, reabriu no fim de maio (fecha quando terminar o verão) e fica ao lado da imensa cúpula dourada da imponente Catedral de Santo Isaac, erguida na primeira metade do século 19. Reserve uma mesa ao ar livre e aproveite a claridade. Só escurece lá pela meia-noite. Ou um pouco antes no início e no fim da estação. Ou um pouco depois no auge do verão.

Leões de mármore estão há quase dois séculos na entrada do Lion Palace / Foto de Carla Lencastre

Este foi meu primeiro programa quando desembarquei na cidade em uma noite branca. Quando afinal escureceu, foi só atravessar a rua para chegar aos dois leões em mármore de quase 200 anos que sobreviveram à Segunda Guerra Mundial, sempre no mesmo lugar. Hoje a dupla restaurada marca a entrada do Four Seasons Lion Palace, onde estava hospedada. Com 157 quartos, o hotel fica em um palácio do início do século 19 recuperado em toda a sua grandeza. Foi originalmente uma residência imperial e, depois, o Ministério da Guerra. Há cinco anos faz parte dos hotéis históricos da rede Four Seasons, como os de Florença, Milão, Budapeste e Istambul.

Quarto com vista para a Catedral no Four Seasons Lion Palace / Foto de Carla Lencastre

O quarto confortável tinha vista para a Catedral de Santo Isaac. O serviço foi impecável. As áreas comuns chamam a atenção pelo esplendor da Rússia imperial. Em um terraço estão grandes estátuas de figuras femininas também restauradas. Há um spa, dois restaurantes e um bar. É um hotel que vale a visita para quem não está hospedado. Fica perto do fabuloso Museu Hermitage.

Uma das estátuas representando figura feminina no restaurado Lion Palace / Foto de Carla Lencastre

Depois de duas noites brancas bem dormidas no Lion Palace, me mudei para o Corinthia, no final da Nevsky. A ideia era ter uma perspectiva diferente de São Petersburgo e conhecer um de seus hotéis de luxo mais famosos. Ao chegar, recebi um quarto no qual o ar-condicionado não funcionava. O serviço foi eficiente. Fui acomodada no bar do lobby, com champanhe, enquanto outro quarto era preparado. O que me coube era maior, refrigerado e com vista para uma obra que me fez madrugar nas duas manhãs seguintes.

Uma suíte parecida com a que fiquei, agora em cores novas / Foto de divulgação

A sobriedade da decoração também não me conquistou. O lobby, por exemplo, não lembrava em nada a elegância do moderno Corinthia London. O hotel passou por uma renovação para a Copa e para marcar seus 15 anos. Pelas fotos novas, os quartos parecem seguir uma paleta mais leve.

O bar em estilo art nouveau do Grand Hotel Europe / Foto de divulgação

Já localização do Corinthia na Nevsky cumpriu a sua função. Dali foi fácil visitar a pé os pontos turísticos que não tinha visto no início da viagem, como a bela Catedral do Sangue Derramado. Aproveitei também para tomar um drinque no bonito bar art nouveau no lobby do Belmond Grand Hotel Europe, uma joia histórica da cidade em excelente estado de conservação. Durante a Copa do Mundo, é o hotel que está hospedando a seleção da Arábia Saudita. Falamos mais dele no post que fizemos sobre os endereços de algumas equipes na Rússia. É só clicar neste link aqui.

O Four Seasons Lion Palace e o So Sofitel ficam a uns dez minutos de caminhada do início da Nevsky, na ponta oposta ao Corinthia. Na mesma região está também o Lotte, onde a inspector Mari Campos se hospedou recentemente. Teremos post em breve. Fique de olho.

Ao longo da Copa do Mundo, estamos mostrando detalhes dos hotéis que abrigam as seleções no Instagram @HotelInspectors, no facebook @HotelInspectorsBlog e, olha a novidade, no Twitter @InspectorsHotel. Vai ser uma beleza ter companhia nas redes sociais.

 

Copa do Mundo: a seleção no hotel mais luxuoso vai embora cedo

A Arábia Saudita estreou na Copa do Mundo 2018 levando uma goleada de 5×0 do time da casa no estádio Luzhniki, em Moscou. Hospedados em São Petersburgo, os sauditas esfriaram a cabeça em um dos melhores hotéis da cidade. Que é também a base mais luxuosa e bem localizada, do ponto de vista turístico, entre as escolhidas pelas 32 seleções da fase de grupos.

Um dos quartos do Belmond Grand Hotel Europe, base da seleção saudita / Foto de divulgação

O Belmond Grand Hotel Europe fica na esquina da Nevsky Prospekt, a principal avenida de São Petersburgo. Está perto de diversas atrações turísticas. Vários dos 266 quartos deste hotel histórico oferecem vista para a Catedral do Sangue Derramado, um dos muitos cartões-postais de uma das mais bonitas e importantes cidades russas.

Leia mais aqui sobre outros três hotéis de luxo em São Petersburgo.

O histórico Grand Hotel Europe em seus primeiros anos, na principal avenida de São Petersburgo / Foto de divulgação

Há 140 anos na avenida aberta por Pedro, o Grande, o glamouroso Grande Hotel Europe conquista já pelo lado de fora, por conta da sua arquitetura art nouveau. Dentro, nas áreas comuns, mármores e vitrais causam as melhores segundas impressões.

O Mezzanine Café pronto para transmitir todos os jogos da Copa do Mundo / Foto de divulgação

Um de seus restaurantes, L’Europe, é dos mais antigos da cidade e considerado um dos melhores do país. E o Grande Hotel Europe entrou no clima de #VaiTerCopa. Seu Mezzanine Café virou campo de futebol e terá transmissão ao vivo de todos os jogos. Nenhuma equipe escolheu endereço tão fascinante na Rússia quanto a da Arábia Saudita.

Uma das piscinas do resort Kamelia, que hospeda a seleção brasileira em Sochi / Foto de divulgação

O Brasil optou por um resort de praia no balneário de Sochi, no Sudoeste do país. A seleção está no Swissôtel Kamelia. O hotel de 203 quartos no Mar Negro combina design suíço com praia particular (com pedras em vez de areia), piscinas, spa, bares e restaurantes.

O Mar Negro visto do hotel que abriga a equipe polonesa / Foto de divulgação

A Polônia é vizinha do time brasileiro e hospeda-se no novo Hyatt Regency Sochi, também em frente ao mar. Mas sem praia privativa como o Kamelia.

O hotel na Baía de Gelendzhik, onde está a seleção sueca / Foto de divulgação

A Suécia é outro time às margens do Mar Negro, mais ao Norte, no Kempinski Grand Hotel Gelendzhik. O resort de luxo tem 379 quartos na entrada da Baía de Gelendzhik.

A seleção do Peru está ao lado do aeroporto internacional de Moscou / Foto de divulgação

Os arredores de Moscou foram a região escolhida pelos alemães para defender seu título mundial. Os atuais campeões estão no bucólico Vatutinki Hotel, às margens do Rio Desna. Na mesma região, a Tunísia fica no Imperial Park Hotel and Spa. A França se hospedada no novo Hilton Garden Inn New Riga, também nos arredores da capital russa. Les Bleus estão cercados de verde fora do Centro da cidade. A seleção do Peru é outra distante do Centro de Moscou. Os peruanos optaram pela vizinhança do aeroporto internacional, no caso o novo Sheraton Sheremetyevo.

Outras quatro equipes, Inglaterra, Coreia do Sul, Costa Rica e Croácia, ficam em São Petersburgo e arredores, porém em endereços menos interessantes para o visitante a lazer do que o Grand Hotel Europe que abriga os sauditas. A Costa Rica, por exemplo, adversária do Brasil no dia 22, está no Hilton ExpoForum, inaugurado ano passado ao lado do Centro de Convenções, fora do Centro. A Croácia escolheu um resort de praia (na realidade, de lago) cerca de uma hora de São Petersburgo, o Woodland Rhapsody. Há quem prefira as montanhas. O Senegal foi para um dos resorts de ski mais premiados do país, o SK Royal Hotel Kaluga. A Colômbia está no Ski Resort Kazan.

Moscow Country Club, base da Bélgica nos arredores da capital russa / Foto de divulgação

Não há consenso sobre qual é a melhor base para o sucesso na Copa. Clubes, hotéis históricos em grandes cidades, resorts de montanha cercados por florestas onde a paisagem é a única distração, resorts de praias… Um terço das equipes optou por ficar em centros de treinamento ou em clubes, onde há mais privacidade. E menos pretexto para comentarmos aqui.

A bandeira da Bélgica na entrada do clube de golfe de Moscou / Foto de divulgação

É o caso da dona da casa, a Rússia, de Portugal, do Irã, do México e da Bélgica, por exemplo. Estas cinco seleções estão baseadas nos arredores de Moscou em centros de treinamento ou clubes, como o elegante Moscow Country Club, que tem um hotel. O country club, que hospeda a Bélgica, é de golfe. É o primeiro campo de 18 buracos do país, aberto no início da década de 1990. Este ano foi também o escolhido pela organização do concurso Miss Rússia.

Durante a Copa do Mundo, vamos mostrar outros detalhes dos hotéis que abrigam as seleções no Instagram @HotelInspectors e no facebook @HotelInspectorsBlog. Vai ser show de bola ter a companhia de vocês também nas redes sociais!

Alta costura e hotelaria de luxo se encontram na Riviera Maya

Grifes de moda já viraram hotel há algum tempo. Armani e Versace são apenas dois bons exemplos de alta costura aplicada à hotelaria de luxo. Com o delicioso Esencia, escondido em uma pequena baía na Riviera Maya, aconteceu o contrário. O hotel boutique mexicano acaba de virar roupa grifada à venda em lojas de departamentos nos Estados Unidos.

Praia de Xpu-Ha, na baía que abriga o Hotel Esencia e seus hóspedes famosos / Foto de Carla Lencastre

Encravado entre Playa del Carmen, balneário movimentado, e Tulum, praia com ruínas maias, o Esencia há uma década espalha suas espreguiçadeiras pela areia banhada pelo Mar do Caribe. Em 2014 foi comprado pelo dono atual, o empresário e colecionador de arte Kevin Wendle, que passou um ano e meio renovando o hotel. Desde então, Wendle coleciona também hóspedes famosos (principalmente artistas de Hollywood) e prêmios de revistas e sites especializados. Logo depois de concluída a reforma, o estilista Jason Wu costurou a sua parte para o Esencia entrar no radar de quem procura luxo fora da trilha mais batida.

Nascido em Taipé, criado em Vancouver e baseado em Nova York, Wu já era estilista famoso quando se tornou um favorito de Michelle Obama. Ficou ainda mais conhecido. Apaixonado pelo Esencia, escolheu o lugar para celebrar a união com Gustavo Rangel, parceiro de longa data. Com celebridades na lista de convidados e muitas fotos no Instagram, o hotel se destacou no mapa.

Mas o Esencia não foi apenas cenário de casamento para o estilista. Ele lançou agora uma coleção cápsula de roupas de primavera-verão com estampas e desenhos inspirados no lugar. São apenas 11 peças em algodão e seda, como vestidos, saias e camisas. A coleção Jason Wu x Hotel Esencia está à venda em lojas de departamento nos Estados Unidos como Saks Fifth Avenue, Nordstrom e Bergdorf Goodman e na boutique do hotel. O Instagram vai ajudando a espalhar a novidade, com fotos de atrizes e modelos vestindo as novas peças.

Um dos 40 quartos do Esencia: branco é sempre o tom predominante / Foto de Carla Lencastre

Quando o dia não é de festa, celebridades vão a este hotel low profile em busca da paz e da privacidade que só uma praia deserta como Xpu-Ha pode oferecer. Do conforto de passar alguns dias na casa rústica e chique construída por uma duquesa italiana e decorada com obras de arte. Da delícia de ter o melhor da cozinha mexicana a alguns passos da rede na varanda. Do azul-turquesa hipnotizante das águas do Caribe. E de inspiração.

Inspira, respira: vista para a floresta de um dos quartos do Esencia / Foto de Carla Lencastre

No final do ano passado, o Esencia chegou a 40 quartos e suítes. Não há dois iguais. Em comum, todos têm o branco como cor predominante e muitas janelas que emolduram os azuis do mar e os verdes da luxuriante selva da Península de Yucatán. Alguns oferecem varandas e chuveiros ao ar livre, outros dispõem de banheiras com vista para o Caribe e os jardins. Sempre com uma trilha sonora personalizada. As músicas do hotel foram escolhidas pelo DJ francês Michel Gaubert, especialista em trilhas para desfiles de moda de maisons de alta-costura como Chanel e Dior.

O verde invade também os banheiros / Foto de Carla Lencastre

Além de novas suítes, o Esencia inaugurou seu terceiro restaurante, Mistura. Instalado em uma palapa (construção com teto de palha) na praia, é comandado pelo chef grego Dimitris Katrivesis, que faz um mix de cozinha peruana e asiática com toques mexicanos. Em determinados meses do ano, o jantar pode até ser servido na areia. Mas não durante a alta temporada, no inverno, porque tartarugas marinhas fazem ninhos em Xpu-Ha.

Mistura, o mais novo restaurante do Esencia, de frente para o Caribe / Foto de divulgação

O adorável Esencia fica a apenas uma hora de carro ao sul do aeroporto de Cancún e a um mundo de distância dos resorts all-inclusive da cidade. Não se deixe enganar pelas fotos do casamento de Jason Wu publicadas no Instagram com a hashtag #RangelWu. Rapazes sem camisa servindo shots de tequilla e modelos em vestidos de festa dentro das duas piscinas de frente para o mar estavam no Esencia apenas para a celebração. Até podem voltar, se você organizar uma fiesta por lá. Caso não, o dia a dia do lugar é dos mais tranquilos.

Para alguma agitação, a 20 minutos de carro ao norte fica Playa del Carmen, com barracas de praia sofisticadas, bons e movimentados restaurantes e animadas casas noturnas. Do século XIII, as belas ruínas de Tulum estão ao sul, à beira-mar, a 30 minutos de carro. Mas lembre-se que de agora em diante o calor só aumenta, assim como a chuva. O risco de furacões na Riveira Maya é maior nos meses de setembro e outubro. Depois recomeça a alta temporada.

E como a região tem uma infraestrutura hoteleira impecável para todos os meses do ano, em breve vamos falar aqui sobre outros hotéis da Riviera Maya.

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Você já dormiu com fantasma em hotel?

Eu já. Teoricamente, com três fantasmas. Recentemente, em uma fria noite de fim de inverno, me hospedei no Macdonald Bear Hotel, em Woodstock, interior da Inglaterra. A propriedade é considerada uma das mais assombradas do Reino Unido. E olha que de assombração os britânicos entendem. Estava indiferente à experiência. Alguns companheiros de viagem também não ligaram. Outros se divertiram. E alguns ficaram muito incomodados. Uma noite em um hotel assombrado pode ser interessante como um parque temático, uma faixa bônus para um viajante. Para outro, é um pesadelo extremamente desconfortável.

O caminho para o sótão do Bear Hotel / Foto de Carla Lencastre

Na minha experiência, o mais incômodo foi ter que subir a escada que levava ao sótão carregando uma mala média. Meu quarto ficava isolado ali, com um teto de pé-direito de menos de dois metros de altura, vigas de carvalho sustentando o telhado e apenas duas minúsculas janelas com vista para a rua. Claustrofóbico, ainda que espaçoso e aparentemente sem fantasmas. Mais tarde, quando encontrei os companheiros de viagem, me dei conta que assombração aparece para cada um de um jeito. Parte do grupo achava graça da fama do hotel, inclusive quem estava em quarto com vista para o cemitério da igreja ao lado. Outros pareciam visivelmente perturbados com a perspectiva de passar a noite no Bear.

Vista de um dos quartos do hotel em Woodstock

Diversos websites listam hotéis assombrados mundo afora. No “English Country Inns”, por exemplo, é possível procurar hospedagem usando filtros como “hotéis românticos”, “gourmet”, “com piscina” ou “assombrados”. É com você. O Bear é uma das opções. Um dos dois fantasmas do hotel moraria no quarto 16.

Já o “Haunted Rooms UK” deixa claro a que se destina logo no nome e apresenta o Bear como “um dos hotéis mais assombrados do Reino Unido”. Os fantasmas residentes seriam de Elizabeth e Christopher Dowing, uma jovem mãe e seu filho de 8 anos, mortos em meados do século XVIII.

A fachada do hotel assombrado no interior da Inglaterra / Foto de Carla Lencastre

Em seu website, o hotel não faz menção a assombrações (só avisa que Elizabeth Taylor e Richard Burton estiveram lá). O local ajuda a manter a fama. O Bear é um dos hotéis mais antigos da Inglaterra e está instalado em prédio histórico que funciona como pouso de viajantes desde o século XIII. Nos séculos seguintes vieram expansões e renovações. Hoje são 54 quartos com confortos modernos. Pelas paredes (algumas em pedras aparentes) dos labirínticos corredores, há objetos, móveis e retratos antigos, estes daquele tipo que parecem seguir o visitante com o olhar.

O quarto no sotão…
…e o quartinho / Fotos de Carla Lencastre

O sótão onde dormi tinha aquecimento funcionando perfeitamente, roupa de cama e roupões de qualidade, máquina de café expresso, banheiro reformado (ainda que não novíssimo), amenities da grife britânica Elemis. Um pequeno hall de entrada dava acesso a um amplo quarto com uma cama de casal, escrivaninha e área de estar e a um minúsculo quarto com apenas uma fresta no alto de uma das paredes e uma cama pequena. Roupões infantis estavam pendurados atrás da porta. Fechei a porta do cubículo sem janela assim que cheguei e não abri mais.

Parte da cena noturna / Foto de Carla Lencastre

O episódio mais estranho da minha experiência de caça-fantasmas aconteceu depois do jantar (a propósito, o hotel tem um ótimo e movimentado restaurante de cozinha britânica moderna servida em um ambiente tradicional). Quando voltei para o quarto, a cama estava preparada para a noite, com dois pequenos chocolates, um em cada travesseiro, e uma Bíblia aberta no meio. Fechei o livro, tirei uma foto, guardei o exemplar em uma gaveta e, como não estava dividindo o quarto com ninguém, comi os dois chocolates logo de uma vez para não dar ideia para fantasma. Só me arrependo de não ter olhado antes em que página a Bíblia estava aberta. Dormi. No dia seguinte, a situação do grupo se repetiu: alguns tinham uma história divertida para contar, outros não tinham dormido nada. Fui visitar o cemitério vizinho. À luz da manhã parecia menos fantasmagórico do que nas fotos que tinha visto no dia anterior.

O cemitério na igreja ao lado do Bear Hotel à luz do dia / Foto de Carla Lencastre

A principal razão para alguém parar em Woodstock é o Blenheim Palace. O palácio pertence à 12ª geração dos duques de Malborough. Mas não é por isso que recebe visitantes, e sim porque Winston Churchill nasceu ali. O mais famoso primeiro-ministro britânico passou parte da infância e da juventude em Blenheim. Vale ir de Londres (a umas duas horas de distância) até lá nem que seja apenas para passear pelos imensos jardins, com direito até a lago com ponte. Woodstock fica perto de Oxford e é uma cidadezinha de praticamente uma rua, com cafés, restaurantes, pubs e galerias de arte. Há outros (poucos) hotéis no vilarejo, para quem preferir descartar o Bear e suas assombrações. Só não há garantia de que fantasmas não saiam para passear.

Blenheim Palace, em Woodstock, onde Winston Churchill nasceu / Foto de Carla Lencastre

Os fantasmas se divertem 2

A silhueta do Ballygally Castle ao entardecer / Foto de Carla Lencastre

Como hotel assombrado é o que não falta no Reino Unido, o Bear foi o segundo que conheci. Já tinha experimentado dormir com um fantasma na Irlanda do Norte, no Ballygally Castle, perto de algumas das locações da série da HBO “Game of Thrones” e da Causeway Coast. Neste hotel, com 54 quartos e hoje parte do Hastings Group, fiquei em uma ala mais nova. Não percebi assombrações. No dia seguinte, companheiros de viagem que ficaram na parte antiga relataram que não conseguiram dormir por causa “do barulho de móveis sendo arrastados”.

O hotel assombrado no litoral da Irlanda do Norte / Foto de Carla Lencastre

Em Ballygally, segundo o site “Haunted Rooms UK”, o fantasma residente é o de Lady Isobella Shaw, que assombra o castelo do início do século XVII há 400 anos. Ou seja, desde quase sempre.

Na categoria cenário, o Ballygally impressiona menos que o Bear. Talvez porque esteja em um hotel sem muita personalidade, de frente para as águas calmas da Baía de Ballygally e com vista para a Escócia, Isobella parece confinada à parte original do castelo.

 

Amanhecer em Ballygally Bay / Foto de Carla Lencastre

Fantasmas britânicos não moram apenas em pequenos hotéis de vilarejos como Woodstock ou Ballygally. Dois hotelões de luxo em Londres aparecem em quase todas as listas de lugares assombrados no Reino Unido. O mais citado é o Langham, que teria nada menos que cinco fantasmas residentes. O Savoy costuma ser o segundo colocado. Março passado, o jornal londrino “The Telegraph” relacionou alguns hotéis com assombrações. Os dois ícones londrinos, instalados em construções de meados do século XIX, estão no topo da lista. Boo!

Fantasma em hotel é diversão ou aborrecimento? A caixa de comentários é sua.

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