Caiman Pantanal

Review: Casa Caiman, Pantanal

Acordar cedinho, sair com o dia ainda escuro, e passar a manhã procurando onças e outras espécies pantaneiras, entre paisagens exuberantes. Isso é parte da rotina diária de quem se hospeda na Casa Caiman, a propriedade que deu origem ao complexo da Caiman Pantanal, hoje um exemplo internacional de turismo sustentável.

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Localizada no município matogrossense de Miranda (a 237 km a oeste de Campo Grande) e fundada por Roberto Klabin em idos de 1985, a fazenda Caiman abrange hoje 52.400 hectares, incluindo áreas de pastagem, uma reserva legal de 10.621 hectares, uma RPPN e o IMARK (Instituto Maria Angela e Roberto Klabin, criado em 2024).

Caiman Pantanal
foto: Mari Campos

É em meio a tudo isso, e servindo de base também para projetos ambientais primorosos como o Onçafari (que completa 15 anos neste mês de agosto), que a Caiman Pantanal (membro da BLTA e Xodós do Brasil) trabalha pela conservação ambiental e cultural através do turismo.

A propriedade acaba de inaugurar sua primeira unidade voltada ao turismo de luxo, a Villa Cordilheira, uma elegante villa totalmente suspensa sobre palafitas, com sete suítes e muito conforto, que deve ser reservada por inteiro – e oferece todos os serviços feitos de forma privativa.

Tem ainda a Villa Baiazinha, que também deve ser reservada por inteiro, mas passa a maior parte do ano “bookada” por operadores internacionais de turismo ecológico e observação de vida selvagem.

Mas é justamente na Casa Caiman – que já foi um dia casa do próprio Klabin – que a maioria dos hóspedes, sejam brasileiros ou estrangeiros, conhecem o jeito Caiman de receber, bem no coração do Pantanal. Foi ali, no complexo com hoje 18 acomodações espalhadas em duas sedes localizadas em meio a muito verde, que a propriedade começou o exercício de sua vocação para a hospitalidade.

Em comum, todos esses três modelos de hospedagem turística incluem nas diárias pensão completa e safáris compartilhados – além da possibilidade de também fazer outras atividades na região, como canoagem, caminhadas, focagem noturna e cavalgadas, algumas delas mediante pagamento de taxa extra.

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Caiman Pantanal
foto: Mari Campos

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Como é se hospedar na Casa Caiman

No total, são 18 acomodações espalhadas pelos dois sobrados que compõem a Casa Caiman. Entre elas, há uma grande piscina com espreguiçadeiras, além de redes, academia, sauna, lounges internos e externos, livings, restaurante, bar.

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As acomodações da Casa Caiman estão divididas em três categorias, mas todas com bastante espaço, ar-condicionado e banheiro privativo. A Suíte Master é a maior de todas elas e conta também com espaçoso living, walk-in closet e um belo terraço privativo. Senti falta apenas de mais amenidades de higiene (há apenas sabonete, hidratante, shampoo e condicionador) e de outras amenidades em geral, como chinelinhos de quarto.

A hospedagem na Casa Caiman inclui sempre pensão completa, com todas as refeições servidas invariavelmente em sistema buffet – mesmo quando feitas fora da casa. Aliás, mesmo na nova villa Cordilheira, mais luxuosa e com mais inclusões nas diárias, as refeições também são todas sempre buffet. Água e suco durante a refeição estão incluídos, assim como café e chá.

Há também um pequeno serviço de café da tarde antes das atividades vespertinas, e as duas casas têm também um lounge onde há permanentemente café espresso, água e chá para os hóspedes se servirem livremente, como cortesia.

Não há recepção 24h – mas um membro do staff fica de plantão durante a noite e pode ser acionado por telefone ou whatsapp (seja para emergências ou simplesmente para retirar da acomodação alguma pererequinha ou inseto maior que esteja incomodando).

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Geralmente, são oferecidos na Casa Caiman, como parte das inclusões, dois safáris diários, sempre guiados por uma dupla de guias (os meus, Renato e Tiago, foram excelentes) que conhecem a região como a palma de suas mãos, com pelo menos um deles falando também inglês.

Prepare-se para ver uma profusão de aves das mais variadas espécies e tamanhos, muitos répteis, grandes insetos e também grandes mamíferos como capivaras, os belíssimos cervos-do-pantanal, as furtivas antas, tamanduás e, claro, com sorte, onças pintadas (consegui ver 9 indivíduos, entre adultos e filhotes, ao longo dos meus dias por ali).

Alguns dos safáris podem ser eventualmente substituídos, a pedido dos hóspedes e dependendo da época do ano e das condições climáticas, por outras atividades, como safáris à pé ou canoagem.

As estadias também incluem a possibilidade de participar, dependendo dos dias da semana, do Café da Manhã Pantaneiro, do jantar sob as estrelas e de uma noite do churrasco, todas realizadas fora da Casa. E ainda um sundowner durante um dos safáris vespertinos.

Programas exclusivos de rastreamento de onças-pintadas com o time do Onçafari, passeios com a equipe do AraraAzul ou passeios a cavalo pelo Pantanal, por exemplo, também podem ser reservados – mas têm custo adicional.

As estadias costumam ter períodos mínimos pré-determinados de 3 ou 4 noites, especialmente na alta temporada
(junho a setembro), com os hóspedes chegando às quintas-feiras ou domingos.

Importante: leve repelente contra insetos, em qualquer época do ano – você definitivamente vai precisar.

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Caiman Pantanal
foto: Mari Campos

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O que vale saber antes de viajar

A Caiman chegou a ter 82% de sua área queimada por incêndios florestais num passado bem recente. Por isso mesmo, hoje trabalha pesado com prevenção a incêndios, incluindo a criação e treinamentos contínuos de suas próprias brigadas de combate ao fogo, monitoramento constante do território via satélites e criação de uma extensa rede de poços.

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É também a primeira propriedade do Brasil a fazer queima prescrita, criou refúgios de fauna e dispersou bombas de sementes para garantir o plantio/replantio de diversas mudas de arvores nativas. Algumas marcas dos incêndios ainda são visíveis, já que a terra pode levar muitos anos para se recuperar; mas a maior parte da Caiman Pantanal estava lindamente verdejante em meados deste ano.

A propriedade é também parte da The Long Run e conta com certificação LIFE de Negócios e Biodiversidade. Ao longo do ano, trabalhar ativamente também com comunidades indígenas e ribeirinhas da região, inclusive auxiliando nos cuidados locais com saúde, educação e lazer – além de suas muito bem sucedidas parcerias in loco com Onçafari (que ajuda imensamente na prática turística cotidiana da propriedade, rastreando onças pintadas), Instituto Arara Azul, Projeto Papagaio Verdadeiro, Tapirapé, Instituto Tamanduá e Sauá. 

Mas o turismo de conservação não é a única atividade da Caiman Pantanal, que trabalha paralelamente com criação tradicional de gado – mostrando que no Brasil é possível, sim, que esse tipo de atividade coexista em harmonia com a preservação e o aumento da população de onças pintadas na região.

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Para chegar:

É possível chegar à Caiman pelo aeroporto de Bonito (MS), distante cerca de 2h30 de estrada, ou Campo Grande, a cerca de 4h de carro. Também é possível pousar diretamente na propriedade com aeronaves turboélice privadas.

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Private Expedition Latitudes Ártico

Private Expedition Latitudes: hospitalidade à toda prova

Em julho último, tive a oportunidade de participar pela primeira vez de uma das expedições privativas da Latitudes – Viagens de Conhecimento, empresa que conheço e acompanho há muitos anos. E agora posso afirmar categoricamente: as Private Expeditions Latitudes são mesmo um dos exemplos mais sofisticados e bem executados da hospitalidade brasileira.

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Embarquei na Private Cruise Expedition Latitudes Ártico 2026, destinada a explorar majoritariamente a ilha norueguesa de Svalbard, atualmente o grande “filé” da visitação turística região polar norte.

Começamos e terminamos nosso itinerário em Oslo, tomamos voo privado a Longyearbyen (capital de Svalbard e o aeroporto mais setentrional do mundo), de onde partimos em um navio (o Sylvia Earle, da Aurora Expeditions) totalmente privatizado para o nosso exclusivo grupo de 89 viajantes – e cheio de upgrades.

Private Expedition Latitudes Ártico
foto: Mari Campos

As expedições privativas nunca fizeram tanto sucesso quanto hoje no mundo. Cada vez mais viagens estão dispostos a investir altas somas para embarcar em itinerários exclusivos, descomplicados, milimetricamente planejados, e com inclusões suficientes para minimizar atritos e garantir experiências inesquecíveis.

Porque, afinal, o que distingue as melhores operações não é mais simplesmente a possibilidade de abrir portas fechadas, mas a capacidade de oferecer realmente contexto para aquilo que existe atrás delas. E é nesse cenário que as Private Expeditions Latitudes ocupam uma posição particularmente interessante no mercado brasileiro.

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Private Expedition Latitudes Ártico
foto: Mari Campos

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O sucesso da Expedição Privativa pelo Ártico

O slogan da Latitudes – “viagens de conhecimento”- até poderia soar marketeiro se não fosse algo que orientasse, de fato, toda a estrutura das viagens que realizam. Sejam as expedições privadas, os grupos regulares ou mesmo as viagens privativas que organizam durante o ano todo, o que eles fazem majoritariamente é, ao invés de construir roteiros cujo objetivo seja unicamente visitar e “consumir” lugares, partem de temas e questionamentos.

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Cada roteiro, ali, nasce em torno de um fio condutor, e não apenas de um ponto no mapa, deixando claro que o destino é apenas uma das muitas camadas da viagem. Como, por exemplo, “a natureza do tempo”, tema que norteou toda nossa viagem pelo Ártico.

Fomos acompanhados, todo o tempo, por uma enorme equipe Latitudes a bordo, um grande time especializado em expedições pelo ártico e também especialistas de distintas áreas, como a bióloga Ema Kuhn, a pensadora Monja Cohen, a psicanalista Danit Pondé e o filósofo Luiz Felipe Pondé.

E, além de passear por Oslo e Longyearbyen, fizemos um espetacular cruzeiro entre placas de gelo, magníficos paredões de gelo, imensos glaciares, cachoeiras, ursos polares, focas, baleias, raposas, belugas, renas e uma infinidade de pássaros.

Voltei para casa ainda mais encantada, pela empresa e pelo destino. Jamais esquecerei o vento cortante no rosto nas muitas horas voluntariamente passadas no deck externo, o urso polar preguiçosamente se espreguiçando e roçando as costas na tundra, o som do navio rompendo o mar congelado, ou do meu próprio caminhar sobre uma enorme placa de gelo, justamente em um dos poucos momentos ensolarados que tivemos por lá.

Mas a viagem começou muito antes disso, é claro. Recebemos em nossas casas lindos kits pré-viagem (incluindo de mochilas herméticas a nécessaires, de livros a objetos de higiene) e também fomos presenteados com gorro e jaqueta polar ao embarcarmos no navio.

Private Expedition Latitudes Ártico
foto: Mari Campos

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Hotéis, navio, transfers, guias, tudo foi escolhido a dedo pela Latitudes após diversas visitas técnicas e reuniões. Os menus do cruzeiro foram todos ajustados às preferências e necessidades dos hóspedes, assim como a lista de bebidas disponíveis no bar aberto.

Horários e duração de passeios foram ajustados e também paramos tudo para ver o Brasil jogar (mal) contra a Noruega na Copa, acompanhados por noruegueses divertidíssimos da tripulação e muita pipoca, pão de queijo e brigadeiros, com insumos levados do Brasil pela equipe, e preparados especialmente para a ocasião .

A participação dos especialistas no roteiro teve um formato bem pensado, em que essas intervenções simplesmente complementaram tudo que víamos e vivíamos in loco, sem “pesar” na programação de nenhuma maneira. No navio, as eventuais palestras que aconteciam a bordo entre um desembarque e outro podiam ser acompanhadas no lounge-auditório, mas também, transmitidas pelo sistema de televisão da embarcação, no conforto de cada cabine. O conhecimento simplesmente acompanhou a paisagem arrebatadora do Ártico, sem nunca competir com ela.

Ouso dizer, inclusive, que os maiores aprendizados que trouxe dessa viagem vieram de “micro aulas” acidentais e espontâneas, como as dadas pela bióloga Ema Kuhn ao responder nossos questionamentos no deck externo enquanto observávamos placas de gelo e vida selvagem, ou quando outros membros do time de expedição falaram sobre geografia, história e ciência nos próprios botes zodiac, enquanto testemunhávamos momentos incríveis de desprendimentos de glaciares, paredões rochosos de um bilhão de anos ou interações animais.

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Private Expedition Latitudes Ártico
foto: Mari Campos

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Equipe afinada, hóspede feliz

Ao longo da viagem, a equipe Latitudes, tanto em terra, no Brasil, quanto a que nos acompanhava diariamente a bordo, no navio, mostrou que leva a sério o conceito de hospitalidade como acolhimento – eu que o diga, acolhida com esmero e eficiência, mesmo na madrugada, quando enfrentei problemas com meu voo a Oslo.

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Acolheram as necessidades (e muitos dos desejos também…) de hóspedes com mais restrições físicas, a curiosidade natural das crianças, as limitações daqueles que tinham barreiras com outros idiomas ou restrições alimentares. Construíram uma estrutura complexa para que cada viajante, do mais travado ao mais flexível, do mais jovem ao mais idoso, do mais iniciante ao mais experiente, tivesse sempre a impressão de que tudo fluía tão bem naturalmente.

Enquanto muitas empresas desenham roteiros a partir da simples disponibilidade de hotéis e atrações, as Private Expeditions Latitudes funcionam como uma grande produção, começando muito, mas muuuuito antes do embarque de passageiros.

Da definição do tema da viagem à escolha dos especialistas (historiadores, filósofos, geógrafos, jornalistas, psicanalistas, escritores etc) que palestrarão durante o roteiro, da seleção dos melhores meios de transporte aos “expedition leaders” mais adequados para aquele grupo, das visitas técnicas aos ajustes dos ritmos com que cada destino será apresentado, nada é pensado isoladamente.

A engenharia logística necessária para que tudo funcione perfeitamente em uma expedição deste tipo é gigantesca, até porque esse modelo de viagem realmente precisa deixar pouco espaço para improvisações. Mas, mesmo as mudanças repentinas de planos em função das condições climáticas de um destino tão remoto, foram ali tiradas de letra, e de maneira invisível ao viajante. Para mim, é justamente essa tal “invisibilidade” um dos mais sofisticados aspectos da hospitalidade contemporânea.

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Assim, a nossa viagem física à região polar, entre montanhas, geleiras e ursos polares, avançou sempre harmoniosamente junto à parte menos visível da jornada, feita também de referências diversas em história, geografia, biologia, filosofia, literatura e ciência em geral.

Nas Private Expeditions Latitudes tudo está incluído (transfers, hospedagem, passeios, bebidas, refeições e, mais importante ainda, um impressionante acompanhamento médico). Além, é claro, do precioso acompanhamento permanente de uma equipe que realmente é pau para toda obra, atendendo de maneira imediata, em português, qualquer solicitação.

Mas a personalização exacerbada da viagem não está apenas no itinerário, mas também na forma de nos fazer compreender o destino visitado, nas ferramentas que recebemos para voltar para casa com um repertório ampliado sobre o mundo que vai muito além das belas fotografias que tiramos. Como viajantes, precisamos apenas nos concentrar naquilo que mais nos importa: viver a experiência.

No constante desafio do turismo de luxo internacional para oferecer experiências realmente inéditas e memoráveis a um público cada vez mais experiente, esse tipo de viagem é, sem dúvidas, uma das respostas mais consistentes da atualidade.

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Pousada Haya Milagres

Review: Pousada Haya, Milagres

De manhã cedinho, o silêncio só é rompido pelo quebrar das ondas na praia. Com mais atenção, o farfalhar das árvores sob o vento. E, felizmente, ao longo do dia a atmosfera não muda muito na charmosa Pousada Haya, em Milagres.

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A primeira investida em hospitalidade na região pelos mesmos proprietários do quase vizinho Mahré Hotel gira em torno da ideia de refúgio tropical contemporâneo: arquitetura orgânica, meio rústica, imersa na natureza local.

Pousada Haya Milagres
foto: Mari Campos

A Pousada Haya (diga “raia”) ocupa um dos pedaços mais bonitos da Praia do Riacho, em São Miguel dos Milagres, Alagoas, na Rota Ecológica. Rodeada por mar cristalino, larga faixa de areia sujeita às marés, coqueirais e mangue, faz uso inteligente de muita madeira, cimento queimado e fibras naturais entre a vegetação abundante do terreno.

Pé-na-areia, tem na praia logo em frente beleza de sobra – ainda que não seja excelente para banho em toda sua extensão. Mas é perfeita, sempre, para caminhar longamente pela manhã ou sair em adoráveis passeios de jangada. Mais importante ainda: tem um delicioso jeitinho de “deserta” mesmo na alta temporada.

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Pousada Haya Milagres
foto: Mari Campos

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Como é se hospedar na Pousada Haya

Espaço na Pousada Haya não falta: a propriedade é bastante grande, garantindo acomodações mais espalhadas – ainda que sejam apenas 26 bangalôs distribuídos horizontalmente. Há distintas categorias, a maioria com jardim e terraço. Algumas contam também com piscina privativa ou hidromassagem.

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Internamente, os quartos são decorados com bastante simplicidade e rusticidade. Destaque para os espelhos feitos com materiais naturais nas cabeceiras. Cama e enxoval são ótimos e as amenidades de banho são Trousseau.

Fazem falta armários de verdade – principalmente levando em consideração que muitas mulheres levam (como eu) longos vestidos veranescos para o litoral e não há espaço para eles. Existe apenas um móvel bastante simples, tipo arara curta, em madeira, e cápsulas de café e água ainda são cobradas nas acomodações.

Interligando recepção, acomodações, restaurante e demais áreas da pousada, os amplos jardins são uma delícia – e permeados por belas instalações de arte locais aqui e ali. A sensação de silêncio e desaceleração é constante e há sempre cordialidade do staff no serviço, mesmo quando demorado.

O delicioso restaurante Banami é o ponto mais alto da pousada, com delicioso menu desenvolvido pelo chef Wanderson Medeiros, fazendo excelente uso de ingredientes regionais com pegada mais contemporânea.

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Há peixes e frutos do mar muito frescos no almoço e no jantar, deliciosos petiscos e um excelente café da manhã, com charmoso serviço à la carte repleto de delícias feitas na hora. Meu conselho: vá com tempo para aproveitar ao máximo a deliciosa refeição no restaurante todo aberto, cheio de vegetação tropical, com vista para o mar.

A piscina comum da Pousada Haya se torna seu “coração” durante o dia. Voltada para o mar e cercada por coqueiros, tem gostosas espreguiçadeiras baixas e boa sombra em alguns períodos do dia para quem quer apenas ler um bom livro e descansar. Há um bar anexo bem descontraído servindo drinques e petiscos ao longo do dia.  

Não há academia na pousada, mas há playground para as crianças e empréstimo de bicicletas para explorar a região. Também é possível agendar ali mesmo massagens (realizadas dentro da própria acomodação) e passeios pelos arredores.

Não se trata de uma propriedade de luxo; mas é, sem dúvidas, um cantinho pra lá de aconchegante em um dos pedaços mais bonitos do litoral brasileiro. Ali, espaço, silêncio e natureza preservada são o verdadeiro luxo.

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Mahré Hotel Milagres

Review: Mahré Hotel, Milagres

Tenho uma paixão especial pelo litoral de Alagoas; não escondo de ninguém que vejo ali o mar mais bonito e gostoso do Brasil. E é exatamente num pedacinho cada vez mais em evidência dessa faixa – também conhecida como Rota Ecológica – que fica o Mahré Hotel, uma das jóias da hospitalidade regional.

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Localizado a cerca de uma hora e meia de carro de Maceió (dependendo do trânsito), este hotel inteiramente composto por acomodações em estilo villa está na badalada São Miguel dos Milagres – que, juntamente com Passo de Camaragibe e Porto das Pedras, reúne nada menos que 23km de belíssimas praias, formando uma espetacular barreira de corais.

Mahré Hotel Milagres
foto: Mari Campos

Inaugurado em dezembro de 2023, podemos dizer que o Mahré Hotel nasceu do sonho de duas Marias, mãe e filha. São 40 mil metros quadrados de uma propriedade frente ao mar, com apenas 30 enormes suítes em estilo villa, todas com piscina privativa.

Com metragens que vão de 120 a 192 metros quadrados, possuem enormes banheiros, quarto, living e mesa de refeições, além de deliciosos decks externos. Construídas entre mangue, coqueirais e mar, as acomodações estão distribuídas horizontalmente ao redor de um lago artificial – com direito a ponte e tudo – que se tornou o coração do projeto e é bonito de ver dia e noite.

Mas a piscina principal do Mahré e a praia logo em frente ao hotel (em dias de maré baixa, as piscinas naturais deixam a água do mar ainda mais bonita!) são tão gostosas que todo mundo acaba curtindo muito também as áreas sociais comuns, que incluem ainda playground para os pequenos, quadras esportivas e uma pequena academia. Redondinho para casais, mas também excelente para famílias.

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Mahré Hotel Milagres
foto: Mari Campos

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Como é se hospedar no Mahré Hotel, em Milagres

Que Milagres e seus arredores têm um dos mais bonitos e gostosos pedaços do litoral brasileiro não é novidade. Há um centrinho simpático cheio de lojinhas, bares e restaurantes, fonte de água, mirantes e diversos beach clubs (para quem curte esse tipo de lugar). Há passeios de jangada, muito snorkel e a simples possibilidade de curtir praias lindas, como a adorável Praia do Patacho, ali pertinho.

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No entanto, não é de se estranhar que boa parte dos hóspedes sequer deixe o Mahré Hotel durante toda a estadia: a propriedade é mesmo redondinha para quem quer sossego, sombra/sol e praia gostosa. O silêncio constante em várias áreas do hotel é parte central da experiência.

No discreto lobby em terracota, repleto de artesanato alagoano, hóspedes são recebidos com água de côco geladinha.  As acomodações todas contam com camas king size, enxoval Trousseau (incluindo ótimos roupões), providenciais sandálias de praia e amenidades Bulgari.

E os imensos banheiros contam com espaços bem separados, áreas enormes de ducha, muita luz natural e um charmoso jardim de inverno. Ah! Têm até um sabonete especial para quem quiser lavar ali mesmo seus trajes de banho sem correr o risco de danificar-los.

O único downside das acomodações é que o hotel infelizmente ainda cobra por cápsulas de café no quarto, indo na contramão da hotelaria de luxo internacional.

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Cada acomodação do Mahré conta com uma grande área externa com deck, espreguiçadeiras e uma gostosa piscina privativa rodeada por gramados. Alerta para casais: nem todas as acomodações garantem privacidade nessa área.

Tudo isso em meio a muito, muito espaço e uma bela decoração (com participação de João Armentano) tomada por artesanato local em toda a propriedade – com destaque especial para as incríveis luminárias instaladas nos mais diversos ambientes.

A piscina principal do hotel (uma das mais gostosas da região, na minha opinião), rodeada por belos conjuntos de espreguiçadeiras e guarda-sóis (além de algumas deliciosas day beds com bastante privacidade, voltadas para o mar), tem também seu próprio bar servindo petiscos (excelentes!), refeições rápidas e bons drinks. Em alguns dias, o local conta também com DJ.

A propriedade é super convidativa para fazer tudo caminhando por ali, mas também disponibiliza carrinhos de golfe para os deslocamentos (se o hóspede desejar) e empresta bicicletas para quem quiser conhecer a região no seu próprio ritmo.

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Vocação gastronômica

Gastronomia é assunto muito sério no Mahré Hotel. O restaurante Tahí, comandado pelo chef Rafa Gomes (vencedor do MasterChef Profissionais 2018 e do Iron Chef Brasil 2022, e que já cozinhou em todos os continentes ao longo de sua carreira), mescla referências internacionais, comida afetiva das memórias do próprio chef e ingredientes e receitas regionais.

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Peixes e frutos do mar são muito frescos, com preparações leves e apresentações bem cuidadosas, tanto no almoço quanto no jantar. É reconfortante ver como Rafa soube dar evidência ao tempero e à cultura alagoana – inclusive deixando em seu cardápio a receita de moqueca de autoria de sua subchef, um grande sucesso da casa. 

As delícias do cardápio do Tahí ficam ainda melhores com o ótimo menu de drinks autorais elaborado por Isadora Fornari – incluindo boas opções sem álcool também.

O café da manhã é bastante caprichado, com vários itens levados diretamente à mesa assim que o hóspede se senta e um extenso cardápio de pratos quentes à la carte incluídos também. O café é de ótima procedência, os sucos são fresquíssimos, e as geléias, pães e bolos também são todos feitos ali mesmo. Fica claro logo no desjejum o quanto o Mahré se preocupa com a gastronomia da casa.

A equipe do restaurante é inteiramente formada por moradores da região, e a cozinha é toda comandada por mulheres na ausência do chef. E o Tahí Restaurante também é aberto a não hóspedes – com reserva prévia obrigatória. 

Como no próprio Mahré, tudo no restaurante acontece sem ostentação. Pelo contrário: é informal, sem frescuras, para o hóspede se sentir mesmo em casa, tranquilo, em paz, imerso na natureza, sem transformar praia e piscina numa espécie de beach club permanente. O que, convenhamos, em Milagres faz mesmo TODA a diferença.

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Tivoli Maiorana Belém Pará

Review: Tivoli Maiorana Belém do Pará

Fazia tempo que uma inauguração hoteleira não movimentava tanto a região Norte do Brasil. MUITO tempo mesmo. A expectativa do mercado foi enorme. Mas o Tivoli Maiorana Belém Pará conseguiu abrir as portas no final de 2025, ainda que em soft opening, bem a tempo da COP30 em Belém, e continua causando (bom) barulho até hoje.

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A capital paraense ganhou a mais nova unidade da Tivoli Hotels, marca portuguesa fundada em 1933 que já tinha outras duas propriedades no Brasil (Tivoli Mofarrej, em São Paulo, e Tivoli Praia do Forte, na Bahia) e que integra o portfólio da Minor Hotels.

Tivoli Maiorana Belém Pará
foto: Mari Campos

Quase seis meses após a abertura das portas, mas ainda em fase de ajustes operacionais, o Tivoli Maiorana pretende ser primeiro hotel de luxo de Belém. E é sem dúvidas um marco importante para a hospitalidade amazônica em geral.

A localização do hotel é imbatível na cidade, seja para lazer ou negócios. Localizado no bairro de Campina, fica realmente vizinho a algumas das principais atrações turísticas de Belém, como a Estação das Docas, o Ver-o-Peso e o Theatro da Paz – e a poucos metros da orla da Baía do Guajará, visível de boa parte de suas acomodações.

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Tivoli Maiorana Belém Pará
foto: Mari Campos

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Como é se hospedar no Tivoli Maiorana Belém do Pará

Batizado em homenagem à cidade e à família investidora do hotel, o Tivoli Maiorana Belém Pará tem 176 acomodações, incluindo duas suítes presidenciais. A maioria delas são unidades deluxe bastante espaçosas, com janelas do chão ao teto. Vale cacifar a categoria “vista rio”, sobretudo a partir do sétimo andar, para ter uma bela vista da orla, do rio e da floresta sem nem sair da cama.

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Há cápsulas de café cortesia, serviço de turndown com os clássicos chocolatinhos da marca Tivoli e a propriedade também deixa eventualmente seus próprios “mimos” locais, como biscoitos tradicionalmente feitos na região.

O hotel ocupa um edifício de arquitetura brutalista que passou por um grande retrofit e por muito tempo abrigou a Receita Federal. Durante a COP, hospedou diversas delegações internacionais – inclusive o Príncipe William, do Reino Unido, que se hospedou em uma acomodação deluxe comum, no nono andar.

Tivoli Maiorana Belém Pará
foto: Mari Campos

O Tivoli Maiorana Belém Pará conta também com duas piscinas em um amplo espaço com solário, uma pequena academia e cinco oportunidades gastronômicas, entre restaurantes e bares. A expectativa é inaugurar também uma unidade do Anantara Spa nos próximos meses.

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Embora importante ajustes de adequação ainda se façam necessários em vários setores da propriedade, inclusive A&B, é a oferta gastronômica que está transformando o hotel também em um ponto de encontro de alguns dos moradores de Belém.

O maior destaque fica por conta do SEEN Belém, o restaurante e bar instalado no rooftop do andar 17 e assinado por Olivier da Costa. O local oferece realmente belíssimas vistas panorâmicas da cidade – vale visitar especialmente ao pôr do sol e depois ficar para ver as luzes de Belém se acendendo. O menu, tanto de comes quanto de bebes, é bem similar ao de São Paulo, sem importantes novidades locais. Há DJs nos finais de semana.

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O hotel também oferece o Must Restaurant (que serve o café da manhã diariamente, almoço e também feijoada aos sábados); o Itália Wine Bar & Trattoria, com menu de inspiração italiana; e o The Lobby Café, logo à entrada da propriedade, para cafés, drinks e lanches rápidos. Há ainda um bar na piscina, quase anexo ao Must.

Bastante focado no setor MICE na cidade, inclusive em termos de hospedagem em geral, o Tivoli Maiorana Belém Pará tem ainda um andar exclusivo para eventos, com capacidade para até 500 pessoas.

A Tivoli Hotels & Resorts tem propriedades também em Portugal, Qatar, China, Itália, Espanha e Holanda, operando 20 empreendimentos diferentes no total, e com novos hotéis no pipeline.

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