Dockside Inn, novo hotel econômico no Universal Orlando Resort

Novos (e bons) hotéis econômicos no Universal Orlando Resort

Hotel econômico bonito e confortável, com design bem pensado, boa relação custo x benefício e bem localizado é uma combinação que às vezes parece difícil de acontecer. O Universal Orlando Resort inaugurou durante a pandemia não apenas um, mas dois bons hotéis de perfil econômico. A novidade chega em boa hora para o mercado brasileiro, que vê o turista começa a voltar a Orlando, mas em uma retomada ainda lenta.

Em evento realizado durante a WTM Latin America, na primeira semana de abril em São Paulo, representantes do Visit Orlando se mostraram otimista com o retorno dos visitantes internacionais de um modo geral. A expectativa é que até o final de 2022 o número alcance 93% dos índices de 2019. A recuperação do Brasil ainda é gradual, já que as principais restrições de entrada de brasileiros nos Estados Unidos foram suspensas somente no final de 2021 e a emissão de vistos ainda não se normalizou. O dólar a quase R$ 5 também dificulta a viagem, principalmente quando a família é grande e o bolso, pequeno.

Dias antes da WTM, estive na Flórida, a convite do Universal Orlando, para visitar ou revisitar os atuais oito hotéis do portfólio. Todos são administrados pelo grupo americano Loews, coproprietário da rede hoteleira do resort. Fiquei hospedada justamente no mais novo hotel econômico, o Dockside Inn and Suites at Universal’s Endless Summer Resort, aberto em dezembro de 2020. Em frente fica o também recente Surfside Inn and Suites, menor do que o Dockside e mais tranquilo, mas bem parecido. Conversei com Russ Dagon, sênior vice-presidente de Resort Development do Universal Creative, área responsável pelo desenvolvimento dos hotéis. Ele destacou que “pesquisar e procurar entender as necessidades de cada família é fundamental para criar o conceito de cada hotel temático”.

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Como é se hospedar no Dockside Inn, novo hotel do Universal Orlando Resort

O Dockside Inn and Suites no Endless Summer Resort tem 2.050 acomodações, de um ou dois quartos, divididas em duas torres. Os tons de laranja e azul predominam na decoração, e o piso não tem carpete. As camas queen são confortáveis, há gavetões e ganchos para roupas e acessórios, e espaço para malas. Todos os quartos têm mesa de jantar com duas cadeiras, um banco grande, dois pufes, forno de micro-ondas, geladeira e cafeteria elétrica com sachês de café e chá de cortesia. Há pratos em papel, talheres e copos descartáveis. Uma prancha de surfe em pé marca a separação entre a área de estar e a de dormir. Nas acomodações com dois quartos, para até seis pessoas, a terceira cama fica no segundo quarto, que tem ainda um pequeno armário com cortina em tecido. Há muitas tomadas e saídas USB, e o wi-fi funciona perfeitamente.

O banheiro, com um bom chuveiro dentro de banheira-que-não-é-banheira com cortina em plástico, tradicional dos hotéis americanos mais econômicos, é proporcionalmente pequeno. As duas pias estão em uma bancada em ambiente separado, o que facilita a organização. Há secador de cabelo e um espelho de corpo inteiro. Fiquei em uma silenciosa suíte de dois quartos no 11º andar, voltada para uma das piscinas, com o vulcão do parque aquático do Universal Orlando Resort, o Volcano Bay, despontando ao fundo.

Cada torre tem uma piscina, com respectivo bar. As duas áreas de lazer, abertas até as 23h, são bem parecidas, mas nada impede que os hóspedes frequentem os dois bares ou usem as duas piscinas. Em ambas há uma área com areia que diverte crianças menores. Para os adultos, uma curiosidade: os drinques têm nomes de atrações do antigo parque aquático Wet’n’Wild, que ficava no local onde foi erguido o Endless Summer Resort.

No lobby, entre as duas torres, estão o Pier 8, mercado com produtos variados e estações de sanduíches, pizzas e comidas rápidas em geral, para comer lá mesmo (há uma ampla e iluminada área com mesas e boa trilha sonora) ou no quarto; uma cafeteria Starbucks, parceira dos hotéis do Universal Orlando, e um terceiro bar, o Sunset Lounge. Nos horários de pico, espere movimentação intensa no lobby e filas no café e no mercado. Há também uma loja com produtos de conveniência e suvenires, como em todos os outros hotéis do Universal Orlando Resort. Ônibus frequentes fazem o transporte gratuito para a CityWalk, onde ficam os acessos aos parques Universal Studios Florida e Islands of Adventures, e para o Volcano Bay.

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O novo Surfside e os outros hotéis do Universal Orlando Resort

Inaugurado um ano antes, em 2019, o Surfside Inn and Suites é bem parecido com o irmão mais novo, porém mais tranquilo. As 750 acomodações, também com um ou dois quartos para até seis pessoas e minicozinha, ficam em uma torre única, que tem piscina com bar e área de alimentação. É boa opção para famílias com crianças menores.

Os dois hotéis do Endless Summer Resort acrescentaram 2.800 quartos ao portfólio hoteleiro do Universal na Flórida, que soma nove mil acomodações divididas em quatro categorias: econômica (Dockside e Surfside), econômica plus (Cabana Bay Beach e Aventura), preferencial (Sapphire Falls) e premium (Royal Pacific, Hard Rock e Portofino Bay. Todos, independentemente da categoria, oferecem transfers gratuitos, permitem entrada mais cedo no parque Volcano Bay e em algumas atrações do The Wizarding World of Harry Potter, e fazem a entrega de compras feitas nos parques e na CityWalk. Há transporte gratuito entre os hotéis, e cada um tem um tema diferente, com bons bares e restaurantes, entre outros atrativos. Aos poucos estou mostrando os hotéis no meu Instagram @CarlaLencastre.

Na edição desta semana da revista Panrotas, detalho as novidades dos oito hotéis do Universal Orlando Resort.

Serviço

Endless Summer Resort: As diárias do Dockside e do Surfside, em quarto com duas camas, custam a partir de US$ 91, mais taxas, para um mínimo de quatro noites. As acomodações com três camas começam em US$ 136.

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Novos hotéis de luxo em 2021: Airelles Versailles

Novos hotéis de luxo para 2021

O setor de viagens de luxo é resistente. Novos hotéis foram abertos em 2020 e há muitas novidades previstas para 2021 em todo o mundo, como mostrou a ILTM Cannes, a maior e mais importante feira de viagens de luxo do mundo realizada em dezembro. O evento na Riviera Francesa, no qual eu estaria pela nona vez, se transformou no virtual ILTM (International Luxury Travel Market) World Tour.

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Ao longo de 2020 propriedades independentes e de pequenas e grandes redes fecharam, outras tiveram suas aberturas adiadas, mas o segmento continua sólido e se adaptando a novos hábitos de consumo. Ben Trodd, vice-presidente de Vendas e Marketing do grupo canadense Four Seasons, destaca dois exemplos de hotéis da rede que, como muitos de nós, se “reinventaram” na pandemia. O FS Jackson Hole, no Wyoming, procurado por turistas estrangeiros, recebeu 80% de público doméstico e garantiu boas taxas de ocupação no verão de 2020. Staycation versão Estados Unidos. Já o FS Punta Mita, no México foi pioneiro no hotelschooling voltado para o mercado americano. “Estamos tomando decisões baseadas na ciência e priorizando a segurança de nossos colaboradores”, diz Trodd.

Ainda não podemos viajar por aí sem preocupação, mas há muita coisa boa nos esperando pelo mundo. Nesta reportagem para o jornal O Globo escrevo sobre várias novas tendências do turismo de luxo.

Leia também: De predador a construtor, é a vez do turismo regenerativo

A seguir, alguns novos hotéis de luxo previstos para abrir as portas em 2021.

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Cheval Blanc Paris

Um dos novos hotéis de luxo na França mais aguardados de 2020 está pronto para ser inaugurado em 2021. Anne-Laure Pandolfi, diretora de Relações-Públicas e Inovação da área de hotelaria do conglomerado de luxo LVMH (Moët Hennessy Louis Vuitton), diz que grife francesa pretende marcas no primeiro semestre a data de abertura de seu quinto hotel (e o primeiro urbano). O Cheval Blanc Paris está instalado no impressionante prédio art déco da antiga loja de departamentos La Samaritaine, um ícone às margens do Rio Sena, em frente à cinematográfica Pont Neuf. O hotel terá 72 quartos e suítes. Pandolfi anunciou ainda que a marca trabalha em um projeto de longo prazo para 2025 em Los Angeles, na Rodeo Drive em Beverly Hills.

Atualização: La Samaritaine reabriu em junho. No mesmo mês o Cheval Blanc Paris marcou a data de inauguração para 7 de setembro de 2021

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Airelles Château de Versailles, Le Grand Contrôle

Uma das propriedade mais exclusivas e esperadas de 2021, o Airelles Versailles terá apenas 14 quartos e suítes. A decoração, com móveis originais de época, é assinada pelo designer parisiense Christopher Tollomer, o mesmo dos outros hotéis franceses da marca criada em 2017. Le Grand Contrôle é o único hotel dentro da área do Château de Versailles. Os hóspedes terão acesso aos jardins e ao palácio em horários especiais, inclusive à noite, a um spa com piscina e saunas seca e a vapor, e a jantares festivos em cinco etapas criados por Alain Ducasse. O multiestrelado chef francês, que supervisiona toda a área gastronômica do hotel, se inspirou em menus históricos. Além de jantares gourmets, haverá brunch aos domingos e chá da tarde.

“Inicialmente pensamos que uma noite em Versailles é o suficiente. Mas como todas as experiências que vamos oferecer esperamos que os hóspedes fiquem duas noites”, diz Kevin Triboulet, diretor de Vendas e Marketing.

Le Grand Contrôle abre as portas em 1º de junho. Para 2023 e além, há planos de novos hotéis Airelles em Paris e Veneza (este seria o primeiro fora da França).

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Novos hotéis de luxo em 2021: One&Only Portonovi, Montenegro
Vista da varanda de um dos quartos do O&O Portonovi | Foto de divulgação
One&Only Portonovi

A O&O finalmente inaugura seu primeiro resort europeu, outro projeto adiado de 2020. Portonovi, em Montenegro, terá 140 acomodações e um spa holístico em Boka Bay, no Mar Adriático. O segundo hotel O&O na Europa, na ilha grega de Kéa, ficou para 2022.

Marca que faz parte do grupo Kerzner International, a One&Only chegou ao evento da ILTM comemorando a abertura e as taxas de ocupação do Mandarina, o segundo resort O&O no México. “As 54 villas no Mandarina já foram concluídas levando em conta o distanciamento social”, diz David Solis, diretor regional de Vendas e Marketing.

Pelas fotos que mostramos em primeira mão no Instagram @HotelInspectors parece mesmo um lugar para ocupar o topo da lista de desejos. O hotel fica a uma hora de carro do aeroporto de Puerto Vallarta, cidade histórica na costa do Oceano Pacífico, e tem um restaurante do premiado chef Enrique Olvera.

Atualização: Portonovi foi inaugurado em 1º de maio.

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Four Seasons Napa Valley

O novo FS na principal região vinícola da Califórnia terá 85 acomodações, duas piscinas ao ar livre e spa com tratamentos voltados para o bem-estar. A inauguração ainda não tem data marcada.

A rede canadense planeja outras aberturas para 2021, entre elas Nova Orleans, com vista para o Rio Mississippi; Tamarindo, na Costa Oeste do México, e San Domenico Palace, endereço italiano histórico em Taormina, na Sicília. Já o FS Bangkok at Chao Phraya River é um hotel novo que marca o retorno da rede à capital tailandesa, em 18 de dezembro de 2020.

Atualização: O FS New Orleans foi inaugurado em 17 de agosto.

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Novos hotéis de luxo em 2021: Crockfords Las Vegas
Sala de uma das suítes do Crockfords, em Las Vegas | Foto de divulgação
Crockfords Las Vegas, LXR

Previsto para julho de 2021, o hotel de 236 quartos e suítes está localizado no Las Vegas Boulevard, perto do Wynn e do centro de convenções. O Crockfords fará parte do complexo Resorts World Las Vegas, que terá ainda um Conrad (com 1.496 acomodações) e um Hilton, num total de 3.506 quartos, com cassino, boates, sete piscinas ao ar livre e teatro com capacidade para cinco mil pessoas.

Atualização: O Resort World Las Vegas foi inaugurado no final de junho.

LXR é a mais nova marca de luxo do grupo Hilton: “Na LXR os hoteleiros são independentes. Os hotéis têm características próprias e permitem que sejam criadas experiências diferentes em cada um deles. São destination experiences para atrair hóspedes de outros resorts”, conta Feisal Jaffer, chefe global da marca hoje com seis hotéis em diferentes países.

Entre eles está o Oceana em Santa Monica, Califórnia, que reabre como LXR em janeiro. Em setembro deve ser inaugurado o Roku Kyoto, no Japão. O hotel de Londres, The Biltmore, Mayfair, pode ser considerado uma novidade. Abriu as portas no final de 2019, fechou em março e reabre em abril de 2021.

Leia também: O que mudou no bufê de refeições dos hotéis na pandemia

Novos hotéis de luxo para 2021: Waldorf Astoria Monarch Beach, na Califórnia
O beach club do Waldorf Astoria Monarch Beach, na Califórnia | Foto de divulgação
Waldorf Astoria Monarch Beach

A clássica marca de luxo do grupo Hilton acaba de assumir a operação do Monarch Beach Resort, em Dana Point, no Sul da Califórnia. A esperada reabertura do hotel de Nova York, ícone da hotelaria em Manhattan, ficou para 2022, assim como a inauguração em Londres no centenário Admiralty Arch. O histórico WA New York terá menos quartos e mais espaço. O projeto é de antes da pandemia (as obras de renovação começaram em 2017).

Dino Michael, chefe global da Waldford Astoria, chamou a atenção para os ajustes sutis da hotelaria de luxo sobre os quais já escrevemos aqui: “Somos abençoados com espaço e podemos facilmente oferecer um escritório com vista, uma workcation”. Para o futuro mais distante, em 2026, está previsto o primeiro WA japonês, em Tóquio.

Leia também: Cinco inovações que vão mudar a hotelaria

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The Residences Dorchester Collection Dubai

O crescimento dos residenciais de luxo com serviços de hotelaria de grife é uma tendência do mercado. O grupo Dorchester Collection inaugura em 2021 The Residences Dubai. O hotel mesmo, o décimo da marca, só deve abrir as portas em 2022. Todos as nove propriedades do grupo estão funcionando, ainda que nem todos os restaurantes estejam abertos. Há planos de crescimento: “Certamente vamos nos expandir no futuro próximo para a Ásia e a América Latina. Estamos olhando o mercado latino-americano muito de perto, especialmente São Paulo”, diz o CEO Christopher Cowdray.

Até 2021!

Com este rápido panorama dos novos hotéis de luxo em 2021, encerro meu ano por aqui. Foi duro para todos nós. No Hotel Inspectors nos esforçamos para trazer as novidades e as melhores análises das transformações pelas quais a hotelaria está passando em tempos de covid-19. Como resultado, vimos nossa audiência aumentar muito, aqui e no Instagram @HotelInspectors, e tivemos o reconhecimento da lista 100+ Poderosos do Turismo Panrotas Elo na categoria Conteúdo e Mobilização.

Muito obrigada pela companhia!

Leia também: O que realmente mudou nos hotéis com a pandemia

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Bufê de café da manhã de hotel na pandemia | Foto de divulgação

O que mudou no bufê de café da manhã de hotel na pandemia

Comida exposta por horas. Talheres de servir compartilhados. Comensais andando e parando em frente a todos os pratos, ou quase todos, e conversando. Fila. Aquele que muda de ideia e volta algumas travessas, passando por quem está se servindo. Réchauds abertos e fechados quantas vezes a dúvida impulsionar. O bufê de café da manhã de hotel morreu na pandemia. Vida longa ao bufê de café da manhã de hotel na pandemia.

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Nem a covid-19 foi capaz de deter este impávido clássico na hotelaria nacional. Uma tabela elaborada por epidemiologistas, infectologistas e especialistas em saúde pública da Associação Médica do Texas (TMA, na sigla em inglês) listou os riscos de contágio de diversas atividades em níveis vão de 1 (baixo risco) a 9. Comer em bufê está no nível 8, de alto risco. É uma atividade apenas menos arriscada do que ir a um show, evento esportivo ou culto religioso com mais de 500 pessoas. A classificação levou em conta que todos estariam usando máscaras, lavando as mãos com frequência e mantendo distanciamento social.

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Higiene X sustentabilidade

Como no caso da piscina de hotel, em que nada indica que a água clorada seja transmissora do novo coronavírus, nos bufês self-service o problema não é a comida. São as pessoas e o entorno.

Com a flexibilização das medidas restritivas em todo o país surgiram vídeos de hotéis com piscinas e bufês self-service repletos de destemidos aglomerados. Em imagens de outros resorts nota-se o uso surreal de plástico descartável em nome de higienizar o bufê, com talheres embalados, luvas para os hóspedes e até frutas com cascas embrulhadas em filme PVC. Com um agravante: os hotéis não deixam claro como descartam o material. O plástico de uso único é um dos maiores vilões da poluição dos oceanos e o setor de hospitalidade tem responsabilidade nisso.

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Pequenas porções à mesa na pousada Solar da Ponte, em Tiradentes | Foto de Carla Lencastre
Minibufê à mesa na pousada Solar da Ponte, em Tiradentes | Foto de Carla Lencastre

alternativas ao serviço de bufê

A área de alimentos e bebidas é responsável por parte significativa do custo operacional de um hotel. Hoje protocolos devem ser ainda mais rigorosos, incluindo os seguidos pelos fornecedores. Afinal, de nada adianta ter todas as precauções na manipulação de alimentos se o fornecedor não fizer o mesmo. O custo final de uma refeição à la carte é mais caro do que em um bufê, e isto também tem que ser levado em conta nesta complicada fase da hotelaria.

Há caminhos do meio que estão sendo seguidos por alguns resorts, como o dos bufês híbridos. No Club Med, com suas três unidades no Brasil reabertas, o bufê é assistido. Ou seja, funcionários com equipamento de proteção individual montam os pratos dos hóspedes, que não encostam nos utensílios nem nas máquinas de café, por exemplo. Com a equipe a postos também é mais simples garantir que nenhum hóspede será servido se não estiver usando máscara e que o distanciamento social será respeitado. Em outros hotéis, como já acontecia antes, o bufê tem itens em porções individuais, enquanto outros são pedidos à la carte. Há ainda uma espécie de minibufê servido à mesa, com pequenas porções de diferentes pratos.

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Minibufê no ecolodge Mirante do Gavião | Foto de Carla Lencastre
Minibufê no ecolodge Mirante do Gavião, na Amazônia | Foto de Carla Lencastre
O Papel de cada um

Faço a ressalva de que nunca fui fã de bufês, por razões de gosto pessoal e, principalmente, por conta do imenso desperdício de alimentos. Mas reconheço que um bom bufê de hotel tem o seu apelo e pode ser uma experiência em si. Como em tudo nesta delicada fase pela qual a hotelaria está passando, fica mais fácil se cada um fizer a sua parte.

Ao hoteleiro que optar por manter o bufê à moda pré-pandemia cabe detalhar as medidas de biossegurança e de sustentabilidade. Não apenas em relação ao descarte de plástico, mas também ao desperdício de comida. Ao hóspede e ao agente de viagens que oferece o hotel ao cliente cabem cobrar informações claras sobre higienização, controle de ocupação de espaço, distanciamento social e cuidados com o meio ambiente. E sempre seguir as regras. A revista Panrotas fez uma reportagem com 15 perguntas que se deve fazer antes do check-in no hotel. Conferir as adaptações no setor de alimentação é uma delas.

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Bufê de café da manhã de hotel brasileiro à moda pré-pandemia | Foto de Carla Lencastre
Bufê de café da manhã de hotel brasileiro pré-pandemia | Foto de Carla Lencastre

Enquanto isso em las vegas…

Bufê de café da manhã de hotel é tradição brasileira, mas não é exclusividade. Há bufês de diferentes estilos em todos os continentes, e a origem histórica deste tipo de serviço está na Europa. Mas foi em Las Vegas, na década de 1940 que nasceu o conceito de bufê americano moderno, o all-you-can-eat. Ou coma o quanto aguentar. No café, no almoço e no jantar.

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O Buffet at Wynn foi um dos primeiros da Strip (o Las Vegas Boulevard, onde estão os principais cassinos da cidade) a retomar as atividades, em meados de junho. O cliente fazia o pedido a um garçom, e o prato era trazido à mesa. O bufê-que-não-era-bufê fechou de novo menos de três meses depois, sem previsão de reabertura. Já o Caesars Palace pretendia reabrir o Bacchanal Buffet, com 600 lugares, em agosto. Pequenos pratos previamente montados seriam entregues por funcionários e vários itens seriam servidos diretamente nas mesas. A reabertura foi adiada para o fim do ano.

Atualização: Em meados de setembro de 2020 o Wynn Las Vegas anunciou que 548 funcionários testaram positivo para covid-19. Todos eram assintomáticos. Desde junho o Wynn já recebeu mais de 500 mil hóspedes.

E no Brasil, onde você aposta as suas fichas? Encontraremos alternativas mais seguras? Ou o bufê self-service de hotel e de restaurantes de comida a quilo seguirão como na era pré-Covid-19?

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Vista do Zabriskie Point, no Vale da Morte, deserto na Califórnia | Foto de Carla Lencastre

O que fazem os hotéis nas redes sociais durante a crise

No Rio de Janeiro, onde moro, pelo menos 60 hotéis estão fechados, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) divulgado neste início de abril. Os que estão abertos, com uma oferta total de cerca de 20 mil quartos, apresentam taxa de ocupação em torno de 5%. Não é um panorama muito diferente de outras cidades do país e do mundo. Vários hotéis informaram o fechamento temporário em suas contas no Instagram. Há quem consiga ir além e inovar. E, como mencionei em meu texto anterior sobre as ações dos hotéis em tempos de novo coranavírus, reforçar a marca para o futuro. O que fazem os hotéis nas redes sociais durante a crise?

O Fairmont Rio Copacabana, por exemplo, inaugurado há menos de um ano e temporariamente com as atividades suspensas, optou por manter sua programação de shows nos fins de semana. As apresentações no Instagram @FairmontRio são às sextas-feiras e aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 17h. No Stories, o hotel está compartilhando algumas receitas do chef Carlos Cordeiro, do Marine Restô, no destaque Na sua Casa.

Leia mais: Como estão funcionando os hotéis do Rio durante a pandemia

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Nos EUA, bons drinques e belas paisagens

A revista americana Forbes chamou a atenção semana passada para o premiado Deer Path Inn em uma reportagem sobre o que fazem os hotéis nas redes sociais durante a crise. Membro da Historic Hotels of America, a cerca de uma hora de carro ao norte de Chicago, o hotel está fechado, com o restaurante funcionando em esquema de drive-thru. Além da cozinha, o inn manteve o ritmo nas postagens no Instagram @DeerPathInn. São umas três ao longo do dia, de pelo menos três diferentes (e inspiradores) projetos.

O que fazem os hotéis nas redes sociais durante a crise? Fachada do Deer Path Inn, hotel em estilo inglês nos arredores de Chicago | Foto de vidulgação
O Deer Path Inn, uma hora ao norte de Chicago | Foto de divulgação

O primeiro projeto estreou em 20 de março, dias depois de o hotel fechar. Chama-se Cocktails with Jorge e é estrelado pelo chief spirits officer, como se autointitula Jorge Centeno. O bar do Deer Path é famoso na região. No início deste ano, por exemplo, seus martinis criativos apareceram entre os melhores de Chicago em uma lista da Eater, publicação on-line especializada em gastronomia. Em tempos de quarentena, Jorge está no canal do hotel na IGTV. Sozinho no bar, de luvas, ensina drinques clássicos fáceis de fazer.

Outros funcionários, que apareciam aqui e ali em publicações anteriores, estão em novos posts, em ambientes vazios e situações bem-humoradas, como lavando as mãos ao som de Despacito. Semana passada, um deles estreou em uma espécie de spin-off. Héctor Barranco é o astro da divertida novela sobre um casamento celebrado em tempos de coronavírus (o Deer Path é wedding destination). A instanovela As The Inn Turns é um sucesso. Os capítulos são curtinhos e alguns já tiveram mais de três mil visualizações.

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Entre as aulas caprichadas de Jorge e as desventuras amorosas de Héctor, o Deer Path começou o projeto If These Walls Could Talk, algo como “se as paredes falassem”. Nos vídeos, também bem curtos, personagens de obras de arte ganham voz. Os protagonistas são esculturas, fotografias e pinturas das áreas comuns do hotel de 57 quartos. Aberto em 1929, durante a Grande Depressão, e renovado há três anos, o inn é decorado em estilo inglês.

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Difícil não rir um pouco com a criatividade e as mensagens positivas, que respeitam o distanciamento social e a orientação de ficar em casa, e em momento algum minimizam a gravidade da crise. Há lugar também para falar sério. O gerente-geral Matt Barba, que estrela alguns posts e administra a conta do hotel no Instagram, anunciou um leilão on-line de experiências no inn, como aulas com Jorge ou um jantar privado na adega. O dinheiro irá para negócios locais na vizinhança de Lake Forest que estão de portas fechadas.

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no oásis do vale da morte, na califórnia

Já anotei o nome do Deer Path para ir até lá na minha próxima vez em Chicago. Enquanto a gente não viaja novamente, fui conferir o que fazem os hotéis nas redes sociais durante a crise em propriedades nas quais me hospedei nos últimos tempos. A maioria se limitou a comunicar o fechamento e desaparecer; algumas poucas estão em negação, postando fotos com legendas que parecem ter sido feitas antes de o mundo mudar para sempre; outras fizeram ações pontuais, como uma receita de drinque aqui; uma live com um DJ ali, mas prometem mais. A acompanhar.  

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A melhor surpresa foi o Oasis at Death Valley, na Califórnia (a minha foto no topo deste texto mostra a vista diurna do Zabriskie Point). Diferentemente do que sugere o nome, é repleto de vida o Vale da Morte. Em sua conta no Instagram, o hotel acabou de mostrar uma série de imagens dos animais do deserto, em uma postagem por dia com a hashtag #OneWeekofWildlife. Na semana anterior, o projeto reuniu algumas das paisagens estonteantes do vale em #OneWeekofWonder. Esta semana é a #OneWeekOfIcons, que começa com a emblemática piscina de água natural do Oasis at Death Valley . Esta parte do nome corresponde à realidade: o Oasis é mesmo um oásis.

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Pôr do sol em Florença, Lungarno Collection | Foto de divulgação

Bons exemplos da hotelaria em tempos de coronavírus

A indústria de viagens já é uma mais das afetadas pela pandemia. Em meio à crise, alguns hotéis têm encontrado uma maneira de fazer o bem e, consequentemente, reforçar positivamente a sua marca para o futuro. Porque quando tudo isso passar, não só vamos querer como precisar viajar. Enquanto não acaba, destaco aqui alguns bons exemplos da hotelaria em tempos de coronavírus, tanto de grandes marcas quanto de pequenas.

A rede americana Best Western está discutindo na Grã-Bretanha a possibilidade de deixar à disposição do National Health Service (NHS, o sistema de saúde britânico) os 270 hotéis sob a sua bandeira na Inglaterra, na Escócia e no País de Gales. O Best Western Great Britain é um dos maiores grupos de hoteleiros independentes do Reino Unido. Vários proprietários dos hotéis da BWGB já se adiantaram. Alguns estão hospedando sem custo profissionais da área de saúde perto dos hospitais onde eles estão trabalhando. Outros foram além e procuram parceiros para fornecerem equipamentos médicos necessários e receberem pacientes de baixo risco.

O site da BWGB destaca hotéis da marca que serviram como hospitais durante as duas guerras mundiais (clique para ler em inglês) em um texto leve e informativo. O jornal britânico The Guardian diz que o primeiro BWGB a se transformar temporariamente em um hospital fica no Sul de Londres. Ainda segundo o Guardian, Hilton, Holiday Inn (do grupo InterContinental Hotels), Premier Inn e Travelodge, também consideram ceder quartos vazios no Reino Unido para pacientes de baixo risco, vulneráveis em grupos de risco, e médicos e enfermeiros.

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Bons exemplos da hotelaria em tempos de coronavírus: Four Seasons New York
Four Seasons New York vai receber profissionais da área de saúde| Foto de divulgação

Outro dos bons exemplos da hotelaria em tempos de coronavírus, do lado de cá do Oceano Atlântico o Four Seasons New York anunciou que vai receber profissionais de saúde em seu luxuoso hotel na Rua 57. Nova York é, no momento, o epicentro da pandemia nos Estados Unidos.

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Ações de solidariedade no brasil

No Brasil, o grupo de hotéis Dom Rafael, com quatro propriedades em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, cedeu uma delas para hospedar quem trabalha no Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM). Segundo a revista Veja, o Holiday Inn Parque Anhembi, com mais de 700 quartos e um dos maiores do país, também cederá suas instalações para apoiar o hospital de campanha montado pela prefeitura de São Paulo no Anhembi.

Bons exemplos da hotelaria em tempos de coronavírus: Slaviero Hotéis
Equipe da Slaviero Hotéis | Foto de divulgação

A Slaviero Hotéis, com endereços em 15 cidades nas cinco regiões do Brasil e operações suspensas na maioria deles, está doando alimentos estocados a instituições de cuidam de vulneráveis. Equipes se revezam na entrega dos produtos. Sempre na mesma cidade onde fica o hotel, para que a doação de cerca de 600 kg de alimentos seja concluída o mais rapidamente possível.

Na Itália, a Lungarno Collection, com cinco hotéis em Florença, promove uma campanha de duas organizações sem fins lucrativos na cidade. O objetivo é arrecadar € 50 mil para as despesas dos mais de 700 enfermeiros que vieram de outras regiões do país. O pôr do sol cor-de-rosa em Florença, no alto deste texto, é do Instagram da Lungarno

Atualização: Escrevi sobre estas e outras ações solidárias do devastado setor de viagens para o Projeto #Colabora, site jornalístico especializado em desenvolvimento sustentável. Você pode ler clicando aqui.   

Outros hotéis estão fazendo ações bem simples, mas que já colaboram com o bem-estar de quem pode ficar em casa neste momento. Como nós do Hotel Inspectors estamos fazendo. O hotel boutique e spa de luxo suíço The Capra, em Saas-Fee, membro da L.V.X. Collection da Preferred Hotels, compartilhou a receita da sopa de cenoura servida em seu restaurante.

Como, por enquanto, distanciamento social e isolamento são as únicas medidas que comprovadamente contribuem para achatar a curva da contaminação do novo coranavírus, continuarei em casa. Vou arriscar a sopa de cenoura do Capra nos meus próximos dias de quarentena.

Bons exemplos da hotelaria em tempos de coronavírus: Receita The Capra Saas-Fee
Receita da sopa de cenoura do suíço The Capra | Divulgação

Se souber de outras iniciativas bacanas da hotelaria para tornar mais leves e nos ajudar a superar estes dias tão duros, conte na caixa de comentários. Vamos espalhar solidariedade por aí.

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