Brasil entre os 5 países do mundo em impacto do turismo no PIB

Fonte: Pixabay

Estudo do World Travel & Tourism Council (WTTC) mostra que o Brasil é o quinto país no mundo aonde os gastos com viagens e turismo têm o maior impacto no PIB nacional. Os primeiros são Arábia Saudita, Indonésia, China e Turquia.

A importância da indústria de viagens e turismo mais uma vez se coloca como peça chave na economia global e o Brasil mostra a importância que os gastos do setor têm para nosso PIB. Somos o quinto maior país do mundo quando computados os gastos com viagens e turismo e seu impacto no PIB dos países. Será que somos bons aliados para a recuperação da economia do Brasil ?

O World Travel & Tourism Council (WTTC) apresentou um relatório de benchmarking que comparou o impacto do turismo em 2018 com outros oito setores chave da economia mundial: agricultura, mineração, saúde, indústria automobilística, varejo, serviços financeiros, bancos e construção civil. Em 2018 o crescimento do PIB do turismo (3,9%) foi maior do que todos esses setores listados. O estudo foi feito em 26 países com o objetivo de colocar nossa indústria numa perspectiva geral da economia. Veja algumas informações:

  • O PIB total do turismo global (10,4%) é 1,7 vezes maior do que o da mineração, 1,5 vezes maior do que o dos bancos e da indústria automobilística e 1,4 vezes maior do que o da agricultura
  • Em empregos diretos, indiretos e induzidos (10% do total mundial) o turismo é maior do que o dos serviços financeiros, saúde, bancos, indústria automobilística e mineração
  • Na região das Américas, o turismo é o sexto maior setor em termos de PIB e de empregos; mais do que o dobro do sistema bancário
  • No período entre 2010 a 2018, a indústria de viagens e turismo foi o segundo setor com maior crescimento econômico nas Américas (3,1% ao ano em média); só teve crescimento menor do que a indústria automobilística

Como mencionamos, no caso do Brasil, a importância dos gastos do turismo, tanto doméstico (o maior impacto) como internacional coloca o país em quinto lugar do mundo em importância do setor para o PIB. A força do turismo doméstico brasileiro, que representa 94% do volume de viagens é grande, e também mostra o tamanho do mercado existente e potencial a explorar. O gráfico abaixo mostra o impacto no PIB em US$ 1 milhão em gastos de viagens e turismo nos países pesquisados (Fonte WTTC, 2019).

Veja mais aqui: https://www.wttc.org/economic-impact/benchmark-reports/
Copyright @ WTTC 2019.

Entenda os impactos da indústria de viagens e turismo: 1) Diretos: alimentação, hospedagem, entretenimento, lazer, transportes e outros serviços relacionados; 2) Indiretos: publicações, serviços financeiros, serviços sanitários, fornecedores de móveis e equipamentos, segurança, transportes, construção naval, indústria de aviação, indústria automobilística para aluguel de carros, dentre outros; 3) Fornecedores de alimentos e bebidas, serviços para negócios, computadores, serviços pessoais, entre outros. (Fonte: WTTC, 2019).

Podemos ou não ter mais estrangeiros ? (parte A)

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Afinal, por que o Brasil não tem um número maior de visitantes estrangeiros? Vamos fazer alguns posts sobre o tema e adoraríamos ter as opiniões dos profissionais de turismo do país. Nossa conversa não tem cor, não tem julgamento, só busca a melhor compreensão.

Particularmente amo esse debate, porque ele parece simples, mas exige análises de diversos ângulos, depende de fatores ligados diretamente ao turismo e de outros sobre os quais não temos qualquer governança. E sua compreensão e solução, acima de tudo, depende da contribuição de diversos profissionais brasileiros que possuem experiência com o mercado internacional. Afinal, qual o objetivo de fazer esse bate papo? Atrair mais estrangeiros, gerar mais negócios para os que trabalham no setor, gerar empregos; fazer o turismo maior aliado na recuperação da economia nacional.

Vamos parar de fazer comparações esdrúxulas ou repetir versões equivocadas sobre o número de turistas que visitam a Torre Eiffel e o Brasil, ou que visitam a Espanha ou França e o Brasil; não dá para comparar, é preciso entender.


Junto com o debate do número de estrangeiros, é primordial fazer o debate sobre seus gastos nas viagens ao Brasil. Já está mais do que batido relembrar que somente o número de pessoas que chegam não pode ser um indicador de sucesso do turismo, somos nós, profissionais da área que precisamos enfocar esses aspectos. Estão espalhados pelo mundo diversos exemplos de lugares que NÃO QUEREM MAIS TURISTAS, ver sobre overtourism aqui. E ainda tem outro aspecto, os órgãos de turismo pelo planeta afora, e as empresas do setor, usam dados do passado (séries históricas) para entender o movimento temporal dos volumes de visitantes; mas o que vale hoje é antecipar a demanda, usar big data para saber sobre o futuro, planejar e manejar fluxos e comportamentos de visitantes. Na verdade, o Brasil praticamente não tem dados de séries históricas passadas sobre turismo, imagina quanto tempo levaremos para pensar e agir direcionados ao futuro.

Bem, mas aqui vai o debate. Quero iniciar com números, falando do volume de chegadas de estrangeiros ao Brasil, para nos próximos posts, falaremos dos principais temas importantes nesse problema que estamos tentando desvendar. Fui atrás dos dados existentes sobre a chegada de estrangeiros ao Brasil, que segundo o Ministério do Turismo iniciaram a ser compilados em 1989. Eis as informações que considero mais relevantes, lembrando que não vale analisar friamente o aumento de um ano para outro, o turismo trabalha com séries de no mínimo 5 e 10 anos. Números isolados podem ser chatos, mas são a base para começarmos nossa conversa; lembrando ainda, existem números e números…

  • em 1989 o Brasil recebeu 1,4 milhão de turistas e um ano depois, 1990, foi 1,91 milhão, um aumento de 22%
  • em 1995 foram quase 2 milhões
  • no ano 2000 recebemos 5,3 milhões de visitantes, aumento de 165% desde que os dados começaram a ser coletados
  • entre 2005 e 2010, ficamos na faixa dos 5,3 e 5,1 milhões a cada ano, depois começamos a aumentar em média 4% ao ano (2011 a 2013)
  • 2015: 6,3 milhões de turistas
  • 2018: 6,6 milhões de visitantes

Veja a tabela abaixo com os anos, volumes e percentuais de aumento ou diminuição. A elaboração é nossa em diversas fontes como MTUR, OMT.

Se fizermos uma média, desde 1989 até 2018, entre altos e baixos, teremos 16% de crescimento ao ano; no entanto, alguns anos deram saltos de 20%, 22% e até 33%. Outros anos, as quedas foram de 22%, 6% e 1%. A série que analisamos tem curvas ascendentes e descendentes bastante sinuosas, o que terá que nos remeter a uma análise de alguns períodos, como por exemplo: 2006 a Varig deixa de voar, e perdemos milhares de assentos no mercado internacional (-6% de turistas); em 2009 uma grave crise econômica mundial e a H1N1, caímos quase 5%. Em 2014 foi a Copa, crescemos 11%; em 2015 a diminuição de turistas foi quase de 2%. Em 2016 foram os Jogos Olímpicos, crescemos 3,8%.

Conclusão: entre 1989 e 2018 o volume de visitantes cresceu 372%, e entre 2010 e 2018 cresceu 28%. Nos últimos 4 anos crescemos 5%. Sei que são muitos dados, mas isso mostra os altos e baixos de fatores internos e externos que influenciam diretamente nos resultados do turismo do Brasil e de todos os países do mundo.

Para finalizar essa primeira compilação de dados, fizemos uma comparação do crescimento do turismo no mundo, na América do Sul e nos países emergentes no período entre 2010 e 2018. Em alguns anos, o Brasil cresceu muito mais do que a média mundial (2010, 2011, 2012, 2014 e 2016) e nos demais anos do período mencionado, muito menos do que a média mundial. O fato mais relevante nessa comparação mostra que em todo este período o Brasil cresceu menos do que a média da América Latina, isso é um dado preocupante, pois trata-se da maior economia da região com pior desempenho no turismo. Também, com anos de raras exceções, crescemos menos do que a média das economias emergentes.

Você pode nos ajudar a lembrar de fatores que influenciaram esses períodos de altos e baixos ? Tem mais informações para nos ajudar ? Compartilha aqui com a gente. P.S.: todos os textos com link abordam os temas em mais detalhes.

Turismo e economia

Em tempos de desafios no cenário econômico vale entender melhor o papel do turismo na economia nacional, assim como seu comportamento em relação a outros setores. Quem sabe se assim não podemos provocar investimentos no setor ?

Estudo do WTTC – World Travel & Tourism Council que compara a importância da indústria de viagens e turismo em relação a outros de nossa economia nos trazem dados surpreendentes. Em termos de impactos diretos no PIB brasileiro o turismo é duas vezes maior que o setor automobilístico e maior do que o setor químico e de mineração.

Na geração de empregos, o turismo, diretamente, gera mais postos de trabalho do que os serviços financeiros, automobilístico, comunicações, mineração e químico. O turismo gera direta e indiretamente 8,6% dos empregos no Brasil.

E para quem precisa de um futuro com algum sinal de otimismo, o estudo do WTTC, realizado pela Oxford Economics mostra que entre 2015 e 2025 é um dos que mais vai crescer em comparação a 10 setores estudados, serão em média 3,1% ao ano. Somente a agricultura (3,2), os bancos (3,4%) e o setor de mineração (4,4%) tem projeções de crescer mais do que nossa indústria.

E para falar em exportações, onde o turismo internacional tem grande importância no cenário atual e futuro, o estudo mostra que em 2014 o turismo representou 18% das exportações de serviços e 2,7% do total das exportações.

Mais impressionante, cada US 1 milhão gastos em turismo em nosso país geram outros US 1,5 milhão para nosso PIB; o único setor que gera mais impacto no PIB depois das viagens é a educação. E mais, para cada US 1 milhão de gastos de turistas em nossa atividade são gerados 55 empregos diretos, indiretos e induzidos. Os outros setores geram quantos empregos para cada US 1 milhão? Serviços financeiros 29, educação 81, automobilístico 36, comunicações, 36 e agricultura 100 empregos.

Fonte: How does Travel & Tourism compare to other sectors ? – World Travel & Tourism Council/ Oxford Economics

O que diz o WTTC para 2013

O WTTC – Conselho Mundial de Viagens e Turismo, apresenta anualmente seus dados para o crescimento da economia do turismo no mundo e em diversos países.

Fui dar uma olhada nas quatro variáveis estratégicas avaliadas, o que está projetado para o Brasil e para o mundo, confira:

PIB DIRETO DO TURISMO

O turismo brasileiro contribuiu com R$ 150,6 bilhões para o PIB do país em 2012, 3,4% do total.

Para 2013 a previsão de crescimento para o Brasil é de 5%, e para o mundo 3,1%

EMPREGOS DIRETOS

O turismo brasileiro empregou diretamente 2.950.000 pessoas em 2012, isso representa 3% do total de empregos no País.

Para 2013 a previsão de crescimento é de 3,4% dos empregos diretos no Brasil e 1,2% no mundo.

GASTOS DOS ESTRANGEIROS

O total de gastos dos estrangeiros no Brasil em 2012 foi de R$ 14,6 bilhões, o que representa 2,7% do total das exportações.

Para 2013 a projeção de crescimento para nosso país é de 7,6% e para o mundo de 3,1%.

INVESTIMENTOS

No ano passado foram investidos pelo setor público e privado R$ 43,5 bilhões em turismo, o que significou 5,4% dos investimentos realizados no Brasil.

Para 2013 a projeção é de que os investimentos em turismo cresçam 8,4% no Brasil e 4,2% no mundo.

 

FONTE: WTTC

Lideranças empresariais e governo

Em reunião realizada ontem na CNC, em Brasília, a presença dos Ministros da Casa Civil, Gleise Hoffmann, e do Turismo, Gastão Vieira, foi um passo importante no relacionamento do setor privado com o Governo brasileiro.

Sob a liderança de Alexandre Sampaio, os empresários membros da Câmara de Turismo puderam apresentar temas de interesse do turismo, que merecem atenção e atitudes por parte do governo federal. A receptividade e a disposição em colaborar foram grandes por parte dos Ministros, e prometeram a continuidade dessa conversa para o detalhamento dos projetos e a sequência de ações.

As lideranças empresariais apresentaram dados que mostram a importância da indústria de viagens e do turismo para o desenvolvimento do Brasil, particularmente na geração de empregos, entrada de divisas, crescimento do volume de visitantes e impactos no PIB. Além disso, cada segmento, como eventos, hotelaria, transportes, agências de viagens, puderem expor os principais ponto que impedem o melhor desempenho do setor.

Acredito que a colaboração do setor privado com os governos é um passo importante para melhorar a competitividade do turismo, e também para promover mudanças que permitam o desenvolvimento de negócios para empresários. Temos que cobrar a responsabilidade e mostrar a importância da econômica e as demandas do setor privado.

Vale lembrar que:

– o Brasil é o sexto país no mundo em termos absolutos no impacto da atividade turística sobre a economia

– o PIB direto do turismo deve crescer 7,8% em 2012 – no ano passado ele representou 3,2% do PIB

– os empregos diretos no turismo devem crescer 7,1% em 2012 – no ano passado eles eram 2,7% do total de empregos do país

– as exportações geradas pelo turismo devem crescer 11,6% em 2012, elas representaram 2,5% do total das exportações do Brasil em 2011

FONTE: WTTC – World Travel & Tourism Council

Turismo, G20 e vistos

Importante o reconhecimento pelos líderes do G20 sobre a importância do turismo como gerador de empregos, crescimento e recuperação da economia.

A Declaração da reunião anual do G20 reconhece “o papel da indústria de viagens e turismo como meio para criação de empregos, crescimento econômico e desenvolvimento;  e, ao mesmo tempo em que respeita a soberania dos países no controle de suas fronteiras busca trabalhar para facilitar as viagens entre países como forma de criar empregos, trabalho de qualidade, diminuir a pobreza e o crescimento global”

O esforço conjunto da OMT – Organização Mundial de Turismo e do WTTC – World Travel & Tourism Council resultou nessa primeira menção ao turismo em uma declaração dos líderes do G20. O WTTC divulgou dados que mostram que a indústria irá contribuir diretamente com US$ 2 trilhões ao PIB mundial e a criação de 100 mil empregos em 2012.
As entidades de turismo ainda apresentaram aos líderes mundiais dados que mostram como a facilitação do visto poderia contribuir para impulsionar o turismo. A recuperação econômica mundial poderia contar com mais 122 milhões de empregos e gerar um valor adicional de US$ 206 bilhões com os gastos dos turistas. Além disso, cerca de 5 milhões de novos empregos poderiam ser criados somente com a facilitação de vistos e da burocracia de fronteiras.

 

Receita e despesa, algo de novo ?

O ano de 2012 traz um desempenho diferente em relação ao comportamento de brasileiros e estrangeiros quando o tema é gastos com viagens.

Os números absolutos de receita e despesa continuam mostrando que enquanto de janeiro a abril de 2012 os brasileiros gastaram US$ 7.190 mil, os estrangeiros deixaram por aqui US$ 2.477 mil. A diferença está no ritmo do crescimento em relação ao ano de 2011.

As receitas totais cresceram quase 9% este ano, enquanto os gastos cresceram 7%. E o que mais chama a atenção é que durante os meses de março e abril, os gastos dos brasileiros caíram. Somente em abril, esses números foram negativos em 7,5%.

Com o aumento do dólar, observamos claramente uma pequena diminuição do número de viagens dos brasileiros ao exterior, mas uma grande contenção de gastos quando comparamos com os últimos anos.

Já quando se trata dos estrangeiros, levando em consideração a crise em alguns dos principais mercados emissores, o número e o gasto permanencem aumentando de forma razoável, e bastante acima da média mundial.

Mais um motivo para o que turismo ( QUINTA ITEM DE NOSSA PAUTA DE EXPORTAÇÕES )  seja compreendido e tratado como setor de exportações, buscando uma importância efeitiva nas polítivas públicas de desenvolvimento e, sobretudo, nas desonerações fiscais. O que isso vai significar ? Mais divisas, mais empregos e mais investimentos.