Últimos dados do internacional – OUT 2020

Dados são essenciais para pensar o futuro do turismo nesse cenário ainda nebuloso. Trazemos um vídeo com os últimos dados da OMT e da Fowardkeys sobre o mundo e o Brasil. Também falamos de projeção para 2020 e dos impactos que a economia global sofreu com a não realização de viagens.

Se quiser saber mais sobre o turismo internacional para o Brasil pode acessar esses posts: Perdas do Turismo, Histórico de chegada de estrangeiros no Brasil e consequências para o futuro pós pandemia.

Internacional segue abalado

A aviação é extremamente importante para a economia e para o mercado de turismo no Brasil. A recente ‘descoberta’ de viagens de carro e outras formas de deslocamento terrestre são significativos para o setor. Nossa dependência dos voos é e deverá continuar a ser grande. Os voos domésticos em nosso país estão em cerca de 40% do que tínhamos antes da pandemia, e devem chegar a cerca de 65% em dezembro, conforme dados da ABEAR. Já o cenário internacional segue bastante adverso e extremamente difícil de recuperar.

Dados da Fowardkeys, empresa espanhola que avalia a demanda passada e futura de viagens com base em big data, mostram que o Brasil, entre janeiro e agosto de 2020 está no patamar de 67% do número de reservas aéreas em relação ao mesmo período de 2019. Mas se analisarmos as últimas semanas de agosto e as próximas semanas de setembro, ainda estamos estacionados em 90% das reservas em relação aos mesmos meses do ano passado.

Mundo segue quase parado

São diversos os fatores que a pandemia nos impõe quando buscamos entender a situação do movimento de passageiros, com destaque para as fronteiras fechadas. Com exceção da melhoria de voos entre os países da Europa, o tráfego internacional de passageiros ainda está com uma perda acima de 90% na comparação com 2019 (IATA). Aqui no Brasil, vemos aos poucos, lentamente, o retorno de algumas rotas, que ainda dependem da abertura de fronteiras entre nossos principais emissores como Argentina, Chile, Uruguai, Portugal, Alemanha, dentre outros.

Caminho muito longo pela frente

Em diversas conversas e estudos, me chama a atenção a grande batalha que será necessária para que os destinos brasileiros recuperem os voos que tinham, ou melhor, se esforcem muito para manter um mínimo de operações internacionais na busca de recuperação de seus visitantes estrangeiros. Como ainda não existem planejamentos fechados por parte das aéreas em relação à conexão com o Brasil, ficamos entre voos que voltam com poucas frequências para São Paulo e alguns outros poucos para determinados destinos; entre voos que foram cancelados e não voltam tão cedo ou nunca mais; e voos que podem voltar aos poucos à depender do recuo da pandemia, abertura e fronteiras e um ajuste entre governos sobre regras de viagens quando estas forem possíveis.

Cenário futuro desastroso

Nessa próxima etapa com a abertura de fronteiras, há ainda um longo caminho, estruturar protocolos que sejam os mais parecidos e claros possíveis entre os países de nosso continente, evitando bater cabeça sobre o que é e o que não é exigido de um estrangeiro que chega aqui e nos demais países. Além de cooperação e informação, o trabalho para que o Brasil seja reconhecido como uma opção nas viagens internacionais levará mais tempo do que a própria pandemia. Já entramos em 2020 em desvantagem no cenário global, com uma queda de 4,1% na chegada de estrangeiros em 2019, quando o mundo cresceu 3,4%, conforme detalhamos nesse post. O Brasil segue sem órgão de promoção internacional, sem recursos, sem estratégia, transformando o trabalho de imagem e de atração de turistas na situação mais adversa que já pude observar.

Por enquanto e por um bom tempo o doméstico segue sendo nossa fortaleza, conforme falamos aqui nesse post.

Primeiros sinais do internacional?

Photo by Josh Hild on Unsplash

A Pires Inteligência em Destinos e Eventos vem acompanhando semanalmente os dados de demanda internacional para o Brasil em parceria com a Fowardkeys, empresa espanhola de monitoramento de viagens aéreas passadas e futuras. São meses sem nenhum movimento aéreo internacional, e que acaba de ser alterado à partir da abertura de fronteiras do nosso país no último dia 29 de julho. O que observamos, segundo o especialista em análises de mercado da Fowardkeys Juan Gómez:

  • Novas reservas substituíram, em números, os cancelamentos na semana de 6 de julho pela primeira vez desde o início da crise
  • Para reservas futuras, em comparação com o mesmo período de 2019, houve diminuição média de -95% para -83% na semana de 27 de julho, quando houve o anúncio da reabertura das fronteiras
  • Há um grande número de reservas com bilhetes somente de entrada no Brasil, especialmente de destinos sulamericanos como no caso da Argentina. A maioria das novas reservas foram de última hora (viagens para as duas primeiras semanas de agosto)
  • Na primeira semana de agosto registramos cancelamentos de viagens para setembro e outubro, provavelmente de passageiros que tinham viagens marcadas, mas devido à pandemia ainda estar com alto índice de contágio tiveram que cancelar suas viagens

Resumindo:

  1. Embora os sinais de retorno do internacional tenham sido iniciados com o anúncio da abertura de fronteiras, ainda precisamos que o Brasil mude os índices de contágio da pandemia para que os mercados nos aceitem e comecem a pensar em nos visitar;
  2. As reservas que foram feitas recentemente são, em sua maioria, somente de uma perna, one way, o que indica serem pessoas que moram no Brasil ou que estavam no exterior aguardando a possibilidade de retorno e;
  3. Quanto mais o Brasil demorar para enfrentar a pandemia mais tempo vamos demorar na recuperação do internacional, o pode estar demorando mais do que as projeções iniciais haviam calculado.

Reservas passadas e futuras para o internacional

Photo by Isaac Smith on Unsplash

Temos todos acompanhado o retrocesso do mercado internacional de turismo para o Brasil, diante desse cenário, fica a pergunta: e então como preparar o futuro? Acredito que termos dados é a chave para combinarmos com nossa experiência, especialmente quando vemos cerca de 94% de nossas chegadas aéreas menores do que 2019 (junho 2020). Trago para você números que nos permitem aprofundar os movimentos de chegadas aéreas que tivemos entre janeiro e junho de 2020 em cada um dos mercados emissores para o Brasil, assim como olhar para as futuras reservas.

Chegadas aéreas passadas

Segundo dados da FowardKeys (empresa de big data que mapeia reservas aéreas passadas e futuras com fonte nos GDSs e empresas aéreas), exclusivos para a Pires Inteligência em Destinos e Eventos, o Brasil registrou entre janeiro e junho de 2020 uma diminuição de 58 % nas chegadas aéreas internacionais. Dados da Argentina, que respondeu por 29,3% do total, mostram que perdemos 59,4 % de viajantes; no segundo mercado emissor nesse período, o Chile, a diminuição foi de 53,1%; e o Uruguay registrou -55,2% de chegadas. Quando olhamos para a Europa as maiores quedas vieram da Espanha (-59,9%) e da Itália (-59,6%); e as “menores” vieram da França (-52,2%) e de Portugal (-52,1%). Vemos claramente como os países mais impactados pela pandemia fizeram menos viagens para o Brasil, será que essa tendência pode ocorrer para as futuras reservas?

RESERVAS FUTURAS

Falando nas reservas futuras de curto prazo, os dados da FowardKeys demonstram que entre 29 de junho até 9 de agosto de 2020 comparado ao mesmo período de 2019, temos uma diminuição de 90% de chegadas internacionais programadas para o Brasil. Muito interessante notar aqui, que mesmo sendo um volume muito baixo de passageiros, países como a Argentina, Chile e Uruguai têm mais de 92% de diminuição de reservas futuras, e alguns países europeus refletem de forma lenta uma pequena retomada inicial, com cerca de até 81%, 84% de diminuição em relação a 2019. Esse fator, nesse momento, indica um aumento do share de chegadas da Europa para o Brasil, principalmente da Alemanha, Reino Unido, Itália e Portugal.

Não obstante as restrições atuais para passageiros entre o Brasil e América do Sul, Europa e outros destinos; além das incertezas do futuro próximo, é importante planejar desde agora 2021. Ficar ausente na mente dos possíveis consumidores no cenário de alta competitividade internacional é a pior estratégia, já que para recuperar o mercado de turistas estrangeiros teremos outros desafios além da própria pandemia em si. A grande oferta mundial estará toda focada em conquistar pequena demanda existente.

Vamos ficar de olho e trazer para você informações sempre atualizadas, lembrando que a volta da confiança nas viagens, a vacina, as restrições entre fronteiras e o cenário econômico podem impactar tendências em qualquer sentido. Leia aqui o que falamos sobre confiança nas viagens como fator decisivo para a retomada.

Para saber mais sobre esse tema:

AVALIANDO CENÁRIO ATUAL COM DADOS

Primeiro trimestre de 2020 aponta queda de 22% nas chegadas internacionais de viajantes pelo mundo; relato da OMT também mostra a diminuição de 19% nas chegadas à América do Sul. A perda de receitas globais do turismo pode chegar a US$ 1,2 trilhões esse ano e os empregos diretos em risco podem chegar a 120 milhões em todo o planeta.

Photo by Mathew Schwartz on Unsplash

Tudo bem, sei que você não está querendo ouvir notícias ruins, pois o cenário já está bastante difícil e está sendo bombardeado com informações difíceis de digerir. Quero te convidar a avaliar os números recentes sobre o impacto da COVID-19 na indústria de viagens e turismo porque estou, assim como você e todos em nosso setor, na torcida e com as mãos na massa para a retomada, e só acredito em cenários quando eles são baseados em números e avaliações consistentes. Considero então que devemos entender o que está passando no planeta para olhar para o futuro do turismo.

Dados de hoje (18 maio 2020), divulgados pela Organização Mundial de Turismo, OMT mostram os primeiros números coletados para o primeiro trimestre de 2020 nas chegadas internacionais de viagens: uma queda global de janeiro a março de 22%. A Ásia-Pacífico é a região mais impactada, pois lá a epidemia chegou mais cedo do que nos demais países, uma diminuição de 35%; as Américas tiveram uma queda de 15% com a sub-região América Latina foi mais impactada, – 19%. Destaca-se que somente o mês de março registrou -57% nas viagens, e fevereiro, -9%. Veja as imagens abaixo:

As projeções da OMT levam a uma diminuição entre 58% a 78% das viagens mundiais em 2020, a depender de como o cenário evolui, especialmente na contaminação e re-abertura progressiva dos países e suas fronteiras. Nas divisas geradas pelas viagens internacionais, a perda pode chegar a US$ 1,2 trilhões, a maior queda registrada historicamente no setor. O setor ainda projeta que o impacto no turismo coloca hoje cerca de 100 a 120 milhões de empregos diretos em risco.

Outras entidades e pesquisas também trazem números que são importantes conhecer. A International Air Transport Association, IATA mostrou uma diminuição de 22% na demanda de passageiros de janeiro a março no mundo, sendo somente em março uma queda de 56%; a projeção para o ano de 2020 é de diminuição de 48%. Estudos sobre os quais a PIRES INTELIGÊNCIA EM DESTINOS E EVENTOS teve acesso em abril mostram que as buscas por viagens aéreas no Brasil começaram a cair em março (-6,6%) e já à partir de abril e maio registraram queda de -36% e -46%, respectivamente. A demanda internacional da Europa, por exemplo, em abril já registrava queda de 31% em relação ao mesmo período de 2019.

Hoje o Brasil tem 8,5% de sua frota de aeronaves voando, e diversas empresas aéreas nacionais e internacionais anunciam a retomada gradual de voos no início de junho, a depender da abertura de fronteiras hoje fechadas no país. Você pode ouvir mais sobre o cenário de aviação no podcast HUB TURISMO, episódio 7, quando conversamos com Eduardo Sanovicz, Presidente da ABEAR.

Seguimos acompanhando os dados futuros, lembrando que a FowardKeys, empresa espanhola de big data para antecipação de demanda mostrou que para os meses de junho, julho e agosto temos no Brasil uma queda de 51.7% nas reservas com confirmação até 2 de maio de 2020 em relação ao mesmo período de 2019.

2,8% dos espanhóis buscam pelo Brasil

Photo by Jon Tyson on Unsplash

Um levantamento inédito da empresa Fowardkeys sobre as viagens intercontinentais do espanhóis mostra seu comportamento em reservas antecipadas e buscas em 2019 e para o primeiro semestre de 2020.

Segundo a empresa, em 2019 o turismo emissivo espanhol cresceu somente 1,3%, e para o primeiro semestre desse ano as reservas feitas de forma antecipada estão 1,2% menores do que no mesmo período do ano passado. As Américas foram o continente preferido das viagens dos espanhóis em 2019, com 53% do total de reservas, mas o crescimento em relação a 2018 foi somente de 0,9%.

Já os dados de reservas antecipadas para o primeiro semestre de 2020 estão 5,7% menores do que no mesmo período de 2019, justificados pelos problemas por que passam diversos países sulamericanos como Argentina, Bolívia, Chile e Equador. Esse indicador é ruim para todo o continente, já que no imaginário das pessoas a situação em toda a Latino-América pode ser similar, então as reservas já estão sendo feitas para outros destinos.

Quando se trata de buscas, nesse mesmo primeiro semestre de 2020, em relação a 2019, os EUA têm 26,1% do total, a Argentina 4,3, o Brasil 2,8% e e a Colômbia 2,7% do total de buscas. Ou seja, a recuperação econômica e os ajustes dos problemas sociais na América do Sul são condições fundamentais para aumentar o número de visitantes espanhóis e certamente de outros ligares do mundo. O investimento na imagem do Brasil e em sua promoção no mercado espanhol são condição essencial para aumentar o fluxo e o gasto destes em nosso país e aproveitar as oportunidades do aumento da oferta de voos diretos ao Brasil.

Outbound Brasil Jan a jun 2018: + 14,2%

A Fowardkeys é uma empresa global que trabalha com antecipação de demanda. Apresentou hoje (17/4/2018) em Buenos Aires no WTTC Summit 2018 um estudo sobre as viagens na América Latina. E nós estamos com dados exclusivos sobre o Brasil.

Segundo os dados  as viagens internacionais dos sul-americanos está decolando. As reservas feitas à partir da América do Sul e Caribe estão 9,3% maiores em relação ao mesmo período do ano passado. A Argentina lidera com crescimento de 16,6% e o Brasil com 14,2%, tendo esse último 20% do mercado emissivo (número de viagens reservadas) e a Argentina 18%.

Os argentinos estão viajando dentro do continente entre abril e junho de 2018, o Brasil será seu segundo destino com 21,3% das preferências, e quem lidera é a Colômbia com 22,2%.

E os brasileiros? Entre abril e junho estão com reservas para a República Dominicana (43,8%), para o Canadá (39,0%), para o Chile (35,6%),. O Brasil é ainda o segundo país com mais reservas feitas pelos colombianos e pelos chilenos. Entre os 5 países estudados pela Fowardkeys a preferência dos sul-americanos é seu próprio continente, crescimento de 1,9%. Os mexicanos estão preferindo ir para a Rússia na Copa do Mundo FIFA. Ainda vemos que os argentinos viajam mais no nosso continente do que os brasileiros, nós preferimos viagens de mais longa distância para Europa e América do Norte.

Se olharmos para o ano de 2018 entre janeiro e junho, os principais destinos dos brasileiros no exterior são Canadá, Chile, França, Itália, México e EUA.

O Brasil está também bastante procurado pelos estrangeiros, com 16,5% de crescimento de reservas entre janeiro e junho de 2018. Isso se explica pela melhoria das conexões com os EUA, as facilidades dos vistos eletrônicos e as novas conexões para o nordeste, especialmente Recife e Fortaleza.

Os destinos no Brasil que lideram as chegadas aéreas de argentinos entre janeiro e junho de 2018 são Pernambuco com crescimento de 80% em relação ao ano passado, Santa Catarina com +47,8%, Rio de Janeiro com +23%, São Paulo com +16,5% e Bahia com + 8,1%. Os demais estados do Brasil juntos cresceram 41,8% em relação a janeiro/junho de 2017.

Quer saber mais sobre o WTTC Summit 2018?

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