3 rotas para o turismo sobre coronavirus

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O recente período quem que vivemos do surto de coronavirus na China e no mundo ainda nos traz muitas incertezas, e os impactos negativos na indústria do turismo já são imensos, como tratamos aqui nesse post. Mas eu considero importante engajar nossa indústria como parte da administração e da solução para o grande problema, alertando sobre danos maiores e buscando alternativas para ajudar hoje e amanhã nosso setor a superar tal episódio. Compartilho então 3 temas para nossa reflexão:

1 – Informação clara e atualizada: Para que não haja uma corrida sem medidas de cancelamentos de viagens, maiores dados em muitos países, é essencial que as entidades de turismo mundiais e locais, assim como lideranças e especialistas em turismo repassem informações claras e atualizadas sobre a disseminação da doença, formas de prevenção, recomendações básicas de higiene e dados precisos sobre o desenvolvimento da doença e seus desdobramentos. Sugerir que as pessoas leiam e divulguem dados oficiais e fontes sérias, nunca boatos e fontes desconhecidas, evita a propagação de mentiras e a criação de pânico desnecessário; além de preconceito ou visões distorcidas sobre os turistas chineses.

2 – Administração de crises: Essa não é a primeira nem a última crise que o turismo enfrenta em nível global ou até em pequenos destinos, por isso, é fundamental que os governos e entidades estejam preparados com ferramentas de relações públicas e protocolos a seguir para momentos de crise. Sei que isso é muito raro no turismo brasileiro, mas como há uma tendência de períodos turbulentos pela frente, principalmente ligados ao aquecimento global ou crises sociais (como estamos enfrentando em diversos países na América do Sul e que já diminui em 3% a chegada de estrangeiros) precisamos ampliar nosso entendimento diário sobre as consequências de temas macro em nossa indústria, entender como funcionam e impactam e, sobretudo, saber tratar de forma profissional, imediata e segura. Nossas equipes de imprensa e relações públicas precisam estar sempre preparadas e agir de forma rápida diante dos cenários adversos.

3 – Resiliência: “A resiliência é a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas – choque, estresse, algum tipo de evento traumático, entre outros. Sem entrar em surto psicológico, emocional ou físico, por encontrar soluções estratégicas para enfrentar e superar as adversidades. Nas organizações, a resiliência se trata de uma tomada de decisão quando alguém se depara com um contexto entre a tensão do ambiente e a vontade de vencer. Essas decisões propiciam forças estratégicas na pessoa para enfrentar a adversidade” (Wikipedia). Nossa indústria é resiliente, resistente à crises e se recupera rápido em períodos de turbulência; nesse sentido, ter sempre em mente a autoconfiança e o foco voltado para a administração das adversidades e de sua solução é o caminho mais adequado.

Vamos acompanhar e compartilhar o assunto, buscando ter uma dimensão clara de sua repercussão, conhecendo seus reais impactos e trabalhando para que tudo possa voltar à normalidade o mais breve possível. Segundo estudo do WTTC, as crises provocadas por problemas sanitários no mundo e estudadas pelo setor de turismo, tiveram, em média, 19,4 meses para se recuperar, podendo esse período variar entre 10 a 34,9 meses. Seguimos de olho.

Década de receitas internacionais dormente

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O Brasil não cresceu nada nas receitas internacionais dos turistas que nos visitaram na última década, isso é pior do que crescer tão pouco o número de visitantes. As únicas pequenas exceções são 2014 e 2016 por causa da Copa da FIFA e do Jogos Olímpicos (mesmo assim o crescimento foi muito pequeno diante da oportunidade de sediar tais acontecimentos globais). Nós já falamos em mais detalhes sobre esse tema nesses estudos que fizemos sobre o histórico da entrada de receitas e sobre os números de entrada de turistas no Brasil.

A tabela abaixo mostra a “evolução” das receitas desde 2010, o que demonstra a fragilidade do turismo receptivo internacional e, possivelmente, a falta de competitividade em termos de produtos turísticos, da escassa oferta de produtos em nosso país. Não sabemos orientar o turista para que ele gaste mais em nossos destinos, nos contentamos em trazê-lo e pronto! Assim, os resultados da atividade turística para atrair mais divisas fica tímido diante do imenso potencial.

ANOReceitas em milhões de US$
2010    5.261 
2011    6.095 
2012    6.378 
2013    6.474 
2014    6.843 
2015    5.844 
2016    6.024 
2017    5.809 
2018    5.921 
2019    5.913 

Para o fechamento de 2019, os dados divulgados pelo MTur mostram uma queda de 0,13% no ano comparado com 2018. Os únicos meses em que os turistas gastaram mais em 2019 foram março (+4,26%), julho (+43,42%) e dezembro (+4,32%).

Diante desse cenário me pergunto? Por que insistimos tanto em dizer que temos poucos turistas (6.6 milhões) e não nos preocupamos com o efeito econômico, social e ambiental de sua visita? Pra mim um dos melhores exemplos de sucesso é a Austrália, ela é o 41o país no ranking de volume de chegadas, com 9,2 milhões de turistas, pouco né? Mas é o 7o. no mundo em receitas, com US$ 45 bilhões! Veja no quadro abaixo, da OMT, o ranking de países que mais recebem visitantes e daqueles que mais ganham com as receitas das viagens aos seus países.

Fonte: OMT, International Tourism Highlights 2019.

Com os dados divulgados hoje pelo MTur do fechamento de 2019 (-,13% no ano) e o estudo feito por nós sobre a década para as receitas dessa atividade de receptivo internacional fica o desafio aos gestores, entidades e empresários: ter mais produtos, oferecer melhores experiências, mostrar nosso diferencial e, fazer promoção e marketing de forma profissional, direcionada e com metas claras de aumento da estadia e dos gastos dos estrangeiros. O que você acha que poderíamos fazer para que as divisas com os gastos dos turistas em nosso país aumentem ?

Uma curiosidade, os gastos dos brasileiros no exterior caíram 3,68%, os únicos meses positivos para as despesas no exterior foram junho (+2,44%), julho (9,64%), setembro (11,83%) e dezembro (6,71%).

Podemos ou não ter mais estrangeiros ? (parte 1)

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Afinal, por que o Brasil não tem um número maior de visitantes estrangeiros? Vamos fazer alguns posts sobre o tema e adoraríamos ter as opiniões dos profissionais de turismo do país. Nossa conversa não tem cor, não tem julgamento, só busca a melhor compreensão.

Particularmente amo esse debate, porque ele parece simples, mas exige análises de diversos ângulos, depende de fatores ligados diretamente ao turismo e de outros sobre os quais não temos qualquer governança. E sua compreensão e solução, acima de tudo, depende da contribuição de diversos profissionais brasileiros que possuem experiência com o mercado internacional. Afinal, qual o objetivo de fazer esse bate papo? Atrair mais estrangeiros, gerar mais negócios para os que trabalham no setor, gerar empregos; fazer o turismo maior aliado na recuperação da economia nacional.

Vamos parar de fazer comparações esdrúxulas ou repetir versões equivocadas sobre o número de turistas que visitam a Torre Eiffel e o Brasil, ou que visitam a Espanha ou França e o Brasil; não dá para comparar, é preciso entender.


Junto com o debate do número de estrangeiros, é primordial fazer o debate sobre seus gastos nas viagens ao Brasil. Já está mais do que batido relembrar que somente o número de pessoas que chegam não pode ser um indicador de sucesso do turismo, somos nós, profissionais da área que precisamos enfocar esses aspectos. Estão espalhados pelo mundo diversos exemplos de lugares que NÃO QUEREM MAIS TURISTAS, ver sobre overtourism aqui. E ainda tem outro aspecto, os órgãos de turismo pelo planeta afora, e as empresas do setor, usam dados do passado (séries históricas) para entender o movimento temporal dos volumes de visitantes; mas o que vale hoje é antecipar a demanda, usar big data para saber sobre o futuro, planejar e manejar fluxos e comportamentos de visitantes. Na verdade, o Brasil praticamente não tem dados de séries históricas passadas sobre turismo, imagina quanto tempo levaremos para pensar e agir direcionados ao futuro.

Bem, mas aqui vai o debate. Quero iniciar com números, falando do volume de chegadas de estrangeiros ao Brasil, para nos próximos posts, falaremos dos principais temas importantes nesse problema que estamos tentando desvendar. Fui atrás dos dados existentes sobre a chegada de estrangeiros ao Brasil, que segundo o Ministério do Turismo iniciaram a ser compilados em 1989. Eis as informações que considero mais relevantes, lembrando que não vale analisar friamente o aumento de um ano para outro, o turismo trabalha com séries de no mínimo 5 e 10 anos. Números isolados podem ser chatos, mas são a base para começarmos nossa conversa; lembrando ainda, existem números e números…

  • em 1989 o Brasil recebeu 1,4 milhão de turistas e um ano depois, 1990, foi 1,91 milhão, um aumento de 22%
  • em 1995 foram quase 2 milhões
  • no ano 2000 recebemos 5,3 milhões de visitantes, aumento de 165% desde que os dados começaram a ser coletados
  • entre 2005 e 2010, ficamos na faixa dos 5,3 e 5,1 milhões a cada ano, depois começamos a aumentar em média 4% ao ano (2011 a 2013)
  • 2015: 6,3 milhões de turistas
  • 2018: 6,6 milhões de visitantes

Veja a tabela abaixo com os anos, volumes e percentuais de aumento ou diminuição. A elaboração é nossa em diversas fontes como MTUR, OMT.

FONTE: Pires Inteligência em Destinos e Eventos, 2018

Se fizermos uma média, desde 1989 até 2018, entre altos e baixos, teremos 16% de crescimento ao ano; no entanto, alguns anos deram saltos de 20%, 22% e até 33%. Outros anos, as quedas foram de 22%, 6% e 1%. A série que analisamos tem curvas ascendentes e descendentes bastante sinuosas, o que terá que nos remeter a uma análise de alguns períodos, como por exemplo: 2006 a Varig deixa de voar, e perdemos milhares de assentos no mercado internacional (-6% de turistas); em 2009 uma grave crise econômica mundial e a H1N1, caímos quase 5%. Em 2014 foi a Copa, crescemos 11%; em 2015 a diminuição de turistas foi quase de 2%. Em 2016 foram os Jogos Olímpicos, crescemos 3,8%.

Conclusão: entre 1989 e 2018 o volume de visitantes cresceu 372%, e entre 2010 e 2018 cresceu 28%. Nos últimos 4 anos crescemos 5%. Sei que são muitos dados, mas isso mostra os altos e baixos de fatores internos e externos que influenciam diretamente nos resultados do turismo do Brasil e de todos os países do mundo.

Para finalizar essa primeira compilação de dados, fizemos uma comparação do crescimento do turismo no mundo, na América do Sul e nos países emergentes no período entre 2010 e 2018. Em alguns anos, o Brasil cresceu muito mais do que a média mundial (2010, 2011, 2012, 2014 e 2016) e nos demais anos do período mencionado, muito menos do que a média mundial. O fato mais relevante nessa comparação mostra que em todo este período o Brasil cresceu menos do que a média da América Latina, isso é um dado preocupante, pois trata-se da maior economia da região com pior desempenho no turismo. Também, com anos de raras exceções, crescemos menos do que a média das economias emergentes.

Você pode nos ajudar a lembrar de fatores que influenciaram esses períodos de altos e baixos ? Tem mais informações para nos ajudar ? Compartilha aqui com a gente. P.S.: todos os textos com link abordam os temas em mais detalhes.

Veja a segunda parte dessa série aqui.

AGORA SIM: ISSO É MEDIDA DE SUCESSO NO TURISMO GLOBAL

Os gastos doa turistas estrangeiros no mundo aumentou 4% em 2018, somente nas Américas os gastos não aumentaram (apesar do número de pessoas ter crescido). Segundo um novo relatório da Organização Mundial do Turismo (OMT), em 2018, as exportações (gastos dos turistas em viagens internacionais) geradas pelo turismo internacional alcançaram US$1,7 trilhão, um aumento de 4% em relação a 2017. Esse número equivale a 29% das exportações globais de serviços e 7% das exportações totais de bens e serviços; fazendo com que o turismo internacional se consolide como um dos cinco primeiros setores a contribuir com o PIB global.

Dentro do valor atingido pelas exportações totais do turismo internacional, no ano passado, estão os gastos dos turistas nos destinos, que chegaram a US$ 1,448 bilhão, e os serviços de transporte internacional de passageiros, com US$ 256 bilhões. Ainda vale ressaltar que esse valor alcançado pelas receitas do turismo internacional representou um aumento de cerca de US$ 100 bilhões em relação ao ano anterior.

Na análise por regiões, o relatório aponta que a Ásia e o Pacífico lideraram com um crescimento de 7% nas receitas do turismo internacional, seguido pela Europa, com 5% e Américas 0%. Já o Nordeste da Ásia e a Europa Central e Oriental (ambos + 9%) foram as sub-regiões com o maior crescimento. No Brasil, em 2018, os gastos dos estrangeiros chegaram a US$  5.917 milhões, um aumento de 1,86% em relação a 2017 (Mtur, 2019). Nossa balança comercial foi negativa em US$  12.346 milhões.

Entre os maiores “gastadores” estão a França e a Rússia liderando o crescimento, com uma média de 11% cada um, seguidos pela Austrália, que registrou um aumento de 10% e ocupa a 6ª posição entre os 10 principais mercados de origem do mundo. A China, país em que os habitantes mais gastam em turismo mundial chegou a US$ 277 bilhões em gastos internacionais, enquanto os Estados Unidos, o segundo maior, US$ 144 bilhões.

No mercado internacional, de cada 5 turistas, 4 viajaram dentro de sua própria região; entendo que o foco do Brasil no mercado internacional deve combinar o aumento do volume e, principalmente, do gasto na América do Sul. Quanto aos demais países, ficar de olho nos que mais gastam e que já vem ao Brasil: EUA, França, Alemanha, Reino Unido, Canadá e Itália, por exemplo. Esse relatório mostra a importância de ter uma melhor e mais diversificada oferta de produtos e serviços no Brasil, fazer os potenciais visitantes saber o que pode ser feito por aqui, e buscar aumentar a permanência e o gasto médio dos estrangeiros. Como comentei aqui, volume não é medida de sucesso na indústria de viagens e turismo.

Brasil recordista em aumento de gastos em 2017

Dados divulgados hoje (31/01/2018) pela OMT – Organização Mundial de Turismo mostram que o Brasil e a Rússia, com as viagens de seus cidadãos ao exterior ajudaram a aumentar a demanda internacional por viagens em 2017. Sobretudo os gastos dos brasileiros foram notados no exterior no último ano.

2017 fechou com aumento de 7% de viagens, uma média bastante superior aos anos anteriores que vinha se mantendo em 4%; com grande destaque para o desempenho da Europa (+8%). Os países que mais recebem visitantes são França, Estados Unidos, Espanha, China e Itália; o Brasil aparece em 43o. lugar em 2016 e 2017, segundo a OMT.

No lado dos gastos, o desempenho dos países que mais gastam em viagens internacionais mostra a retomada das viagens dos brasileiros e dos russos; somos o país que mais cresceu percentualmente em gastos em 2017 (33%) e os russos o segundo (30%). Os países que mais arrecadam receitas com gastos dos estrangeiros em seus territórios são Estados Unidos, Espanha, Tailândia, China e França.

 

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2017 segundo a OMT

A Organização Mundial de Turismo divulgou que, em 2017, o turismo internacional aumentou 6% no mundo. Até o mês de outubro, foram 1,1 bilhão de viajantes internacionais.

Até o mês de agosto de 2017, o turismo cresceu 7% e a OMT aguardava um resultado de desenvolvimento de 5% até o fim do ano, já que os últimos meses registram aumentos inferiores. Porém, atipicamente, o forte crescimento no setor se manteve até o mês de outubro, fato que elevou a porcentagem positiva do balanço anual.

De acordo com a entidade, a previsão para 2018 é de aumento 3% e 4% na chegada de turistas internacionais, com projeção de crescimento anual até o ano de 2030.

América do Sul

Segundo a OMT, no fim dos dez primeiros meses de 2017, a América do Sul liderava o crescimento do setor nas Américas, com 7% de aumento nas visitas de turistas. Um dos motivos é o enfraquecimento do desempenho do setor na América do Norte.

Com o ano começando, ficamos no aguardo de estudos e balanços da indústria no ano completo de 2017. Os dados de chegadas internacionais nos ajudam a observar o setor sob um panorama a nível global, analisar projeções e traçar estratégias. Ficamos no aguardo e seguimos acompanhando.

OMT classifica 2017 com um dos melhores anos

A Organização Mundial do Turismo (OMT) aumentou o crescimento esperado no número de viagens de turistas internacionais no mundo para 6% para o final deste ano, enquanto as estimativas anteriores estavam em 4,5%. O aumento na previsão tem base nos resultados registrados nos primeiros dez meses desse ano, quando foram contabilizados 70 milhões de pessoas a mais viajando internacionalmente, de janeiro a outubro, um aumento de 7% em relação ao mesmo período do ano de 2016.

Geralmente, o turismo internacional experimenta um crescimento até o mês de agosto, enquanto os últimos meses do ano tendem a registrar um ritmo mais lento do que os anteriores, mas em 2017 a tendência ascendente foi mantida até outubro, impulsionada principalmente pela Europa do Sul e do Mediterrâneo, África do Norte e Oriente Médio.

Segundo a OMT, a melhora na economia global e a recuperação de destinos que sofreram declínios anteriormente são algumas das razões que refletem o bom resultado no Turismo.

Alguns dados do balanço da OMT

O crescimento mundial contribuiu para uma forte recuperação da demanda do Brasil e da Rússia, com aumentos de 33% e 27%, respectivamente.

A Europa liderou o crescimento das chegadas internacionais entre janeiro e outubro, com um aumento de 8%, graças a avanços de 13% na parte sul e mediterrânea.

Nas Américas houve um aumento de 3%, impulsionado pela América do Sul, com aumento de 7%, enquanto a América Central e o Caribe registraram aumentos de 4%. Observando apenas a América do Norte, a região teve um aumento de 2% graças aos resultados positivos do México e do Canadá, que contrastam com a queda nos EUA.

A África registrou aumento de 8% e foi a segunda região de crescimento mais rápido, graças a uma forte recuperação de seus destinos no norte e os sólidos resultados dos sub-saharianos.

Na Ásia e no Pacífico, o aumento foi de 5%, resultado que foi liderado pelo sul da Ásia, com uma recuperação de 10%; Sudeste Asiático (8% a mais) e Oceania (7% a mais).

No norte da África e no Oriente Médio, o Egito, a Tunísia e a Palestina recuperaram fortemente as quedas dos anos anteriores, enquanto Marrocos, Bahrein, Jordânia, Líbano, Omã e Dubai mantiveram um crescimento sustentado.

Seguimos acompanhando as últimas notícias do Turismo em 2017.

5 razões para observar de perto o turismo gastronômico

Falei recentemente aqui no blog, no post Conquistando o turista pelo estômago, da inegável importância da comida na experiência da viagem e em como essa vem sendo uma tendência crescente nos últimos tempos.

A gastronomia acaba por se relacionar com diversas esferas econômicas e sociais de um lugar: agricultura, turismo rural, produção de alimentos, cultura, exportação etc. É interessante que o Turismo aborde o tema com estudos e estratégia. Retomando o assunto, que agora está sendo observado com mais foco do que antes, mas ainda sem o entusiasmo e empenho necessários, trago aqui alguns dados do setor que reforçam a indispensabilidade de atenção a esse segmento:

1. A gastronomia ocupa a terceira posição entre as principais motivações que levam turistas a viajar: seguida das razões “compras” e “lazer”,  foi o que afirmou o Informe Mundial de Turismo Gastronômico, apresentado pela Organização Mundial de Turismo (OMT). 

2. 80% dos viajantes acreditam que comer e beber ajudam na compreensão da cultura local de um destino: o dado é da World Food Travel Association (WFTA), em seu relatório Food Travel Monitor.

3. 93% dos viajantes podem ser considerados “food travellers”:  outra consideração da World Food Travel Association (WFTA) que tem por participantes do grupo todos os viajantes que participaram de uma experiência de consumo de alimentos e bebidas em estabelecimentos durante uma viagem.

4. Cerca de 70% dos viajantes que tiveram experiências gastronômicas em viagens, compram os produtos para levar pra casa: outro dado da WFTA. Para rememorar a experiência gastronômica, turistas compram itens de comida ou bebida pra levar pra casa. Mais de 60% compra com intenção de dar de presente a parentes ou amigos.

5. Um turista gasta, em média, 25% do seu orçamento em alimentação e bebida: estimar o impacto econômico do turismo de alimentos e bebidas é, sem dúvidas, uma tarefa difícil. Entretanto, de acordo com pesquisas da WFTA, um turista gasta, em média 25% do seu orçamento em alimentação e bebida (porcentagem que pode variar entre 35% em destinos onde esses itens são mais caros e 15% onde são mais baratos).

Com essa amplitude, estando relacionado a tantos outros mecanismos e diante de uma força motivadora nesse nível, por que o turismo gastronômico recebe um incentivo que não condiz à sua importância? O food travel foi bastante discutido na WTM London e o assunto carece de mais repercussão aqui no Brasil. Temos um potencial incrível de autenticidade e variedade capaz de desenvolver bastante o setor através da gastronomia.

Seguimos acompanhando.

Turismo internacional caminha para ano recorde

A demanda do Turismo tem permanecido forte ao longo de 2017, que provavelmente será um ano de recorde no turismo internacional, é o que prevê a UNWTO (OMT) com a mais recente edição do Word Tourism Barometer, o barômetro do Turismo.

Entre janeiro e agosto deste ano, destinos do mundo inteiro receberam 901 milhões de chegadas de turistas internacionais, 56 milhões a mais do que no mesmo período em 2016. A alta corresponde a um aumento de 7%, porcentagem bem maior do que a obtida em anos anteriores.

Os números dos primeiros oito meses de 2017 nos deixa otimistas em relação ao crescimento do setor no restante do ano que, segundo a OMT, deverá ser o oitavo ano consecutivo de crescimento contínuo e sólido para o turismo internacional.

O forte desempenho é confirmado pelos especialistas do mundo inteiro consultados pela Organização para firmar o Índice de Confiança, que também possui perspectivas positivas para os últimos meses do ano.

As chegadas de turistas internacionais no meses de julho e agosto, temporada de verão no hemisfério norte, totalizaram mais de 300 milhões pela primeira vez, de acordo com o relatório. Além disso, muitos destinos registraram crescimento de dois dígitos, principalmente no Mediterrâneo.

Brasil

O relatório destaca a participação do Brasil como um dos países que apresentou forte recuperação de demanda de saída com aumento de 35% nas despesas de turismo em terras internacionais.

América do Sul

De acordo com o Barômetro, a América do Sul obteve crescimento de 7%, com o Uruguay liderando a lista: o país apresentou o notável aumento de 24% nas chegadas internacionais até o mês de setembro, impulsionado pela demanda de turistas argentinos e brasileiros. A Colombia vem em seguida, com aumento de 22%. A OMT comunicou que não há dados a respeito das chegadas internacionais no Brasil para o período necessário a constar o barômetro.

Ano do Turismo Sustentável

A ONU proclamou o ano de 2017 como sendo o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento, atraindo o tema para as discussões e definições de estratégias do setor, com objetivo de firmar o gerenciamento do Turismo responsável e sustentável durante os próximos anos.

O Barómetro Mundial de Turismo da OMT é uma publicação regular que visa monitorar a evolução do setor. Contém três elementos permanentes: uma visão geral dos dados turísticos de curto prazo dos países de destino e do transporte aéreo, avaliação retrospectiva e prospectiva do desempenho do turismo por especialistas de todo o mundo e dados econômicos. Seguimos acompanhando.

Turismo internacional tem maior crescimento em 7 anos

Ontem, a Organização Mundial do Turismo (OMT – UNWTO) divulgou a edição de agosto de 2017 do Barômetro Mundial de Turismo, uma análise global do setor no período de janeiro até junho de 2017.

Mundialmente, o Turismo internacional teve o seu primeiro semestre mais forte desde o ano de 2010, de acordo com relatório: destinos de todo o mundo receberam 598 milhões de turistas nesses primeiros seis meses de 2017  (cerca de 36 milhões de mais do que no mesmo período de 2016, resultando um crescimento de 6%, superando a tendência dos últimos anos -cuja alta foi de 4% em 2010).

Sobre o Brasil

Ainda segundo o World Tourism Barometer, a metade de 2017 foi de recuperação para o Brasil, já que, de acordo com dados do relatório, o nosso país teve “uma forte recuperação em demanda” nesse primeiro semestre de 2017.

Outro destaque para o Brasil são as despesas dos turistas brasileiros no exterior, que cresceram 35%, após alguns anos de declínio. Possivelmente, temos esse crescimento como um reflexo da estabilidade do câmbio e baixa do dólar (que esteve pela casa dos R$ 3,06 em março deste ano), tornando os gastos no exterior mais atrativos e estimulando as viagens para fora do país.

América do Sul

Dentre as Américas, a América do Sul foi a que apresentou o maior resultado positivo, de acordo com a OMT. Em desembarques internacionais, o aumento foi de 6%, quando comparado ao primeiro semestre do ano passado

Com crescimento de dois dígitos nos números de chegadas internacionais temos o Uruguai (+ 27%), Colômbia, (+ 20%), Chile (+ 17%) e o Paraguai (+ 12%). A OMT informou que não há informações ainda sobre desembarques internacionais do Brasil e da Argentina no período de janeiro a junho de 2017.

A primeira metade do ano geralmente representa cerca de 46% das chegadas internacionais anuais totais, tendo o segundo semestre três dias a mais e incluindo a alta temporada do Hemisfério Norte meses de julho e agosto.

Em uma análise primária, é possível afirmar que o Brasil tem mostrado um crescimento saudável e um Turismo resiliente, dados os períodos de instabilidade que o setor tem atravessado. Ainda há muitos desafios a serem superados e metas a serem alcançadas, mas, globalmente falando, nosso Turismo tem caminhado relativamente bem no primeiro semestre de 2017.

Seguimos acompanhando de perto.