O novo Elora Mill no Canadá

Às vezes, pequenas maravilhas da hotelaria se localizam em destinos que não estão na wish-list generalizada de viajantes. Sou fã de cidades grandes assumida, mas sempre adorei encontrar , por exemplo, esses pequenos hotéis de charme localizados em diminutos vilarejos franceses e italianos, que parecem quase escondidos, tão longe das hordas de turistas.

A boa surpresa da vez foi encontrar agora uma dessas pérolas na minúscula Elora, uma cidadezinha de Ontário, Canadá, a cerca de 1h30 de carro de Toronto.  Pouco conhecida dos viajantes brasileiros, tem jeito de cidade cenográfica, com casinhas de madeira colorida, igrejas de pedra, charmosos cafés, restaurantes com jardins beira-rio. Mas o que sempre levou turistas para lá foram seus impressionantes cânions debruçados sobre os rios Grand e Irvine e suas pequenas piscinas naturais. 

O prédio do spa debruçado sobre o cânion. Foto: Mari Campos

Neste verão canadense, Elora ganhou uma verdadeira jóia da hotelaria: o Elora Mill & Spa, hotel boutique construído no local do antigo edifício do moinho da cidade, em pleno centro. Mantendo o edifício original de 175 anos, o hotel soube mesclar a propriedade histórica com um design elegante e contemporâneo e todas as facilidades dos viajantes do século XXI (incluindo muitas tomadas e entradas usb em toda parte).

Como a propriedade está localizada em um penhasco, debruçada sobre o rio e de frente para os cânions, quartos, bar, restaurante e áreas comuns ganharam imensos janelões do chão ao teto para que a espetacular paisagem que rodeia o hotel estivesse sempre à vista. No edifício anexo, as salas de tratamento do spa e a deliciosa piscina contemplam vista semelhante. 

Janelas do chão ao teto nos quartos para ninguém perder a vista. Foto: Mari Campos

Os quartos, aliás, têm ainda mais atrativos que esse: são muito espaçosos e contam com imensos banheiros com banheiras tipo soak-in e amenidades de luxo, desde Nespresso e San Pellegrino cortesia aos espetaculares secadores de cabelo Dyson Supersonic. Como o foco do hotel são as escapadas românticas (e também o mercado de destination wedding), os quartos são cheios de detalhes nessa vibe, incluindo charmosas lareiras para o inverno. 

Detalhe do banheiro. Foto: Mari Campos

O café da manhã é servido em modo à la carte diariamente no único restaurante da propriedade – que, aliás, aberto todos os dias também para não hóspedes, é a melhor pedida também para a refeição de quem faz apenas um day tour de Toronto a Elora. Ingredientes fresquíssimos e pratos inspirados na culinária local, com atendimento de primeira. Tem tudo para colocar Elora no mapa de muito mais gente. 

Dá pra ler mais sobre aberturas recentes de hotéis que visitamos aqui e aqui e dá pra ler mais sobre meus pitacos a respeito de Elora e do Elora Mill aqui. 

 

 

 

 

O Hotel Inspectors está também no Instagram @HotelInspectors, no facebook @HotelInspectorsBlog e no Twitter @InspectorsHotel. Acompanhe nossas descobertas pelas nossas redes sociais também.

Four Seasons São Paulo traz nova faceta da hotelaria de luxo à cidade

O bar aberto para o lobby. Foto: Mari Campos

O mercado hoteleiro de luxo no Brasil anda de vento em popa. Depois da abertura do esperado Fasano BH, a contagem regressiva para a abertura do primeiro hotel da rede Four Seasons no Brasil (parte do crescente portfólio do grupo na América Latina) está finalmente terminando: no próximo dia 15 de outubro, segunda-feira, a esperada propriedade brasileira do grupo abrirá oficialmente suas portas, quase às margens do rio Pinheiros. Mas nós já fomos conhecer em primeira mão o que o Four Seasons Hotel São Paulo at Nações Unidas tem de especial.

Parte do Parque da Cidade, o hotel conta com 258 quartos e suítes e 84 residências distribuídos em um edifício de 29 andares em plena Avenida das Nações Unidas.  Por fora, o imponente arranha-céus parece apenas mais um do emaranhado de edifícios da zona financeira em que se encontra. Mas basta cruzar a discreta porta de entrada para ver que o grupo conseguiu, e com esmero, dar uma alma brasileiríssima ao hotel. Projetado pelo escritório norte americano HKS Architects em parceria com os brasileiros Afalo e Gasperini Arquitetos, e com design do norte-americano BAMO, o novo hotel do grupo Four Seasons tem sotaque definitivamente paulistano. 

Linhas curvas por toda parte. Foto: Mari Campos
Elegância nos banheiros. Foto: Mari Campos

O projeto logrou conciliar harmonicamente a estética internacional do luxo contemporâneo com os estilos de grandes nomes brasileiros das artes e da arquitetura, incluindo obras de Francisco Brennand, Burle Marx e Paulo Mendes da Rocha espalhadas pela propriedade. Matérias-primas brasileiras estão também por toda parte, do mármore das áreas comuns aos revestimentos e móveis dos quartos – com direito a muita madeira, janelas que isolam completamente os ruídos externos, linhas sinuosas que lembram Niemeyer e até carpetes cujo design homenageia o vizinho rio Pinheiros. O Brasil só não aparece nas amenidades dos quartos, que utilizam produtos Christian Lacroix. 

Apreço pela matéria-prima brasileira em cada detalhe. Foto: Mari Campos
Os carpetes que homenageiam o Pinheiros. Foto: Mari Campos

Embora a localização seja afastada das principais atrações turísticas da cidade, é visível a tentativa de criar uma importante conexão com o público local nas áreas comuns. Além disso, o hotel criou uma série de experiências exclusivas para hóspedes que queiram ir a fundo no destino – e diversas opções de compras, gastronomia e entretenimento estão a curta distância.

O segundo andar do hotel foi projetado para ser um oásis em meio à selva de pedra, com direito a jardins internos, spa BAMO, fitness center e uma piscina inovadora entre os hotéis paulistanos, com áreas interna e externa divididas por um vidro retrátil. 

Detalhe da piscina do spa. Foto: Mari Campos

Mas a melhor sacada do hotel parece ser sua investida gastronômica, com o botequim-chic CajuSP e o restaurante Neto, ambos colados ao lobby – e separados por uma escadaria que sem dúvidas será uma das imagens mais icônicas da propriedade. Ambos testados e aprovados! 

O CajuSP seguramente movimentará a cena local na happy hour, incluindo no cardápio versões gourmet de clássicos paulistanos como bolinho de bacalhau, asa de frango etc e, é claro, uma série de signature drinks exclusivos. O design sinuoso bar foge do modelo tradicional dos bares de lobby e cria bons espaços de circulação e interação, sem intimidar de forma nenhuma o visitante que não esteja hospedado no hotel. 

Gastronomia ítalo-brasileira no restaurante Neto. Foto: Mari Campos

A cozinha do restaurante Neto (cujo nome homenageia os descendentes de imigrantes italianos em São Paulo) ficou a cargo do sempre excelente Paolo Lavezzini, ex- Fasano Rio, que supervisionará também o botequim e o room service. Para o Neto, ele criou um menu tradicional italiano cheio de toques e releituras brasileiros, utilizando somente produtos locais – e em um ambiente que, apesar do serviço impecável do padrão Four Seasons, é absolutamente informal, incluindo grandes mesas comunais e alguns pratos do cardápio propositalmente criados para serem compartilhados. 

Aproveitar a época de abertura para conhecer o hotel pode ter suas vantagens, já que eles estão anunciando diversas ofertas de inauguração. Para paulistanos que buscam uma staycation ou breve escapada, o Summer Love Romance Package pode ser boa pedida para um final de semana romântico.  A conferir. 

 

 

 

O Hotel Inspectors está também no Instagram @HotelInspectors, no facebook @HotelInspectorsBlog e no Twitter @InspectorsHotel. Acompanhe nossas descobertas pelas nossas redes sociais também.

Estreamos a cama do novíssimo Fasano BH!

Com ou sem crise, o Brasil está no radar do alto luxo hoteleiro. E não apenas na lista de investidores estrangeiros, como a rede canadense Four Seasons, que, finalmente, irá quebrar o jejum tupiniquim no dia 15 de outubro, com o Four Seasons São Paulo. O zum-zum-zum da vez é o grupo brasileiro Fasano: ao mesmo tempo em que debuta o aniversário de 15 anos do hotel em São Paulo, a marca inaugurou, no dia 28 de setembro, o Fasano Belo Horizonte, o sexto empreendimento no setor. Isso menos de um ano depois de abrir uma unidade em Angra dos Reis e já na contagem regressiva para a estreia do Fasano Salvador, marcada para dezembro.

Fachada do hotel tem tijolos de terracota e revestimento de chapas de alumínio | Foto: Fernando Torres

A chegada à capital mineira é o capítulo final de uma novela. Planejado para antes da Copa de 2014, o Fasano BH, inicialmente, se instalaria na praça da Liberdade, epicentro cultural da cidade. Não deu certo, devido a questões ligadas à licitação do imóvel. O grupo, então, decidiu investir em Lourdes, o bairro mais nobre de Belo Horizonte, onde ergueu um prédio de 12 andares praticamente do zero. A abertura levou quase dois anos além do previsto. Mas valeu a pena esperar, como pudemos comprovar em nosso check-in, logo na primeira semana, com direito a “batismo” de cama.

Legitimada pelo serviço discreto e elegante, a marca mantém o alto padrão em Belo Horizonte. O tom atemporal – clássico e, ao mesmo tempo, contemporâneo – se insinua já na fachada, que mescla tijolos de terracota ao revestimento de chapas de alumínio. Na sequência, o lobby se revela sem meias palavras. A decoração sóbria e refinada tem muita madeira, piso em mármore travertino bruto, luminosidade natural sobre jabuticabeiras indoor e um toque de mineiridade, a exemplo das gamelas de fazenda, que acolhem arranjos de flores.

Jabuticabeiras sob a luz natural na antessala do restaurante Gero, que estreia em hotéis | Foto: Fernando Torres

O DNA mineiro continua elevador acima, nos 77 apartamentos, com diárias que saem a partir de R$ 975 e áreas a partir de 27 m². Fiquei hospedado no confortável apartamento deluxe (35 m²), abraçado por lençóis Trussardi de 300 fios e uma infinidade de travesseiros de plumas de ganso. A atmosfera é clean, puxada para o bege, com cortinas e tapetes de linho, calçadeiras e poltronas de couro, peças de decoração em pedra-sabão. Senti falta de obras de arte e de flores, especialmente nas suítes, que poderiam “esquentar” e personalizar o ambiente monocromático. Nos banheiros, o acabamento é impecável, totalmente recoberto em mármore travertino e box de vidro até o teto, em todas as categorias. Somente as suítes têm banheiras – no caso da Penthouse, de 110 m², há ainda uma jacuzzi na varanda. As amenidades são de marca própria, com óleo de Argan.

Suíte Penthouse: inspiração mineira com escala monocromática | Foto: Fernando Torres

O spa fica na cobertura, no 12º andar, integrado à piscina de mármore, climatizada e aberta (é claro que fiz uso desta belezura!). O menu de tratamentos segue a linha dos outros hotéis Fasano, com produtos de aromaterapia da linha By Samia. Escolhi a massagem Deep Tissue, a quatro mãos e, voilá!, entrou para o segundo lugar do ranking de melhor terapia do meu mundo. Nos pacotes de day spa e alguns tratamentos, o cliente pode utilizar a sauna e a piscina, ao contrário do Fasano de Ipanema, onde o acesso é apenas para hóspedes. Esta, aliás, é uma decisão acertada da rede para se adequar ao mercado de Belo Horizonte, uma cidade que, ao contrário do Rio, tem uma demanda turística reprimida, dependendo, portanto, da aderência dos próprios moradores.

Piscina na cobertura: integrada ao spa, é aberta ao público de clientes | Foto: Fernando Torres

A estratégia se repete no lobby, concebido para ser ocupado pela cidade, seja para um drinque de negócios no bar ou o jantar no restaurante Gero, o primeiro do portfólio Fasano acoplado a um hotel. A cozinha, de pegada italiana clássica, é comandada pelo chef Fábio Aiello, que serve pratos como ravióli de vitelo, penne com pecorino, filé com trufas negras e foie gras, tiramisù. Tudo muito saboroso e elegante, sem afetações. E também uma mineiridade: a carta de cachaças, harmonizada com os pratos (o frigobar também tem um exemplar da cachaça Vale Verde). No primeiro andar, o Fasano traz de São Paulo a marca Baretto, com agenda de jazz, pop rock e discotecagem, de quinta a sábado. A expectativa é que vire point da turma que gosta de ver e ser vista.

Lobby bar, ao fundo: expectativa é ter aderência dos moradores | Foto: Fernando Torres

Walking distance – o que fazer na região
O novo Fasano está localizado a duas quadras do principal centro gastronômico de BH. Os restaurantes em destaque são o contemporâneo Glouton, do chef Leo Paixão; Alma Chef, do francês Emmanuel Ruz (uma estrela Michelin); Trindade, de comida brasileira, e Taste-Vin, uma entidade da cozinha francesa. Para fazer compras, não precisa nem sair do quarteirão: o hotel está ao lado da loja da Animale. As redondezas do bairro arborizado também abrigam as butiques das grifes mineiras Vivaz, Barbara Bela e Zak e uma unidade da Le Lis Blanc. Entre uma compra e outra, vale se esbaldar nas receitas argentinas da sorveteria Alessa. E, claro, fazer uma corrida curta de táxi até a praça da Liberdade para conferir as atrações do circuito cultural.

Hotel Inspectors está também no Instagram, no Facebook e no Twitter. Acompanhe pelas redes sociais as nossas descobertas!

A excelência dos lodges de safári na África do Sul

Sou apaixonada por safáris desde a primeira vez que me juntei a um. E, como boa amante da hotelaria, também sou apaixonada por safari lodges desde minha primeira hospedagem em uma propriedade do gênero. Depois de tantas andanças, com safáris colecionados em diversos países, para mim nenhum outro país consegue ter tanta consistência em bons lodges de safári (ou similares, como de expedição e vida selvagem em geral) como a África do Sul. 

Como alguém que já fez muitos safáris no país e se hospedou em muitos lodges diferentes por lá, sou frequentemente consultada por quem planeja sua primeira inserção neste universo – mas também por gente que quer voltar ao país para uma nova experiência com, digamos, upgrade (meu blog pessoa física tem uma série de posts e reviews para ajudar nessa tarefa).

A verdade é que nada nos prepara para a emoção de estar pela primeira vez com um leão ou elefante a passos do seu jipe, em plena savana – mas os bons lodges de safári sul-africanos sabem fazer isso com maestria e extrema segurança (item fundamental para um bom safári). É o bom lodge de safári, com seus bons trackers e rangers, super treinados e didáticos, que vai mudando a gente um pouquinho a cada game drive – os sentidos vão ficando mais aguçados, a audição mais atenta a qualquer som da savana, os olhos vão ficando mais treinados para procurar diferentes pássaros nas aves, e a gente não vê a hora de sair para o safári seguinte. 

Capricho e clima “out of Africa” no Tintswalo Safari Lodge. Foto: Mari Campos

Fiz safáris em diferentes cantos do país, do Kruger e Great Kruger (meus preferidos pela fartura incomparável de vida selvagem) à Garden Route, em lodges de diferentes estilos. Meus preferidos? De longe, Royal Malewane, Tintswalo, Thornybush River Lodge e Sabi Sabi. São lodges de luxo, sim, o que acarreta custos bastante elevados para hospedagem; mas que valem o investimento pela qualidade impressionante do serviço que entregam.  Dá pra ver toda a lista das minhas recomendações de hotéis de safári na África do Sul aqui

O alto investimento justifica-se também para quem opta pelos modelos all inclusive, extremamente recomendável em lodges de safári;  afinal, ali, como geralmente saímos antes do amanhecer para o primeiro safári e já no finalzinho da tarde para o segundo, passamos muito tempo dentro do próprio hotel e quanto melhores a infra e as inclusões, melhor. 

Há lodges, com o perdão do clichê, para todos os bolsos e gostos; mas não adianta esperar por um lodge “econômico”: os custos para manutenção de uma propriedade deste tipo, com este isolamento (tudo custa mais caro para chegar, como em qualquer hotel em localização remota), e com um staff qualificado e bem treinado, são altíssimos. Mas, sim, existem lodges mais e menos caros, dependendo do tipo de acomodação e do que está incluso no valor das diárias (já me hospedei em lugares que, acreditem, nem os safáris estavam incluídos, como o Botse Botse, a duas horas de carro de Joanesburgo). A inspector Carla Lencastre fala sobre uma boa opção mais econômica próxima a Port Elizabeth neste post aqui.

Staff do Thornybush River Lodge em ação nas savanas. Foto: Mari Campos

De todos os lodges que já experimentei (foram muitas e muitas viagens diferentes à África do Sul, e também safáris em outros países), apenas estes quatro – todos nas reservas do Kruger e Great Kruger – foram de fato irrepreensíveis, com instalações ultra confortáveis, gastronomia impecável e um staff absolutamente dedicado e bem treinado, capaz de me proporcionar algumas das melhores experiências de viagem que já tive. As experiências inesquecíveis foram também impulsionadas pelas incríveis reservas, isoladas e repletas de vida selvagem de todo tipo, nas quais estas propriedades se instalaram (bem diferentemente do que acontece quando nos hospedamos em lodges que se instalam em “game farms”).  

Mas foi staff, para mim, o que fez a maior diferença para estas quatro propriedades serem, de longe, as minhas favoritas. Bem instruídos, bem treinados, flexíveis, didáticos com hóspedes de todas as idades e backgrounds, esses staffs viraram peça fundamental nas minhas memórias de viagem. Foi no Tintswalo Safari Lodge (review completa aqui), por exemplo, que tive o melhor tracker de todos, o inesquecível Eric (que ficou internacionalmente famoso quando uma foto sua frente a frente com uma leoa viralizou na internet), um poço de conhecimento sobre as savanas e os animais.  E ,sim, sou bem old school quando o assunto é safári: pra mim faz diferença absoluta na qualidade do drive ter ranger E tracker no carro, e ter o carro todo aberto para a savana.

Ainda vamos falar mais de lodges de safári por aqui e vamos falar mais também sobre a África do Sul. Stay tunned.

 

 

 

O Hotel Inspectors está também no Instagram @HotelInspectors, no facebook @HotelInspectorsBlog e no Twitter @InspectorsHotel. Acompanhe nossas descobertas pelas nossas redes sociais também.

O melhor bar de hotel do mundo 2

No início do mês contei aqui que o American Bar, do Savoy Hotel, em Londres, ganhou em julho o Spirited Awards de melhor bar do mundo pela Tales of the Cocktail, prestigiosa fundação americana sem fins lucrativos. O outro grande prêmio da noite, de melhor carta de drinques, ficou com o Dandelyan Bar, no Mondrian Hotel, também em Londres. O moderno Dandelyan está em segundo lugar no ranking World’s 50 Best Bars, no qual o centenário American Bar ocupa a primeira posição. Nos últimos anos, estes dois endereços, tão bons e tão diferentes, têm levado um bocado de prêmios quando o assunto é bar, de hotel ou não.

O belo balcão em mármore do premiado Dandelyan / Foto de Carla Lencastre

No post anterior, que você pode ler clicando aqui, escrevi um pouco sobre o American Bar e expliquei porque sou fã de bons bares de hotel. O American Bar e o Dandelyan estão no topo da minha lista de favoritos, justamente por serem tão diferentes. No Dandelyan o primeiro impacto já começa com a decoração assinada por Tom Dixon, designer tunisiano radicado em Londres. Dixon privilegia tons esverdeados e rosados, em um ambiente com glamour e conforto. A alegria continua com um cardápio que reúne drinques criativos divididos em capítulos ilustrados. Quando chegam as bebidas, aí não tem mais como dar errado.

O premiado mixologista Mr. Lyan / Foto de divulgação / Steven Joyce

O Dandelyan é criação do premiado mixologista Ryan Chetiyawardana. Conhecido como Mr. Lyan, ele estudou biologia e trabalhou como cozinheiro. Em 2013 trocou de vez as panelas pelas coqueteleiras e abriu o White Lyan, em Hoxton, no East London, que mais tarde se transformou no Super Lyan. O Dandelyan foi inaugurado junto com o Mondrian, em 2014. O bar fica no térreo do hotel, no Southbank, com uma parede envidraçada oferecendo vista para o Rio Tâmisa, a Catedral de São Paulo e o movimento de gente e de embarcações. Para quem viaja sozinho, é um ótimo lugar para passar o tempo vendo o tempo passar.

O tradicional chá da tarde inglês na versão Wyld Tea do Dandelyan / Foto de divulgação / Steven Joyce

Quem aprecia o ritual do chá da tarde quando em Londres, encontra no Dandelyan uma versão harmonizada com quatro drinques, o Wyld Tea. Na carta de gins, destaque para o exclusivo Beefeater London Garden Edition, encontrado somente na destilaria (ao sul de Londres) e no Dandelyan. Os drinques têm combinações inesperadas e sabores originais. O Chablis, meu preferido em uma tarde no Dandelyan, mistura London Garden e vinho branco. O cardápio de drinques muda uma vez por ano, sempre na primavera londrina. Agora está em cartaz The Modern Life of Plants. À tarde é relativamente fácil conseguir um lugar. À noite, chegue cedo ou reserve.

Os bons drinques de Mr. Lyan estão também em cada um dos quartos do Mondrian London / Foto de Carla Lencastre

O Mondrian London fica no Sea Containers, prédio de escritórios da década de 1970. Na margem sul do Tâmisa, o hotel está entre a Tate Modern e a London Eye. Tom Dixion assina não apenas o design do Dandelyan como o de todo o hotel (é seu primeiro trabalho na área de hotelaria) de 359 quartos. As áreas comuns são inspiradas nas viagens transatlânticas do início do século 20. Ao lado do bar fica o bom restaurante Sea Containers, com cozinha americana e britânica e vista para o rio. O hotel tem ainda um bar na cobertura, Rumpus Room, com mais vistas panorâmicas para o Tâmisa e as construções na margem norte.

O Mondrian London faz parte do Morgans Hotel Group, criado pelo hoteleiro americano Ian Schraeger, fundador do Studio 54, boate famosa em Nova York na década de 1970. Schraeger é considerado o criador do conceito de hotel boutique. Hoje é parceiro da Marriott International nos hotéis Edition. Já o Morgans foi comprado pelo SBE Group, que recentemente assinou uma parceria com a Accor Hotels. A rede francesa anunciou que vai adquirir 50% do grupo.

Hotel Inspectors está também no Instagram @HotelInspectors, no facebook @HotelInspectorsBlog e no Twitter @InspectorsHotel. Obrigada pela companhia!

 

O melhor bar de hotel do mundo

A fundação Tales of the Cocktail acaba de anunciar seus eleitos de 2018. A festejada organização americana sem fins lucrativos, que apoia, incentiva e premia bares, elegeu um bar de hotel como melhor do mundo. Não por acaso, são também bares de hotéis que ocupam os quatro primeiros lugares da edição atual da lista britânica The World’s 50 Best Bars. Os dois rankings têm endereços em comum, a começar pelo do campeão. O melhor do mundo em ambas as seleções é o American Bar, do Savoy Hotel, em Londres.

Os prêmios em lugar de destaque no bar do melhor bar do mundo / Foto de Carla Lencastre

Um dos primeiros hotéis de luxo de Londres, entre a movimentada Strand e o Rio Tâmisa, o Savoy passou por uma reforma de 220 milhões de libras. Reabriu em 2010 sem perder suas características originais. O ambiente elegante com poltronas forradas em couro escuro, luzes indiretas, fotografias em preto e branco e espelhos, e uma carta impecável com clássicos e inovações justificam o merecido sucesso do American Bar, no térreo do hotel. Foi ali que Harry Craddock, lendário bartender da casa, reuniu uma centena de receitas de drinques para o “Savoy cocktail book”, em 1930. Reeditado até hoje, o livro é um ícone da coquetelaria. No American Bar, drinques convive bem com a carta de vinhos, que ostenta o Pol Roger Cuvée Sir Winston Churchill, champanhe criado em homenagem ao primeiro-ministro britânico.

Negronis no American Bar, no Savoy / Foto de Carla Lencastre

O Spirited Awards, nome do prêmio da TOTC, foi entregue no fim de julho na festeira Nova Orleans. O American Bar recebeu também os prêmios de melhor equipe de bar fora dos Estados Unidos e de melhor bar de hotel fora dos EUA. E ainda foi finalista de melhor carta de drinques em todo o mundo. O primeiro lugar na categoria melhor menu ficou com o Dandelyan, outro bar de hotel. No térreo do moderno Mondrian London, com vista para o Tâmisa, o concorrido Dandelyan é o segundo melhor do mundo na lista do World’s 50 Best Bars (a relação é uma versão etílica do ranking mais famoso, The World’s 50 Best Restaurants).

Para mulheres viajando sozinha, bar de hotel é a quase certeza de poder tomar um drinque com o mesmo atendimento dedicado aos homens e sem ser importunada (programa testado e aprovado de Nova York a Tóquio, de Helsinki a Cidade do Cabo, incluindo cidades no Oriente Médio, como Dubai e Doha). Se a ideia for puxar papo, bar de hotel também é ótimo para isso. No Brasil, parte da hotelaria sabe que um bom bar atrai visitantes que estão em outros hotéis, e acabam conhecendo a sua propriedade. E, principalmente, conquistam moradores e ajudam a manter o movimento mesmo quando a taxa de ocupação está baixa.

Spencer Amereno Jr, head bartender do Frank Bar / Foto de Carla Lencastre

O campeão brasileiro nesta área é o ótimo Frank Bar, no lobby do Maksoud Plaza, em São Paulo, comandado por Spencer Amereno Jr. e equipe. Inaugurado há três anos, o Frank estreou em 2017 na 66º posição na lista dos World’s Best Bars (é o brasileiro mais bem colocado). Está também no recém-anunciado ranking dos dez melhores bares das Américas (fora dos EUA) do Tales of the Cocktail. O outro bar de hotel no Brasil que faz parte do top ten Américas do TOTC é o do Belmond Copacabana Palace, no Rio de Janeiro (leia aqui sobre um dos restaurantes do hotel carioca).

Dandelyan, o premiado bar do Mondrian London / Foto de Carla Lencastre

Como os Inspectors são fãs de bons drinques, este é um assunto ao qual voltaremos outras vezes. Inclusive para contar como é o maior concorrente do American Bar. O Dandelyan, no Mondrian London, é em tudo diferente do bar do Savoy. E ainda assim com as mesmas características que fazem um bom bar em hotel ou não: clássicos perfeitos, receitas originais, equipe afinada, atmosfera envolvente… Passe por aqui de vez em quando para conferir.

Hotel Inspectors está também no Instagram @HotelInspectors, no facebook @HotelInspectorsBlog e no Twitter @InspectorsHotel. Obrigada pela companhia!

 

Restaurante de hotel no Rio de Janeiro

Três novidades em restaurantes de hotéis no Rio de Janeiro

Com um céu azul profundo e baixa umidade relativa que fazem com que as silhuetas de prédios e montanhas pareçam traçadas a bico de pena, o Rio de Janeiro de inverno nos oferece sua versão mais gentil, calorosa sem ser calorenta. Se no verão o que você quer são bares e restaurantes climatizados, agora é hora de apreciar o Rio onde ele é mais Rio, na rua. Agora reserve tempo para conferir três boas novidades gastronômicas na categoria restaurante de hotel no Rio de Janeiro.

Restaurante de hotel no Rio de Janeiro
O Térèze, restaurante do Hotel Santa Teresa no Rio de Janeiro, tem um novo chef / Foto de Carla Lencastre

Restaurante de hotel no Rio de Janeiro: Santa Teresa, Emiliano e Copacabana Palace

O Térèze, no Hotel Santa Teresa Rio MGallery, tem no comando da cozinha o uruguaio Esteban Mateu, que trabalhou no premiado Pujol, na Cidade do México, e no D.O.M., em São Paulo. Seus sabores passeiam entre as cozinhas brasileira e latino-americana. As louças foram feitas especialmente para o restaurante por artistas dos muitos ateliês do bairro histórico de Santa Teresa. Os pães frescos e quentes do couvert, por exemplo, são servidos em um suporte inspirado nos trilhos do bonde que percorre o bairro. A manteiga acompanhada de flor de sal vem em uma pedra que lembra os paralelepípedos que calçam as ruas. O salão do Térèze tem mesas e cadeiras em madeira e é decorado com materiais de demolição e obras de arte. Amplas janelas dão vista para o Centro do Rio e a Baía de Guanabara.

Restaurante de hotel no Rio de Janeiro
Entrada do Emile, o restaurante do Emiliano Rio aberto ano passado / Foto de Carla Lencastre

Enquanto isso, Damien Montecer, ex-chef do Térèze, assumiu a cozinha do Emile, inaugurado há um ano no Hotel Emiliano Rio, na Praia de Copacabana. O restaurante não tem a vista do terraço (foto no alto do post), aberto somente para hóspedes, mas o design brasileiro moderno é sedutor. O Emile fica no térreo, instalado em um jardim de inverno com pé-direito alto e parede coberta por plantas tropicais. Há um bom e bonito bar no lobby decorado com móveis de designers brasileiros. O menu contemporâneo prioriza ingredientes frescos, principalmente peixes e frutos do mar.

Restaurante de hotel no Rio de Janeiro
Detalhe do novo Pérgula, um dos três restaurantes do Copacabana Palace / Foto de Carla Lencastre

Na outra ponta da praia, o Belmond Copacabana Palace remodelou inteiramente um dos seus três restaurantes no fim do ano passado para as comemorações de seus 95 anos. Cardápio, chef, décor, tudo mudou no Pérgula, ao lado da piscina mais famosa do Brasil. A primeira coisa que chama atenção é a decoração contemporânea e vibrante, com sofás estofados em amarelo e azul, e, ao fundo, um painel colorido com uma paisagem do Rio por Dominique Jardy. O teto espelhado reflete os pratos criados pelo chef Filipe Rizzato, como vieiras grelhadas com salada de feijões e polvo com batatas ao murro. Para encerrar, peça o imbatível chocolate em forma de cacau recheado com sorvete de cupuaçu.

Leia aqui sobre o novo Belmond Cadogan Hotel, em Londres.

Leia aqui sobre o Belmond Grand Hotel Europe, em São Petersburgo.

E o Rio de Janeiro continua lindo… / Foto de Carla Lencastre

E já é hora de voltar para a rua e aproveitar os bonitos e amenos dias do inverno carioca. Na edição desta semana da Panrotas tem estas dicas de restaurante de hotel no Rio de Janeiro e muitas outras além da hotelaria. O texto começa a página 16 da versão digital.

Hotel Inspectors está também no Instagram @HotelInspectors, no facebook @HotelInspectorsBlog e no Twitter @InspectorsHotel. Obrigada pela companhia!

 

Quando o hotel é o destino

Em maio passado, estiquei de Denver a Colorado Springs. Mas, desta vez, confesso que retornava a Colorado Springs sem interesse algum no destino em si; eu estava indo para lá unicamente para me hospedar no gigante The Broadmoor e tentar entender porque esse hotel é um dos mais icônicos dos Estados Unidos (como conto neste texto aqui).

A famosa infinity pool principal do Las Ventanas al Paraiso, em Los Cabos. Foto: Mari Campos

Não foi a primeira vez que fiz isso, de viajar a um determinado destino simplesmente por um hotel: em uma das minhas idas a Los Cabos, no México, por exemplo, o destino também pouco me interessava e meu retorno à costa mexicana tinha como único propósito me hospedar no Las Ventanas al Paraíso – até hoje um dos melhores hotéis do meu mundo. Com suítes incríveis, diversas piscinas, ótimo spa e restaurantes e o mar de Cortez à nossa frente em praia praticamente privativa, o hotel não é all inclusive mas a maioria das pessoas só deixa o Las Ventanas se for a primeira vez em Los Cabos, ou se a estadia for mais longa que três noites – e mesmo um belo passeio de barco pela costa pode ser organizado pelo próprio hotel, saindo dali mesmo.

Não entenda errado, por favor: não se trata de buscar um lugar para “se isolar do mundo” nem de se afogar nas bandeiras all-inclusive. Algumas propriedades do mercado hoteleiro de luxo são realmente capazes de reter seus hóspedes em seus limites e fazem isso com maestria – os “destination hotels”.

Lodges de safári na África do Sul, por exemplo, como Tintswalo, Royal Malewane, Sabi Sabi ou Thornybush, são basicamente escolhidos pelos lodges em si, pelo que representam e oferecem, e não pela reserva em que se encontram ou algo do gênero.  A gente escolhe o lodge pelo lodge e a verdade é que não “sai dele” desde o momento do check in ao check out, já que todas as refeições e passeios são organizados pelo mesmo.

Uma das villas do luxuoso Jumby Bay em Antigua. Foto: Mari Campos

O mesmo acontece com muitos resorts. O belo Jumby Bay, em Antigua, um all-inclusive de alto luxo parte do portfólio da Oetker Collection, fica em uma ilhota particular de Antigua e a maioria de seus hóspedes de final de semana não sai da ilha nem por um segundo. Fato que se repete com boa parte dos hóspedes de propriedades como o Four Seasons Punta Mita (México), Four Seasons Seychelles ou mesmo os brasileiros Txai, Ponta dos Ganchos e o incrível Belmond Hotel das Cataratas (este último localizado dentro do parque nacional e literalmente a passos das quedas d’agua mais incríveis do continente americano). Eles oferecem tantas coisas, com tanta qualidade, e estão tão integrados com a natureza que os rodeia que, mesmo não operando em sistema all-inclusive, são capazes de manter muitos de seus hóspedes em seus limites (ou utilizando produtos seus para criar experiências de viagem) em 100% do tempo. 

Não se trata aqui, de maneira nenhuma, de estimular um “turismo hoteleiro” ao invés de incentivar viajantes a desbravarem destinos. Mas, em uma época em que tudo é descartável, acho louvável que a excelência nos serviços e nas experiências oferecidas em suas instalações e produtos agregados sejam suficientes para transformar um hotel em um destino por si mesmo, capaz de fazer um turista atravessar um país, oceano ou continente simplesmente para ter o prazer de se hospedar ali.  Para fazer qualquer hoteleiro (ou wannabe) refletir.

 

 

 

 

 

 

Para ficar por dentro destas e de outras histórias da hotelaria no mundo acompanhando a gente também no Instagram @HotelInspectors, no Twitter @inspectorshotel e no facebook @HotelInspectorsBlog.

A hotelaria e os solo travelers

Enquanto a maior parte da indústria do turismo gasta boa parte de sua energia, orçamento e tempo direcionando suas ações para casais e famílias com crianças, um outro grupo demográfico cresce vertigionosamente nos últimos anos neste setor: o de quem viaja sozinho.

As pessoas viajam sozinhas pelas mais diferentes razões – inclusive pela simples vontade de passar mais tempo em sua própria companhia. E o turismo de luxo – operadores, travel advisors, hotéis – é quem tem experimentado o crescimento mais significativo neste setor nos últimos anos. 

Os números de viajantes das mais diferentes faixas etárias mas munidos de poder aquisitivo não param de crescer. E, no mercado hoteleiro, propriedades com ênfase em experiências saem na frente para este segmento também. Se souberem conectar os viajantes não só ao destino como também a outros viajantes, melhor ainda.

É por isso mesmo que hotéis “de exploração” têm se destacado tanto neste mercado. No segmento do turismo de aventura de luxo, os solo travelers tiveram crescimento muito mais significativo que qualquer outro grupo. Com bala na agulha, buscam hotéis que misturem com maestria o conforto e aventura, que sejam carregados de experiências dos mais diversos tipos.

Almoço comunitário sem abrir mão do tour exclusivo em grupo pequeno. Foto: Mari Campos

Hotéis no estilo dos sul-americanos explora e Tierra, ou dos africanos Singita e similares, são a mais perfeita tradução dos anseios deste novo nicho viajante: belíssimas acomodações, gastronomia de primeira, paisagens e experiências de viagem arrebatadoras e a chance diária de se conectar com outros viajantes, de outras partes do planeta, seja durante um tour ou safári ou nas grandes mesas comunais das refeições. 

Hotéis que façam esforços para receber bem e promover a socialização de quem viaja sozinho ganham pontos. Os hotéis da rede Kimpton, por exemplo, promovem diariamente a “social hour” no final da tarde, para que hóspedes confraternizem no lobby em torno de taças de vinho e copos de cerveja artesanal.  Espaços comuns que convidem à socialização também são muito bem vindos – o adorável The Maven Hotel, em Denver, faz isso com maestria, com restaurante, bar e café com mesas comunais abertos para o sempre animado lobby. Entrosar hóspedes em aulas de yoga e spinning e até tours em bike ou de corrida pela cidade despontam cada vez mais na hotelaria em grandes redes como Four Seasons e Shangri-la. 

E mais importante ainda para o mercado: a taxa de retorno de solo travelers é geralmente altíssima – quando encontram um operador, agente de viagens ou hotel (ou rede de hotéis) que lhe dê o tipo de experiência que procuram, os viajantes solo geralmente pedem bis. Hoteleiro que não abrir os olhos para esse segmento está perdendo (bastante) mercado.

 

 

 

Para ficar por dentro destas e de outras histórias da hotelaria no mundo acompanhando a gente também no Instagram @HotelInspectors, no Twitter @inspectorshotel e no facebook @HotelInspectorsBlog.

New Orleans: hotéis na capital do jazz

Ancorada entre as curvas do Rio Mississippi, New Orleans leva a fama (justíssima!) de epicentro turístico do Velho Sul dos Estados Unidos. Tudo graças à fusão cultural de franceses, espanhóis e africanos, que lhe rendeu arquitetura e gastronomia peculiares e um espírito de diversão à parte na terra do Tio Sam. Em plena efeméride dos 300 anos, a cidade mais populosa do estado da Louisiana também tem sua lista, embora compacta, de hotéis de luxo.

Nola, como é chamada, está na expectativa de o grupo canadense Four Seasons inaugurar um novo empreendimento no ITM Building, onde um bar giratório na cobertura fez história até o furacão Karina, em 2005. Na fotogênica Canal Street, via arterial da Big Easy, a transformação do edifício em hotel tem investimento projetado em US$ 450 milhões, com a proposta de receber 395 suítes e 80 residências. A inauguração, porém, só está prevista para 2020.

Ritz Suite, do Ritz-Carlton: toda a imensidão do Mississippi | Foto: divulgação RC

Até lá, dá para garimpar outras opções. A exemplo do Ritz-Carlton, em um prédio da década de 1910 da Canal Street. A proposta da propriedade é recriar os ambientes dos palacetes e antigas fazendas sulistas, com decoração vitoriana e antebellum e obras de arte nos corredores. Destaque para a vista panorâmica do Mississippi a partir da Suíte Ritz, de 260 m², vista na foto acima.

A torre do Sheraton contribui para o potencial fotogênico da Canal Street | Foto: divulgação Sheraton

Também na Canal Street, a torre do hotel Sheraton, onde eu me hospedei, se destaca no horizonte. Em 2013, o complexo de 1.100 aposentos, incluindo 53 suítes, passou por uma renovação de US$ 55 milhões, que também incluiu o grandioso lobby, decorado com espelhos e obras de arte americanas, em referências ao pátios do French Quarter, o bairro francês e o mais antigo da cidade. O que mais me chamou a atenção foi a pop art Blue Dog no piano de cauda, do texano George Rodrigue.

Club Lounge views: insira aqui o seu bom drinque | Foto: divulgação Sheraton

Com 116 m², a suíte presidencial Jackson, no 49º andar, tem decoração requintada, banheira de mármore e paredes de vidro com vista panorâmica. Como não sou o Trump (tks, God!), apreciei a paisagem no Club Lounge, com aperitivos e drinques all day long, disponível para hóspedes da categoria Sheraton Club. Pecadinho: o restaurante Roux Bistro, especializado em comida crioula, serve café da manhã e almoço, mas nada de jantar, o que decepciona em um hotel deste porte.

Café Adelaide, no Loews: sopro de renovação da comida crioula | Foto: divulgação Loews

A poucos passos dali, em Downtown, o Loews se posiciona melhor na cena gastrô de Nola, com seu Café Adelaide, aberto ao público. Da mesma família dos tradicionalíssimos Commander’s Palace e Brennan’s, a casa passou a ser comandada recentemente pela chef Meg Bickford, trazendo frescor à cozinha crioula. É o caso, por exemplo, da releitura de gumbo, o famoso guisado de Nola, com camarão-branco selvagem; e do ravióli de caranguejo-azul. Divertido, o ambiente remete à cultura dos coquetéis, com direito a telas pop art. Não visitei os quartos, mas “gradei” bem do lobby e do restaurante.

Também em Downtown, dois outros logradouros se destacam. O Windsor Court já entrou para a lista dos 100 melhores hotéis dos Estados Unidos, da “Condé Nast Traveler”. Tem décor britânico, suítes espaçosas e serviço de mordomo particular, além de uma pequena galeria com obras de arte dos séculos 17, 18 e 19.

Décor elegante no lobby do Windsor Court | Foto: divulgação WC

No mesmo quarteirão, o Le Méridien envereda pelo design moderno e estética atemporal, reinaugurado em 2014 após investimento de US$ 29 milhões. A área pública é o que mais impressiona, pela decoração inventiva, com cores alegres e mobiliário contemporâneo. Contudo, a Luxury Suite, a categoria mais alta, deixa a desejar: tem 53 m², decoração basicona e insossa e não possui banheira.

Lobby descolado do Le Méridien: descompasso com o “assim-assim” dos quartos | Foto: divulgação Le Méridien

Quem preferir se hospedar no French Quarter, o canto mais charmoso de Nola, tem como escolha mais acertada o Royal Sonesta. Em funcionamento desde a década de 1960, o hotel está alojado em um casarão de 1721, com varandas de ferro fundido, característicos da arquitetura francesa, que dão vista para o burburinho da Bourbon Street, principal palco da vida noturna de Nola. As suítes de categoria mais alta não decepcionam: têm piso em mármore, lustres de cristal, tapetes persas e cortinas de seda. Mas lembre-se: a Bourbon Street é a rua do pecado em New Orleans, o que pode ser uma solução ou um problema, a seu critério.

Para ver o pecado de camarote: varanda de uma das suítes do Royal Sonesta | Foto: divulgação Sonesta

Em comemoração aos três séculos de Nola e já que as inspectors Carla Lencastre e Mari Campos também passaram temporadas por lá, vamos dar em breve mais alguns pitacos sobre a hotelaria na cidade. Acompanhe a gente!

Para ficar por dentro destas e de outras histórias de hotelaria, acompanhe a gente no Instagram @HotelInspectors; no Facebook @HotelInspectorsBlog; e no Twitter @inspectorshotel. Obrigada pela companhia!