Lobby do Four Seasons New York

Cinco inovações que vão mudar a hotelaria

Listamos cinco prováveis ou possíveis inovações que vão mudar a hotelaria em tempos de distanciamento social e biossegurança: redesenho das áreas comuns, novas tecnologias de limpeza, experiências de baixo contato, chave do quarto digital e robôs para room service.

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1 Redesenho de áreas comuns
Inovações que vão mudar a hotelaria: lobby do Anaheim Marriott
Lobby do Anaheim Marriott pré-covid-19 | Foto de Carla Lencastre

Em muitos hotéis o lobby era um ponto de encontro, com espaços projetados para facilitar, e incentivar, a interação. Várias propriedades estão rearrumando e redesenhando áreas levando em conta a covid-19. Marriott International, a maior rede hoteleira do mundo, anunciou que vai remover móveis e reorganizar lobbies para permitir distanciamento social.

Inovações que vão mudar a hotelaria: quarto do Prince Hotel Hong Kong
Quarto do Prince Hotel Hong Kong | Foto de divulgação

Da Ásia, chega um exemplo significativo. O Prince Hong Kong, parte do grupo Marco Polo, já tinha uma renovação prevista para este ano que seria executada aos poucos, sem fechar. Com a crise, as atividades do hotel foram suspensas em fevereiro e a obra será feita de uma vez só. Mas, antes de começar, todos os planos foram revisados. Desenhos de espaços comuns como lobby e restaurante foram refeitos e revestimentos, repensados. No lounge executivo, a área será ampliada em 30%. Materiais mais fáceis de limpar e higienizar serão priorizados para pisos, balcões, mesas, cadeiras.

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2 Novas tecnologias de limpeza

Pulverizadores eletroestáticos e luz ultravioleta podem vir a fazer parte dos protocolos hoteleiros. O grupo Hilton avalia seguir os dois procedimentos. A rede Marriott pretende, nos próximos meses, adotar os sprays eletrostáticos. Esta é mais uma das inovações que vão mudar a hotelaria.

O Fórum Econômico Mundial diz que raios UV podem se tornar realidade na indústria da hospitalidade. A luz ultravioleta é a etapa final da limpeza; o efeito da descontaminação é reduzido se houver poeira, por exemplo. Usada em hospitais e transporte público, sua eficácia em relação ao novo coronavírus ainda está sendo estudada.

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3 Experiências de baixo contato

Mesmo que o check-in seja no lobby, a tendência é o hóspede usar o próprio telefone e não tocar em nenhuma superfície. Hotéis de diferentes categorias já ofereciam check-in e check-out sem contato físico. Muitos outros vão seguir pelo mesmo caminho. A Marriott anunciou que check-in e pedidos de serviço de quarto por celular estarão disponíveis em mais de 3.200 de suas propriedades em todo o mundo (o grupo administra cerca de sete mil hotéis).

Inovações que vão mudar a hotelaria: check-in e check-out virtuais no Four Seasons New York
Suíte com vista para o Central Park no FS New York | Foto de divulgação/Peter Malinowski

O Four Seasons New York, que está recebendo profissionais da área de saúde durante a pandemia, adotou check-in e check-out virtuais. Vão crescer os aplicativos de redes hoteleiras, inclusive as luxo, como Four Seasons (a foto no alto do texto é do lobby do FSNY). O app oferece comunicação em tempo real, mantendo a qualidade do serviço.

Menus de room service estarão em QR code, tablets ou TVs. Os hotéis do grupo europeu La Réserve removeram os cardápios dos quartos e, também, de seus restaurantes. O pagamento por aproximação será ampliado. Incentivo ao meio eletrônico é um dos protocolos para a hotelaria do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC na sigla em inglês).

Elevadores touchless serão mais comuns. O Prince Hong Kong, com 394 quartos, incluiu painéis de controle de elevadores non-touch em seu projeto de renovação, por exemplo. Um mundo “beyond human” é a primeira das dez tendências de consumo apontadas pela Euromonitor International para 2020. No final de abril, a consultoria revisou a lista levando em conta a covid-19. Se no início do ano “além do humano” era um mundo onde a inteligência artificial poderia ser conveniente, agora é esperado rápido crescimento da automação no setor de serviços para evitar contato.

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4 Chave do quarto (e muito mais) no celular
Inovações que vão mudar a hotelaria: quarto do Hilton Denver City Center
Quarto do Hilton Denver City Center: chave digital pré-pandemia | Foto de Carla Lencastre

O grupo Hilton, um dos pioneiros em check-in sem interação física, anunciou que a partir de junho vai ampliar seu programa Digital Key para mais de 4.700 propriedades em todo o mundo (o grupo tem cerca de 6.100 hotéis). A inciativa é parte dos novos protocolos globais de limpeza da rede. O app Hilton Honors, onde fica a chave digital, permitirá também controlar iluminação, temperatura e televisão. O MGM Resorts terá chave digital na reabertura de seus 13 hotéis em Las Vegas. Além da chave no celular, o app permitirá fazer ckeck-in e check-out no próprio telefone.

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Cartões magnéticos continuarão a ser usados como chaves, mas terão que ser constantemente desinfetados como recomenda o WTTC em seus protocolos para o novo normal na hotelaria. Fico nervosa de pensar naquela situação nada rara em que o cartão não funciona. Você volta ao lobby, o cartão é limpo, reprogramado, desinfetado… Não era divertido antes (principalmente nos longos corredores dos hotéis em Vegas), imagina agora.

Leia também: Covid-19 prolonga o uso de plástico na hotelaria

5 Robôs para serviço de quarto
Inovações que vão mudar a hotelaria: Hannah, robô para serviço de quarto do H Hotel da Curio Collection by Hilton, em Los Angeles
Hannah, robô para serviço de quarto do H Hotel da Curio Collection by Hilton, em Los Angeles: na ativa desde antes da pandemia | Foto de Carla Lencastre

Em um mundo no qual o hóspede quer ter o mínimo possível de contato social e interação humana, pedidos de room service entregues por robôs podem se tornar mais comuns. Robôs para limpeza em hotéis não é usual, mas também pode vir a ser considerado. Um exemplo são os dispositivos que emitem raios ultravioleta, por enquanto usado em hospitais.

Escrevi também sobre as inovações vão mudar a hotelaria em um mundo com covid-19, e o setor de viagens em geral, para o Projeto #Colabora, site de jornalismo independente especializado em desenvolvimento sustentável. Clique aqui para ler mais sobre as novidades da área.

Todos os nossos textos sobre o impacto da covid-19 na hotelaria estão aqui

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Piscina do hotel de luxo Fairmont Rio de Janeiro, com vista para a Praia de Copacabana e o Pão de Açúcar | Foto de Carla Lencastre

O que vai mudar na limpeza dos hotéis com o coronavírus

Location, location, location perdeu a primazia entre os itens mais importantes na hora de escolher um hotel, avisou a Skift, plataforma americana de mídia voltada para o setor de viagens. Limpeza comprovada, porque até outro dia mesmo hóspedes apenas confiávamos, contará mais pontos no momento de decidir onde ficar na era pós-pandemia. O que vai mudar na limpeza dos hotéis? Restaurar esta confiança deve ser um dos novos objetivos da indústria da hospitalidade. Hotéis terão que passar por uma enorme readequação.

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NA ÁSIA

Um dos primeiros exemplos veio da Ásia, à frente em relação à epidemia. Singapura criou uma certificação de limpeza para a hotelaria, com novos protocolos como medir a temperatura dos funcionários e higienizar as áreas comuns com frequência maior. O primeiro hotel com o selo SG Clean, concedido depois de uma auditoria, foi o Grand Hyatt Singapore, perto da Orchard Road, principal avenida comercial da cidade. O plano do Singapore Tourism Board, órgão do governo, é certificar 570 hotéis e atrações nos próximos dois meses, chegando a milhares mais adiante. O que não quer dizer que Singapura esteja livre da covid-19. Há atualmente uma segunda onda do vírus e o confinamento foi prolongado até o início de junho.

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na europa

A Associación Empresarial Hotelera de Madrid (AEHM) lançou projeto parecido, o selo Hoteles Covid Free, para o que vai mudar na limpeza dos hotéis. O nome é ruim, o vírus ainda não foi estudado o suficiente para se afirmar que um local é “covid-19 free”, mas a ideia é a mesma de Singapura: seguir procedimentos de limpeza de quartos, áreas comuns e de reuniões que dê segurança a funcionários, hóspedes e clientes.

Atualização: No final de abril, Portugal também criou um selo de limpeza para empresas do setor turístico. O certificado Clean & Safe (o nome é em inglês mesmo) será concedido a hotéis que atenderem a novos padrões de segurança sanitária e higiene, e terá validade de um ano. Durante este período, o governo fará vistorias aleatórias nos hotéis certificados.

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Grupos hoteleiros criam novos protocolos

Uma das primeiras grandes redes a anunciar o que vai mudar na limpeza dos hotéis foi a francesa AccorHotels. A empresa pretende lançar um selo de qualidade de higienização em parceria com o prestigioso Bureau Veritas organização internacional especializada em certificações. O projeto será apresentado à Alliance France Tourisme, ao governo francês e aos de outros países europeus. Uma vez validado, o selo poderá ser usado por outras redes e por hotéis independentes na Europa, além das propriedades do grupo Accor mundo afora, inclusive no Brasil. Como o Fairmont Rio Copacabana, o único da marca de luxo na América do Sul, inaugurado há menos de um ano e hoje fechado (foto em destaque no início do texto).

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O que vai mudar na limpeza dos hotéis: quarto do JW Marriot Rio, em Copacabana, antes da crise | Foto @JWMarriottRio
Quarto do JW Marriot Rio, em Copacabana, antes da crise | Foto @JWMarriottRio

A Marriott International anunciou a criação de um Conselho de Limpeza Global, o Marriott Global Cleanliness Council. As regras determinam, por exemplo, o uso de desinfetante hospitalar para limpeza de superfícies e de sinalização no lobby lembrando da importância do distanciamento social.

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Enquanto a maioria de seus hotéis permanece fechada, a Marriott adotou tarifa solidária para hospitais particulares hospedarem funcionários e prestadores de serviço; órgãos do governo e pessoas em grupo de risco que precisem de um local de isolamento. A tarifa está disponível em quase 2.500 propriedades nas Américas, entre eles o JW Marriott Rio de Janeiro; o Marriott Executive Apartments São Paulo, e o Sheraton Porto Alegre. Nos Estados Unidos, a Marriott e o grupo Hilton, outro gigante da hotelaria, fizeram parceria com o cartão de crédito American Express e cederam quartos gratuitamente aos profissionais de saúde em Nova York, Nova Orleans e outras das cidades americanas mais atingidas pela epidemia.

Atualização: No final de abril, o grupo Hilton anunciou o CleanStay, com novas medidas para garantir a limpeza e a segurança de seus hotéis. O programa ainda está sendo desenvolvido e deve ficar pronto em junho.

no brasil

Novos protocolos de limpeza estão sendo adotados desde já por hotéis que permanecem abertos, inclusive os independentes. Um exemplo é o Vivenzo, inaugurado há um ano na Savassi, em Belo Horizonte. O hotel funciona com 33% da sua capacidade para receber pessoas que precisam se isolar e profissionais da área de saúde. O check-in, por exemplo, é realizado por vídeo; a arrumação diária do quarto está suspensa. Quando a acomodação é desocupada, há um intervalo de 72 horas antes da limpeza, que segue padrão hospitalar, para receber um novo hóspede. Os funcionários estão no hotel, mas é apenas virtual a interação entre eles e os hóspedes.

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Atualização: Em 12 de maio, o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC na sigla em inglês) anunciou protocolos globais para a segurança sanitária na hotelaria, entre outros setores. As medidas (em inglês) estão neste link.

O que estamos fazendo

Desde o início da pandemia estamos tentando acompanhar a crise o mais de perto possível no momento: lendo artigos e estudos, assistindo lives de fontes confiáveis, consultando pesquisas e conversando com especialistas para trazer análises e resumos atualizados de como o setor hoteleiro passa por este momento e do que podemos esperar. Os links para textos e notícias em primeira mão estão no Instagram @HotelInspectors.

Seguimos otimistas, sem negar a seriedade da situação. Esta semana estamos também felizes por conta de você, leitor. A oito dias do final do mês, batemos mais uma vez o recorde de audiência mensal nos dois anos de Hotel Inspectors. O crescimento (neste momento em que escrevo) é de quase 45% em relação ao mês de março, que já tinha batido recorde e registrado um aumento de 22% em relação a fevereiro. Muito obrigada pela confiança!

Clique aqui para ler todos os nossos textos sobre hotelaria e coranavírus

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Torre da Universidade de Cartagena

Onde ficar em Cartagena, no Caribe colombiano

Em cima do muro não é uma opção. Do lado de cá ou do lado de lá é a principal dúvida na hora de escolher o hotel na belíssima Cartagena das Índias, no noroeste da Colômbia. Dentro da muralha de dez quilômetros de extensão, a cidade tem um colorido Centro Histórico do século XVI, Patrimônio da Humanidade pela Unesco, repleto de hotéis boutique, lojas, bares e restaurantes (estes até em cima do muro). Do lado de fora da muralha está o Mar do Caribe. Onde ficar em Cartagena?

Leia mais: um roteiro por Cartagena na revista Panrotas (a partir da p. 26)

As praias da cidade não são aquelas dos cartões-postais caribenhos, com água azul-turquesa e areia branca e fofa. Mas a hospedagem nos grandes hotéis à beira-mar é opção a ser levada em conta para quem viaja com crianças pequenas. Ou não dispensa a infraestrutura de um resort. Ou simplesmente quer combinar história e praia na mesma cidade.

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Onde ficar em Cartagena: Dentro da Muralha

Para quem vai a Cartagena em busca da vida do século XXI pelas ruas do século XVI, o lugar para ficar é do lado de dentro do muro. Da primeira vez na cidade, há alguns anos, tive ótima experiência no Charleston Santa Teresa, o que contribuiu muito para o meu amor à primeira vista por Cartagena. Com 87 quartos, instalado em um antigo convento do século XVII perto da Torre do Relógio, o hotel tem piscina no terraço, com vista para as torres da Catedral em primeiro plano, e o selo Traveller Made. No belo claustro central estão as mesas do Harry’s, restaurante de Harry Sasson, um dos chefs colombianos mais famosos.

Outro convento, também do século XVII, abriga o Sofitel Legend Santa Clara, com 123 quartos e recomendado pelo Forbes Travel Guide. Mesmo que não seja a sua opção, vale aproveitar o bom bar El Coro e o restaurante 1621. El Coro é o endereço da cripta que inspirou Gabriel García Márquez no livro Do amor e outros demônios. A casa do escritor colombiano, ainda hoje com a família, é vizinha ao Santa Clara. As áreas comuns do hotel são lindas, como o pátio central repleto de plantas e com um poço. A piscina, grande para uma área histórica, está em um pátio ao lado. Este é o hotel do Centro Histórico com melhor estrutura para receber crianças pequenas.

Atualização:

Em outubro de 2020, o Santa Clara foi eleito pelos leitores da Condé Nast Traveler o melhor hotel da América do Sul e o segundo melhor do mundo. Em novembro, foi reconhecido como o South America’s Leading Hotel pelo World Travel Awards.

A bonita Casa San Agustín, membro da Leading Hotels of the World, também é recomendada pelo Forbes Travel Guide. O restaurante Alma, de frutos do mar com leitura contemporânea, é bem gostoso. Tem vista para a pequena piscina em formato de L, emoldurada pela parede em pedra de um aqueduto do século XVII. Os 30 quartos, com decorações únicas, oferecem mix charmoso de detalhes modernos e históricos, alguns com afrescos originais nas paredes. O hotel tem um solário com vista para a torre da universidade do século XIX, onde estudou García Márquez (foto na abertura deste texto).

Leia mais: Hotéis e spas cinco estrelas na edição 2020 do Forbes Travel Guide

Onde ficar em Cartagena: jacuzzi com vista para o Mar do Caribe no hotel Radisson Cartagena Ocean Pavillion | Foto de Carla Lencastre
Jacuzzi com vista para o Mar do Caribe no Radisson Cartagena | Foto de Carla Lencastre

Onde ficar em Cartagena: fora da muralha

Tive as duas experiências, dentro e fora do muro. A mais recente foi mês passado, quando voltei a Cartagena a convite do Radisson Ocean Pavillion. O hotel com 233 quartos fica na praia de La Boquilla, entre 20 e 30 minutos de carro do Centro Histórico. Conto mais sobre o Radisson Cartagena em reportagem na revista Panrotas. Ainda ao norte do Centro, entre 30 e 40 minutos de carro, na região de Manzanillo del Mar, há duas novas opções de grandes redes hoteleiras: o Meliá Karmairi, somente para adultos, aberto em meados de 2019, e o Conrad Cartagena, inaugurado no final de 2017.

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Onde ficar em Cartagena: prédios modernos na ponta da península de Bocagrande, em Cartagena | Foto de Carla Lencastre
Prédios modernos na ponta da península de Bocagrande | Foto de Carla Lencastre

A área hoteleira de praia mais perto do Centro é Bocagrande, península repleta de arranha-céus que, vista do mar, lembra Downtown Miami. Está a cerca de 15 minutos de carro da principal entrada da cidade murada, a Porta do Relógio. Um clássico na área é o Hilton, em El Laguito, no sul da península. Há outras opções de redes, em diferentes faixas de preço. Em Bocagrande, como em La Boquilla, geralmente a areia e o mar são acinzentados, com águas mornas. Há vendedores, o assédio é grande; as praias são seguras.

Onde ficar em Cartagena: conjunto histórico vai abrigar o Four Seasons Cartagena | Foto de divulgação
Como vai ficar o conjunto histórico que abrigará o Four Seasons Cartagena| Divulgação

Também ao sul do Centro, fica Getsemaní, um dos bairros mais antigos de Cartagena. É lugar para aproveitar a vida noturna, com muitos bares de salsa. Há alguns meses, a rede Four Seasons anunciou que sua terceira propriedade na Colômbia (há dois hotéis em Bogotá) será justamente em Getsemaní, em um conjunto de prédios históricos a apenas cinco minutos de caminhada da Porta do Relógio. Passei por lá, as obras ainda não começaram. Será a 15ª propriedade da coleção Four Seasons Historic Hotels. Em fase de gentrificação, o bairro tem hostels e hotéis como o Selina, inaugurado há menos de um ano, com quartos individuais e comunitários.

E agora? Qual o seu lado do muro?

No Instagram @Hotel Inspectors, no destaque Colômbia, há outras imagens de hotéis em Cartagena, incluindo vídeos.

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Novidades na hotelaria novaiorquina

Já tem um tempinho que Nova York entendeu que era preciso inovar para renovar a hotelaria da cidade. Nos últimos cinco anos, diversos hotéis passaram por renovações e super liftings, e vários novos hotéis abriram suas portas na cidade, em distintos cantos.

Uma grande mudança foi a abertura da segunda unidade do grupo Four Seasons na até então mais isolada Downtown em 2016. O Four Seasons New York Downtown contribuiu enormemente para redesenhar a região, que se configura cada vez mais como uma excelente localização de hospedagem para quem quer explorar a cidade tanto em distintos cantos de Manhattan como também em outros distritos e vizinhanças. E o hotel ainda tem um belíssimo spa e uma filial do CUT by Wolfgan Puck.

Hoje, Downtown conta com um clima muito mais gostoso e tipicamente novaiorquino, com excitantes novos bares, novos cafés, novos restaurantes e dois grandes complexos de compras mais upscale, o Brooksfield Place e o mall Westfield, anexo à genial obra de Calatrava, o Oculus – e com muito menos fluxo de turistas que outros cantos da cidade. A região também ganhou diversas novas atrações, como o imperdível One World Observatory e o Museu e Memorial de 11 de setembro. E ganhou também novas opções em hospedagem, como as residências do AKA Wall Street, hotel membro da Preferred Hotels, para quem fica mais tempo na cidade e quer contar com a conveniência de um apartamento completo, com serviço incluído.

Mesmo os hotéis mais clássicos entenderam que é preciso reinventar e se adaptar aos novos tempos e novos perfis de público – principalmente na hotelaria de luxo. Um caso excelente é o do Mandarin Oriental New York que passou por remodelação, mas segue sendo um clássico na cidade – e adicionou aos seus atrativos grandes sacadas, como o genial bar The Aviary, filial da unidade premiada de Chicago. Instalado no 35o andar, oferece pratos e drinks fora do comum (espere malabarismos, cozinha molecular, nitrogênio líquido etc) e vistas panorâmicas para o Central Park.

Detalhe de uma das estrelas do cardápio do The Aviary, no Mandarin Oriental New York. Foto: Mari Campos

Fora de Manhattan, hotéis cada vez mais transados e focados nos millennials e hipsters entenderam que uma bela vista é fundamental para quem explora outros boroughs. Bom exemplo disso são os novos hotéis no Brooklyn e Williamsburg, sempre investindo em rooftop bars e/ou piscinas externas com vista. O belo Equinox Hotel New York, aberto recentemente em Hudson Yards, também entendeu esta máxima rapidinha e acertou imensamente nos janelões dos quartos, no delicioso rooftop e na escandalosa piscina com vista para Manhattan e uma visão privilegiada do The Vessel (que já é, aliás, o monumento mais fotografado de Nova York hoje).

O The Vessel visto do rooftop do Equinox Hotel, em Nova York. Foto: Mari Campos.

Em visita à cidade na semana passada (com apoio do NYCgo e da Copa Airlines), acompanhei pessoalmente a abertura de outros dois novos hotéis de estilos e budgets bem diferentes, e em pontos distintos de Manhattan. Primeiro, o belo Conrad New York Midtown, que abriu suas portas oficialmente no último dia primeiro de setembro. O hotel, que ocupa o edifício do antigo London Hotel, passou por um extreme makeover e reabriu inteiramente reformado.

Os quartos (que incluem sempre cápsulas de café e chás sem custos) ficaram todos espaçosos e elegantes, com cores discretas, e há obras de arte espalhadas por toda a propriedade. As suítes mais caras ficam nos andares mais altos e têm belas vistas para a cidade – como a suíte presidencial, com dois andares e vista para o Central Park. Há bom serviço de conciergerie e atendimento em geral bastante simpático. E o hotel ganha ainda um novo bar e restaurante até o final desta semana; com jeito de brasserie, a ideia do hotel é que o espaço atraia tanto turistas quanto novaiorquinos no almoço e no jantar.

Com foco nos millennials, a Moxy Hotels, marca budget jovem da Marriott Hotels, acaba de abrir no East Village o Moxy East Village, bem em frente ao lendário Webster Hall. Com design do Rockwell Group, o décor das áreas comuns chama a atenção, com homenagens a figuras históricas da música e da região. Os 286 quartos são em sua grande maioria bastante espartanos, com cama e banheiro integrados, inspirados nas cabines de navios – incluindo alguns com beliches. Mas as roupas de cama são de ótima qualidade e os chuveiros também.

Não há coffee/tea facilities nos quartos e água engarrafada custa exorbitantes (para uma propriedade que se diz econômica) 5 dólares a garrafa – mas há café e chá disponíveis gratuitamente no lobby pelas manhãs cedo. Há acesso gratuito à academia e empréstimo de bicicletas. Mas os maiores atrativos do hotel estão mesmo nas áreas sociais: no gostoso Alphabet Bar&Café no lobby, no belo restaurante de cozinha mediterrânea by Jason Hall Cathédrale e no underground lounge Little Sister, que mal abriu e já anda concorrido. O hotel anunciou também que tem planos de abrir um rooftop bar na primavera americana do ano que vem.

Em breve vai dar para ler review completinha destes hotéis clicando aqui.

Utilizei mais uma vez em Nova York os serviços de transporte da Blacklane, principalmente entre Manhattan e o aeroporto JFK. São sempre infalíveis na qualidade (do carro e do motorista) e na pontualidade.

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Hotéis na Nova Zelândia: Auckland e Wellington

Acabei de voltar da Trenz 2019, a maior feira de viagens da Nova Zelândia, este ano realizada em Rotorua, cidade termal na Ilha do Norte. Depois do evento, continuei por ká e estive em Wellington, a convite do Turismo do país, e em Auckland. Destaco aqui alguns dos hotéis na Nova Zelândia.

O número de visitantes brasileiros cresceu nos últimos três anos por conta do voo direto Auckland-Buenos Aires, lançado pela Air New Zealand em dezembro de 2015. Para números e perspectivas da Air New Zealand em relação a esta ligação direta, clique aqui. Já as metas do Tourism New Zealand estão neste link. Reportagem para a revista Panrotas pode ser lida aqui.

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Hotéis na Nova Zelândia: Auckland

Hotéis na Nova Zelândia: Park Hyatt Auckland
Park Hyatt Auckland, na marina do Wynyard Quarter | Foto de Carla Lencastre

Auckland, maior cidade e porta de entrada no país, está passando por uma transformação recente na hotelaria de luxo, devido ao crescimento da demanda, com altas taxas de ocupação (média de 86,9%). A expectativa é de mais quatro mil quartos até 2023, em quase duas dezenas de diferentes hotéis, principalmente nas categorias quatro e cinco estrelas.

Entre eles, para meados deste ano, é aguardada a inauguração do Park Hyatt Auckland, com 195 quartos. Em 2022, será a vez do Ritz-Carlton, com 265 quartos, e do InterContinental, com 244 quartos. O grupo IHG planeja também um Hotel Indigo, com 225 quartos, para 2021.

Atualização: A abertura do Park Hyatt foi adiada para março de 2020.

Em um prédio novo, em fase final de acabamento, o Park Hyatt terá 195 quartos e fica ao lado da marina do Wynyard Quarter. Antiga área industrial sem grandes atrativos, na última década o bairro passou por transformação urbanística e hoje tem ocupação mista, com novos prédios residenciais e comerciais, além de bares e restaurantes. Nesta região as construções chamam a atenção pela horizontalidade, e têm cinco ou seis andares.

O Wynyard Quarter é também o endereço do Sofitel Viaduct Harbour. O primeiro hotel a ser aberto no bairro vai completar sete anos e tem áreas comuns bem conservadas e convidativas em torno de um bonito espelho de água interno. Mas o grande trunfo da AccorHotels em Auckland é o So/ Sofitel, com 130 quartos, inaugurado no final do ano passado.

A localização é ótima: ao lado das lojas de grife do Britomart e da Queen Street; a poucos metros do Ferry Building, de onde saem barcos para outros pontos de Auckland, e a dez minutos de caminha da SkyTower, torre símbolo da cidade, de onde é possível se jogar em um bungee jump urbano. Em tons escuros, com alguns vibrantes pontos em vermelho, o lobby com piso de mármore negro transborda na categoria design arrojado. O So/ tem um bar movimentado no lobby, o Mixo, e outro no terraço, Hiso.

Hotéis na Nova Zelândia: um dos quartos do M Social Auckland
Um dos quartos do M Social Auckland | Foto de Carla Lencastre

Na categoria lifestyle, gostei do M Social, onde me hospedei, em frente ao porto. Aberto a pouco mais de um ano, é uma nova e moderna bandeira do grupo britânico Millennium Hotels. Todos os 190 quartos neste hotel de 12 andares são de frente, com janelões e decorações únicas. Os quartos têm móveis em madeira clara em estilo escandinavo, ambientes coloridos e divertidos e detalhes náuticos, além de máquina de café expresso e muitas tomadas e entradas USB nos quartos. Oferece um bom café da manhã no bar e restaurante Beast & Butterflies, no térreo, um endereço bem gostoso.

Hotéis na nova Zelândia: Wellington

Em Wellington, o destaque é o QT, marca australiana que investe pesado em design e encontrou um parceiro perfeito no Museum Hotel. O nome não é retórico. O prédio abriga uma incrível coleção de arte contemporânea, com mais de uma centena de obras e ênfase em artistas neozelandeses.  Tem um bar e restaurante lindo e concorrido, o Hippopotamus, com janelões voltados para a marina e o porto; candelabros, dourados, espelhos, garrafas de absinto. Os 63 quartos são coloridos e iluminados, e os roupões são pretos, como os do hotel em Sydney. O QT fica ao lado do fabuloso museu Te Papa, fundamental para aprender um pouco sobre a cultura maori. A rede QT Hotels está se expandindo na Nova Zelândia e tem chegada prevista para Auckland em 2020, com um hotel de 150 quartos.

Fiquei hospedada no DoubleTree by Hilton, aberto há menos de um ano. O hotel é bem localizado, quase ao lado do InterContinental e da estação do Cable Car, e perto do porto. Fica em um prédio de 1928, com sete andares e 106 quartos com décor sóbrio inspirado nos detalhes art déco originais e confortos modernos, como máquina de café expresso e muitas tomadas e carregadores USB. Espelhos e detalhes em dourado dão um toque elegante aqui e ali. Parte dos quartos laterais tem janela minúscula, colada a um prédio de escritórios. Ainda que os ambientes sejam espaçosos, a sensação é de entrar em uma caverna. O que é parcialmente compensado pelo restaurante cheio de luz no café da manhã.

Hotéis na Nova Zelândia: DoubleTree by Hilton Wellington
Quarto do novo DoubleTree by Hilton em Wellington | Foto de Carla Lencastre

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