O que há de especial na hotelaria das Maldivas

O turismo nas Maldivas é algo relativamente novo, com os primeiros resorts abrindo suas portas no país anos anos 1970. Hoje, a principal força motora da economia nacional é um verdadeiro fenômeno, com mais de 150 resorts operando no país, incluindo 20 novinhos em folha (como os ultra luxuosos Hurawalhi e Kudadoo) , que abriram suas portas neste 2019 (e diversos novos resorts já têm suas aberturas agendadas para os próximos cinco anos).

Com cerca de 1190 ilhotas espalhadas em diferentes atóis no oceano Índico, a beleza aquática das Maldivas é mesmo tudo aquilo que as brochuras dos hotéis prometem. As Maldivas têm das melhores possibilidades de avistamento de vida marinha do mundo, tanto debaixo d’agua quanto nos passeios de barco. O que torna relativamente fácil vender um destino que ainda é um dos mais caros do mundo – sobretudo por ser um destino que, com a mais baixa elevação do mundo e um ecossistema bastante frágil, é um dos mais afetados pelo aquecimento global e aumento do nível do mar.

Enquanto as temperaturas nas Maldivas são praticamente as mesmas o ano todo, a sazonalidade das chuvas deve ser rigorosamente considerada pelo turista. A melhor temporada vai de novembro a abril, mas é também a mais cara e cheia. Quem não se importa em pegar um pouco de chuva durante sua estadia, pode apostar no meses de setembro e outubro, que costumam ter tempo mais estável e boas promoções na hotelaria. Mas a hotelaria nacional joga os preços pra baixo mesmo de maio a julho, que são indiscutivelmente os meses mais chuvosos. E, por isso mesmo, se esmeram tanto em oferecer a maior variedade possível em atividades e gastronomia – além de quartos de sonho – para manter o turista feliz mesmo quando o céu desaba lá fora.

Nos últimos anos, as Maldivas entraram em todas as listas de “lugares para visitar”das grandes publicações internacionais. No fundo, ao comprar suas férias nas Maldivas, o turista está comprando especificamente sua estadia em uma destas mais de mil ilhotas. Está comprando um hotel determinado (já que a maioria se hospeda a semana toda no mesmo resort), muito mais que o destino em si. A maioria destas ilhas é minúscula e ocupada por um único hotel ou resort, e é aí que a hotelaria desempenha um papel fundamental num destino. Durante sua hospedagem, tudo que você fará e consumirá, dos restaurantes aos passeios, será oferecido e gerenciado pelo hotel que você escolheu.

Em setembro passado, estive por duas semanas em quatro diferentes ilhas, três atóis e cinco diferentes resorts no país. Os hotéis escolhidos foram o Soneva Fushi, o Anantara Kihavah, o Anantara Dhigu, o Anatara Veli e o Niyama Private Islands Maldives. E ali o alto padrão de serviço da hotelaria, seja ela de luxo (Soneva, Kihavah e Niyama) ou equivalente a um 4 estrelas (como Dighu e Veli), já começa no aeroporto de Malé – todos eles contam com excelentes lounges para esperarmos nosso transfer, seja ele feito em lancha ou hidroavião, com transporte em carros e vans de luxo desde o terminal internacional do aeroporto. No caso dos resorts de luxo, os mesmos lounges podem também ser utilizados na volta, antes de fazer o check in para seu voo internacional de volta.

O grande destaque da viagem ficou por conta dos dois primeiros – Soneva Fushi e Anantara Kihavah , ambos no mesmo Baa Atoll e distantes menos de meia hora em lancha um do outro. Dois hotéis que têm não apenas localização privilegiada (foi neles que encontrei o fundo do mar mais espetacular da viagem, com ambas ilhas rodeadas de barreiras de corais impressionantes) como excelência em serviço, que se adapta rápida e muito eficientemente às mudanças climáticas e preferências dos hóspedes.

Nos dois resorts, pedi para trocar minha bicicleta por um triciclo como o dos funcionários para poder pedalar pelas ilhas e filmar e fotografar ao mesmo tempo e fui prontamente atendida – assim como duas hóspedes indianas que não pedalavam há muito tempo e estavam com medo. Em um dia de chuva, em que todos os passeios externos (mergulhos, passeios de barco etc) foram cancelados, o pessoal do Anantara Kihavah criou rapidamente diferentes atividades dentro do resort ao longo do dia, como demostrações culinárias, aula de yoga e workshops com baristas, sem custos.

Além disso, sabem como poucos manter a excelência de serviço mesmo com ambientes muito relaxados, em que quase todo mundo anda descalço e bem à vontade o tempo todo. E têm imensos kids clubs (entre os maiores das Maldivas), com atividades ininterruptas para crianças de diferentes idades e adolescentes.

Ambos hotéis têm também total comprometimento com conservação e sustentabilidade, sendo bastant estritos quanto a consumo e produção de lixo (uma questão seríssima no destino todo). Garrafas plásticas, canudos plásticos e afins simplesmente não existem nestes hotéis, e hóspedes que (ainda) insistem nestes itens são polidamente “educados” do porquê tais objetos foram banidos dos resorts.

Com estruturas bem distintas – o Soneva é mais informal e tem apenas beach villas, enquanto o Anantara Kihavah tem um pouco mais de glam e divide a ilha em beach villas e surreais bangalôs sobre a água -, ambos hotéis também souberam muito bem dividir espaços e atividades para que todos os públicos (casais, famílias com crianças, grandes grupos de amigos, solo travelers) se sintam bem-vindos e respeitados o tempo todo. A gastronomia também é impecável em ambos.

Mais trendy e com hóspedes em sua maioria entre 30 e 50 anos, o Niyama Private Islands Maldives, é um verdadeiro sucesso entre brasileiros. Ali a gente escuta português o tempo todo e até os funcionários se arriscam a usar algumas expressões em português, com muita informalidade. Extremamente contemporâneo do décor dos quartos e (belíssimos) bangalôs aos restaurantes (tem até dois bares com ares de balada), é também o hotel queridinho dos surfistas (Gabriel Medina incluído!). Ocupando duas ilhas diferentes, é banhado tanto pelas típicas águas calmas e mornas das Maldivas de um lado como por ondas na medida para o surf de outro.

Já a dobradinha Anantara Dhigu e Anantara Veli, literalmente vizinhos, distantes apenas um minuto de barco um do outro, é outro case de sucesso entre brasileiros. Os resorts quase gêmeos atendem super bem o hóspede que quer conforto mas tem budget mais reduzido, no melhor estilo pague um, leve dois.

Enquanto a oferta de hotelaria mais econômica (ou menos cara) nas Maldivas é imensa, mas vira e mexe com quartos e bangalôs maltratados pela umidade e que precisam urgentemente de renovação, este definitivamente não é o caso do Dhigu e do Veli, que renovam seus quartos e bangalôs com frequência. É claro que não dá para esperar ali o mesmo nível de conforto nem a mesma excelência em serviço e gastronomia dos demais hotéis citados neste texto – até porque a diferença tarifária é bastante significativa por esta mesma razão. Mas ambos resorts cumprem bem a promessa de oferecer instalações bastante confortáveis, serviço simpático e refeições de qualidade, seja para casais em lua-de-mel ou famílias completas (o Veli é adults only, mas hóspedes dos dois hotéis podem fazer uso sem restrições das instalações do outro durante o dia).

Falta neles um pouquinho de jogo de cintura para desenvolver novas atividades nos dias de muita chuva (peguei três dias bastante chuvosos por lá, sem nenhum tipo de atividade oferecida aos hóspedes) e também a bela área dos bangalôs sobre o mar fica comprometida durante estes dias de tempo ruim (pela posição onde está, venta muito quando chove e os carrinhos de golfe não conseguem chegar aos bangalôs, obrigando os hóspedes a se molharem caminhando em qualquer trajeto de ida e volta ao resort, mesmo à noite, antes e após o jantar). Mas, atenciosos e muito queridos, encontraram, por exemplo, o chapéu que esqueci no check out e aproveitaram outra saída em lancha com hóspedes para me levar o chapéu esquecido ao aeroporto de Malé, antes da minha partida do país.

Mais do que em qualquer outro lugar, estrutura hoteleira e qualidade de serviço nas Maldivas faz mesmo toda a diferença.

Tem mais sobre minha viagem para as Maldivas aqui.

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Mari Campos

Mari Campos é jornalista formada e especializada em turismo e hotelaria de luxo. Viaja o mundo desde sempre e há 15 anos colabora como freelance da área para revistas, jornais e sites do Brasil e outros seis países. Na web, comanda também o MariCampos.com e o Sala Vip, no Estadão - e é viciada no instagram @maricampos. Apaixonada por hotelaria, fez cursos na área, põe atenção nos mínimos detalhes e acredita que uma bela cama, um bom chuveiro e serviço impecável fazem qualquer viagem melhor.

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