Traveller Made antecipa tendências e novidades da hotelaria de luxo

Escrevo de Marbella, na Espanha, a cidade escolhida neste ano pela Traveller Made (a primeira rede internacional de networking para travel designers exclusivamente dedicada ao turismo de luxo) para reunir mais de 1000 profissionais do setor, entre operadores, hoteleiros, DMCs, agentes de viagem e jornalistas.

Durante o evento The Essence of Luxury 2019, Quentin Desurmont, o fundador da Traveller Made, reafirmou a ideia de que é essencial encarar as viagens de haute façon (para o mercado de ultra luxo dos UHNWIs) do mesmo jeito que as grandes marcas do mercado de luxo em geral e da alta moda o fazem – a Traveller Made lançou no ano passado o termo “haute villégiature” e dá pra ler mais sobre esse conceito aqui. A Traveller Made planeja criar agora uma Haute Villégiature Collection para incluir os melhores hotéis associados do mundo todo. “O cenário futuro é excelente: nossos travel designers associados aumentaram seus negócios em 26,4% em 2018, o mercado de viagens de altíssimo luxo dobrou nos últimos dez anos e, nos próximos 10, a quantidade de quartos disponíveis em hotéis de luxo aumentará mais de 50%”, reforçou Quentin.

Quentin Desurmont apresenta os dados de crescimento de negócios das agências afiliadas à Traveller Made. Foto: Mari Campos

O evento destacou também a importância dos players do turismo de luxo (hotéis incluídos, é claro!) construírem adequadamente sua identidade de marca, a exemplo dos maiores nomes do mercado de luxo na moda, como a Chanel. Na hotelaria ganharam destaque as redes Aman e Belmond, que são as únicas marcas hoteleiras a figurarem entre as “top of mind brands” do mercado de luxo em geral. 

Mas diversas outras novidades também foram anunciadas durante o The Essence of Luxury 2019, como a nova penthouse do Hotel Esencia, na Riviera Maya; a nova villa de 5 quartos do Singita no Zimbábue (a rede também abrirá novo lodge em Ruanda em agosto); o início das celebrações dos 50 anos do Pulitzer Amsterdam (comemorados no ano que vem) ou as novas villas do Goldeneye Resort, na Jamaica. 

O evento confirmou também a esperada abertura do The Lodge at Blue Sky, próximo a Park City, para 24 de maio próximo. O hotel de apenas 46 quartos passou nada menos que os últimos quatro anos pesquisando, criando e testando as melhores experiências locais possíveis em seus arredores (de cavalgadas a heliyoga) que agora serão oferecidas a seus hóspedes. Com arquitetura orgânica para completa integração dos quartos e espaços comuns com a natureza que o rodeia, o lodge tem localização conveniente para quem quer explorar os grandes parques (fica a 4h do Grand Canyon, por exemplo), uma destilaria de uísque dentro dos limites da propriedade e terá ski lounge exclusivo para hóspedes em Park City no inverno.

A tendência das mega villas de luxo também se confirmou com a inauguração da Maison Montespan, em Paris: trata-se de uma uma casa de 350 metros quadrados no 16ème parisiense, que deve ser alugada como uma villa, a exemplo dos melhores chalés de estações de esqui como Courchevel (com 5 quartos, serviço de mordomo e conciergerie exclusiva e um rooftop de 70 metros quadrados com vista para a cidade, além de infindáveis mimos). Ao custo de dez mil euros por noite de hospedagem, a super villa que acaba de ser inaugurada teve todos os móveis que ocupam seus cômodos desenhados exclusivamente para a casa.

Detalhe da maior e mais cara villa europeia, a Villa del Mar, no hotel Marbella Club.
Foto: Mari Campos

Durante o evento, o hotel Marbella Club, parte do portfólio da Leading Hotels of the World, nos apresentou sua suíte Villa del Mar, de impressionantes 6300 metros quadrados de área. A maior e mais cara villa de toda a Europa conta com arquitetura marroquina, de frente para o mar de Marbella, e é quase um hotel por si mesma, com direito a três andares, hammans, 9 banheiros e uma imensa piscina própria.

A Traveller Made conta hoje com 385 agências membro em 65 países (movimentando mais de 2,5 bilhões de euros anuais) e mais de mil hotéis, DMCs, Private villas, yacht, private jets e escritórios de turismo parceiros.  Ainda falaremos mais por aqui sobre outras novidades e tendências da hotelaria anunciadas no evento. 

Leia mais sobre novidades na hotelaria apresentadas na ILTM Cannes

Leia mais sobre sobre outros novos hotéis de luxo recém-abertos

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Maquete do novo TWA Hotel at JFK

Cinco razões para dormir no TWA, novo hotel do aeroporto JFK, em NYC

A NYC & Company, responsável pela promoção turística de Nova York, apresenta 2019 como um “ano monumental”. Estão previstas novas atrações culturais e gastronômicas, como o Hudson Yards; a cidade vai sediar a WorldPride, que marca os 50 anos de Stonewall, em junho, e há novos hotéis, afinal é de Nova York que estamos falando. Um deles mexe com a imaginação de fãs de hotelaria, de arquitetura e, principalmente, de aviação.

É o TWA Hotel at JFK, na área ocupada pela companhia americana Trans World Airlines no John F. Kennedy International Airport. O TWA Flight Center, projetado pelo arquiteto finlandês Eero Saarinen, estava vazio desde 2001, quando a empresa aérea interrompeu suas operações. O grupo americano MCR Morse Development começou as obras do hotel em 2016, prometendo recuperar o glamour da era dos jatos em um ambiente único.

TWA Flight Center TWA Hotel at JKF
As linhas arrojadas do TWA Flight Center (foto de divulgação/Max Touhey) | Na imagem em destaque no alto, o esboço do projeto com os dois prédios erguidos para abrigar o hotel

O TWA Hotel entrou na lista de inaugurações mais esperadas de 2019 de publicações tão diferentes como Forbes e Vogue. Mês passado, até o britânico The Guardian, jornal diário de grande prestígio, fez uma extensa reportagem para anunciar o início das reservas, três meses antes da abertura. O primeiro check-in será no dia 15 de maio.

Quarto com janelas à prova de som no novo TWA Hotel at JFK
Quarto com janelas à prova de som no novo TWA Hotel at JFK | Foto de divulgação

Listamos aqui cinco razões pelas quais vale a pena considerar o TWA como um hotel destino e abrir mão de uma noite em Manhattan ou no Brooklyn para dormir no aeroporto.

TWA Hotel at JFK

Todos os quartos tem bar em madeira feito por comunidades amish | Foto de divulgação

1 Obra-prima da arquitetura. O terminal da TWA, inaugurado em 1962, foi desenhado pelo arquiteto finlandês Eero Saarinen (1910-1961), considerado um dos pais da arquitetura moderna (quem gosta de design provavelmente conhece a mesa Saarinen, hoje comercializada no mundo todo). O prédio, de meados do século 20, abrigará o imenso lobby do novo hotel. Com 18,5 mil m², é sério concorrente ao título de maior lobby de hotel do mundo.

Womb Chair Saarinen TWA Hotel at JFK

Telefone da década de 1950 e a Womb Chair, desenhada por Saarinen | Foto de divulgação

2 Décor à la Mad Men. A decoração dos 512 quartos (os menores com 30 m²), distribuídos em dois novos prédios de seis andares cada, erguidos atrás do terminal, segue o estilo retrô, com paredes brancas e pisos em madeira escura. Quem assistiu à série de televisão Mad Men pode ter uma boa ideia. Algumas peças do mobiliário são clássicos assinados por Saarinen. A maioria dos quartos terá janelas envidraçadas de alto a baixo com vista para o terminal da TWA e o aeroporto. Sem barulho, garante o hotel. Os telefones serão de disco. Foram comprados modelos originais dos aparelhos, pela internet, e adaptados para a tecnologia atual. Talvez os mais jovens precisem de manual de instrução de como usar…

Amenities TWA Hotel at JFK

Amenities originais da TWA, que inspiraram os produtos do hotel | Foto de divulgação

Os minibares, com bebidas alcoólicas, foram feitos em nogueira por comunidades amish de Ohio com zero desperdício de material. Os copos de água serão iguais aos que eram usados nos voos da TWA. As amenities terão o logotipo da companhia e virão em nécessaire como as de bordo, em estilo vintage, que o hotel espera que os hóspedes levem para casa. As roupas dos funcionários seguem a temática e são inspiradas nos uniformes dos comissários. Cartazes antigos de propaganda da companhia estarão nos quartos e nas áreas comuns.

Lockheed Constellation  “Connie” TWA Hotel at JFK

“Connie” rumo ao JFK e a uma nova vida | Foto de divulgação/Aaron Flacke

3 Bons drinques. Do lado de fora, já está estacionado desde o final do ano passado um restaurado Lockheed Constellation. “Connie” pertenceu à frota da companhia e agora vai abrigar um bar de drinques, um dos oito do hotel. O avião estava aposentado no Maine, a 482 quilômetros de distância, e foi levado por terra até o JFK. Para quem saber mais sobre a movimentada vida pregressa de “Connie”, há muitas informações no site do TWA Hotel.

Sunken Lounge TWA Hotel at JFK

Sunken Lounge: cenário perfeito para um martini | Foto de divulgação/Max Touhey

Outro bar que tem tudo para chamar a atenção é o Sunken, no restaurado lounge do terminal, com assentos “encravados” no chão e carpete no tom de vermelho original. Com carta de drinques clássicos da década de 1960 e mexedores iguais aos que eram usados nas bebidas servidas a bordo, parece lugar perfeito para pedir um old fashioned ou um martini.

Sunken Lounge TWA Hotel at JFK
Queremos um destes misturadores de drinque: sim ou com certeza? | Foto de divulgação

4 Grife à mesa. Um dos seis restaurantes, o Paris Café, é uma versão do que existia no terminal. O design do café, que foi mantido, é assinado por Raymond Loewy, autor da contour bottle da Coca-Cola. O cardápio será assinado pelo estrelado celebrity chef Jean-Georges Vongerichten, do Palácio Tangará, em São Paulo, e de mais de três dezenas de outros restaurantes mundo afora. Os pratos serão inspirados nos menus servidos pela TWA (abaixo, as capas originais de alguns dos cardápios de bordo).

5 Voo de madrugada. Bem, neste caso nem precisava de todas as razões anteriores. É sempre melhor dormir perto do aeroporto. No TWA Hotel at JFK será possível transformar a noite geralmente estressante que antecede um voo de madrugada em uma experiência ímpar e divertida. O hotel, o único dentro do aeroporto que recebe quase 60 milhões de passageiros por ano, fica atrás do Terminal 5, usado atualmente pela JetBlue. Terá acesso a todos os outros terminais através do AirTrain. O TWA Hotel também parece uma boa opção para uma conexão longa, que deve justificar a função de sair do terminal e passar pela segurança.

Leia mais sobre o H Hotel, ao lado do aeroporto de Los Angeles.

Sunken Lounge TWA Hotel at JFK
O Sunken Lounge e o lobby do TWA Hotel at JFK | Foto de divulgação/Max Touhey

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O novo 9Confidentiel Paris e o peso de Philippe Starck na hotelaria

É inegável que Philippe Starck seja uma espécie de mago no design da hotelaria contemporânea. Foram os projetos de Starck que alçaram à fama imediata hotéis como o red&hot Faena de Buenos Aires ou mesmo o Fasano Rio com sua indefectível piscina. 

O nome mais intimamente ligado ao eclético mundo do design hoteleiro desde os anos 80, Starck agrega valor imediato a qualquer projeto do qual faça parte, de Nova York à Singapura. Craque em mesclar em seus ambientes conforto e excitação, espaços cheios de enigmas com surpresas emocionais, Starck sempre apostou na harmonia entre o funcional e o emocional. Aos 69 anos, o francês foi o responsável por duas das mais esperadas inaugurações hoteleiras de Paris do último ano: os geniais 9Confidentiel e Brach Paris.

Participei do soft opening do 9Confidentiel Paris dias antes de sua abertura oficial em dezembro útlimo. Apesar das opulentas portas do lado de fora, o ambiente interno é pequeno, discreto e extremamente aconchegante. Parte da coleção L.V.X da Preferred Hotels, o hotel fica localizado no artsy Marais, rodeado por galerias, boutiques e infinitas opções para comer e beber. 

São apenas 29 exclusivos quartos decorados com cores pastéis e os inconfundíveis jogos de espelhos de Starck por toda parte – muito rosa e bronze e oscilações entre o neoclassicismo e a modernidade. Segundo ele, cada quarto e suíte foi desenhado como uma “candy box para cortesãos”, inspirado na elegância dos anos 20, 30 e 40 e fazendo uma verdadeira ode ao charme parisiense e sua atmosfera romântica. Os quartos são pequenos, mas incluem belíssimas vistas para os inconfundíveis telhados de Paris – e os jogos de espelhos conferem ótimo senso de amplitude ao banheiro. 

Apesar de em uma das noites ter sido literalmente a única hóspede do hotel todo, pude constatar que a excelência em serviço foi uma constante durante toda minha hospedagem – incluindo staff que fala português fluentemente.  Vale ficar ao menos um dia para o simpático café da manhã à la carte do pequeno restaurante do hotel e para um drink no discreto (porém vibrante) bar com menu exclusivo do premiado mixologista Nico de Soto. 

O discreto bar com menu by Nico de Soto do 9Confidentiel. Foto: Divulgação

Mais Starck em Paris

Inaugurado alguns meses antes, o Brach Hotel fica no 16o arrondissement e, apesar de afastado do circuito turístico da cidade, tem em seu delicioso restaurante ao menos um indiscutível pretexto para se explorar seus arredores (aposte sem medo no brunch dominical da brasserie). 

Parte da Evok Hotels Collection, no Brach o design de Starck foi pontuado pelo romantismo modernista com influências multiculturais da África, da Ásia e da América do Sul. Com muito concreto e vidro, o edifício foi originalmente uma das sedes do serviço postal parisiense nos anos 70. Os 52 quartos trazem muita luz natural com impressões dadaístas misturadas a imagens em preto e branco, máscaras e cerâmicas de diferentes estilos.“É o encontro do modernismo Bahaus com as maravilhas africanas”, diz Starck. O hotel tem ainda um rooftop garden exclusivo de seu restaurante, com vista panorâmica para Paris.

Para 2020, Philippe Starck abre também em Paris a esperada Maison Heler Metz, parte da Curio Collection by Hilton, e o Rosewood São Paulo, que promete ser um verdadeiro “parque vertical” em sua fachada. A conferir.

Arcos da Lapa Selina Rio

Como é o Selina Rio, o primeiro hotel da rede no Brasil

A rede panamenha Selina chegou ao Brasil pelo Rio de Janeiro. Assumiu o hotel 55 Rio, na Lapa, bairro histórico e boêmio no Centro da cidade. Poderia ser apenas uma mudança de administração, mas chama a atenção o modelo de negócio da Selina. A plataforma de mídia americana Skift, voltada para viagens, disse no final de 2018 que esta é a rede na qual você deve ficar de olho se quiser entender um pouco mais sobre como os millennials viajam.

Um dos quartos do Selina Lapa Rio
Um dos quartos do Selina Lapa Rio, novidade na hotelaria carioca | Foto de Carla Lencastre

Criada em 2015, a marca geralmente aluga um hotel que já existe, como era o caso do 55, inaugurado às vésperas das Olimpíadas do Rio, e faz ajustes na decoração e na distribuição dos espaços e suas ocupações. As 39 propriedades administradas pela rede em 12 países da América Latina e em Portugal oferecem quartos privativos, camas avulsas em quartos compartilhados, áreas comuns abertas aos moradores da cidade, como bares e restaurantes, e espaço de coworking.

Mural no Selina Lapa Rio
Mural na área ao ar livre que separa os dois prédios do Selina | Foto de Carla Lencastre

Em 2018, o até agora bem-sucedido modelo multiuso da rede, tendência na hotelaria mundial, chamou a atenção de investidores e recebeu dois aportes milionários, um de US$ 95 milhões, no início do ano, e outro de US$ 150 milhões, em dezembro. Os planos de expansão são ambiciosos. Segundo a revista americana Forbes, a marca pretende alcançar 350 endereços e um total de cem mil camas nos próximos anos.

Ainda neste 2019, há uma unidade prevista para São Paulo, na Vila Madalena, e outra para Florianópolis, na Praia Mole, onde o bar já está funcionando. Os primeiros hotéis nos Estados Unidos também devem ser inaugurados este ano, com Miami (Little Havana) e Nova York (Lower Manhattan) liderando a lista. Já com data marcada de abertura, entre março e maio, e aceitando reservas, há o segundo e o terceiro hotel em Portugal e o quarto no Peru.

O novo Selina Rio fica ao lado dos Arcos da Lapa

Fundada em 2015, a rede Selina se promove como um hotel para nômades digitais, que teoricamente podem morar e trabalhar em qualquer lugar. Quando visitei o hotel carioca, mês passado, a convite da marca, ainda não existiam o espaço de coworking nem a cozinha comunitária (outra característica da rede). Ambos estavam previstos para breve.

Um dos quartos compartilhados do Selina Lapa Rio
Um dos quartos compartilhados do Selina carioca | Foto de Carla Lencastre

O Selina Lapa Rio ocupa dois prédios no Largo da Lapa, um histórico, onde no início do século passado funcionou o Grande Hotel Bragança, e outro de 2016, construído nos fundos do terreno para abrigar parte do 55 Rio. O hostel está concentrado nesta construção mais nova, de oito andares. O Selina aproveita toda a infraestrutura do 55, inclusive nas acomodações que foram transformadas em dormitórios, com banheiro dentro do quarto.

Banheiro do Selina Lapa Rio
O banheiro é sempre assim. Só muda o tamanho | Foto de Carla Lencastre

Os dormitórios têm quatro, seis ou oito camas, com decoração clean, bem simples. Os banheiros são iguais em todo o hotel, apenas com variação de tamanho. Todos são em preto, branco e cinza, inclusive nos quartos mais caprichados do prédio histórico. O prédio novo tem ainda quartos privativos, com decoração minimalista, alguns com vista para Santa Teresa.

Quarto para casal no prédio novo do Selina Lapa Rio
Um dos quartos para casal no prédio novo | Foto de Carla Lencastre

No edifício histórico de três andares e terraço, o tom é outro. Não há dois quartos iguais, nem em tamanho nem em decoração, já que todos se adaptam à estrutura original do prédio. Toda a cor que falta no hostel está nesta parte da propriedade (com exceção dos banheiros monocromáticos). Os quartos mantêm o design do 55 Rio, que preservou elementos da construção, como paredes em pedra, e têm pisos em madeira e cores fortes nas paredes. Portas e janelas em madeira do prédio original também foram aproveitados na decoração.

Quarto do Selina Lapa Rio
Porta do antigo Grande Hotel Bragança usada como biombo | Foto de Carla Lencastre

O Selina Lapa Rio tem capacidade para 406 pessoas. Nas áreas comuns, todo mundo se encontra. O terraço fica entre as duas cúpulas do topo do prédio. Tem vista para os Arcos, logo ao lado, e também para o Aterro do Flamengo, um pouco mais distante. A ideia é que, a partir de março, seja endereço de festas noturnas. No térreo ficam o restaurante e o bar, que já abriga happy hours com DJs. Alguns hotéis da rede têm piscina, mas não é o caso aqui.

As duas cúpulas no terraço. Ao fundo, o Aterro do Flamengo | Foto de Carla Lencastre

O hostel, com 100% de ocupação neste carnaval, atende ao jovem viajando sozinho, a grupos de amigos, jovens casais e até famílias com filhos adolescentes (há quartos com cama de casal e beliches). O hotel é bom para quem já conhece o Rio e quer investir em uma programação cultural pelo Centro e nas noites da Lapa com algum conforto. O Selina fica pertíssimo de todos os bares e restaurantes da região e do Circo Voador e da Fundição Progresso, dois dos principais endereços de shows no Rio. Além do Teatro Municipal, do Museu Nacional de Belas Artes, das ruas do Rio Antigo… A estação Cinelândia do metrô está perto e dali se vai para as praias de Copacabana, Ipanema e Leblon. O VLT leva até o Aeroporto Santos Dumont.

O Selina não é a única novidade na hotelaria carioca. Acabou de reabrir o Hotel Arpoador, em um dos endereços mais privilegiados do Rio, na Praia de Ipanema. Vem aí o Fairmont, na Praia de Copacabana, a grande abertura do Brasil este ano. E no final do ano passado, foi inaugurado o Janeiro, de Oskar Metsavaht, no prédio do antigo Marina All Suites, na Praia do Leblon. Já o Hotel Marina, também no Leblon, continua em obras. Dizem que o Four Seasons está de olho, mas, por enquanto, são apenas rumores.

Como é o novo Fairmont Rio, o primeiro da marca na América do Sul

Térèze, restaurante sustentável no Santa Teresa Rio MGallery

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ILTM Cannes 2018 apresenta as mais esperadas aberturas hoteleiras para 2019

Na semana passada, aconteceu no sul da França a ILTM Cannes 2018, o maior e mais importante evento de turismo de luxo do mundo. Durante quatro dias bastante intensos da feira, os principais players da indústria de viagens de luxo se reuniram em Cannes para discutir as principais novidades e tendências do mercado e os novos rumos do setor para 2019. Levada pela Air France, fiz parte do seleto grupo de imprensa convidado para acompanhar as discussões.

O turismo de bem-estar foi tema campeão, já que segundo estudo da Global Wellness Summit (ligada à rede de hotéis Six Senses), dos 4,2 trilhões de dólares movimentados anualmente pela indústria do bem-estar, 639 milhões vêm do turismo. O estudo revelou também que os gastos no turismo de bem-estar crescem duas vezes mais rápido que os do turismo em geral e que aproximadamente 25% dos turistas já busca de conforto e bem-estar em suas viagens. 

Hoteleiros, operadores, agentes e jornalistas discutem as novidades e tendências do turismo de luxo. Foto: Mari Campos

 

Nada mais natural, portanto, que a hotelaria queira também uma fatia deste mercado, seja focando na qualidade de sono de seus hóspedes, na alimentação ou até na minimização dos efeitos do jetlag. Redes como Four Seasons levam tão a sério a ideia do sono restaurador durante uma viagem que desenvolveram sua própria versão da “cama ideal”. Há tempos focando em sustentabilidade, bem-estar e menus balanceados, a Six Senses está lançando até um aplicativo gratuito que promete ajudar a combater os efeitos do jet-lag nos viajantes, o TimeShifter.

Mas a ILTM Cannes 2018 foi também terreno fértil para anúncios de aberturas, parcerias e expansões hoteleiras.  A IHG, que já conta com 200 hotéis, confirmou que está em franco processo de expansão: levou a marca Kimpton para 14 países diferentes e quer expandir e consagrar a marca The Regent como “timeless brand”, inaugurando novas propriedades em Phy Quoc, Jakarta, Hong Kong e Kuala Lumpur.

A Accor também abrirá diversas propriedades no ano que vem em diferentes bandeiras, incluindo Raffles Maldives, Fairmont Rio, Fairmont Century Plaza LA, Sofitel Wafi City Dubai e SO/ Havana. Sua marca SO/, aliás, passa a ser completamente independente da marca Sofitel; e a 21c Museum Hotels se junta à coleção MGallery. 

A The Doyle Collection concluiu o programa multimilionário de “redesign” em oito propriedades europeias (iniciado há cinco anos) e passa a focar cada vez mais em restaurantes e bares que sejam destinos por si sós, esperando atrair público externo cada vez maior em hotéis como The Bloomsbury e The Marylebone . 

A Minor Hotels, que já conta com 164 hotéis em 26 países, traz os novos Anantara Quy Nhom Villas no Vietnã, o Anantara Tozeur Resort na Tunísia, o Anantara Maraú Bahia (antigo Kiaroa) e o Tivoli Evora Eco Resort em Portugal, dentre outros. A empresa também está investindo pesado no seu programa Anantara Private Jet e nos cruzeiros fluviais asiáticos Mekong Kingdom Cruises. 

Os pratos caprichados do chef Marco Colagreco darão a tônica também no esperado Capella Bangkok. Foto: Mari Campos

O grupo Capella confirmou que finalmente abrirá no primeiro semestre do ano que vem sua esperada unidade Capella Bangkok, um projeto que já leva dez anos em execução, com apenas 100 quartos, em uma área pouco convencional para a hotelaria na cidade. O novo hotel contará com diferentes restaurantes (incluindo um sob comando do badalado chef Marco Colagreco) e as experiências ali serão totalmente customizadas para os hóspedes.  Os novos Capella Ubud e Capella Sanya, assim como o Capella Maldives (já em desenvolvimento e que deve abrir em dois anos), também foram assunto recorrente na feira. 

Independente, o Caldera House abre suas portas em Jackson Hole com apenas oito suítes de 2 e 4 quartos cada, focando em experiências customizadas no inverno e no verão – e assumidamente de olho no público brasileiro que frequenta o destino. 

A rede de hotéis boutique Evoke comemorou a evolução da marca e o sucesso de seu mais novo hotel em Paris, o belo Brach Paris, no 16ème arrondissement, que conta com design de Philippe Starck e um delicioso e badalado restaurante.

A Rosewood confirmou a abertura de nada menos que 21 hotéis nos próximos cinco anos, o que a levará a quase dobrar seu portfólio (atualmente em 24 propriedades mundo afora).  Durante a ILTM, foi dada a largada também ao sistema de reservas do Rosewood Hong Kong, cuja dada de abertura foi oficialmente estabelecida em 17 de março. E a rede passa também a investir pesado no público feminino, com o lançamento da campanha #RosewoodGirlfriends, que criou experiências e promoções para incentivar o público feminino a se hospedar em pequenos grupos nos hotéis da rede.

A One&Only Hotels and Resorts comemorou na ILTM o sucesso da recente abertura em Ruanda e também confirmou a inauguração em 2019 de sua propriedade em Montenegro – o esperado primeiro One&Only em solo europeu.

Outras esperadas reaberturas, como dos hotéis Le Sereno St Barth e do Cheval Blanc St Barth na ilha francesa homônima (completamente reconstruídos após a passagem do furacão Irma no ano passado) também foram grandiosamente celebradas durante os dias do evento.

O anúncio mais polêmico durante a feira foi sobre a parceria firmada entre a SLH (Small Luxury Hotels) e o programa The World of Hyatt.  A partir de agora, a SLH passa a ter acesso aos quase 10 milhões de membros do programa de fidelidade da Hyatt e as “qualifying nights” em propriedades SLH passam a contar para a evolução de status no programa. Com o slogan “a perfect match”, a curiosa parceria foi lançada com a justificativa de que a SLH complementaria perfeitamente o portfólio da Hyatt hotéis – mas representantes de ambas bandeiras acabaram não respondendo as perguntas dos jornalistas sobre quais as relações comerciais que estariam por trás disso. 

Confira em breve outras novidades apresentadas na ILTM Cannes 2018 por aqui.

 

 

 

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