Precisamos falar sobre isenção de vistos

Passport on map
(Foto: Divulgação)

Já falei algumas vezes neste espaço o quanto uma estratégia relacionada à política de isenção de vistos no Brasil é essencial para o fomento do Turismo. É uma pauta que, finalmente, vem ganhando mais atenção, positivamente, e, apesar de estar inserida nas prioridades da lista de debates, ainda há muito o que se discutir a respeito. Nossa política de vistos necessita urgentemente de uma reorganização, com projetos concretos formados a partir de estudos de resultados; além das considerações de discurso.

Segundo as informações do Mtur, tivemos êxito na isenção de vistos no período dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio, que foi de 1º de junho a 18 de setembro de 2016. De acordo com o levantamento, o número de turistas vindos dos países inseridos no plano de isenção (Estados Unidos, Canadá, Japão e Austrália) para o Brasil aumentou em 55,31% em relação ao mesmo período do ano passado, com o número de 163.104 turistas nesse ano e 105.017 em 2015.

Claro que tivemos em 2016 o diferencial de ser um período de Olimpíada, o que, de forma isolada, certamente já contribui para a vinda dos turistas. Temos, no entanto, para dar uma resolução concreta, o dado de que, do total de estrangeiros beneficiados que vieram para os Jogos, 74,4% afirmaram ter a isenção de vistos como um fator determinante para a viagem. Daí a gente já enxerga com mais clareza a influência e a necessidade de se trabalhar na análise do fim da exigência de vistos para determinados países.

Estados Unidos

Enquanto isso, a controvérsia gira em torno dos Estados Unidos. Dividida entre os grupos que são contra e a favor da isenção de vistos no Brasil para os EUA, encontramos argumentos fortes para a discussão. De um lado temos a informação de que o índice de rejeição de vistos americanos para brasileiros nesse ano deve triplicar, chegando a pouco mais de 15%. Embasado neste dado, vemos o pensamento de que não estamos no momento para “abrir” o Brasil para os americanos. Será?

Para escolher um lado, os números são decisivos: além dos dados oficiais da Rio 2016, a WTTC já apontou em pesquisas que, quanto mais aberto o país, mais desenvolvido é o seu turismo. Em números, a organização indica que os países apresentam crescimento de 5% a 25% na receita do turismo à medida que reduzem as restrições de entrada.

Apesar do tema cair em territórios econômicos e políticos delicados como a crise econômica atravessada pelo Brasil e a reciprocidade de vistos, é forte o reforço em defesa da isenção para os países já mencionados. A importância desse tipo de medida para o fluxo de turistas no Brasil é corroborada pelo êxito no período da Rio 2016. A retomada de isenção de vistos já foi a debate com o Ministério das Relações Exteriores e com a Casa Civil. Se aprovada a medida, o período de dispensa se estenderá por dois anos para os mesmo países, facilitando a entrada de turistas e incentivando as viagens ao Brasil. Vamos acompanhando.

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Jeanine Pires

Professora e empresária, tem 19 anos de experiência em turismo e eventos. Diretora da Pires & Associados e da MATCHER Travel Business.Suas principais atividades são a realização de Planos de Marketing de Destinos Turísticos e palestras no Brasil e no exterior. Presidiu a EMBRATUR de 2006 a 2010, onde também foi Diretora de Turismo de Negócios e Eventos. Liderou o trabalho de promoção do Brasil como destino turístico no exterior, os programas de captação de eventos internacionais e a agenda de promoção do Brasil de 2003 a 2010. Participou da elaboração do Plano Aquarela - Marketing Turístico Internacional do Brasil em 2005 e também coordenou sua versão para 2020. Nos Convention & Visitors Bureaux de Maceió e Recife como diretora executiva, desenvolveu os programas de marketing de lazer e eventos para aquelas cidades entre 1997 a 2002. Esse blog reflete opiniões pessoais e não tem qualquer vínculo institucional

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