Podemos ou não ter mais estrangeiros ? (parte A)

Photo by Matthew Smith on Unsplash

Afinal, por que o Brasil não tem um número maior de visitantes estrangeiros? Vamos fazer alguns posts sobre o tema e adoraríamos ter as opiniões dos profissionais de turismo do país. Nossa conversa não tem cor, não tem julgamento, só busca a melhor compreensão.

Particularmente amo esse debate, porque ele parece simples, mas exige análises de diversos ângulos, depende de fatores ligados diretamente ao turismo e de outros sobre os quais não temos qualquer governança. E sua compreensão e solução, acima de tudo, depende da contribuição de diversos profissionais brasileiros que possuem experiência com o mercado internacional. Afinal, qual o objetivo de fazer esse bate papo? Atrair mais estrangeiros, gerar mais negócios para os que trabalham no setor, gerar empregos; fazer o turismo maior aliado na recuperação da economia nacional.

Vamos parar de fazer comparações esdrúxulas ou repetir versões equivocadas sobre o número de turistas que visitam a Torre Eiffel e o Brasil, ou que visitam a Espanha ou França e o Brasil; não dá para comparar, é preciso entender.


Junto com o debate do número de estrangeiros, é primordial fazer o debate sobre seus gastos nas viagens ao Brasil. Já está mais do que batido relembrar que somente o número de pessoas que chegam não pode ser um indicador de sucesso do turismo, somos nós, profissionais da área que precisamos enfocar esses aspectos. Estão espalhados pelo mundo diversos exemplos de lugares que NÃO QUEREM MAIS TURISTAS, ver sobre overtourism aqui. E ainda tem outro aspecto, os órgãos de turismo pelo planeta afora, e as empresas do setor, usam dados do passado (séries históricas) para entender o movimento temporal dos volumes de visitantes; mas o que vale hoje é antecipar a demanda, usar big data para saber sobre o futuro, planejar e manejar fluxos e comportamentos de visitantes. Na verdade, o Brasil praticamente não tem dados de séries históricas passadas sobre turismo, imagina quanto tempo levaremos para pensar e agir direcionados ao futuro.

Bem, mas aqui vai o debate. Quero iniciar com números, falando do volume de chegadas de estrangeiros ao Brasil, para nos próximos posts, falaremos dos principais temas importantes nesse problema que estamos tentando desvendar. Fui atrás dos dados existentes sobre a chegada de estrangeiros ao Brasil, que segundo o Ministério do Turismo iniciaram a ser compilados em 1989. Eis as informações que considero mais relevantes, lembrando que não vale analisar friamente o aumento de um ano para outro, o turismo trabalha com séries de no mínimo 5 e 10 anos. Números isolados podem ser chatos, mas são a base para começarmos nossa conversa; lembrando ainda, existem números e números…

  • em 1989 o Brasil recebeu 1,4 milhão de turistas e um ano depois, 1990, foi 1,91 milhão, um aumento de 22%
  • em 1995 foram quase 2 milhões
  • no ano 2000 recebemos 5,3 milhões de visitantes, aumento de 165% desde que os dados começaram a ser coletados
  • entre 2005 e 2010, ficamos na faixa dos 5,3 e 5,1 milhões a cada ano, depois começamos a aumentar em média 4% ao ano (2011 a 2013)
  • 2015: 6,3 milhões de turistas
  • 2018: 6,6 milhões de visitantes

Veja a tabela abaixo com os anos, volumes e percentuais de aumento ou diminuição. A elaboração é nossa em diversas fontes como MTUR, OMT.

Se fizermos uma média, desde 1989 até 2018, entre altos e baixos, teremos 16% de crescimento ao ano; no entanto, alguns anos deram saltos de 20%, 22% e até 33%. Outros anos, as quedas foram de 22%, 6% e 1%. A série que analisamos tem curvas ascendentes e descendentes bastante sinuosas, o que terá que nos remeter a uma análise de alguns períodos, como por exemplo: 2006 a Varig deixa de voar, e perdemos milhares de assentos no mercado internacional (-6% de turistas); em 2009 uma grave crise econômica mundial e a H1N1, caímos quase 5%. Em 2014 foi a Copa, crescemos 11%; em 2015 a diminuição de turistas foi quase de 2%. Em 2016 foram os Jogos Olímpicos, crescemos 3,8%.

Conclusão: entre 1989 e 2018 o volume de visitantes cresceu 372%, e entre 2010 e 2018 cresceu 28%. Nos últimos 4 anos crescemos 5%. Sei que são muitos dados, mas isso mostra os altos e baixos de fatores internos e externos que influenciam diretamente nos resultados do turismo do Brasil e de todos os países do mundo.

Para finalizar essa primeira compilação de dados, fizemos uma comparação do crescimento do turismo no mundo, na América do Sul e nos países emergentes no período entre 2010 e 2018. Em alguns anos, o Brasil cresceu muito mais do que a média mundial (2010, 2011, 2012, 2014 e 2016) e nos demais anos do período mencionado, muito menos do que a média mundial. O fato mais relevante nessa comparação mostra que em todo este período o Brasil cresceu menos do que a média da América Latina, isso é um dado preocupante, pois trata-se da maior economia da região com pior desempenho no turismo. Também, com anos de raras exceções, crescemos menos do que a média das economias emergentes.

Você pode nos ajudar a lembrar de fatores que influenciaram esses períodos de altos e baixos ? Tem mais informações para nos ajudar ? Compartilha aqui com a gente. P.S.: todos os textos com link abordam os temas em mais detalhes.

Um destino à partir de um hub aéreo

O WTTC – World Travel & Tourism Council publicou um relatório sobre a importância da aviação para o sucesso de um destino turístico.

O turismo, nos últimos sete anos, vem crescendo acima da economia global. Países e destinos que buscam desenvolver suas economias e criar empregos vêem o turismo como uma das principais fontes para seu crescimento. O turismo é responsável por 10,4% do PIB mundial, e no Brasil por 7,9% (Fonte: WTTC).

Então quais os fatores fazem um hub de aviação um fator-chave para o sucesso da indústria de viagens e lazer? Estamos aqui falando de hubs que permitem a permanência no destino, ou daqueles que conseguiram transformar rotas de conexão em permanência na cidade.
Os destinos que tiveram maior sucesso em fazer essa transição se beneficiaram de uma combinação de:
• Uma companhia aérea nacional forte que seja financeiramente estável e tenha forte credibilidade;
• Recursos turísticos diferenciais no destino, com um receptivo robusto;
• Excelente conectividade de companhias aéreas, infra-estrutura suficiente e
marcos regulatórios desenvolvidos por meio de parcerias;
• Integração vertical ou central e visão de longo prazo da aviação e
do destino.

“O potencial para estender o turismo para além de um hub de aeroporto requer uma estratégia de destino coordenada, reunindo não apenas os parceiros naturais da companhia aérea e do aeroporto, mas também os atores mais amplos da indústria de viagens e turismo”, diz o relatório.
A forte conectividade das companhias aéreas nacionais, com saúde financeira e boa reputação; um marco regulatório favorável à aviação (veja as demandas da ABEAR); a facilitação de vistos e a prestação de todos os tipos de serviços são essenciais para a competitividade do destino.
É fundamental ter algo além do hub, possibilitando uma experiência positiva às pessoas, desde atrações turísticas até uma infraestrutura adequada.

Planos de marketing conjuntos e pacotes turísticos para oferecer em escalas podem ser atrativos para atender a um mercado de viajantes que procuram novos destinos para experimentar. Ou seja, na minha opinião voltamos a pontos importantes sempre em debate: a parceria entre o setor público e privado; uma atuação conjunta no mercado; a elaboração de planos de marketing de longo prazo, aonde os objetivos e metas são claros e compartilhados; a qualidade e o diferencial dos destinos; e a solidez da experiência do turista, que busca algo novo e atrativo.

A ABEAR traz aqui um panorama do impacto da aviação nos estados brasileiros em 2016.

A “instagramabilidade do Turismo”

Falei aqui sobre como o uso dos smartphones tem transformado a forma como viajamos e como as empresas de turismo se comunicam e, entre as principais tendências dos dispositivos móveis, estão as redes sociais. Dos app das redes, o Instagram ganha a popularidade dos millennials e vem sendo alvo de pesquisas de marketing, administração, comunicação e também do turismo.

De acordo com a pesquisa da empresa de seguros domésticos inglesa Schofields Insurance, 40% dos adultos entre 18 e 33 anos escolhem seu destino de viagem com base no que já podemos chamar de “instagramabilidade”, ou seja a popularidade de um destino ou o seu potencial de popularidade na rede social Instagram.

Foram entrevistados mais de 1000 adultos millennials do Reino Unido e o resultado é que as “férias instagramáveis” foram o principal motivador na decisão final do destino. A ideia base é que: se um lugar parece ser legal no Instagram e é popular na rede social, ele provavelmente é legal mesmo.

Após a popularidade na rede social, as questões mais observadas foram: custo / disponibilidade de álcool (com 24%), desenvolvimento pessoal (22%), experimentar a cozinha local (9%) e oportunidades de passeios (3%).

Mas o instagram nem sempre mostra toda a história: por trás de uma refeição maravilhosa feita à beira-mar em Positano, pode-se ter uma hospedagem desconfortável e deteriorada. E aí entra outra moeda valiosa da rede social para o turismo: o compartilhamento. Onde os próprios turistas mostram no Instagram a experiência, o tratamento, aposentos, rotas, preços e serviços.

Esse compartilhamento é também levado a sério pelos millennials, que podem basear suas escolhas de acordo com o que é compartilhado na rede.

Na competitividade da indústria, a inserção de um destino e a busca pela sua “instagramabilidade” se torna quase inevitável e nos faz experimentar também as redes sociais. Acompanhar hábitos sociais é parte intrínseca do Turismo: o setor se transforma a medida que nos transformamos também.

(Veja também: Os 10 lugares mais presentes no Instagram)

Como o smartphone transforma o Turismo?

Com o desenrolar dos anos, a tecnologia tem moldado determinados aspectos dos viajantes, incluindo hábitos de viajar, estratégias e alcance de marketing e também a relação empresa-turista (B2C).

De acordo com a GSMA, entidade global de telefonia móvel, em julho do ano passado, 5 bilhões de pessoas no mundo inteiro possuíam smartphones. Com um número tão expressivo e com a tecnologia disponível é esperado que os dispositivos móveis produzam impactos na indústria do Turismo.

A plataforma inglesa Travelport entrevistou 55 profissionais da indústria do turismo, além de pesquisar 955 viajantes de todo o mundo a fim de descobrir as principais tendências trazidas pelos smartphones que irão transformar o setor e podem modificar ainda mais as estratégias de empresas de viagens e forma como viajamos em 2018. Confira alguns dos pontos identificados na pesquisa do Travelport:

Boom da voz

O que se pode chamar de “era tátil” está chegando ao fim. A comunicação audível de empresas com consumidores está ainda mais valorizada, a sugestão é que a interação por voz, ainda que em resposta automática, acaba por ‘humanizar’ o serviço, afastando-o um pouco mais do “robótico”, fornecendo mais segurança. O estudo confirma que aproximadamente 31% das empresas de viagens vão investir em tecnologia de voz este ano.

Interfaces de aplicativos

A interface e o visual dos aplicativos também são muito importantes na experiência do viajante. Escolha de cores, fontes, disposição dos itens e facilidade de busca e acesso são imprescindíveis para a experiência positiva do consumidor no aplicativo e a resolução e obtenção das respostas que procura.

Análise preditiva

Elaborada com auxílio de inteligência artificial e Big Data, esse tipo de análise resulta na personalização do serviços. Pode-se prever quais os destinos de maior interesse do viajante, datas favoráveis, estilos de viagem e preços. A oferta fica menos randomizada e mais direcionada ao consumidor. De acordo com o estudo, 83% dos milenniuns permitiriam que as marcas rastreassem seus hábitos digitais para obter experiências mais personalizadas.

Pagamentos através do celular

A possibilidade de realizar pagamentos através do dispositivo móvel, sem sair do lugar e usando apenas a tecnologia móvel é uma realidade que ganhará força, cada vez mais. Não só pela praticidade, mas por se mostrar uma via segura do serviço. Segundo a Travelport, 35% das empresas de turismo planejam investir em plataformas de pagamento móvel este ano.

Além destas tendências, a pesquisa também revelou informações a respeito de mensagens e redes sociais: 51% dos viajantes esperam poder se comunicar com marcas através de mensagens e 33% através das mídias sociais. Além disso, 69% dos viajantes afirmam que não consumiriam uma marca cuja experiência no aplicativo é ruim.

Os smartphones são alguns dos itens da tecnologia recente mais utilizados no mundo todo e, notavelmente, merecem atenção na indústria de viagens e turismo, pois o seu uso molda as práticas, comunicação e até a forma de viajar.

Seguimos acompanhando!

Um ano repleto para a Espanha

Em 2017, a Espanha foi o segundo país mais visitado do mundo, ultrapassando os Estados Unidos e ficando atrás apenas da França, segundos as informações do Ministério do Turismo . Os dados já eram previstos no fim do ano passado, mas se confirmaram esse mês, quando se fechou o balanço total do ano.

A Espanha recebeu, em 2017, 82 milhões de turistas, 9% a mais do que o ano de 2016. O número é um recorde para o país e injetou na economia espanhola 87 bilhões de euros, 12% a mais do que em 2016; o setor já representa 11% da economia do país.

Terrorismo

Apesar de ter sido alvo de terroristas no mês de agosto, a Catalunha permanece sendo o principal destino do país. A região recebeu 18,2 milhões de visitantes o que equivale a 23% do total dos turistas visitantes, de acordo com o El País.

Overtourism

A Espanha também enfrentou e ainda enfrenta o fenômeno do overtourism, principalmente na cidade de Barcelona. A superexpansão do Turismo no país, gerou diversas manifestações dos espanhóis no ano passado, quando a insatisfação com o aumento do número de turistas e com os resultados dessa visita eclodiu.

Novas rotas

A Espanha ocupa o terceiro lugar da lista dos 15 países com maior número de novas rotas aéreas no ano que passou de acordo com análise do portal anna.aero.

Os Estados Unidos ficam na primeira posição do ranking como país predominante no lançamento de novas rotas em 2017 e a Alemanha em segundo lugar. Segundo o ranking, a Espanha está no ranking dos 3+ por ter lançado 425 novos serviços aéreos em 2017. No mundo inteiro, foram lançadas ao todo 3.524 novas rotas aéreas.

Principalmente desde a década de 90 a Espanha investe pesadamente no seu Turismo e no turismo das suas cidades. Obviamente, barreiras se apresentam e é necessário um controle maior da expansão do setor e uma visão até mais holística a respeito das esferas as quais o setor está ligado (social, econômico, ambiental etc.), porém a Espanha colhe frutos de plantações antigas no Turismo, tanto positivamente, quanto negativamente. A experiência da Espanha no Turismo (só em 2017, o país passou por diversas situações em que foi necessário o monitoramento de perto) nos ensina a respeito de projetos de Turismo a longo prazo, confiança no setor e gerenciamento de crises. A indústria é uma só e devemos aprender com acertos e erros a desenvolver o nosso próprio Turismo.

Seguimos acompanhando o turismo pelo mundo.

2017 segundo a OMT

A Organização Mundial de Turismo divulgou que, em 2017, o turismo internacional aumentou 6% no mundo. Até o mês de outubro, foram 1,1 bilhão de viajantes internacionais.

Até o mês de agosto de 2017, o turismo cresceu 7% e a OMT aguardava um resultado de desenvolvimento de 5% até o fim do ano, já que os últimos meses registram aumentos inferiores. Porém, atipicamente, o forte crescimento no setor se manteve até o mês de outubro, fato que elevou a porcentagem positiva do balanço anual.

De acordo com a entidade, a previsão para 2018 é de aumento 3% e 4% na chegada de turistas internacionais, com projeção de crescimento anual até o ano de 2030.

América do Sul

Segundo a OMT, no fim dos dez primeiros meses de 2017, a América do Sul liderava o crescimento do setor nas Américas, com 7% de aumento nas visitas de turistas. Um dos motivos é o enfraquecimento do desempenho do setor na América do Norte.

Com o ano começando, ficamos no aguardo de estudos e balanços da indústria no ano completo de 2017. Os dados de chegadas internacionais nos ajudam a observar o setor sob um panorama a nível global, analisar projeções e traçar estratégias. Ficamos no aguardo e seguimos acompanhando.

OMT classifica 2017 com um dos melhores anos

A Organização Mundial do Turismo (OMT) aumentou o crescimento esperado no número de viagens de turistas internacionais no mundo para 6% para o final deste ano, enquanto as estimativas anteriores estavam em 4,5%. O aumento na previsão tem base nos resultados registrados nos primeiros dez meses desse ano, quando foram contabilizados 70 milhões de pessoas a mais viajando internacionalmente, de janeiro a outubro, um aumento de 7% em relação ao mesmo período do ano de 2016.

Geralmente, o turismo internacional experimenta um crescimento até o mês de agosto, enquanto os últimos meses do ano tendem a registrar um ritmo mais lento do que os anteriores, mas em 2017 a tendência ascendente foi mantida até outubro, impulsionada principalmente pela Europa do Sul e do Mediterrâneo, África do Norte e Oriente Médio.

Segundo a OMT, a melhora na economia global e a recuperação de destinos que sofreram declínios anteriormente são algumas das razões que refletem o bom resultado no Turismo.

Alguns dados do balanço da OMT

O crescimento mundial contribuiu para uma forte recuperação da demanda do Brasil e da Rússia, com aumentos de 33% e 27%, respectivamente.

A Europa liderou o crescimento das chegadas internacionais entre janeiro e outubro, com um aumento de 8%, graças a avanços de 13% na parte sul e mediterrânea.

Nas Américas houve um aumento de 3%, impulsionado pela América do Sul, com aumento de 7%, enquanto a América Central e o Caribe registraram aumentos de 4%. Observando apenas a América do Norte, a região teve um aumento de 2% graças aos resultados positivos do México e do Canadá, que contrastam com a queda nos EUA.

A África registrou aumento de 8% e foi a segunda região de crescimento mais rápido, graças a uma forte recuperação de seus destinos no norte e os sólidos resultados dos sub-saharianos.

Na Ásia e no Pacífico, o aumento foi de 5%, resultado que foi liderado pelo sul da Ásia, com uma recuperação de 10%; Sudeste Asiático (8% a mais) e Oceania (7% a mais).

No norte da África e no Oriente Médio, o Egito, a Tunísia e a Palestina recuperaram fortemente as quedas dos anos anteriores, enquanto Marrocos, Bahrein, Jordânia, Líbano, Omã e Dubai mantiveram um crescimento sustentado.

Seguimos acompanhando as últimas notícias do Turismo em 2017.

Brasileiros gastam 32% a mais em compras no exterior

A alta de despesas dos brasileiros em terras estrangeiras permanece em alta a cada mês, foi o que confirmou o relatório do Banco Central a respeito do último mês outubro, divulgado hoje (quinta-feira 23).

Até o mês passado, o brasileiro já gastou mais de US$ 15 bilhões em terras estrangeiras, o que corresponde a 32% a mais do que os números do mesmo período em 2016. Seguindo a mesma linha dos últimos meses, a despesa cambial de outubro foi teve alta 15% em relação a outubro do ano passado.

Receita cambial

Já os turistas internacionais injetaram no País US$ 463 milhões em outubro deste ano, 6% a mais do que o mesmo mês em 2016. Porém, no acumulado do ano, a receita fica em queda, sendo de US$ 4,82 bilhões, 5% a menos do que o mesmo período do ano passado.

Dólar estável

O aumento de gastos dos brasileiros em viagens internacionais tem sido previsto mediante a estabilidade do dólar, que segue girando em torno de R$ 3,15 e não deverá sofrer muitas alterações nos próximos meses.

Turismo internacional caminha para ano recorde

A demanda do Turismo tem permanecido forte ao longo de 2017, que provavelmente será um ano de recorde no turismo internacional, é o que prevê a UNWTO (OMT) com a mais recente edição do Word Tourism Barometer, o barômetro do Turismo.

Entre janeiro e agosto deste ano, destinos do mundo inteiro receberam 901 milhões de chegadas de turistas internacionais, 56 milhões a mais do que no mesmo período em 2016. A alta corresponde a um aumento de 7%, porcentagem bem maior do que a obtida em anos anteriores.

Os números dos primeiros oito meses de 2017 nos deixa otimistas em relação ao crescimento do setor no restante do ano que, segundo a OMT, deverá ser o oitavo ano consecutivo de crescimento contínuo e sólido para o turismo internacional.

O forte desempenho é confirmado pelos especialistas do mundo inteiro consultados pela Organização para firmar o Índice de Confiança, que também possui perspectivas positivas para os últimos meses do ano.

As chegadas de turistas internacionais no meses de julho e agosto, temporada de verão no hemisfério norte, totalizaram mais de 300 milhões pela primeira vez, de acordo com o relatório. Além disso, muitos destinos registraram crescimento de dois dígitos, principalmente no Mediterrâneo.

Brasil

O relatório destaca a participação do Brasil como um dos países que apresentou forte recuperação de demanda de saída com aumento de 35% nas despesas de turismo em terras internacionais.

América do Sul

De acordo com o Barômetro, a América do Sul obteve crescimento de 7%, com o Uruguay liderando a lista: o país apresentou o notável aumento de 24% nas chegadas internacionais até o mês de setembro, impulsionado pela demanda de turistas argentinos e brasileiros. A Colombia vem em seguida, com aumento de 22%. A OMT comunicou que não há dados a respeito das chegadas internacionais no Brasil para o período necessário a constar o barômetro.

Ano do Turismo Sustentável

A ONU proclamou o ano de 2017 como sendo o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento, atraindo o tema para as discussões e definições de estratégias do setor, com objetivo de firmar o gerenciamento do Turismo responsável e sustentável durante os próximos anos.

O Barómetro Mundial de Turismo da OMT é uma publicação regular que visa monitorar a evolução do setor. Contém três elementos permanentes: uma visão geral dos dados turísticos de curto prazo dos países de destino e do transporte aéreo, avaliação retrospectiva e prospectiva do desempenho do turismo por especialistas de todo o mundo e dados econômicos. Seguimos acompanhando.

O ano do Overtourism

No decorrer deste ano, abordei algumas vezes aqui no blog o tema Overtourism, citando os exemplos de Veneza, Barcelona e Amsterdã. O fato é que o fenômeno, recentemente, tem se tornado uma preocupação real por se apresentar em destinos e gerar desconfortos que podem causar uma verdadeira aversão ao Turismo (a turismofobia).

O Turismo é uma força de apoio, uma indústria que gera desenvolvimento em âmbitos globais: social, cultural, econômico etc. Essa constatação é reiterada por dados, pesquisas, experiências em destinos, vivências dos turistas e é confirmada por quem trabalha no setor direta ou indiretamente. A indústria está presente e se torna mais desenvolvida por ser benéfica. Quando o destino não está preparado para uma “superexpansão” e a chegada de hordas de turistas (que pode ser ou orgânica ou provocada), temos o Overtourism e com ele, temos um problema.

Em contrapartida com o desenvolvimento de novas estratégias de Turismo e o número de viajantes pelo mundo, 2017 foi também, sem dúvidas, o ano do Overtourism. Nesse ano, destinos buscaram estratégias para tentar conter as consequências dos “excessos” do Turismo.

Mas o ditado já nos diz que “prevenir é melhor do que remediar”. Com o tema agora em foco, PREVER as consequências da superexpansão do Turismo e até mesmo identificar a chegada do fenômeno se torna essencial na manutenção do setor como uma engrenagem de apoio e não uma dor de cabeça.

Aqui na WTM London, o assunto virou debate por sua ocorrência na Europa e no litoral do Mediterrâneo. Ministros de Turismo reuniram-se para abordar as questões de sobrecarga de turistas em alguns destinos e discutir possíveis estratégias.

Barcelona, Amsterdã, Veneza, Dubrovnik e Santorini são apenas alguns exemplos de como o crescimento desenfreado do setor pode afetar as esferas sociais e econômicas de um destino, reverberando o quanto é preciso contornar seus efeitos, com planos de ação que monitorem seus resultados,
e trabalhar a indústria de forma proporcional ao que se pode hospedar.

O fato é que, assim como o Overtourism não chega a curto prazo, a solução para o problema dificilmente funcionará em curtos espaços de tempo. Talvez uma visão mais holística para o Turismo de determinados destinos possa evitar uma sobrecarga e a transformação do turista numa visita indesejada.