O operador vai ou não vai sobreviver ?

Depois da saída da Thomas Cook do mercado, cresceu o número de análises e indagações sobre o futuro da distribuição via pacotes de turismo por meio de operadores turísticos (TTOOs). As opiniões se dividem entre aqueles que acham que a saída do mercado da histórica Thomas Cook é um marco de uma nova era; já outras acreditam, e mostram, que os operadores ainda são responsáveis por quase metade das vendas em diversos países europeus e podem se reinventar para fazer frente às OTAs e à venda direta. Será que irá acontecer uma convivência paralela entre as duas formas de vendas num futuro breve ?

As novas tecnologias, de fato, têm mudado de forma rápida e drástica a forma de compra no setor de turismo, sobretudo por meio da venda on-line e direta de muitos dos serviços, principalmente bilhetes aéreos e hotéis. Dependendo do país, o comportamento de venda mostra uma queda na venda dos TTOOs. Da mesma forma, as novas formas de economia compartilhada também chegam a traçar uma ligação direta entre provedores de serviços pessoais e já vão além dos mercado de hospedagem ou transporte, chegando no coração da vivência turística que é a experiência. O Airbnb é um exemplo claro de disrupção no setor. Alguns analistas então consideram que essas mudanças são o fim, ou o começo do fim dos pacotes turísticos e da distribuição tradicional.

Já outras estudiosos falam da convivência dos dois modelos, com diferentes comportamentos dependendo do mercado e da forma de compra do consumidor. O fato é que todas as mudanças que ocorrem no mercado em relação à forma de promoção e venda, vêm do consumidor e não das empresas. São os turistas que alteram suas formas de demanda e suas necessidades e acabam forçando os segmentos de produtos e serviços a se adaptar às suas necessidades. Sendo assim, a sobrevivência dos TTOOs está diretamente ligada à sua capacidade de inovação, adaptação e criatividade diante do cenário nebuloso atual.

Olhar e estudar profundamente o mercado global, e em especial os mercados prioritários para a promoção do Brasil no exterior, ou até mesmo o comportamento dos brasileiros, é questão de sobrevivência para aqueles que querem se manter no mercado. Uma abordagem muito interessante que li em diversos artigos fala numa mudança de comportamento de oferta de produtos pelos TTOOs europeus como a TUI, por exemplo, eles não estão vendendo destinos, mas estão vendendo tipos de viagens: para famílias, para amigos, para lua de mel, para descanso, para ecoturismo, dentre outros; e, à partir da escolha do tipo de viagem é que aparecem as opções de destinos que podem responder à essas necessidades.

Essa nova abordagem traz dois aspectos essenciais para entender o mercado. Por um lado uma mudança de comportamento na forma como vendemos nossos destinos, produtos e serviços; por outro, a urgente necessidade de entender os motivos pelos quais os clientes chegaram até nós. Aqui vem a personalização, a criação de uma oferta dirigida às necessidades do cliente, entendendo primeiro o que ele quer fazer em sua viagens e depois, oferecendo aonde ele pode ter esse tipo de experiência desejada. Isso muda completamente a forma como os destinos brasileiros deveriam se promover, a forma de apresentar o Brasil no mercado internacional e até nacional e como as empresas como hotéis ou receptivos precisam se posicionar para mostrar a quem atendem. O foco é no cliente, em suas necessidades, e não naquilo que o produto ou serviço quer vender; uma nova abordagem.

Se não ajudarmos o cliente a identificar suas necessidades, ou oferecermos destinos de forma geral, ou simplesmente um hotel para todos, não vamos aparecer no imenso mundo de ofertas de viagens que existe pelo planeta. As políticas de diferenciação e de vendas por segmentos e necessidades dos turistas são um grande alerta, um sinal vermelho que merece nossa análise para ver se não estamos fazendo mais do mesmo, de forma errada e totalmente fora da maneira como os mercados exigem. Entendo que precisamos ter dois caminhos complementares: a busca do cliente final de forma direta e a busca do cliente por meio dos intermediários; sempre nos adaptando a esse novo desafio de nos diferenciar pelo tipo de experiência e de cliente que podemos atender.

Ao final, interessa o cliente, suas necessidades e a experiência como uma imersão interativa no destino de acordo com o que busca o turista. Você concorda ? Como seu negócio ou destino tem trabalhado a promoção e venda nesse cenário ?

Não podemos ter mais estrangeiros? (Parte 2)

Photo by Sharon McCutcheon on Unsplash

Começamos a pensar sobre o turismo internacional do Brasil para entender aonde estamos, com a observação dos dados de chegadas de turistas internacionais nesse primeiro post, quando abordamos somente o volume de visitantes e fizemos um histórico das chegadass no Brasil. Como mencionei, entendo que o número de pessoas que um destino recebe não é prova de sucesso com a atividade, o número precisa estar somado a mais dois elementos: gasto e permanência. Nessa segunda parte vamos falar do histórico de entrada de divisas no Brasil por meio dos gastos dos estrangeiros que passaram por aqui. Nesse caso, a análise é ainda mais complexa, preciso que você me ajude a pensar depois de ver os números.

Começamos a olhar a entrada de divisas com os gastos dos turistas estrangeiros no Brasil à partir de 1990; o fato é que o crescimento nesses quase 30 ano foi lento e pouco significativo de um ano ou até de uma década até a outra (Fonte: MTur, 2019). Em 1990, os gastos foram de US$ 1.489 milhões; em 2000 de US$ 1810 milhões; em 2010 de US$ 5.261 milhões e em 2018 de US$ 5.921 milhões. Note que os anos que apresentaram um aumento mais significativo foram os de 1997 e 1998 e depois de 2002 a 2008. Em 30 anos, o período que apresentou um pequeno salto foi o final dos anos 2000, mas já à partir de 2011 o número passa a oscilar pouco e a se manter em níveis muito próximos. Podemos concluir que nos últimos 8 anos tivemos praticamente uma estagnação e até uma queda progressiva na série histórica conforme abaixo:

ANOUS$ MILHÕES
1990    1.489 
1991    1.076 
1992    1.064 
1993    1.096 
1994    1.048 
1995       972 
1996       840 
1997    1.069 
1998    1.586 
1999    1.628 
2000    1.810 
2001    1.731 
2002    1.998 
2003    2.479 
2004    3.222 
2005    3.861 
2006    4.316 
2007    4.953 
2008    5.785 
2009    5.305 
2010    5.261 
2011    6.095 
2012    6.378 
2013    6.474 
2014    6.843 
2015    5.844 
2016    6.024 
2017    5.809 
2018    5.921 

É a primeira vez que faço essa análise da série histórica da entrada de divisas do Brasil, confesso que me surpreendi com o aumento pouco significativo, ano após ano, da entrada de divisas por meio dos gastos dos estrangeiros. Lembrando sempre que esses números não possuem ajustes de inflação ou oscilação de cambio, são dados nominais. Se achamos e nos preocupamos porque o volume de visitantes não aumenta, deveríamos nos preocupar ainda mais porque os gastos até diminuíram nos últimos anos. Mesmo assim, segundo o World Travel & Tourism Council (WTTC), o impacto total dos gastos dos visitantes estrangeiros no Brasil em 2018 foi de R$ 22,5 bilhões, o que representa 2,2% das exportações do país. A importância do turismo está justamente em seu impacto econômico e precisamos analisar os motivos pelo quais não avançamos mais nesse tema.

Quais seriam as causas de termos um gasto baixo, ou uma evolução baixa dos gastos nos últimos 30 anos com todas as mudanças por que passou o turismo? Pensei em várias hipóteses, nada fruto de um estudo mais aprofundado, e adoraria ouvir a experiência de vocês e a opinião daqueles que conhecem melhor o mercado internacional para refletirmos juntos e buscar ideias:

  • A Argentina é responsável por quase 30% dos estrangeiros que aqui chegam, pode ser que seus gastos sejam mais baixos nas entradas terrestres ao sul do continente (SC e PR onde quase 80% do acesso é terrestre); além disso seu gasto é a metade do gasto de um europeu, por exemplo;
  • A oferta de produtos e de experiências no Brasil não evoluiu num ritmo que chegasse a dar aos visitantes mais opções de gastos em atrativos novos ou qualquer produto. Ou seja, nossa oferta turística atual pode ser, ainda, muito pequena e pobre; não sabemos fazer o turista gastar em nossos destinos;
  • Há uma sazonalidade muito alta nas chegadas de estrangeiros, com períodos de baixa entre os meses de abril e novembro; um período muito longo com diminuição de chegadas, são 8 meses do ano;
  • A motivação principal é o sol e praia, e esse visitante tem gasto pequeno pelo tipo de atividades que realiza: além do hotel, um transfer, uma parada em algum lugar com apoio de alimentação e só a praia para desfrutar, poucas atividades marítimas ou lagunares, por exemplo; pouca oferta cultural ou de outros atrativos naturais além da praia? Que outras experiências inovadoras e empolgantes?
  • a motivação principal para a viagem ao Brasil é de lazer, representa quase de 60%, o que leva o turista a gastar bem menos do que um viajante a negócios e eventos, que significa cerca de 20% das motivações mas gasta quase o dobro;
  • as visitas a amigos e parentes (25% dos turistas ficam em casas de amigos e parentes ), que são cerca de 20% das motivações principais, fazem com que a pessoa não tenha gastos com hospedagem, menor gasto com alimentação e realize poucas atividades durante a estadia;
  • os turistas a negócios e eventos, em sua maioria, ficam em hotéis, gastam mais, no entanto sua permanência é bem menor do que a do viajante a lazer;
  • o gasto e a permanência dos europeus, norte americanos e outros é bem superior à dos latino-americanos, conforme tabela abaixo (Fonte: MTur, 2019):

Ao final, tentando cruzar a origem, o gasto e a permanência do estrangeiro no Brasil vemos que a América do Sul representa 61% do volume, tem um gasto total de US$ 595,24 e uma permanência de 10,7 noites; a Europa, que representa 22% das chegadas tem um gasto total de US$ 1.135,70 e uma permanência de 23,6 dias e a América do Norte representa 19% das chegadas, tem um gasto total de US$ 1.121,72 e uma permanência de 18,9 dias. Veja que, por sub-continente, temos volume maior e gasto e permanência menores; contra volume menor com gasto e permanência maiores.

De posse desses dados, cruzando também com a oferta de voos internacionais*, é possível traçar uma estratégia de promoção internacional para cada continente ou país, direcionando ao aumento da permanência, do gasto e do volume; e trabalhar arduamente os destinos brasileiros para ampliar, inovar e melhorar muito sua oferta turística. Também fundamental, olhar o Brasil como um todo, enxergar o conjunto e construir com os estados uma política conjunta de promoção e de atração de mais voos.

*Oferta de voos internacionais no Brasil em outubro de 2019: América do Sul tem 43%, Europa tem 30%, América do Norte 19% e Ásia 4% (Fonte: EMBRATUR, outubro 2019).

Veja a primeira parte dessa série aqui

Sobre queimadas, óleo e nossa imagem

Photo by JR Korpa on Unsplash

Temas recentes e negativos sobre a imagem do Brasil no exterior começaram com as queimadas e agora chegam às manchas de óleo nas praias do nordeste. Sem falar na segurança, que sempre vem à tona quando se fala de nosso país pelo mundo. E ainda lembrando que sol e praia representam nada mais do que 71% das motivações de viagens ao Brasil.

Para trazer mais estrangeiros, receber mais divisas e desenvolver o Brasil como um destino mais competitivo no cenário internacional é fundamental cuidar de nossa imagem; sem descanso. O mundo do turismo é cada vez mais competitivo, tem mais opções de viagens e utiliza novas tecnologias para dizer que é o melhor lugar para uma viagem de férias ou para realizar um congresso. Nossa imagem precisa ser cuidada de forma profissional para recuperar espaço nesse mercado global; além, é claro, de medidas contínuas de promoção e melhoria de nossos produtos e destinos.

Mas a imagem está basicamente ligada a duas faces; uma relacionada à solução dos problemas e outra a comunicar aos mercados mundiais as mudanças ocorridas. Basicamente é assim, cuida do problema e depois mostra que o problema não existe mais. Bem, esses problemas exigem certo tempo para serem solucionados, e ai? Ficamos parados olhando o estrago de nossa imagem?

Na minha visão, a forma de tratar os temas no momento em que ocorrem fatos graves é usar o que se chama de administração de crises. Você esclarece o que realmente está ocorrendo, as medidas que estão sendo tomadas, explica sobre quais áreas estão afetadas, dentre outros. Se isso não for feito o que fica no imaginário das pessoas pelo planeta é que as florestas do Brasil estão em chamas e sendo devastadas e as praias estão impróprias para o turismo. Quando solucionado o problema ou ele sair da mídia, você estabelece uma estratégia de conteúdos positivos sobre o lugar e o tema afetado, alterando assim, aos poucos, a perceção das pessoas.

Lembrando que bastam poucas notícias negativas para piorar a percepção das pessoas sobre o país, isso acontece imediatamente, pois as formas de comunicação globais estão cada vez mais instantâneas. Já o tempo, investimento, estratégia e ações para mudar essa percepção demandam muitos e muitos anos; isso se tiver muito investimento e de forma contínua. O que você acha ? Seus clientes têm perguntado muito sobre esses problemas ? Tem sugestões de como enfrentá-los ?

Podemos ou não ter mais estrangeiros ? (parte 1)

Photo by Matthew Smith on Unsplash

Afinal, por que o Brasil não tem um número maior de visitantes estrangeiros? Vamos fazer alguns posts sobre o tema e adoraríamos ter as opiniões dos profissionais de turismo do país. Nossa conversa não tem cor, não tem julgamento, só busca a melhor compreensão.

Particularmente amo esse debate, porque ele parece simples, mas exige análises de diversos ângulos, depende de fatores ligados diretamente ao turismo e de outros sobre os quais não temos qualquer governança. E sua compreensão e solução, acima de tudo, depende da contribuição de diversos profissionais brasileiros que possuem experiência com o mercado internacional. Afinal, qual o objetivo de fazer esse bate papo? Atrair mais estrangeiros, gerar mais negócios para os que trabalham no setor, gerar empregos; fazer o turismo maior aliado na recuperação da economia nacional.

Vamos parar de fazer comparações esdrúxulas ou repetir versões equivocadas sobre o número de turistas que visitam a Torre Eiffel e o Brasil, ou que visitam a Espanha ou França e o Brasil; não dá para comparar, é preciso entender.


Junto com o debate do número de estrangeiros, é primordial fazer o debate sobre seus gastos nas viagens ao Brasil. Já está mais do que batido relembrar que somente o número de pessoas que chegam não pode ser um indicador de sucesso do turismo, somos nós, profissionais da área que precisamos enfocar esses aspectos. Estão espalhados pelo mundo diversos exemplos de lugares que NÃO QUEREM MAIS TURISTAS, ver sobre overtourism aqui. E ainda tem outro aspecto, os órgãos de turismo pelo planeta afora, e as empresas do setor, usam dados do passado (séries históricas) para entender o movimento temporal dos volumes de visitantes; mas o que vale hoje é antecipar a demanda, usar big data para saber sobre o futuro, planejar e manejar fluxos e comportamentos de visitantes. Na verdade, o Brasil praticamente não tem dados de séries históricas passadas sobre turismo, imagina quanto tempo levaremos para pensar e agir direcionados ao futuro.

Bem, mas aqui vai o debate. Quero iniciar com números, falando do volume de chegadas de estrangeiros ao Brasil, para nos próximos posts, falaremos dos principais temas importantes nesse problema que estamos tentando desvendar. Fui atrás dos dados existentes sobre a chegada de estrangeiros ao Brasil, que segundo o Ministério do Turismo iniciaram a ser compilados em 1989. Eis as informações que considero mais relevantes, lembrando que não vale analisar friamente o aumento de um ano para outro, o turismo trabalha com séries de no mínimo 5 e 10 anos. Números isolados podem ser chatos, mas são a base para começarmos nossa conversa; lembrando ainda, existem números e números…

  • em 1989 o Brasil recebeu 1,4 milhão de turistas e um ano depois, 1990, foi 1,91 milhão, um aumento de 22%
  • em 1995 foram quase 2 milhões
  • no ano 2000 recebemos 5,3 milhões de visitantes, aumento de 165% desde que os dados começaram a ser coletados
  • entre 2005 e 2010, ficamos na faixa dos 5,3 e 5,1 milhões a cada ano, depois começamos a aumentar em média 4% ao ano (2011 a 2013)
  • 2015: 6,3 milhões de turistas
  • 2018: 6,6 milhões de visitantes

Veja a tabela abaixo com os anos, volumes e percentuais de aumento ou diminuição. A elaboração é nossa em diversas fontes como MTUR, OMT.

FONTE: Pires Inteligência em Destinos e Eventos, 2018

Se fizermos uma média, desde 1989 até 2018, entre altos e baixos, teremos 16% de crescimento ao ano; no entanto, alguns anos deram saltos de 20%, 22% e até 33%. Outros anos, as quedas foram de 22%, 6% e 1%. A série que analisamos tem curvas ascendentes e descendentes bastante sinuosas, o que terá que nos remeter a uma análise de alguns períodos, como por exemplo: 2006 a Varig deixa de voar, e perdemos milhares de assentos no mercado internacional (-6% de turistas); em 2009 uma grave crise econômica mundial e a H1N1, caímos quase 5%. Em 2014 foi a Copa, crescemos 11%; em 2015 a diminuição de turistas foi quase de 2%. Em 2016 foram os Jogos Olímpicos, crescemos 3,8%.

Conclusão: entre 1989 e 2018 o volume de visitantes cresceu 372%, e entre 2010 e 2018 cresceu 28%. Nos últimos 4 anos crescemos 5%. Sei que são muitos dados, mas isso mostra os altos e baixos de fatores internos e externos que influenciam diretamente nos resultados do turismo do Brasil e de todos os países do mundo.

Para finalizar essa primeira compilação de dados, fizemos uma comparação do crescimento do turismo no mundo, na América do Sul e nos países emergentes no período entre 2010 e 2018. Em alguns anos, o Brasil cresceu muito mais do que a média mundial (2010, 2011, 2012, 2014 e 2016) e nos demais anos do período mencionado, muito menos do que a média mundial. O fato mais relevante nessa comparação mostra que em todo este período o Brasil cresceu menos do que a média da América Latina, isso é um dado preocupante, pois trata-se da maior economia da região com pior desempenho no turismo. Também, com anos de raras exceções, crescemos menos do que a média das economias emergentes.

Você pode nos ajudar a lembrar de fatores que influenciaram esses períodos de altos e baixos ? Tem mais informações para nos ajudar ? Compartilha aqui com a gente. P.S.: todos os textos com link abordam os temas em mais detalhes.

Veja a segunda parte dessa série aqui.

O melhor do Brasil ?

IMG_64875 bilhões de pessoas acompanharam a cerimônia de abertura dos Jogos Rio 2016 ao redor do mundo, e o Brasil brilhou.

Foi uma festa brasileira, carioca, humana, alegre e com um público emocionado. A repercussão internacional no dia seguinte foi muito positiva, mostrando aspectos já conhecidos do Brasil, mas destacando a alegria, a música e o jeito carioca e brasileiro como autênticos, sem igual. Esse foi um passo e um momento importante em relação à imagem geral que o evento vai deixar para a imagem do Brasil. Claro que teremos muita coisa pela frente, fatos esportivos, políticos, e coisas que não imaginamos vão acontecer e repercutir. Ao final, faremos um balanço, o que ficou de fato.

O mais importante, que vi na abertura e no Rio esses dias, apesar de alguns problemas (que não vou comentar aqui), as pessoas estão amando a cidade, curtindo os Jogos, não faltam informações gerais sobre a cidade e aspectos de deslocamento e sobre o turismo. A experiência daqueles que estão vivendo os jogos é positiva, novas mensagens, valores e o espírito olímpico trazem esperança e renovação de desejos de paz.

O que ficou de lição da abertura? Os brasileiros acreditam no Brasil, os brasileiros têm uma força que brotou na sua origem de miscigenação que traz à tona os melhores sentimentos e uma vontade imensa de mudar seu país.

Pra mim, a mensagem que ficou: ACREDITAMOS MAIS EM NÓS, BRASILEIROS. O melhor do Brasil para o mundo? Os brasileiros, claro!

Cambio e o internacional

O câmbio sempre é uma variável que impacta fortemente a indústria de viagens e turismo, cenário que se observou no Brasil em 2015. Até o mês de novembro do ano passado, os gastos dos brasileiros no exterior tinham sido reduzidos em mais de 31% em relação ao mesmo período de 2014 (ano de Copa do Mundo).

Também a pesquisa do Ministério do Turismo de Intenção de Viagem, nota-se uma diminuição geral no desejo de viajar nos próximos 6 meses, mostrando que em dezembro de 2014 cerca de 35% dos brasileiros queriam viajar, e em dezembro de 2015 esse número caiu para 26,7%. Desses, 86,4% disseram preferir destinos nacionais (contra 80,2% em 2014) e 10,9% destinos internacionais (contra 17,7% em 2014).

Os dados mostram claramente os impactos do cambio no mercado doméstico, embora o desejo de viajar ao exterior permaneça no imaginário dos brasileiros. O Instituto Data Popular fez uma pesquisa que mostrou que o maior desejo não realizado em 2015  foi o de uma viagem internacional (para 65% dos pesquisados ) e mais, que 42% desejam realizar esse sonho em 2016.

Mudou o cenário, mudaram os clientes, as empresas buscam adaptar sua oferta e preços para não perder passageiros, seja para o Brasil, seja para o exterior. E os destinos internacionais, que olhavam para os brasileiros viajadores e gastadores, ainda insistem no cliente com promoções e ofertas.

Destination ou destiny

DESTINATION, seu destino, o lugar aonde você está indo. Você sai de sua cidade de moradia para trabalhar, participar de um congresso ou feira, tirar férias, descansar, ficar com a família, ir à praia. Ou ainda, você faz um tratamento de saúde, uma peregrinação. Enfim, você sai de casa e vai ser um morador temporário em outra cidade ou país por diversos motivos. Você é um turista se dormir pelo menos 1 noite e até 1 ano nesse lugar.

DESTINY, o que vai acontecer no futuro com você, algo que você não controla ou que não pode mudar por vontade própria. Uns acreditam, outros menos… Seu destino é você que constrói também não? Suas atitudes, metas, planos, opções de vida. Afinal nem tudo é tão solto ou imprevisível se você traça rumos e faz opções baseadas em seus valores e desejos de estilo de vida.

Esse pequeno trocadilho é somente para uma reflexão. Será que estamos somente vendendo ou promovendo uma feira, uma praia, uma visita, um tour, um hotel, uma paisagem para uma fotografia ? Ou deveríamos vender tudo isso e ainda, um tempo com seus filhos, alguns dias de namoro com sua esposa ou com seu namorado, dias de sol que recarregam as energias, cachoeiras que limpam a alma, florestas que silenciam a alma, uma cultura muito diferente da nossa, uma experiência que vai me transformar ?

Retorno de investimentos em marketing ?

Se fazer a promoção de um destino ou de um serviço já é uma tarefa difícil, saber aonde investir, em que públicos, que ferramentas usar, quanto investir; imagina medir os resultados dos investimentos.

No último relatório do Ministério do Turismo sobre a competitividade dos 65 destinos o ítem menos desenvolvido no Brasil é o monitoramento. O segundo menos desenvolvido é exatamente o marketing e a promoção. Lamentável, porque não adiasta ter produtos ou destinos maravilhosos se as pessoas não têm conhecimento, se o estor público não tem informações sobre os resultados das ações promocionais ou do resultado econômico da realização do turismo.

Na verdade creio que os desafíos são complexos e duplos: fazer um planejamento, atualizar dados e informações, estabelecer objetivos e metas, orçamento; e, depois, avaliar os resultados obtidos. Conhecer as tendências mundiais e locais, conhecer seu cliente, preparar o destino ou os produtos e a experiencia que o visitante teve.

 

Deu “forró” no NYT

A matéria com chamada de capa do NYT de hoje fala do forró como ritmo quente, brasileiro e que faz as pessoas dançarem.

O texto foi escrito por Larry Rohter, o famoso jornalista que disse que o Presidente Lula bebia demais em 2004 e que tive a oportunidade de participar de um debate do Miami Herald sobre o Brasil em Miami. A matéria, agora em tom favorável,  diz que o forró está invadindo as danceterias de Nova Iorque nesse verão. O texto mostra em destaque o nordeste do Brasil como origem do ritmo, conhecido como o preferido das “empregadas domésticas e dos motoristas de taxi”.

Além da presença constante no rol de músicas das discotecas de Nova Iorque, shows de forró e o Brasil Summerfest que acontece entre 21 e 28 de julho serão oportunidades para a disseminação do ritmo na cidade.

A relação da música com o turismo é um dos aspectos fortes que podem agregar valor à promoção do Brasil, especialmente do nordeste. O conhecimento de nosso país por meio da música é mencionado em todas as pesquisas realizadas com estrangeiros, mas sempre muito ligado ao samba e à MPB. Trazer o forró para a promoção é diversificar o produto turístico, mostrar mais do Brasil e de sua diversidade. Hoje, os vôos que ligam o nordeste aos EUA e as diversas ações promocionais podem ser uma de muitas opções para atrair visitantes a lazer ou ainda amplicar a permanência e o gasto de visitantes a negócios e eventos.