Dez Elucubrações da Phocuswright Conference

Semana passada tive a grata oportunidade de participar da Phocuswright Conference, um dos maiores eventos de turismo e tecnologia do mundo, que aconteceu em Fort Lauderdele nos USA e reuniu líderes e mentes brilhantes de todo mundo.

Aproveito para agradecer a queridíssima Carol da Mapiê pela oportunidade e o desconto concedido (sabe como é né, dólar tá caro e por aqui a grana anda curtíssima) e aos brasileiros que também tiveram por lá e que eu tive a oportunidade de conhecer e trocar muito conhecimento.

Luís Ferrinho da Omnibees, João Carlos e Fernando da Copastur, Eduardo do Grupo Wish, Rodrigo Melo do Viajala, obrigado de verdade pela troca e networking durante os 4 dias.

Me considero um privilegiado por ter conseguido ir e se Deus e meus sócios me permitirem, pretendo ir todos os anos.

Este post é uma compilação de algumas anotações realizadas durante o evento e espero que de alguma forma, gere valor para você que dedicou alguns minutos do seu tempo para lê-lo.

Simbora?

1 – Os problemas são os mesmos no mundo todo, aqui no Brasil, nos EUA, na Alemanha, na Índia e até na China

Pra começar, a primeira reflexão que eu tive é que os problemas que eu acrediava que acontecia apenas no Brasil, acontecem no mundo todo, como mapping dos quartos dos hotéis na distribuição online, hotéis que não confirmam as reservas, custo da distribuição na hotelaria e na aviação, baixa digitalização dos parceiros, baixa remuneração das companhias aéreas para os distribuidores, etc.. etc… etc… etc….

A parte legal é que por lá havia muitas soluções de tecnologia que “supostamente” prometem resolver alguns destes problemas.

2 – O metaverso morreu

Sabe aquela bobagem que o Zuckeberg criou e que um monte de guru de inovação ficou repetindo igual um papagaio durante meses?

Então…

Ninguém falou de metaverso por lá, definitivamente aquilo foi uma mentira e todos nós já esquecemos.

3 – O Google e a Meta continuam mandando no turismo

No final do dia, boa parte da grana da distribuição do turismo vai para o bolso do Google e da Meta, e eles não colocaram nenhum real como patrocínio no evento, mas foram lembrados o tempo todo, algo muito parecido com o o que vejo acontecer no mercado de e-commerce do Brasil há anos.

Grandes players como Expedia, Booking, Tripadvisor e Trivago possuem uma relação de amor e ódio com o Google, pois hora ele é parceiro gerando tráfego, outrora ele é concorrente, capturando audiência e bypassando as OTAs.

Tripadvisor que o diga, o Google Reviews é uma grande ameaça para o modelo da Tripadvisor.

Estima-se que este ano que só o Booking e a Expedia vão colocar perto de U$ 10B em anúncios no Google!

E até mesmo as companhias aéreas e cadeias hoteleiras que se orgulham de ter um grande share de venda direta, também pagam um alto pedágio para o Google e para o Meta.

4 – Amadeus está engolindo o Sabre

O valor de mercado do Amadeus hoje está em €28B (sim, euros), e o do Sabre está em $1.4B (dólar), tinham vários profissionais da Amadeus em papéis de protagonismo no evento e pouquíssimos do Sabre.

Nesta corrida sobre a liderança de player de tecnologia e distribuição para turismo, a Amadeus está ganhando de longe, veja abaixo a evolução das ações das duas empresas ao longo dos últimos anos.

Evolução das ações da Amadeus desde o IPO em 2010
Evolução do valor de mercado do Sabre, desde o IPO em 2014

5 – O NDC é inevitável

Teve um painel sobre NDC com executivos da American Airlines e da AirCanada, e claramente as cias aéreas estão acelerando suas estratégias de distribuição centradas no NDC, gerando alguns conflitos inclusive com a cadeia de distribuição. E a reflexão é que não dá para “combater” o NDC como muitas agências estão fazendo, é preciso entender e aceitar. As companhias aéreas não querem mais o modelo antigo de distribuição EDIFACT, liderado por décadas pelos GDS.

6 – BACK TO THE BASICS – O dinheiro barato acabou, não tem esta de crescer só por crescer negligenciando margens

Em uma apresentação sobre o mercado de venture capital e funding em travel, Mike Coletta da PhocusWire trouxe insights valiosos sobre como está o panorama atual de investimentos no setor.

Duas coisas me chamaram a atenção:

1 – A grana reduziu

O dinheiro alocado em empresas de turismo e tecnologia voltou ao patamar de 9 anos atrás, depois de uma abundância em 2018 e 2019 e pasmém, em 2021.

2 – Acabou o oba-oba de crescer “a qualquer preço”

Durante muitos anos, em tecnologia, o conceito de “blitzscaling” criado por Reid Hofman (founder do Linkedin) foi considerado o modelo a ser seguido pelas startups. Agora, com a falta de dinheiro, “voltar ao básico” e olhar margens e lucratividade voltou a fazer parte do jogo.

7 – Pagamento via cartão de crédito virtual é a bola da vez

Devia ter pelo menos umas 8 empresas oferecendo soluções muito boas de geração de cartão virtual para pagamento para os fornecedores, em um mercado de margens cada vez mais esprimidas, ganhos de interchange da bandeira parecem ser uma boa alternativa de receita para operadoras e agências. E para os fornecedores uma melhor forma de ter recebimento automático, com baixo índice de inadimplência, e com facilidade de conciliação dos recebíveis. É uma relação “ganha-ganha-ganha”, a Visa e Mastercard ganham mais alguns bilhões em TPV (Total Payment Volume), as agências, operadoras e “bed banks” ganham um pouquinho de dinheiro com interchange, e os fornecedores como hoteis e cias aéreas automatizam seus recebíveis.

8 – IA é a bola da vez, e eu especulo que não seja apenas um hype

A cada 10 palavras faladas no evento, 8 era especificamente IA (inteligência artificial), eu ainda tenho um pouco de dificuldade de falar de IA em uma indústria que ainda deixa o hóspede 30min em pé para entrar no quarto do hotel, ou que deixa um viajante 45min na linha com o call center para fazer o “cancelamento” do vôo.

Ou seja, o turismo ainda tem muita coisa “básica” para resolver antes de pensar aplicação de inteligência artificial.

Mas eu tenho a suspeita que quando chegar, vai ser de uma vez e vai disruptar algumas verticais completamente.

Lembrando que já tem muitas empresas de tecnologia e turismo que aplicam IA há anos em suas plataformas, como os algoritmos de recomendação do Booking, Airbnb e da Expedia. O próprio Google Flights pra fazer mapping de hotéis e de aéreo em sua busca.

Estamos bem no início da jornada de adoção de AI no turismo.

9 – Ainda há muita oportunidade no turismo

No painel entre os founders do Kayak, ficou muito evidente que há ainda muita oportunidade no setor. Paul English por exemplo, após fundar o Kayak, fundou a Lola.com, uma traveltech que foi vendida para a Capital One, e atualmente fundou a Deets, uma plataforma que cria roteiros personalizados em diversos lugares do mundo com o apoio de inteligência artificial.

Existem inúmeros problemas no turismo, o que consequentemente pode ter inúmeras oportunidades.

Para qualquer lugar que se olhe há oportunidades, em distribuição, pagamentos, marketing, personalização de experiências, entre outros segmentos. É bem provável que o player líder de travel daqui há 10 anos, ainda não exista.

10 – Vida longa aos intermediários

Ficou claro, em boa parte dos painéis, que por mais que haja algum esforço de algumas companhias aéreas e de algumas cadeiras hoteleiras em verticalizar a distribuição, a audiência e a tecnologia dos intermediários, vide Tripadvisor, Expedia, Hopper, Booking, Priceline, HotelBeds, TBO, entre outros, ainda é muito relevante.

Se olharmos o resultado do terceiro trimestre deste ano dos principais players de tecnologia e turismo do mundo, todos cresceram em volume de reservas e de receita, o que comprova o protagonismo que estas empresas possuem no segmento.

E antes de terminar, gostaria de contribuir compartilhando também toda a cobertura feita pelo time de jornalismo do Panrotas no evento e no próprio canal do Youtube da Phocuswright também há vários vídeos do evento publicados e completamente aberto.

Enjoy 😉

Skiplagged é o novo “câncer” das cias aéreas nos EUA – entenda

Ao longo dos últimos oito anos, aqui no Brasil, as OTAs de milhas eram as grandes ofensoras das companhias aéreas, o presidente da Latam inclusive chegou a afirmar que estes sites são um câncer para o setor.

Com o iminente declínio da 123Milhas, líder histórico do setor com vendas anuais na casa de R$ 6B, as companhias aéreas respiram de forma aliviada.

Este suposto “câncer” foi contido, por enquanto…

Nos EUA, um novo player (aliás, nem tão novo assim) tem incomodado a indústria aérea, trata-se da Skiplagged, um meta-buscador que através de tecnologia traz tarifas das companhias aéreas que supostamente elas não querem que os viajantes vejam.

O site é tão ousado e provocativo com a indústria que na página inicial já coloca: “Nossos vôos são tão baratos, que a United Airlines nos processou… mas nós ganhamos“.

Recentemente a American Airlines também processou a plataforma.

Agora, sobre este assunto, vou me permitir destacar um paradoxo desta indústria…

De um lado as companhias aéreas investem tubos de dinheiro em sofisticadas equipes de revenue management e em aquisição de softwares como a Fetcherr, que utiliza inteligência artifical para otimizar a precificação em real-time das cias aéreas (Azul é cliente deles)…

E do outro lado, um caminhão de dinheiro é colocado diariamente em startups e empresas que criam algoritmos igualmente sofisticados que buscam “hackear” o modelo de distribuição das companhias aéreas, com o único objetivo de entregar tarifas menores para os consumidores.

Note o conflito, a companhia aérea quer maximizar o retorno para os acionistas equilibrando aumento da taxa de ocupação (load factor) e aumento da tarifa média, e OTAs e Metabuscadores como Skiplagged buscam maximizar o retorno para os consumidores com algoritmos inteligentes que buscam tarifas mais baratas.

É uma guerra puramente tecnológica.

Para resumir esta introdução e adentrarmos no modelo da SkipLagged, se você está comprando passagem aérea muito barata, através de canais intermediários, você não é bem quisto dentro da companhia área, simples assim 😉

Mas afinal, o que faz a SkipLagged?

Voltando a SkipLagged, o que ela faz do ponto de vista de tecnologia é demasiadamente simples, ela arbitra sobre alguma ineficiência de precificação das companhias aéreas e mostra tarifas com paradas “escondidas” para o consumidor final.

Exemplo buscado hoje:

Uma passagem de Porto Alegre para São Paulo, direto e sem parada, o vôo custa R$ 580,00, entretanto se você buscar Porto Alegre para Goiânia, o mesmo vôo, com conexão em SP e que depois vai pra Goiânia custa R$ 390,00, se o viajante comprar este vôo e descer em SP, nesta brincadeira ai ele já economizou R$190,00, veja o print:

Observe que o “hack” só funciona se o viajante não despachar mala, pois ele desce no meio do vôo, e a mala vai direto para o destino final do bilhete.

Eu não tenho competência alguma para tentar explicar o motivo disto acontecer, mas especulo que esta precificação dinâmica e de certa forma equivocada, onde um destino com trecho mais longo é mais barato que um vôo com trecho mais curto, seja algo relacionado a competitividade e concorrência entre as companhias aéreas.

Novamente, é uma especulação, talvez algum especialista em revenue de companhia aérea possa dar mais contexto neste assunto aqui.

É ilegal?
Tudo que tira receita da companhia aérea é combatido, logo esta prática é considerada ilegal para grande maioria das companhias aéreas, haja vista que ela viola os termos e condições dos bilhetes e lá fora já existe casos de companhias aéreas que processaram os passageiros. As agências de viagens que tiverem muitos casos deste tipo também são passíveis de punições por parte das das aéreas, com multas e ADMs.

Por aqui, não conheço casos semelhantes de punição, nem de consumidor, tampouco de agência de viagem, embora vale ressaltar que a prática ainda seja desconhecida pela grande maioria dos consumidores.

Quais os riscos?
Tem um risco clássico que é o de esquecer que foi realizado a compra deste tipo de bilhete e despachar a bagagem, daí, só no destino final, com uma grande dor de cabeça.

Vôos com ida e volta juntos (round-trip) também não são elegíveis, visto que o bilhete da volta é automaticamente cancelado.

Existe no Brasil?
Por enquanto não existe um site referência no Brasil, muito embora as tarifas “ocultas” do Brasil também estão disponíveis pelo site Skiplagged. Esta prática não é nova, o Skiplagged existe desde 2015, há mais ou menos 8 anos, e eu chutaria que neste exato momento deve ter algum nerd desenvolvendo um site parecido aqui para o Brasil.

Sou agência de viagens, posso vender isto para meus clientes?

Minha dica curta e grossa: NÃO!

No modelo de intermediação, um agente de viagem tem essencialmente dois clientes, o viajante final e o fornecedor, seja companhia aérea, seja locadora de carro ou cadeias hoteleiras, portanto utilizar de modelos que prejudicam a companhia aérea pode ser um tiro no pé, passível de punições como perda de sinal e eliminação de incentivos, definitivamente não faça isto!

Sem Expedia e sem Booking, qual é o futuro da Hopper?

Eu já falei sobre a Hopper por aqui, há mais ou menos 18 meses, quando ainda tinha poucos holofotes apontados para traveltech canadense no Brasil.

Vou me auto-plagiar e pegar um trecho da minha definição sobre a Hopper na época…

A Hopper é uma das Online Travel Agency (OTA) globais mais “sexies” do momento. Ela é tipo o “Tik Tok” do mercado de viagens a lazer, 100% mobile, e 70% das suas reservas foram realizadas para o público menor de 35 anos. Eu, tiozão, já estou fora do público-alvo da empresa. Hopper nasceu no Canadá em 2007 e em toda sua história já captou US$ 598 milhões. Em sua última rodada foi avaliada em US$ 5 bilhões, e já faz aproximadamente U$ 1.5 bilhão/ano em reservas.

O mais legal da Hopper, na minha visão, é que ela conseguiu “hackear” o modelo tradicional de OTA, intensivo em mídia, para um modelo com maior recorrência e menor dependência de mídia.

Recordemos, uma OTA precisa comprar o cliente todo mês, não há nenhuma fidelidade ou recorrência neste negócio, lembre-se da Viajanet lá entre 2010 e 2012 que inundou a tv aberta com propagandas agressivas, e agora recentemente a 123Milhas, que teve seu faturamento esvaziado quando parou de comprar anuncios.

Por exemplo, se analisarmos o primeiro trimestre deste ano, Expedia gastou 62% da sua receita com marketing e vendas, enquanto a Hopper gastou “apenas” 16%.

Gastos de marketing das principais OTAs em relação a sua receita.

Recentemente a Hopper ganhou destaque, ao anunciar que será o parceiro oficial do Nubank no segmento de viagens.

Mas vamos lá, nem tudo são flores na startup canadense, nos últimos meses uma série de acontecimentos levantaram dúvidas sobre o modelo de negócios da startup.

Acontecimento 1 – Expedia versus Hopper

Recentemente a Expedia removeu a distribuição do seu conteúdo para a Hopper alegando publicamente que eles:

“Criam uma má experiência, levando clientes a comprar coisas que eles não precisam ou não entendem, e levam 27 cliques para realizar a compra eenquanto na Expedia o usuário consegue reservar com ‘apenas’ 6 cliques”

A Expedia também reforçou no anúncio de cancelamento que a Hopper “‘explora a ansiedade do consumidor’” oferecendo ofertas que ele não precisa.

Já a Hopper, alega que a Expedia removeu a sua distribuição por medo da concorrência, e que ela (Expedia) irá perder vendas com isto, e não a Hopper e dando uma alfinetada sobre a experiência falou:

“Eu gostaria de lembrar o Peter Kern (CEO Expedia) que não existe cliques no celular mas sim ‘taps’, e é que algo completamente diferente”

A Skift bancou o teste, fazendo uma reserva de aéreo com origem New York (JFK) para Paris (CDG) e o resultado é que na Expedia foram 22 ‘taps’ (que poderíamos traduzir para ‘touchs’) e na Hopper foram 37 ‘taps’.

Sim, a experiência na Hopper é muito mais longa e confusa, durante a jornada, vários tipos de anciliares são ofertados, inclusive seguros para cancelamento, atraso e até congelamento de preços.

Acontecimento 2 – Booking versus Hopper

Esta semana, de forma “pró-ativa” a Hopper anunciou que removeu o conteúdo do Booking da sua plataforma também, e algumas especulações apontam que esta iniciativa foi pró-ativa pois o Booking já estava em conversas para cancelar a parceria.

Alguma coisa bem séria deve ter acontecido, para Expedia e Booking encerarrem seus contratos de distribuição com a plataforma canadense.

A verdade que o fato da Hopper ter capital fechado, todos os dados relacionados a “gross booking”, receita, e até mesmo investimento em marketing e vendas, são informações confidenciais e não públicas, portanto, não se sabe de fato se é verdade ou pura especulação.

ACONTECIMENTO 3 – LAYOFF de 30% do quadro dos colaboradores

E pra finalizar, no dia 04 de outubro a Hopper anunciou a demissão de 250 colaboradores, aproximadamente 30% do seu quadro, alegando que irá focar em produtos mais rentáveis.

Convenhamos, empresa que está indo bem, crescendo e com margens saudáveis, não tem motivos para desligar tantas pessoas.

Sem Expedia, sem Booking, com dados fechados, e talvez não auditados, o futuro da Hopper é completamente imponderável.

O pesadelo das empresas de hospitalidade e viagens em Nasdaq!

Quero iniciar este post pedindo desculpas, quando me propus a escrever aqui, a meta era um artigo relevante todo mês.

Consegui manter a meta por 12 meses desde abril do ano passado, mas aí em fevereiro deste ano veio o Lucas, meu segundo filho, e desde então graças a Deus, minhas noites tem sido mais difíceis, e na minha lista de prioridades, escrever foi lá pra baixo.

Espero de coração que entendam 😉

Voltando ao título do post, o gato subiu no telhado para algumas startups de travel e hospitalidade, e veja, não estou falando do Hurb e da 123milhas, a Globo já tem se ocupado demais com este tema.

Nos últimos 2 anos, algumas startups de travel e hospitalidade surfaram a onda dos SPACs, e foram pra bolsa sem passar pelo escrútinio de um complexo roadshow com os investidores.

Eu vou me permitir a copiar um trecho de um post antigo aqui, onde eu falei sobre SPAC.

“SPAC é a sigla para “Special Purpose Acquisition Company”, ou em bom português, Companhias com Propósito Específico de Aquisição, um veículo de investimento que ganhou muita relevância nos últimos meses, sobretudo nos EUA, e funciona como um “cheque em branco”, os acionistas confiam que os gestores do fundo irão adquirir uma empresa grande e rentável, e para empresa adquirida, ela consegue trilhar o caminho da bolsa, abrindo capital sem passar pelo forte escrutínio e exposição de um processo de IPO.

A propósito, aqui no Brasil este modelo foi pro vinagre, três SPACs já devolveram dinheiro para os seus investidores.

Veja algumas empresas de turismo e hospitalidade que foram pra Bolsa através deste veículo:

E observe a variação do valor de mercado destas empresas ao longo do tempo:

EmpresaAberturaValor de mercado abertura (U$)Valor de mercado Atual (25/08/23)Variação (%)
Vacasa09/04/214.45B243M-94.54%
Sonder19/03/212.3B110M-95%
AmexGBT27/11/204.8B3B-34%
Mondee25/03/21835M532M-36%
Selina09/04/211.1B$48M-95%
GetAround30/04/21920M$46M-95%
fonte: Yahoo Finance

A Mondee Holdings ( já escrevi sobre ela aqui) que inclusive comprou as operações da Orinter e da Interep no Brasil oscilou bem menos, é uma empresa que teve uma queda de 36%, tem ainda bastante caixa e é bem provável que as ações subam em um horizonte próximo.

O cenário da AmexGBT é bem parecido, contei um pouco sobre ela aqui, entre caixa e recebíveis de curto prazo, no último trimestre ela possui aproximadamente U$ 1.2B, a empresa está crescendo YoY (ano sob ano, no último trimestre o crescimento foi de 22%) e eu especulo que é questão de tempo para as ações voltarem a se valorizar.

O problema maior está nas startups de hospitalidade, sobretudo na Vacasa, Sonder e Selina.

Aliás, sendo bem honesto, eu nem chamaria a Selina de startup, WeWork e OYO mostraram o quão equivocado é chamar negócios intensivo de “real state” de startup.

As ações destas empresas viraram “penny stocks”, valem menos de U$ 1,00 e já foram notificadas que serão “deslistadas” da bolsa de Nasdaq, por regra, ações negociadas abaixo de $1,00 por 30 dias consecutivos recebem esta “punição” e agora entram em um período de 180 dias de “repescagem” para se adequarem, caso contrário, suas ações serão proibidas de negociar e o ativo perde muito sua liquidez .

Agora, o caso da Selina é ainda mais grave, a rede que conta com mais ou menos 120 hotéis do tipo “hostel”, mistura coworking, hospedagem privada, coletiva e uma série de atividades “lifestyle”, inclusive tem até uma unidade em Copacabana no Rio de Janeiro.

O problema ali é que a empresa só tem mais U$23M no caixa, reportado no final do primeiro trimestre deste ano, e a empresa continua queimando muito caixa.

Recebeu um “socorro” de $10M da Global University Systems e planeja desligar até 350 pessoas até outubro.

Se não equilibrar as contas, a Selina corre um risco sério de desaparecer.

Já a Sonder e Vacasa provavelmente irão fechar o seu capital.

Aguardemos as cenas dos próximos capítulos!

O FUTURO CHEGOU, E NA AVIAÇÃO ELE TEM NOME: NDC!

O NDC, sigla conhecida como New New Distribution Capability,  lançado pela IATA há 11 anos, representava o futuro da distribuição.

Eu não vou me atrever a explicar sobre o NDC aqui, quando vários caras muito melhores e mais capacitados que eu já escreveram sobre o assunto.

Em 2014 o Luis Vabo, escreveu em seu magnífico blog, sobre a “novidade”.

Também falou sobre o movimento da compra da Navitare e da Farelogix pelo Amadeus e o Sabre, respectivamente, e seus impactos no desenvolvimento do NDC.

Aqui, cabe um parêntesis, quem acabou levando a Farelogix foi a Accelya, seis semanas depois da Sabre dar pra trás no negócio.

O que nada invalida a qualidade do post, diga-se de passagem.

Mas você pode também beber diretamente da fonte do criador: O todo poderoso IATA.

Existem dezenas de conteúdos relevantes produzidos pelo IATA sobre o assunto e você pode conferir aqui, observe que o primeiro documento, resolução 787, é datado de outubro de 2012.

Mas então…

11 anos se passaram, e o futuro finalmente chegou!

Às vezes a gente gosta de protelar o futuro, mas o tempo é implacável, como diria Cazuza:  

O tempo não para”.

Pausa rápida de quatro minutos para ouvir Cazuza…. 

1… 2… 3… 4…

Bom, voltamos ao post!

Note que em 2012 o papa ainda era Bento XVI, o Brasil ainda não tinha tomado de 7×1 da Alemanha, a Dilma sequer imaginava que sofreria impeachment 4 anos depois, e eu, um completo ignorante, jamais imaginaria que trabalharia com turismo!

Caramba, tanta coisa mudou!

E agora, em 2023, a American Airlines pulou pra dentro do NDC priorizando a distribuição por este canal e dando uma banana… ops… negligenciando melhor dizendo, todos que consomem seu conteúdo por outros canais.

A coisa está tão discrepante, que segundo a Amtrav, tarifas da American Airlines fora do NDC possuem diferenças tarifárias gigantes, o que mostra que a companhia aérea vai priorizar e privilegiar o NDC a partir de agora.

Segundo reportagem da Travel Weekly, a empresa está super satisfeita com o resultado, onde 60% das vendas foram diretas ou via NDC.

Aqui no Brasil, a Latam, curiosamente, está sendo a pioneira na adoção deste padrão.

A partir de 1 de maio, a companhia aérea vai iniciar oficialmente seu programa de distribuição através do NDC.

Sim… Latam… 

Aquela companhia aérea que em 2020 no meio da pandemia, entrou em recuperação judicial nos EUA (Chapter Eleven), e que todo mundo jurava que quebraria em alguns meses.

Passados alguns anos, a Latam hoje é a companhia aérea melhor posicionada, atingiu um lucro de U$ 2.5B no último trimestre de 2022 e hoje é tranquilamente, a companhia aérea mais saudável do mercado brasileiro (embora ela seja chilena, ok?).

Eh… o mundo dá voltas…

Mas o que está por trás de tudo isto?

Primeiro de tudo: “Follow the Money“!

Embora não saiba absolutamente nada de beach tênnis,  vou colocar um colete de financista da Faria Lima, e tentar discorrer sobre o possível impacto econômico desta mudança.

Mas já lhe adianto, no final, é tudo sobre dinheiro!

Veja que, por anos, a distribuição das companhias aéreas globais ficou nas mãos do GDS.

E vamos dar nome aos bois:  Sabre, Amadeus e Travaelport!

Dá para falar tranquilamente que é um oligopólio, um mercado gigante, na mão de pouquíssimos competidores.

Vamos começar pelo Sabre, a sua receita total em 2022 foi de U$ 2.5B, mas a linha principal de receita da companhia é de distribuição, aproximadamente de U$ 1.6B, como visto no gráfico abaixo.

Já a Amadeus, é uma empresa pública listada em Madri, capital da Espanha, ela teve uma receita de €4.4B (sim, Euros mesmo), sendo que €2.1B é relacionado a receita com distribuição aérea.

E ainda tem a Travelport, que fechou capital em 2019, após um deal de $4.4B, portanto eu vou ficar devendo aqui sua receita e números detalhados sobre sua operação.

Observe que toda esta receita do GDS de  “distribuição aérea”, que somadas entre Sabre e Amadeus chega a uns  U$ 6B anuais, quem paga são as companhias aéreas, que por acaso, repassam no preço do bilhete para os consumidores.

Repito, U$ 6B de receita do GDS são pagos pelas companhias aéreas ao redor do mundo.

Logo, é bem provável que as companhias aéreas que adotarem o NDC, em geral, vão cobrar uma “sobretaxa” dos intermediários que continuarem comprando as tarifas através do GDS.

No caso da Latam, através da informação oficial da própria empresa em seu site, ela irá cobrar $ 12,00 (doze dólares) com uma taxa nomeada como “Taxa de Recuperação de Custos de Distribuição” (sim, o pessoal do turismo é demasiadamente muito criativo).

Então, para ficar claro, segundo informações da própria Latam, a partir de 01 de maio, emissões através do GDS terá um custo adicional de U$ 12 na passagem.

Consultei o Google e vi que o Dólar está R$ 4,98, logo teremos uma cobrança de R$ 60,00 por cada bilhete emitido pelo GDS.

É a Latam dizendo claramente para o mercado:

“Comprem através do NDC, ou irei punir vocês”.

Veja:

A American Airlines fez isto e está feliz, a AirCanada também, e a Lufthansa e outras dezenas de  companhias aéreas já fazem isto há alguns anos!

Considerando que as companhias aéreas perderam muito dinheiro nos últimos 3 anos motivados pela pandemia, e é um mercado completamente difícil de operar e de margens apertadíssimas, é nobre acreditar que o NDC chega para melhorar sua rentabilidade.

Eu acho pouquíssimo provável que parte desta economia gerada seja dividida com os intermediários, vide agências, consolidadoras e operadoras, ou revertido em uma economia no valor dos bilhetes para o consumidor final.

Toda economia capturada com o NDC, deve ser revertida em uma melhora de rentabilidade para as companhias aéreas.

E é super justo, a propósito!

Precisamos de companhias aéreas ricas, que dão lucro, e que geram retorno para os acionistas!

Segundo ponto: controle!

Aqui, eu preciso reconhecer, que a fonte principal foi o post da Susanne Reiser no Linkedin, veja!

Com o NDC a companhia aérea assume o protagonismo da distribuição, melhora a venda direta, oferece anciliares, reduz todo o overhead de auditoria sobre os bilhetes vendidos pelo GDS, e minimiza absurdamente os problemas possíveis desta terceirização de distribuição.

O NDC encurta o caminho entre o viajante que está escolhendo e comprando a passagem, e a companhia aérea que está vendendo.

Menos um intermediário no meio, obrigado Tim Berners Lee pela criação da WWW.

Note que para o consumidor final, que muitas vezes compra o bilhete através de uma agência, ou através de uma operadora, o processo não muda nada.

Ele compra, paga, pega o localizador e embarca.

Para o cliente final, no fim do dia, é um processo completamente transparente.

A grande disrupção, de longe, está na forma como o conteúdo é distribuído, entre a companhia aérea e os intermediários da cadeia.

Para os intermediários, o jogo fica mais difícil, convenhamos

Estamos no início de uma grande revolução na distribuição, mais transparente, mais eficiente e com mais ganhos possíveis para os passageiros e para as companhias aéreas.

Brigar contra isso é repetir a história e fazer o mesmo que os operários fizeram contra as máquinas a vapor, há uns 250 anos atrás, ou recentemente os taxistas versus motoristas de aplicativo.

No final, toda mudança gera desconforto.

Para todos os intermediários da cadeia: GDS, TMCs, Agências e OTAs, vai ser preciso uma enorme adaptação.

Para o GDS, será necessário uma profunda análise sobre sua precificação e sobretudo seu futuro, principalmente  com a chegada de alguns insurgentes como Duffel e Kyte, que nascem em um ambiente pós-NDC, aparecem com uma tecnologia completamente nova e sem legados, para otimizar a distribuição,a um custo infinitamente menor que os grandes GDS.

Aqui, vale mais um reforço, para continuar no jogo e sendo relevante, os GDSs se adiantaram e foram os primeiros a plugarem no NDC, só não vão conseguir cobrar aquelas tarifas absurdas por segmento, como cobravam na distribuição via EDIFACT (distribuição tradicional, criada em 1986. apoiada em troca de dados, que em alguns anos se tornará completamente obsoleta)

Para as TMCs, agências, OTAs, agentes de viagens e todos que se beneficiam indiretamente da remuneração do GDS, será preciso buscar novas fontes de receita, pois muitos contam com os rebates na composição da sua linha de receita (e não há nada de errado nisto, ok?).

Sobre este assunto, algumas companhias, como Air Canada por exemplo, vão pagar  por um tempo uma espécie de “fee” para incentivar a emissão pelo NDC.

No caso da companhia aérea canadense, o valor será de U$ 2,00.

A Latam também está prometendo colocando uma graninha aí para alguns parceiros para acelerar a adoção, além de U$ 1,50 por passageiro/segmento, de acordo com o site da companhia, veja.

Agora, se cada companhia aérea tem um NDC diferente pra chamar de seu, teremos vida longa aos GDSs

O NDC é um padrão, acabei de baixar o último schema XML, são 52 arquivos com modelos para:

Fluxo de Reservas (Shopping), Disponibilidade, Pagamentos, Cancelamentos, Gestão de Tickets e muito mais.

O problema aqui está nas “adaptações”,  segundo minha googlada, existem aproximadamente 350 companhias aéreas ativas no mundo, se cada uma criar a sua própria distribuição NDC, cada um com seu jeitinho customizado com algumas mudanças, teremos eternamente uma demanda pelo GDS.

A grande diferença é que a distribuição agora fica na mão da companhia área, e o GDS reduz seu papel para um mero integrador, e daí, não vai ser possível cobrar  U$5,00 por segmento mais.

Lembra dos U$ 6B de receita do Amadeus e do Sabre? Então, esta linha deve reduzir muito se o GDS não diversificar sua receita com outros produtos.

No cenário ideal do NDC, mudaríamos o endpoint para cada companhia aérea e teríamos  o mesmo conteúdo padronizado, seria lindo.

Isto me lembrou agora a guerra dos browsers, que teve início lá nos primórdios da internet, tinha o HTML da W3C, e tinha as jabuticabas criadas que só funcionava no Netscape e no Internet Explorer.

Isto para o time de tecnologia é péssimo e completamente oneroso.

Conclusão

Estamos defronte de uma grande mudança na distribuição aérea no mundo, muito provável que daqui há 20 anos  iremos olhar para trás e nos lembrar, talvez até com certo saudosismo, desta incrível mudança.

Vai dar pau pra caramba, vai dar problema, vão ter erros no meio do caminho, mas lembre-se que não há inovação sem falhas na jornada.

Como profissionais do trade, precisamos apoiar as companhias aéreas nesta transição, e nos adaptar para continuarmos relevantes.

Bem vindo, NDC!

Ps:. A imagem deste post é de autoria da da AltexSoft.

O ano começou mal para as empresas de turismo na B3! Entenda!

Este é daqueles posts que eu escrevo com gosto amargo na boca, mas a verdade é que faz muito tempo que não vejo um ano começar tão ruim para as empresas de turismo de capital aberto na B3.

Explico!

Juntas, CVC, GOL e Azul já perderam R$ 2.2B em valor de mercado em apenas 2 meses, veja:

A CVC acumula queda de 32% no ano, ela atingiu o menor nível histórico desde o IPO, que chegou a valer no auge em fevereiro de 2019, R$ 15B em valor de mercado, e agora vale “apenas” R$ 795M, uma queda de 94% portanto.

Sobre a CVC paira uma dúvida enorme se a gigante de Santo André vai conseguir renegociar a dívida que vence no primeiro semestre de R$ 695M, ela já contratou a BR Partners para fazer o reperfilamento desta dívida, mas especulo que não deve estar sendo uma negociação fácil;

A GOL caiu 23% no ano, as ações da companhia valem hoje menos que no auge da pandemia, recentemente a S&P e Fitch, agências globais referências em ratings, rebaixaram a nota de crédito da empresa de CCC+ para CC.

Já a Azul teve a maior queda entre as três, de 33%, outra empresa que também está valendo menos que na pandemia, a S&P também rebaixou o rating de crédito da companhia de CCC+ para CCC-.

A triste curiosidade aqui, é que quem investiu no IPO em qualquer uma destas empresas, perdeu muito dinheiro, por exemplo, a Azul abriu capital em abril de 2017, quem colocou R$ 10mil reais na época, achando que 6 anos depois teria um bom rendimento, hoje teria na conta apenas R$ 2.900 (dois mil e novescentos).

Já na GOL, quem entrou no IPO da empresa em 2004, achando que ia deixar uma boa herança para o filho, 19 anos depois, também se deu mal, quem colocou R$ 10mil reais em 2004 na empresa, hoje teria R$ 2.100 (dois mil e cem reais).

A CVC também não deu bom retorno para os acionistas que apostaram no IPO em 2013, quem colocou R$ 10mil reais na época, 9 anos depois teria R$ 2mil reais.

Juros altos é um câncer para empresas com alto endividamento

Em comum, as três possuem um alto endividamento de curto prazo, e com as taxas de juros nas alturas o custo da dívida ficou ainda maior.

Lula não está errado quando fala que a taxa de juros de 13,75% está uma vergonha, sobretudo com a inflação razoavelmente controlada (bateu 5,79% em 2022), de fato isto paralisa a economia e aumenta muito o custo financeiro, entenda que hoje um banqueiro de cueca samba canção e pantufa sentado no sofá, empresta dinheiro para o governo com um risco extremamente baixo e recebe de retorno 13,75% ao ano.

Este mesmo banqueiro, pra tirar a bunda do sofá e emprestar dinheiro para uma CVC ou para uma companhia aérea, vai cobrar um “prêmio pelo risco” muito alto, o que aumenta substancialmente o valor do juros e consequentemente da dívida.

Ainda tem a sombra do rombo da Americanas, que historicamente era uma companhia AAA em termos de crédito e rating, e que inevitavelmente, por tabela, gerou uma insegurança enorme para os bancos em relação a emprestar dinheiro para empresas com alto endividamento.

Uma Recuperação Judicial seria horrível para o setor

Note que na ausência de qualquer uma destas empresas conseguir honrar os compromissos de curto prazo, o caminho natural é uma recuperação judicial, o que seria horrível para o setor, que ainda tem muitos reflexos dos últimos 2 anos de pandemia.

No caso das companhia aéreas, a GOL conseguiu alongar a dívida que vencia em 2024 e 2025 para 2028, em troca, claro, de um juros mais altos.

A Azul está neste exato momento trabalhando para alongar suas dívidas também, decerto que o ponto de atenção e o que tira o sono dos executivos financeiros da companhia é o custo desta dívida.

Já a CVC talvez esteja com a situação mais difícil entre as três, é a que possui maior dívida de curto prazo, 600 milhões das debêntures emitidas vencem agora em abril.

Vamos torcer para que tudo melhore e se acalme, a pior notícia que podemos ter este ano é o pedido de recuperação judicial de algum player relevante, o recente caso da Avianca no nosso setor, e mais recente ainda da Americanas no varejo, provou que uma empresa gigante ruim consegue afetar todo o mercado.

Por dias melhores no turismo \o/

Qual o futuro do turismo? Por ChatGPT!

O futuro do turismo em 2023 será impactado por vários fatores, incluindo a evolução da tecnologia, mudanças climáticas, e tendências econômicas globais.

A tecnologia será um dos principais impulsionadores do turismo no futuro. A inteligência artificial e a realidade virtual já estão sendo usadas para criar experiências turísticas mais imersivas e personalizadas. Além disso, a tecnologia blockchain está sendo usada para melhorar a segurança e a transparência no setor do turismo. Isso permitirá que os viajantes façam reservas e pagamentos de forma mais segura e eficiente.

As mudanças climáticas também terão um impacto significativo no turismo no futuro. Com aumento das temperaturas e eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, os destinos turísticos tradicionais podem se tornar menos atraentes e mais perigosos para os viajantes. Isso levará a uma maior procura por destinos turísticos mais sustentáveis e resilientes.

O crescimento econômico global também será um fator importante no futuro do turismo. Com mais pessoas tendo acesso a recursos financeiros, haverá uma maior procura por viagens internacionais e experiências turísticas mais luxuosas. No entanto, a incerteza econômica global também pode afetar a demanda por viagens, especialmente para os viajantes com orçamentos mais apertados.

Além disso, a tendência do turismo de experiência continuará a crescer, com os viajantes procurando viver experiências autênticas e imersivas em vez de simplesmente visitar destinos turísticos. Isso inclui coisas como imersão cultural, turismo de aventura e turismo de bem-estar.

Em resumo, o futuro do turismo em 2023 será impactado por vários fatores, incluindo a tecnologia, mudanças climáticas e tendências econômicas globais. Isso criará novas oportunidades e desafios para o setor, mas também oferecerá aos viajantes uma variedade cada vez maior de experiências turísticas únicas e personalizadas.

Author: ChatGPT

A partir de agora, sou eu mesmo que estou escrevendo, ok?

Que raios é ChatGPT?

Se você não se escondeu nas cavernas nos últimos 6 meses, deve ter visto todo o hype em torno do ChatGPT, e para explicar o fenômeno do ChatGPT, eu recorro ao próprio, para definir “O que é ChatGPT”.

É quase como se ele olhase no espelho… veja a resposta:

ChatGPT é um modelo de linguagem natural desenvolvido pela OpenAI, que usa inteligência artificial para gerar respostas a perguntas e interagir com usuários por meio de texto. Ele é alimentado por uma grande quantidade de dados e treinado para entender e produzir linguagem natural, permitindo que ele possa manter conversas de forma autônoma com os usuários. O ChatGPT é capaz de responder perguntas, fornecer informações, fazer recomendações e até mesmo contar piadas. Ele é usado em diversas aplicações, como assistentes virtuais, atendimento ao cliente e suporte técnico.

Complementando a definição do próprio criador, é uma plataforma de inteligência artificial, que assusta e surpreende pela qualidade das interações e respostas, é estimado que mais de 45 terabytes de dados foram utilizados para treinar o modelo da GPT-3.5.

Ele não tem capacidade alguma de criar coisas novas, mas é extremamente hábil em dar luz as coisas que já existem, como escrever textos e artigos, refatorar ou escrever códigos de sistemas em diversas linguagens, bem como dar respostas assertivas para perguntas complexas.

O jornal The Times o descreveu como o “primeiro chatbot verdadeiramente útil do mundo”.

Acesse chat.openai.com/chat e veja com seus próprios olhos.

Esta “inteligência” toda pode tirar meu emprego?

A resposta é SIM, se você faz coisas óbvias, repetitivas e excessivamente manuais, onde uma simples consulta no Google consegue trazer respostas, infelizmente o ChatGPT irá substituir alguns trabalhos, por exemplo, em empresas de mídia, existem alguns “artigos” que são escritos com baixa profundidade de conteúdo, apenas para gerar volume de informações. Estes textos poderão ser escritos tranquilamente pelo ChatGPT, com a diferença que o ChatGPT não faz fofoca no whatsapp, não fica de atestado médico, e não dorme.

A BuzzFeed por exemplo, anunciou que vai desligar alguns profissionais, e acelerar a criação de textos através de ferramentas de inteligência artifical, como o ChatGPT.

O mercado adorou a notícia e as ações da empresa subiram 120% no dia do anúncio.

E para a pergunta acima, a resposta continua sendo NÃO, se você está constantemente criando coisas novas, pesquisando e trazendo ineditismo para sua área. Você não será substituído, pelo menos nos próximos 40 anos, se você consegue além desenvolver trabalhos através de dados já existentes, criar coisas novas.

Lembre-se que o ChatGPT é uma plataforma de OpenAI que precisa ser treinada, e ela é treinada por bilhões de textos, criados e produzidos por… adivinhem… humanos!

Alguém inteligente precisa criar conteúdo relevante para treinar o ChatGPT, se você faz bem este papel, fique tranquilo, seu emprego está salvo pelo resto da vida 😉

Veja, o texto inicial deste artigo mesmo, sobre o “futuro do turismo”, com muita boa vontade eu dou nota 3 para ele, eu tenho certeza que eu (e você também) com alguma dedicação conseguiria fazer um texto bem melhor, com exemplos mais assertivos, com mais números, e com uma narrativa muito mais interessante.

Por exemplo, ele é extremamente razo, ao citar “tecnologia blockchain”, como um vetor de segurança e transparência para o turismo, mas não traz sequer um exemplo.

Também fala de buzzwords da moda como inteligência artificial e realidade virtual, novamente, sem nenhum exemplo relevante.

O ChatGPT escrevendo textos é tipo aquele guru de inovação, cover de si mesmo que fica repetindo um monte de buzzwords ao vento, que está há alguns anos dando palestras com nenhum conteúdo relevante.

Por outro lado, existem centenas, ou milhares de redatores hoje, na internet, que cobram aproximadamente R$ 50,00 por um texto de 400 palavras, que deverão ser substituídos, pois no limite, trazem um conteúdo extremamente superficial, muito parecido com um texto escrito pelo ChatGPT.

ChatGPT pode me ajudar?

Se você não é chato e ranzinza e enxerga a tecnologia como uma ferramenta que pode te ajudar, com certeza o ChatGPT pode melhorar sua vida. Ele é uma excelente ferramenta de automação para te ajudar a acelerar a criação de textos, ou recuperar respostas de uma forma bem mais rápido que você sozinho, encontraria no Google.

Se vale uma dica, ao invés de criticar ou tentar encontrar defeitos na ferramenta, veja como ele pode te ajudar a ser um profissional melhor, mais produtivo, e que gere ainda mais valor para seus clientes ou parceiros de negócios.

Lembre-se, o ChatGPT também erra!

O ChatGPT não acerta sempre, é um software e como qualquer outro está suscetível a erros, ele traz respostas equivocadas para algumas perguntas, portanto, tome cuidado ao assumir como verdade o que ele diz.

Veja um exemplo!

Acabei de fazer a seguinte pergunta para ele: “Quem é maior, CVC ou Flytour?

Veja a resposta:

“A CVC e a Flytour são duas das maiores empresas do setor de turismo do Brasil, mas a CVC é atualmente considerada a maior em termos de receita e tamanho de mercado.

Fundada em 1972, a CVC é líder no mercado brasileiro de viagens de lazer, e se expandiu para diversos países da América Latina. A empresa oferece uma ampla variedade de pacotes de viagens e serviços turísticos, incluindo passagens aéreas, hospedagem, aluguel de carros, passeios e cruzeiros. Em 2020, a receita líquida da CVC foi de R$ 2,9 bilhões, segundo o site da empresa.

Por outro lado, a Flytour é uma empresa mais recente, fundada em 1974, mas que se expandiu rapidamente nos últimos anos, especialmente no setor de viagens corporativas. A empresa oferece serviços como gerenciamento de viagens de negócios, eventos corporativos, soluções de mobilidade e turismo de luxo. A receita líquida da Flytour em 2020 foi de R$ 2,2 bilhões, segundo o site da empresa.

É importante destacar que ambas as empresas têm estratégias de negócios distintas e atendem a diferentes segmentos do mercado de turismo.

Esta resposta carrega alguns erros grosseiros, a primeira é sobre a receita da CVC, acabei de consultar a página de RI da empresa, a e receita de 2020 foi de R$ 517M, apenas 17% dos R$ 2,9B informados pelo ChatGPT.

O outro erro foi a receita da Flytour, que embora não tenha capital aberto e os números sejam privados, em um ano de pandemia com certeza não atingiu R$ 2,2B de receita líquida, eu chutaria que neste período a receita da empresa tenha sido a metada de receita da CVC (algo perto de R$ 260M).

O último erro está no parágrafo final, quando ele afirma que “…ambas as empresas têm estratégias de negócios distintas e atendem a diferentes segmentos do mercado de turismo.”

Esta afirmação poderia fazer sentido até 2020, mas especialmente nos últimos 2 anos, CVC e Flytour estão brigando lado-a-lado pela liderança e protagonismo do nosso segmento.

Alguém que tome esta resposta do ChatGPT como verdadeira, corre o risco de ter uma visão míope sobre o nosso setor.

Resumo da ópera, use e abuse do ChatGPT, mas com parcimônia e inteligência.


Lucros crescentes? Onde?

Eu pensei que meu último artigo seria o último do ano, me equivoquei, voltei aqui para tentar encontrar respostas para a greve anunciada dos pilotos e comissários .

No anúncio, segundo o sindicato “os preços das passagens aéreas só aumentam, e geram lucros crescentes para as empresas“.

Richard Branson, milionário da Virgin, tem uma frase interessante que mostra o quão difícil é o setor:

“⁠Se você quer ser um milionário, comece com um bilhão de dólares e lance uma nova companhia aérea.”

Vamos relembrar, estatisticamente a cada 3 companhias aéreas que abrem no Brasil, duas quebram: Avianca, Itapemirim, Bra, Vasp, Transbrasil e Varig, fazem parte desta estatística.

Azul e GOL possuem capital aberto, suas demonstrações financeiras são públicas e auditadas, então recorri ao portal de RI para encontrar o tal lucro informado pelos sindicatos.

Veja abaixo, em bilhões, os últimos 5 anos de resultado das companhias aéreas, pois seria covardia analisar apenas os últimos 2 anos.

2021 2020 201920182017total
AZUL-4.2-10.8-2.40.420.703-16.277
GOL-7.2-5.9-0.117-10.779-13.438
Últimos 5 anos de resultado da AZUL e GOL

Usando um trocadilho infame, o último ano no Azul da Azul foi em 2018, onde apurou um lucro de R$ 420 milhões, a GOL, o último ano positivo foi em 2017.

Eu até entenderia, se fosse os funcionários da Localiza por exemplo que entrassem de greve com este discurso, a gigante de mobilidade de Belo Horizonte lucrou R$ 2B em 2021, mas das companhias aéreas, fica difícil de compreender.

Tenho profundo respeito por pilotos e comissários, e acho nobre o pleito da reivindicação, mas o discurso é falho, o preço do querosene utilizado na aviação subiu 170% nos últimos 3 anos, teve aumento do dólar, não está sobrando quase nada no bolso dos acionistas das companhias aéreas, e os líderes do movimento sabem disto.

É mais um balde de água fria para todo o mercado, e tudo que não queríamos.

Veja, de um lado a gente vê todo o trade gastando tempo e dinheiro, investindo em colocar as pessoas para viajar, imprensa, agências de viagens, operadoras e consolidadoras, do outro lado, algumas pessoas dizendo: “Olha, vamos entrar de greve, e duas horas por dia não iremos voar”.

Por mais que seja uma paralisação pequena, de apenas duas horas, gera insegurança e inevitavelmente reduz o fluxo de passageiros.

As ações da CVC ontem caíram 4,5% com o anúncio, toda a cadeia perde com esta greve.

Já sabemos o que vai acontecer no final…

Vôos atrasados e passageiros com uma péssima experiência, uma enxurrada de judicialização ocasionada pelos atrasos, e novamente mais aumento no preço da passagem, uma profecia quase que autorrealizável.

Um presente amargo de natal para todos nós!

Retrospectiva 2022 – Os Gurus Erraram \o/

Se você de certa forma trabalhava com turismo entre 2020 e 2021, meus pêsames, você provavelmente passou por muitos constrangimentos neste período!

Eu passei, admito!

Então antes que fique chateado comigo, estávamos do mesmo lado, talvez tenhamos chorado, perdido o sono ou até mesmo se embriagado nos mesmos dias, semanas, ou até meses, foram momentos muito tristes e difíceis, recordemos!

Não bastasse fronteiras fechadas, aviões no chão e hotéis trancados, a desconfiança da sociedade com a retomada do setor era enorme, de um dia para o outro, viagem se tornou algo obsoleto e careta e todas as fichas do futuro foram colocados no digital.

Os gurus de inovação, claro, ecoaram este discurso e cravaram que a loja física iria acabar e que as viagens como conhecíamos nunca voltaria a ser como antes.

Vejam só, para sinalizar aos investidores que o Facebook continuaria sendo uma companhia relevante, Mark Zuckeberg colocou o Metaverso no mainstream, fez o rebranding da organização para Meta, e começou a falar que tudo no final seria Metaverso.

Os “gurus”, sempre eles, compraram esta lorota e repetiram este discurso por meses, em apenas algumas semanas já existiam “especialista em metaverso”.

Muito a propósito, desde o “rebranding” de sua organização, há aproximadamente 12 meses atrás, as ações do Facebook… ops… Meta, já cairam 64%.

Talvez Metaverso não seja o futuro, tampouco o presente, e quem sabe já seja um passado!

Neste período, foram celebrados diversos casamentos e festas de aniversário a distância, através de videoconferências pelo Zoom.

Um completo porre, eu participei de dois aniversários neste formato e por mais que haja um esforço dos anfitriões em animar a festa, era chato, uma legião de pessoas à distância fingindo se divertir.

Marília Mendonça, que Deus o tenha em um bom lugar, fez a “live” mais vista do Youtube em maio de 2020, levou incríveis 3,3milhões de pessoas a assistir seu show online, eu não vi, mas semanas depois tive a oportunidade de ver a do Bruno e Marrone, foi legal, principalmente a parte onde o Bruno contou para milhões de pessoas que o Marrone era “monobola” e que ainda sim conseguiu ser pai!

Depois dizem que diversão e ciência não se misturam 😉

Vejam!

Mas note, eu ja fui em alguns shows do Bruno e Marrone presencial (neste quesito mineiros e goianos compartilham dos mesmos interesses) e é completamente diferente a experiência.

É como assistir jogo de futebol no estádio, versus assistir na TV, se o Cléber Machado tiver narrando com comentários do Casagrande então, a experiência fica pior ainda.

Mais uma vez, gurus cravaram que o futuro eram as lives e os eventos online, afinal, diziam eles, que lugar do mundo caberia 3,3milhões ao mesmo tempo?

De um dia para o outro, o Zoom se tornou a nova panacéia, e uma das imagens que mais circularam nas redes sociais é uma que mostra que o Zoom valia o equivalente a 15 companhias aéreas juntas.

Corta para 2022, e hoje o Zoom vale menos que a Southweast 😉

Definitivamente, os gurus erraram em suas previsões!

Há… e os eventos?

Bons, eles voltaram, tivemos em São Paulo o Vtexday com mais de 12mil pessoas no São Paulo Expo, o Erpsummit com outras 5mil pessoas no Expo Center Norte e o Agiletrends com mais 3mil pessoas no Frei Caneca… todos no mesmo dia!

O E-commerce Brasil com 20 mil pessoas, o fórum panrotas e a feira da ABF, todos com recorde de público.

O Websummit em Lisboa contou com 71mil pessoas e famoso Rock In Rio contou com 700 mil pessoas na cidade maravilhosa!

Os eventos voltaram, e não me recordo de ver nenhum deles fazendo o streaming ao vivo.

E ainda este ano, Expedia, Booking, Airbnb e Despegar, os principais players de turismo do mundo, tiveram o melhor trimestre da sua história, todos superaram o mesmo período pré-pandemia.

Um claro sinal que demonstra que as viagens voltaram.

Os eventos presenciais voltaram, as pessoas voltaram a viajar, a se encontrar e a fazer negócios pessoalmente!

E as lojas físicas não morreram, continuamos sendo seres sociais e precisamos de interação.

Se fizermos uma retrospectiva de 2022, vai ser o ano onde Deus humilhou os gurus de inovação, mostrou que todos eles estavam errados e os tornou mais humildes.

Precisamos reconhecer, prever o futuro está cada vez mais difícil.

E para 2023?

Não quero ser humilhado por Deus aqui, mas se me permite um conselho, 2023 é um ano da Esperança, precisamos acreditar e ter fé que as coisas vão melhorar!

Estamos há poucos dias de um novo ano, e é bem provável que só volte a escrever aqui no ano que vem, que você tenha um excelente final de ano, de muita luz, esperança e sobretudo fé!

Até 2023 💙

Conheça os planos do Google para o Turismo

Se você já leu “Os Quatro” do prof. Scott Galloway, deve se lembrar das mentiras que as big techs contam. Depois de flertar muito em capturar a jornada completa do viajante online nas reservas de hotéis e passagens aéreas, o Google finalmente entendeu que vender mídia dá muito mais dinheiro que vender viagens, e optou este ano por descontinuar a opção de reservar hotéis e passagens aéreas direto pela plataforma, uma iniciativa que começou lá em 2015.

Em anúncio, o Google informou que:

“We originally offered this functionality to give people a simpler way to buy their tickets and to help our partner airlines and OTAs receive more bookings. However, we’ve found over time that people actually want to book directly on partner websites, and we always strive to meet user preferences whenever possible”

Em uma tradução livre, seria mais ou menos assim: “Nós originalmente oferecemos esta funcionalidade para dar as pessoas uma simples forma de comprar seus tickets e ajudar nossos parceiros de companhias aéreas e OTAs a receber mais reservas. Entretanto, nós descobrimos com o tempo que as pessoas preferem fazer reservas direto nos nossos parceiros, e a gente sempre nos esforçamos a atender as preferências dos nossos usuários quando possível

A “mentira” desta vez, é que o Google informou que a descontinuidade está atrelada a uma preferência do usuário, quando na verdade, o maior interesse decerto foi econômico, é tipo a Apple que que tirou o carregador do iPhone alegando questões ambientais, ou o Facebook, que por anos pediu para as marcas impulsionarem suas “fan pages” para depois cobrar delas anúncios para impactar seus seguidores.

Entenda…

Em 2020, eu comprei uma passagem aérea dentro dos EUA diretamente pelo Google Flights, toda a jornada de busca, checkout e pagamento aconteceu dentro do Google, e ela foi incrivelmente simples, muito melhor que comprar direto de qualquer site ou OTA, a propósito.

Mas note que nesta jornada o Google intermedia a compra e faz um papel de “agência online”, criando uma concorrência direta com as OTAs ‘parceiras’ que injetam bilhões por ano em anúncios na plataforma, além de assumir todos os riscos inerentes da intermediação.

No caso da passagem aérea, a opção no Google Flights aparece como “Book on Google”, veja a imagem abaixo:

How to book a flight on Google Flights

Depois, Tem a tela de checkout do próprio Google
How to book a flight on Google Flights

Sabe aquela frase, na corrida do ouro, ganha dinheiro quem vende pás e picaretas?

Então, o Google como “agência” iria capturar muito menos dinheiro na intermediação do que vendendo mídia, para se ter ideia do impacto da receita de mídia das OTAs e das companhias aéreas no Google, 2020 foi o único ano da história, que a linha de receita do Google com anúncios teve queda, justamente pelo impacto da redução de investimentos em mídia das OTAs proveniente da pandemia.

Em geral, Booking e Expedia são os maiores anunciantes do Google, veja:

Estima-se que Booking, Expedia, Airbnb e as companhias aéreas gastam em torno de U$ 10B anualmente com o Google em anúncios.

Vamos lembrar, o modelo de negócios de uma OTA é essencialmente um negócio de arbitragem de mídia, de um lado ele captura comissão de hotéis, locadora de carros e cias aéreas e do outro ele paga um caminhão de dinheiro em marketing, majoritariamente para o Google.

O Airbnb conseguiu quebrar este modelo, apenas 18% da sua receita é alocado em marketing e vendas, enquanto Booking e Expedia gastam em torno de 50%. Já a Despegar gastou 31%, mas este número deve aumentar no próximo trimestre, os argentinos estão realmente correndo atrás para recuperar o share perdido para 123Milhas.

Veja abaixo o share de publicidade de cada OTA no segundo trimestre deste ano:

Mídia é muito melhor que intermediação

Ao trabalhar com a intermediação, intermediando todo o checkout da compra da passagem aérea, o Google ficaria apenas com uma comissão da companhia aérea e seria responsável solidariamente por qualquer coisa que eventualmente acontecesse com o vôo.

O vôo foi cancelado? Caberia ao Google informar para o cliente!

O vôo atrasou? Caberia ao Google infromar para o cliente!

Alteração, remarcação ou cancelamento? Caberia ao cliente solicitar para o Google!

O Google seria exatamente uma agência, com o todo ônus e o bônus deste modelo, inclusive com toda a camada de atendimento necessária.

Nesta linha, o modelo “asset light” de anúncio é infinitamente mais vantajoso, para se ter uma ideia, a palavra chave “passagem aérea” está sendo leiloada a um preço de R$ 3,08, eu especulo que a taxa de conversão de um e-commerce de passagem aérea esteja entre 2% a 5%, então para mais ou menos 2 a 5 vendas, um player que vende passagem online gasta R$ 308,00 com anúncios.

Ainda sobre este ponto, é infinitamente mais barato para as companhias aéreas distribuirem através de canais intermediários como agências de viagens, consolidadoras e operadoras, do que vender direto, pagando o pedágio alto para o Google e Meta (e agora Tik Tok).

Por outro lado, ao vender direto para o consumidor final, companhias aéreas capturam os dados do cliente e conseguem fazer relacionamento com ele (CRM), é um tradeoff, mas pensando com o chapéu do acionista de uma companhia aérea, mesmo sendo mais caro vender direto, no longo prazo a empresa consegue capturar mais valor ao ter os dados do cliente.

Isto justifica todo o esforço das companhias aéreas em vender direto e desprestigiar os canais de distribuição.

o Google saiu mais forte da pandemia

Segundo dados do Skift Report Travel 2022, o Google saiu mais forte da pandemia dentro do segmento de viagens online, em janeiro de 2022 aproximadamente 50% do tráfego de metabuscadores (Kayak, Skyscanner, etc..) era proveniente do Google, em abril deste ano, este número já estava em torno de 62%.

O Google é definitvamente a empresa que mais ganha com todo o turismo online, por mais que haja um esforço de alguns players em diversificar canais de mídia, a Accor por exemplo, desembolsa algumas dezenas de milhões de dólares para patrocinar o PSG, e este ano Expedia e Booking estamparam suas marcas no Super Bowl, o minuto mais caro da propaganda mundial.

O Google tem tecnologia, capacidade, know-how, e dados suficientes para criar a maior e melhor OTA do mundo, conectando tudo em um grande superapp, e transacionando todas as viagens em sua wallet (GooglePay), e ela opta em não fazer isto pois entendeu que é muito mais vantajoso vender apenas mídia.

Divulgação de pacotes e atividadeS

Aumentando sua oferta de mídia no seguimento, o Google lançou em caráter de experimentação nos EUA a opção de ver atrações, experiências e atividades turísticas no destino, integradas diretamente com plataformas de tickets e com o Google Maps, veja, é incrível.

Two phone mocks showing ticket information in Maps. The first shows Tickets in the Overview tab. The second shows the Tickets tab.

E para “gestores de eventos” é possível carregar as opções de tíckets diretamente no Google Maps.

Gif showing the form to add a ticket.

Muito legal né?

Tem muita coisa supimpa vinda do Google com o objetivo de melhorar a experiência do usuário em encontrar viagens e experiências online.

E para os anunciantes, uma série de novas opções para melhorar a assertividade do anúncio e encontrar o cliente correto.

Por ora, a única certeza que temos é que o Google vai continuar sendo a empresa que vai capturar a maior receita com o turismo online, pelo menos, nos próximos 5 anos!