Praia de Copacabana vista da piscina do hotel Miramar

Quais são as mudanças nos hotéis na pandemia

A pandemia ainda não acabou. A tendência na média móvel de mortes e de novos casos estabilizou em um número alto. Mas é possível pensar em escapadas sem aglomeração. Pesquisa do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB) realizada entre o final de setembro e o início de outubro mostra que 90% dos quartos de 876 hotéis de rede em mais de 200 municípios do país já estão disponíveis para receber hóspedes. Em São Paulo, 90% dos quartos de 127 hotéis estão abertos, com um total de 23.843 quartos em hotéis de rede. No Rio de Janeiro, 70% dos quartos de 50 hotéis num total de 10.205. Muitas previsões foram feitas sobre as mudanças nos hotéis na pandemia.

Quase sete meses, dá para começar a analisar quais foram as transformações que vieram ou não para ficar. Lembrando que para aumentar as chances de uma viagem segura é fundamental o respeito às novas regras e ao próximo. De nada adianta hoteleiros criarem os mais elaborados protocolos e investirem em equipamentos e treinamento se os hóspedes se aglomerarem e não usarem máscaras nas áreas comuns.

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O que mudou

Reforço na limpeza

A principal de todas as mudanças nos hotéis na pandemia. De grandes redes a pequenas pousadas há muita gente se esforçando para pesquisar, implementar e fiscalizar novos procedimentos de higienização e sanitização.

Marriott, Hilton, Accor… Os maiores grupos hoteleiros anunciaram mudanças nos procedimentos de limpeza logo nas primeiras semanas da pandemia. Novos cargos ou mesmo departamentos inteiros foram criados para profissionais de biossegurança. Associações de propriedades independentes, inclusive as brasileiras Circuito Elegante com o selo Safe&Clean e Roteiros de Charme, também investiram em treinamento, inspeções, certificações. Álcool gel 70 por toda a parte é apenas o detalhe mais aparente de todas estas transformações. Atualmente há mais evidências de transmissão do vírus pelo ar do que pelo contágio de superfícies. Então usar máscara é fundamental para que as medidas de higiene sejam efetivas.

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Mudanças nos hotéis na pandemia: balcão de check-in/check-out protegido por acrílico no Miramar by Windsor, em Copacabana
Balcão de check-in/check-out protegido por acrílico no Miramar by Windsor, em Copacabana | Foto de Carla Lencastre
Experiências de baixo contato

Check-in e check-out virtual existiam antes da covid-19 em hotéis de diferentes categorias. O serviço cresceu durante a pandemia, alcançando inclusive marcas econômicas. Mesmo em hotéis que optaram por manter check-in e check-out no lobby, há procedimentos sendo feitos com contato mínimo. Aplicativos de hotéis também são outro exemplo do que já existia e aumentou durante a pandemia. Hotéis de luxo usam os apps para que os hóspedes tenham um canal de comunicação em tempo real sem perda de qualidade do serviço; hotéis midscale de grandes redes têm chaves virtuais nos telefones; resorts fazem agendamento de atividades de lazer… Cardápios de restaurantes e minibares sob demanda e menus de tratamentos do spa por QR code também foram adotados por muitas propriedades.

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Mudanças nos hotéis na pandemia: menu com QR code do restaurante Alloro, no Miramar by Windsor
Menu com QR code do restaurante Alloro, no Miramar by Windsor | Foto de Carla Lencastre
adaptação do espaço físico

Room office, room schooling, estadia prolongada ou até mesmo a opção de fechar um hotel inteiro para o turismo de isolamento de um hóspede e sua bolha são alternativas encontradas por hotéis urbanos, resorts e pousadas para aproveitarem estruturas ociosas de eventos (que apenas agora estão começando a ensaiar um tímido recomeço) ou simplesmente aumentarem as chances de ocupação. Principalmente durante a semana, porque nos fins de semanas e feriados muitos já estão alcançando os 100% de ocupação máxima permitida pelaas regras estaduais e municipais. Nos Estados Unidos, há hotéis de rede fazendo parcerias com empresas especializadas em co-working, que garantem os serviços necessários para o trabalho.

Tarifas promocionais para stacycations e políticas de cancelamento e remarcação mais flexíveis acompanham estas novas iniciativas. Nos EUA, as extended stays têm uma nova marca de hotel: SureStay Studio, da rede americana Best Western. A primeira unidade foi aberta em setembro em Charlotte, na Carolina do Norte, e outras 27 estão a caminho.

O que não mudou (pelo menos não até agora)

Bufês self-service

No início da pandemia, pouca gente tinha dúvida que bufês self-service saíriam dos hotéis para entrar na história. Afinal, fazer refeição em bufê é considerada atividade de alto risco como mostra a tabela da Associação Médica do Texas reproduzida por diversos órgãos de mídia. A associação Resorts Brasil não recomenda. Mas os bufês seguem inabaláveis.

Leia mais: O bufê de hotel na pandemia

comunicação digital

Outro item sobre o qual havia poucas dúvidas. Comunicação digital clara seria o novo normal na hotelaria. Sete meses depois há numerosos hotéis que sequer mencionam os novos protocolos em seus sites ou com informações diferentes, às vezes conflitantes, no site e nas redes sociais. Talvez estes mesmos lugares ofereçam informações detalhadas aos agentes de viagem, mas não para o consumidor. Fica a ressalva de que há também o extremo oposto: hotéis com ótimos exemplos de comunicação digital.

Leia mais: O que fazem os hotéis nas redes sociais na pandemia

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sustentabilidade

A pandemia fez com o planeta desse um passo atrás na redução do plástico de uso único. O aumento de plástico descartável na hotelaria até pode fazer sentido em um primeiro momento, por conta da sensação de segurança que passa. Mas, até agora, ainda não vi nenhum hotel explicando claramente como descarta os resíduos, que aumentaram muito. Nem mesmo propriedades com várias boas práticas realmente sustentáveis. Fracassamos.

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Carla Lencastre

Carla Lencastre é jornalista especializada em viagens, hotelaria, estilo de vida, comidas, bebidas e artes. Anda pelo mundo desde sempre a passeio e a trabalho. Gosta de visitar novos lugares, de revisitar velhos conhecidos e de contar uma boa história. E hotéis são lugares repletos de histórias... Ex-editora de turismo do jornal O Globo, onde trabalhou por mais de 20 anos, hoje escreve para diversos jornais, revistas e site brasileiros. No Instagram @CarlaLencastre estão suas viagens e seu dia dia no Rio de Janeiro, onde mora.

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